sábado, 20 de dezembro de 2014

PALMEIRAS

O coração aperta, quando olho para as palmeiras da nossa terra.Não tenho informação que a praga seja generalizada, mas no sul do país, subindo o Alentejo, toda a zona à volta da grande Lisboa, as palmeiras estão a morrer. Dizem que não há tratamento, que a doença é provocada por um escaravelho que viajou do norte e Africa e destruiu as belas palmeiras que coroam as nossas rotundas, as avenidas de algumas cidades e vigiam as piscinas dos grandes hoteise resorts.
Ficam como que despenteadas no topo, depois essas folhas mortas vão caindo  e por fim toda a árvore fica afectada.  Assistimos impotentes, nós, meros admiradores e aqueles que  costumam cuidar das árvores desta terra. Dizem que não há nada a fazer. Elas vão morrer.
Mas hoje, ao passar por uma grane avenida num bairro próximo, reparei que as palmeiras tinham mudado de formato. Cortaram todas as folhas e ficou só o tronco, como um enorme ananás doente. Pelo menos evitam que os nossos olhos parem na miseria  das belas folhas, caídas, exangues...
Será que algo vai renascer daquele tronco? De botânica não percebo nada, mas depreendo que, se houver saúde na raíz, ainda brotará algo daquele tronco seco. Fiquei triste, mas aliviada. Pelo menos não temos o espectaculo doloroso  de uma árvore linda e altaneira, a morrer, aos poucos.
Vim para casa a pensar que na nossa vida há tantas coisas que morrem, tantas doenças que destroem os nossos sonhos e a forma como queremos viver, mas que, mesmo sem esses sonhos, sem as esperanças e as vivencias que gostariamos de experimentar, poderemos ficar no nosso lugar, não tão bonitos, não tão frondosos, nem tão úteis, mas ficar, apenas, firmes, quem sabe...à espera que do tronco cortado e aparentemente seco, brote ainda alguma folha.

quarta-feira, 10 de dezembro de 2014

FÉ, ESPERANÇA, AMOR

Dezembro é um mês difícil. O frio encolhe-nos e faz-nos andar mais rápidos,  impedindo-nos de olhar com atenção quem passa por nós.
O final de umas centenas de dias a que convencionaram chamar ano, também não ajuda. Olhamos para trás e o balanço nem sempre é positivo.
Como gente crente num Deus que nunca falhou um único dia, no fundo, bem no fundo, sabemos que todas as coisas que nos aconteceram, de algum modo contribuiram para algum bem.
Hoje tenho tirado momentos largos para fazer o MEU balanço. Muitas aflições, sustos, eminencia de ficar sem a pessoa mais importante da minha vida, cansaço imenso...
No meio de tantas situações difíceis, apareceram pessoas, que se transformaram em anjos e que tornaram os momentos impossíveis em horas de gratidão profunda.
Mas a dor mais funda destes últimos dias do ano, ninguém consegue tocar. Não tenho um ombro onde me encoste sem que tudo seja posto em causa, nenhum lenço para limpar as lágrimas me é oferecido sem a pressão de ter que devolve-lo. 
Hoje alguém me disse  para ter esperança. Não tenho. Tenho fé. Tenho ainda amor para dar, mas esperança é uma luz no meio destes três e a minha, está apagada. Vou viver um dia de cada vez, o de hoje está quase a chegar ao fim. As folhas que restam no calendário são já muito poucas. Mas não estou preocupada com o calendário novo, vistoso, cheio, colorido, mas com este espaço de 24 horas a que chamamos dia. O de hoje. Quase a terminar. Ainda tenho fé. Tenho amor para dar. Mas a esperança, é como a luz trémula da árvore de Natal que teimei em fazer, apesar de tudo. Acende e apaga, em intervalos de segundos. Não fica lá, iluminando o caminho. Aparece apenas, para gritar que mesmo assim, permanecem a fé,  a esperança e o amor. Quem sabe se um dia ela não brilhará, outra vez?

