quarta-feira, 23 de Abril de 2014

PAUSA

A sensação que tenho, é que hibernei!
O meu ritmo de vida abrandou de tal maneira, que as horas passam por mim como se estivessem com preguiça de chegar a algum lugar...
Os pequenos gestos e as pequenas tarefas, são feitas sem pressa. Abro a minha agenda e aqui e ali, vejo um traço enorme sobre compromissos que terão que ser adiados e, na sua maioria, cancelados.
Hoje mesmo, alguém me telefonou para falar numa certa reunião e tive que dizer mais uma vez: "agora não posso."
Se querem que vos diga, não é assim tão mau, embora vá contra tudo o que tem sido a minha vida nestes últimos anos. Aceito os tempos de Deus. Compreendo os Seus desertos. Entendo as Suas pausas. E é nesta aceitação que encontro paz, que sinto descanso, que não olho para o que há para fazer.

Estava a ler a história de Saulo de Tarso. Imagino-o um homem cheio de agendas, compromissos, completamente focado no que tinha para fazer. E, de repente, a sua jornada mudou. Deus desviou o seu programa de vida, o ritmo a que estava habituado e as pessoas que fariam parte das suas relações. Nessa paragem, de muitos meses, no silêncio da sua viragem, recebeu revelações que ninguém tinha recebido antes. Na incógnita da sua viagem, encontrou o caminho que o levaria a ser o apóstolo das gentes...

Eu sei, que nesta paragem, neste intervalo, Deus trabalha no meu silêncio, na minha pausa, neste novo ritmo da minha vida. Sei também que é apenas um tempo, que ainda não cheguei ao final da minha tarefa, que aquilo que planeou há muito será cumprido.
Não tenho receio. Os meus tempos estão nas Suas mãos.

sábado, 19 de Abril de 2014

ROTINAS

Faz hoje exactamente um mês que o meu marido entrou no hospital. Dura e longa experiência de melhoras, pioras, mais cirurgias...enfim, um mês de cansaço, receios, preocupação e muito poucas respostas. Pudera, quando os médicos se lembram de falar connosco, metade do que dizem voa por cima da nossa cabeça...os  termos que empregam e a rapidez com que o fazem, são para não dar-nos a oportunidade de interrompe-los  com perguntas repletas de ignorância e ansiedade à mistura. Mesmo assim, temos que estar gratos por tudo o que fazem, pelas muitas horas de trabalho e empenho que colocam em cada caso.
Agora que ele já está em casa, começa um novo tempo para nós: dietas, descanso, muito pouco esforço...
Fico admirada com a maneira como  nos adaptamos ao novo  e ao estranho. Somos assim, animais de hábitos...
É curioso como, de repente, as nossas rotinas são mudadas e damos connosco a fazer coisas que nunca tínhamos feito ou experimentado. Deus, nosso Pai, também estabeleceu estações para os seus filhos: sol, chuva, verão, inverno, sementeira, ceifa, frio calor. Decretou também que a nossa vida experimentasse a sombra da dor e o esplendor da alegria. Que nos alegrássemos pela fartura, para dar-lhe valor quando ela desaparece. E são estas nuances e estas cores diferentes na palete da vida, que a tornam tão especial, tão inesperada e tão rica.
Sei que este novo na minha vida, não tarda vai tornar-se em rotina, que por sua vez será quebrada por algo inesperado, outra vez. Em tudo isto, há no entanto algo que me empolga: Jesus Cristo não muda, não tem sombra de variação, é sempre fiel, eternamente confiável, absolutamente o MESMO. E é isto que traz equilíbrio às minhas variáveis, balanço aos meus dias, sossego ao meu coração.

terça-feira, 15 de Abril de 2014

SOMBRAS

Já passaram vários dias desde o meu último post. Muitas horas de aflição, de incerteza e de receio pela saúde do meu marido. Uma experiência que nunca tinha tido desde que estamos juntos, diferente da que tivemos na ultima vez que foi operado, há 6 anos... Ainda bem que a vida é sempre diferente...e que bom que Deus se mostra o MESMO em cada experiência!
Não tenho palavras que cheguem, para expressar o meu sentir em relação ao carinho, palavras de encorajamento e orações de amigos e família, de longe e de perto. Sem isso, não teria sido capaz de passar por este vale sombrio.
Descubro que "a Sua vara e o Seu cajado" que me consolam, tomam a forma de telefonemas, mensagens, palavras de cuidado e de força, mas acima de tudo, é a Sua presença que me traz tudo o que preciso, mesmo quando estou sozinha e as horas custam a passar durante a  noite.
Não estou a dizer nada novo, mas sombra significa que há luz! Um dia destes tudo voltará a uma normalidade diferente da que tínhamos antes e a sombra escura dará lugar a períodos de céu pouco nublado...
O mais importante, é que ainda que eu "ande pelo vale da sombra da morte", Ele está comigo. Podemos andar pelo vale, mas não ficamos lá, o nosso lugar em Cristo não é de sombras constantes, mas de luz.

quinta-feira, 27 de Março de 2014

A MINHA DEPENDÊNCIA...

