terça-feira, 15 de Abril de 2014

SOMBRAS

Já passaram vários dias desde o meu último post. Muitas horas de aflição, de incerteza e de receio pela saúde do meu marido. Uma experiência que nunca tinha tido desde que estamos juntos, diferente da que tivemos na ultima vez que foi operado, há 6 anos... Ainda bem que a vida é sempre diferente...e que bom que Deus se mostra o MESMO em cada experiência!
Não tenho palavras que cheguem, para expressar o meu sentir em relação ao carinho, palavras de encorajamento e orações de amigos e família, de longe e de perto. Sem isso, não teria sido capaz de passar por este vale sombrio.
Descubro que "a Sua vara e o Seu cajado" que me consolam, tomam a forma de telefonemas, mensagens, palavras de cuidado e de força, mas acima de tudo, é a Sua presença que me traz tudo o que preciso, mesmo quando estou sozinha e as horas custam a passar durante a  noite.
Não estou a dizer nada novo, mas sombra significa que há luz! Um dia destes tudo voltará a uma normalidade diferente da que tínhamos antes e a sombra escura dará lugar a períodos de céu pouco nublado...
O mais importante, é que ainda que eu "ande pelo vale da sombra da morte", Ele está comigo. Podemos andar pelo vale, mas não ficamos lá, o nosso lugar em Cristo não é de sombras constantes, mas de luz.

quinta-feira, 27 de Março de 2014

A MINHA DEPENDÊNCIA...

Eu sei que estou a escrever pouco...mas este primeiro trimestre do ano tem sido algo atribulado. Estes momentos na minha página, são realmente um refúgio, um desabafo, mas quando há tantas outras exigências, vão ficando para trás...
Hoje descobri como sou tão "dependente" do meu marido. Agora que ele está em convalescença e proibido de certos movimentos, pesos e que tais, tenho que fazer muitas coisas que normalmente ele faz. Algumas, fá-lo por puro carinho, outras porque nota a dificuldade que tenho  e ainda outras...(e foram essas que me chocaram hoje) porque simplesmente gosta, acha que faz melhor do que eu e a mim, dá-me muito jeito que assim pense! 
Tive que deitar mãos à obra e perceber que a minha zona de conforto passa muito pela sua presença, carinho e  dedicação,  em tudo o que faz.
A percepção foi tão real que me assustei. Afinal, uma união de tantos anos é isto mesmo: habituar-nos aos passos do outro, às voltas (muitas vezes) incompreensíveis do outro, aos horários e rotinas da pessoa que partilha o nosso espaço há tanto tempo. A intimidade é feita também destes pequenos ritmos, tão conhecidos e tão necessários.
Transportei tudo isto para a minha intimidade com Deus. Será que sinto a Sua "falta" com a mesma intensidade? Será que sem Ele a vida deixa de fazer  sentido e perde  o brilho que deveria ter? Será que já me habituei à Sua presença tão constante , que a tenho como um dado adquirido, sem dar-lhe o valor total que ela merece?
Não queria desvendar muito a minha vida. Mas tenho que trazer um sorriso ao vosso rosto: estes pensamentos profundos  assaltaram-me enquanto me dirigia ao galinheiro, uma tarefa que odeio profundamente e que só faço em caso extremo, como agora...


quarta-feira, 19 de Março de 2014

Hoje é Dia do Pai. Ainda bem que inventam estes dias, para dizermos aquilo que normalmente não conseguimos expressar na corrida dos outros...
Este é o meu primeiro sem o meu pai. Ausência estranha. Saudade imensa. Lembranças que voltam em velocidade tal, que se torna impossível catalogar as que são boas e as que não são. Saudade é um bichinho pequeno e escurinho, que rói, até que um dia se cansa e deixa de doer. Nesse dia, o tal bichinho, acocora-se num canto do coração  e de vez em quando mexe-se, só para que saibamos que ainda lá está, que ali é a sua casa, que não intenciona sair...
O meu pai adorava receber flores. Ele amava flores. Por isso e só por isso, fui ao cemitério e deixei sobre a terra amarelada, um ramo de cravos de uma cor lindíssima. Ele não sabe, não cheira, nem sente as flores. Mas ali, mais uma vez, o meu coração apercebe-se do quanto  ele era importante e da falta imensa que é na minha vida e ao olhar para os cravos sobre a sepultura, recebo uma lufada de esperança. Cada dia estou mais perto do DIA DO PAI. Nesse, não haverá mais lágrimas, dor ou lembrança das dores passadas. Na Festa do Pai, as flores não vão murchar e o sol nem precisa dar luz, porque o próprio Pai ilumina tudo com a Sua presença...
O meu querido pai, já lá está, nessa luz inacessível, onde nem a saudade nem a distância são contadas...

terça-feira, 11 de Março de 2014

DE REPENTE...

Foi um Inverno longo, frio, chuvoso, húmido, cinzento, interminável. Para um país de gente que ama o sol, foi demais.
E, de repente...a chuva parou, o sol brilhou e aqueceu o nosso sorriso. O povo foi despindo os casacos e atreveu-se a caminhar pelas ruas, parques e praias com roupa leve.
O que me chamou a atenção nesta Primavera repentina, foi que, num dia tudo era cinzento, sem cor, molhado e triste. No outro, os meus olhos não queriam acreditar na extensão de verde que se derramava diante de mim. As árvores perenes brilhavam, lavadas e prontas e as outras, foram repentinamente buscar folhas novas, sei lá onde. Mais espantoso ainda. Rodando por uma pequena cidade, vi tantas árvores carregadas de flores brancas e cor de rosa...mas onde estavam estas flores ontem?  
A Primavera é um momento "de repente". Enchendo os olhos da beleza da natureza, o meu pensamento estremeceu ao ouvir dentro de mim estas palavras: "O choro pode durar uma noite, mas a alegria vem pela manhã" e mais uma vez tive a certeza que, sejam quais forem os Invernos e tempestades da minha vida, de repente, quando nem imagino, Deus envia uma Primavera exuberante de promessa, de alegria e de vida nova.

terça-feira, 25 de Fevereiro de 2014

APENAS UMA...