terça-feira, 25 de novembro de 2014

TEMPESTADE

Hoje resolvi ler algumas das coisas que tenho escrito neste blogue. Já lá vão 5 anos ou mais, porque entretanto, houve um pirata que entrou para estragar e perdi muito do que tinha escrito.
Dizia eu que li o que ficou para trás. Para as pessoas que por aqui passam, é quase imperceptível que cada um destes escritos reflecte o momento presente da minha vida. E hoje não podia ser diferente.
O mês de Novembro vai-se escoando rápido, o calendário tem já poucas folhas para arrancar e daqui a nada, fechamos um ano cheio de surpresas e de inesperado.
A vida seria muito monótona se não houvesse outra estação que não o inverno. Só que, quando a chuva cai e o frio nos encolhe, fechamo-nos nos agasalhos, puxamos para os olhos os chapéus e gorros e esquecemos que ao virar da esquina há uma primavera.
Nestes dias, as minhas dores também me fecharam num redemoinho de sentimentos que me impedem de ver a cor da esperança. Espreito avidamente o céu, para ver se há ao menos uma nesga de azul, mas só consigo ver nuvens escuras, que descrevem tempestade e desconsolo.
Lembro um grupo de homens, num barco, de noite, debaixo de um medonho temporal. Já tinham experimentado outros, mas aquela ocasião parecia-lhes única. Só um dos homens dormia, no meio dos gritos, das ondas, da água que entrava no barco. Jesus dormia. Depois de tanto O sacudirem, Ele acordou, olhou para o mar e para o vendaval e falou-lhes num jeito de quem os conhece como a palma da mão: "Aquietem-se, acalmem-se!" No mesmo instante fez-se calma, as ondas beijavam apenas a embarcação e o vento empurrava-os suavemente para terra.
Eu sei, que Ele está no barco comigo. No meio deste temporal, Ele vai levantar-se e dar uma ordem de paz. Só não sei quando.

quarta-feira, 12 de novembro de 2014

DIVAGANDO...

Muito, muito trabalho. Não está certo, porque o que mais gosto de fazer na vida, além de estar com pessoas, abraçá-las e  ajudá-las, ficou para trás neste frenesim dos últimos dias. E o que maior prazer me dá é escrever.
Gostava que inventassem um aparelhómetro que pudéssemos ligar ao nosso cérebro e ele, sozinho, fosse escrevendo tudo o que os nossos dedos não conseguem no tempo e no espaço. Assim, todas as ideias mirabolantes, sonhos sem sentido, imaginação que queríamos ver tornada realidade, ficariam registados. Depois, o tal aparelho teria um botão que usaríamos para apagar o que não interessa  aos outros. Teria ainda um outro  que poria em ordem, por assuntos, os tais pensamentos e imaginações... Tenho a certeza que por aí, já há alguém a inventar esta "aplicação". Só que quando isso vier a público, já será tarde para mim. 
Aliás, nestes últimos dias tenho descoberto que há tantas coisas que vão sendo dificeis alcançar. Conclui que uma das razões por que as pessoas com mais idade andam mais devagar, é porque não têm pressa de chegar ao fim! Noto que já não corro...para quê? Reparo que já não tenho tanta pressa, porque teria? Descubro diariamente um novo encanto em pequenas coisas cuja existência nunca tinha notado. Bebo uma chávena de café com menos pressa, saboreio o aconchego macio da cama com mais tempo.
Os abraços das minhas netas e os cuidados dos meus filhos são cada vez mais necessários. Revejo-me nas suas conquistas, rio nas suas alegrias, choro com as suas tristezas, como se eu própria já não tivesse tanto para rir ou para chorar...
E cada dia que passa, leva-me mais perto de Deus, da Sua Presença, do Seu coração; hoje entendo-O de uma maneira quase sublime, vejo-O com olhos quase verdadeiros. Será por causa do brilho deste por-do-sol?