Eu sei que estou a escrever pouco...mas este primeiro trimestre do ano tem sido algo atribulado. Estes momentos na minha página, são realmente um refúgio, um desabafo, mas quando há tantas outras exigências, vão ficando para trás...
Hoje descobri como sou tão "dependente" do meu marido. Agora que ele está em convalescença e proibido de certos movimentos, pesos e que tais, tenho que fazer muitas coisas que normalmente ele faz. Algumas, fá-lo por puro carinho, outras porque nota a dificuldade que tenho  e ainda outras...(e foram essas que me chocaram hoje) porque simplesmente gosta, acha que faz melhor do que eu e a mim, dá-me muito jeito que assim pense! 
Tive que deitar mãos à obra e perceber que a minha zona de conforto passa muito pela sua presença, carinho e  dedicação,  em tudo o que faz.
A percepção foi tão real que me assustei. Afinal, uma união de tantos anos é isto mesmo: habituar-nos aos passos do outro, às voltas (muitas vezes) incompreensíveis do outro, aos horários e rotinas da pessoa que partilha o nosso espaço há tanto tempo. A intimidade é feita também destes pequenos ritmos, tão conhecidos e tão necessários.
Transportei tudo isto para a minha intimidade com Deus. Será que sinto a Sua "falta" com a mesma intensidade? Será que sem Ele a vida deixa de fazer  sentido e perde  o brilho que deveria ter? Será que já me habituei à Sua presença tão constante , que a tenho como um dado adquirido, sem dar-lhe o valor total que ela merece?
Não queria desvendar muito a minha vida. Mas tenho que trazer um sorriso ao vosso rosto: estes pensamentos profundos  assaltaram-me enquanto me dirigia ao galinheiro, uma tarefa que odeio profundamente e que só faço em caso extremo, como agora...


quarta-feira, 19 de Março de 2014

Hoje é Dia do Pai. Ainda bem que inventam estes dias, para dizermos aquilo que normalmente não conseguimos expressar na corrida dos outros...
Este é o meu primeiro sem o meu pai. Ausência estranha. Saudade imensa. Lembranças que voltam em velocidade tal, que se torna impossível catalogar as que são boas e as que não são. Saudade é um bichinho pequeno e escurinho, que rói, até que um dia se cansa e deixa de doer. Nesse dia, o tal bichinho, acocora-se num canto do coração  e de vez em quando mexe-se, só para que saibamos que ainda lá está, que ali é a sua casa, que não intenciona sair...
O meu pai adorava receber flores. Ele amava flores. Por isso e só por isso, fui ao cemitério e deixei sobre a terra amarelada, um ramo de cravos de uma cor lindíssima. Ele não sabe, não cheira, nem sente as flores. Mas ali, mais uma vez, o meu coração apercebe-se do quanto  ele era importante e da falta imensa que é na minha vida e ao olhar para os cravos sobre a sepultura, recebo uma lufada de esperança. Cada dia estou mais perto do DIA DO PAI. Nesse, não haverá mais lágrimas, dor ou lembrança das dores passadas. Na Festa do Pai, as flores não vão murchar e o sol nem precisa dar luz, porque o próprio Pai ilumina tudo com a Sua presença...
O meu querido pai, já lá está, nessa luz inacessível, onde nem a saudade nem a distância são contadas...

terça-feira, 11 de Março de 2014

DE REPENTE...

Foi um Inverno longo, frio, chuvoso, húmido, cinzento, interminável. Para um país de gente que ama o sol, foi demais.
E, de repente...a chuva parou, o sol brilhou e aqueceu o nosso sorriso. O povo foi despindo os casacos e atreveu-se a caminhar pelas ruas, parques e praias com roupa leve.
O que me chamou a atenção nesta Primavera repentina, foi que, num dia tudo era cinzento, sem cor, molhado e triste. No outro, os meus olhos não queriam acreditar na extensão de verde que se derramava diante de mim. As árvores perenes brilhavam, lavadas e prontas e as outras, foram repentinamente buscar folhas novas, sei lá onde. Mais espantoso ainda. Rodando por uma pequena cidade, vi tantas árvores carregadas de flores brancas e cor de rosa...mas onde estavam estas flores ontem?  
A Primavera é um momento "de repente". Enchendo os olhos da beleza da natureza, o meu pensamento estremeceu ao ouvir dentro de mim estas palavras: "O choro pode durar uma noite, mas a alegria vem pela manhã" e mais uma vez tive a certeza que, sejam quais forem os Invernos e tempestades da minha vida, de repente, quando nem imagino, Deus envia uma Primavera exuberante de promessa, de alegria e de vida nova.

terça-feira, 25 de Fevereiro de 2014

APENAS UMA...

Estava a olhar para o número de pessoas registadas como seguidores deste blogue. Poucas. Bem sei que há muitos mais que lêem sem nunca se registarem. Não sei por que ficamos tão apreensivos em relação aos números! Engraçado, porque hoje mesmo li um artigo na revista MULHER CRIATIVA, que falava exactamente sobre isto! Veio ao encontro da minha reflexão, se valeria a pena continuar ou não a escrever para tão "poucos". 
Na semana passada tive uma grande alegria quando, ao falar a um grupo de pessoas, no final uma mulher aproximou-se de mim e disse-me timidamente que já há muito tempo era minha "fã". Este tipo de elogio diz-me pouco, a não ser que me expliquem a razão. Foi o que aconteceu. Ela contou-me que numa fase muito difícil da sua vida, no meio de uma depressão pós-parto, um familiar lhe ofereceu um  dos meus livros "Esperança para a Alma". No seu imenso desespero, leu o livro num fôlego. (Achei curioso, porque cada capítulo aborda um tema diferente). Ao terminar e ao reler algumas páginas, concluiu que precisava de Jesus na sua vida e entregou-se a Ele, convidando-O para Ele ser o seu Senhor e Salvador.
Aquele, foi um livro feito aos poucos. São crónicas de programas radiofónicos transmitidos durante dois anos. Ao usar a rádio, também não sabemos o "número" de pessoas que nos escutam. Mas e se o livro foi apenas para aquela mulher? Valeu a pena. Muito. Por isso, vou continuar. Quem sabe, daqui a um tempo alguém me conta outra história de transformação, onde as minhas palavras fizeram a diferença....