Estava a olhar para o número de pessoas registadas como seguidores deste blogue. Poucas. Bem sei que há muitos mais que lêem sem nunca se registarem. Não sei por que ficamos tão apreensivos em relação aos números! Engraçado, porque hoje mesmo li um artigo na revista MULHER CRIATIVA, que falava exactamente sobre isto! Veio ao encontro da minha reflexão, se valeria a pena continuar ou não a escrever para tão "poucos". 
Na semana passada tive uma grande alegria quando, ao falar a um grupo de pessoas, no final uma mulher aproximou-se de mim e disse-me timidamente que já há muito tempo era minha "fã". Este tipo de elogio diz-me pouco, a não ser que me expliquem a razão. Foi o que aconteceu. Ela contou-me que numa fase muito difícil da sua vida, no meio de uma depressão pós-parto, um familiar lhe ofereceu um  dos meus livros "Esperança para a Alma". No seu imenso desespero, leu o livro num fôlego. (Achei curioso, porque cada capítulo aborda um tema diferente). Ao terminar e ao reler algumas páginas, concluiu que precisava de Jesus na sua vida e entregou-se a Ele, convidando-O para Ele ser o seu Senhor e Salvador.
Aquele, foi um livro feito aos poucos. São crónicas de programas radiofónicos transmitidos durante dois anos. Ao usar a rádio, também não sabemos o "número" de pessoas que nos escutam. Mas e se o livro foi apenas para aquela mulher? Valeu a pena. Muito. Por isso, vou continuar. Quem sabe, daqui a um tempo alguém me conta outra história de transformação, onde as minhas palavras fizeram a diferença....

quarta-feira, 5 de Fevereiro de 2014

FLORES NO CAMINHO





Aqui, ali, acolá, descobrimos flores nas veredas da nossa vida. Algumas cheiram tão bem, que paramos, para receber o perfume gratuito que exalam. São pessoas que cruzam connosco e nos fazem ver a luz num dia de escuridão, limpam as lágrimas num dia de choro e nos oferecem um ombro amigo quando nos falta a força para a jornada.
Outras flores, são pequeninas, quase desapercebidas, como palavras e gestos que nos aplaudem por breves instantes e incentivam a continuar.
De repente, numa curva do caminho, chocamos com um campo de girassois. Eles estão lá, deslumbrantes, quase agressivos, altivos, para nos lembrar que o amarelo não é mau gosto, mas uma parte do deslumbramento dos grandes momentos que vivemos.
Depois o caminho enche-se de trevos, oscilantes, débeis,confundido-se com o resto da erva da estrada. São uma parte dos pequenos gestos, das palavras insignificantes, mas que faziam falta na frase e no episódio da jornada.
Cada metro do nosso caminho é tocado por vida, seiva fresca, imaginação, lágrimas e riso.
Mesmo o deserto tem uma estação onde as flores saltam das areias e dão cor ao que parecia sem vida. 
Meu Deus, há por aí gente que não têm olhos para ver. Fá-los usar as mãos para apanhar e tocar, para sentir que vale a pena viver!

quarta-feira, 15 de Janeiro de 2014

NOVA MENSAGEM

É isto que diz no canto do blogue. Ele está à espera de uma "nova mensagem"... 
Nova, quer dizer que nunca foi usada, dita, sentida, ouvida, falada, escrita... mas haverá algo assim tão novo? As roupas podem nunca ter sido usadas, as palavras podem ser reformuladas, os sentimentos já os conhecemos quase todos, senão todos, as palavras já foram ditas muitas vezes,de várias maneiras, em diferentes contextos e em muitas línguas...
Já um sábio de outrora, dizia que "não há nada novo de baixo do sol"...E no entanto, na alma de cada homem há uma sede inesgotável por algo diferente , único e nunca experimentado. Pensamos nisso, especialmente no princípio de cada ano, porém os dias passam e parece que não há razão para esperar.
Mas a Bíblia sempre me surpreende. O meu caminhar estaca, diante do que Deus diz. O meu coração dispara, no anseio de sentir o que Ele fala: Eis que farei uma coisa nova (Jeremias 43:19). E detenho-me na minha rotina a tentar descobrir o que será que Ele vai fazer novo. Não pode mudar a ordem das estações, foi Ele que as programou. Não vai alterar o ciclo da sementeira e da colheita, não vai mudar a maneira como um óvulo acolhe a semente de um novo ser, não vai tornar-me jovem outra vez...que coisa nova é essa que Ele vai fazer? Depois de puxar muito pela cabeça, concluo que o novo de Deus tem a ver com a minha alma, com as minhas percepções daquilo que Ele é e faz,  que ainda não vi, porque a minha fé está em transformação e o meu coração em mudança, com uma esperança que não pode ser baseada em nada do que sinto ou percebo...e fico à espera, quero mesmo essa "coisa nova". Ele continua a fazer novo e mesmo quando uma velha promessa é cumprida, ainda tem contornos  e cheiro a novo. 
Faz, Senhor!