terça-feira, 28 de outubro de 2014

IDEIAS

Já ouviu a frase "ideias não me faltam..."?
Pois eu tenho este enorme problema. Tenho MUITAS ideias. Umas mensuraveis, outras apenas sonho, algumas completamente loucas e ainda umas quantas que gostaria de realizar, mas que, provavelmente  já não vou ter tempo para isso. O difícil é fazer a gestão de tantas, quais as que posso por de lado, as que podem ser guardadas na gaveta dos sonhos e as que, com algum esforço e ajuda, poderei por de pé. E perco algum tempo a fazer esta escolha. E até para isso tenho algumas ideias...
Surgiu-me ontem uma ideia! Nada de novo. Acontece quase todos os dias. Mas não é que esta me perseguiu o dia todo e hoje ainda não me saíu da cabeça? De vez em quando bate mais forte, abre uma janela para que eu veja um pouco do que pode acontecer. Fecho-a novamente, mas daqui a nada, lá vem outra vez!
Eu sei o que tenho que fazer  quando estou numa fase de "ideias": aquietar o meu coração. Falar silêncio à minha alma. Não escrever nem uma linha do que gostaria de dizer. Viver a rotina do dia como se fosse tudo calmo e normal. Pode ser que nesse sossego ela desmaie ou vá embora. Mas também pode ser que engorde e crie contornos de realidade e aí...arrasta-me como um turbilhão e só paro quando está concertizada.
Vamos ver como será desta vez. Também tenho algumas  ideias a respeito do que pode acontecer...

quarta-feira, 22 de outubro de 2014

QUE TEMPO!

O Outono chegou, instalou-se, molhou tudo, obrigou-nos a ir buscar agasalhos, botas e meias e, quando já estávamos a pensar que era assim que viveríamos nos próximos  4 ou 5 meses, de repente, arrepende-se, enrola as mantas e despe-se outra vez, encalorado e soalheiro.
Tenha lá paciência, amigo tempo, não há condições para viver nesta incerteza!
Enquanto procurava uma blusa mais fresca no armário, imaginei que a nossa, a minha vida, também tem destas reviravoltas. Sento-me quietinha, como se o tempo tivesse parado para mim, fecho os olhos e languidamente deixo-me levar nesta quietude de quem já não tem um horário a cumprir, nem a quem prestar grandes contas.
Mas de repente, o telefone toca, abro o correio e acabou o sossego. Lá vou eu outra vez. Malas feitas, bilhete na mão para outro desafio e desassossego! Novas experiências, novos amigos, oportunidades únicas de crescimento e de abençoar outros. Tal e qual como este Outono, que teimou em ser Verão outra vez.
O tal tempo do tão esperado sossego, de me enrolar nas mantas, ainda vem longe. O Inverno mesmo, é só daqui a dois meses, ainda vai haver dias de sol e o tal "Verão de S.Martinho", que por mais fugaz que seja, até empurra os mais afoitos para um banho de mar.
O melhor é mesmo aproveitar, enquanto a hora não muda...

quinta-feira, 9 de outubro de 2014

PERFEIÇÃO



Um dos sonhos da nossa vida era que as nossas relações, filhos, amigos, empregos fossem perfeitos. Tentamos por todos os meios que seja assim. Corrigimos aqui, cortamos acolá, camuflamos deste lado e escondemos daquele, para que os que nos rodeiam olhem pelas nossas janelas e vejam um casamento onde tudo é carinho, concordância, paixão; onde os nossos filhos são sempre obedientes estudiosos, crentes, saudáveis, os primeiros da classe, os melhores no desporto que escolheram; onde os amigos são sempre fiáveis, fieis; onde os empregos são bem remunerados e os nossos patrões nos elogiam frequentemente e os colegas nos respeitam e nunca são desonestos. Sonhamos…
Mas não é assim. E como não é, procuramos avidamente fazer comparações com outros, tentando tornar as nossas faltas mais pequenas, comparadas com as deles, ou a nossa frustração menor se a vida deles é menos fácil e bonita. Temos muita dificuldade em entender que na nossa casa, relação, amizades, Deus está a trabalhar um plano perfeito (Ele sim, é perfeito!) através das frustrações e erros do nosso dia-a-dia. Que os processos do Todo-Poderoso englobam exatamente essa imperfeição perturbadora, para nos fazer chegar mais perto daquilo que Ele intencionou para a nossa vida.
O que me irrita pessoalmente é que todas as vezes que fazemos as tais comparações, esquecemos de fazê-las com a Sua perfeição. Aí o padrão absoluto que exigimos e sonhamos para a nossa vida, ficaria mais leve e mais doce, porque foi isso que Ele prometeu.
E esqueço também que os outros que têm os mesmos problemas de imperfeição, podem animar-se ao olhar para a minha vida, quando me levanto de uma queda, de um erro, porque Ele me deu a mão…
Um dia chego lá. Um dia serei perfeita. Mas ainda estou no processo, lentamente, mas sem desistir.