Terça-feira, 31 de Agosto de 2010

ELE RESPONDE...

Isto de estar “clinicamente proibida de funcionar durante um período de tempo”, leva-me a profunda meditação, como já disse anteriormente.

Desta vez, voltei vinte anos atrás, a um outro momento em que pensei que não poderia mais andar, esperar e viver. Os filhos casaram, a filha foi para longe, fui despedida injustamente, entrei na menopausa sem aviso prévio, fiquei sem objectivos, porque de repente, tudo o que preenchia a minha vida me foi tirado. Lembro que num desses dias de profundo desespero e decepção, falei com Deus e disse-Lhe que Ele não podia ter-se esquecido de mim daquela maneira. Não bastava que o telefone em casa estivesse em absoluto silêncio e ninguém se lembrasse que eu existia, Ele ia fazer a mesma coisa?

Pois não é que foi mesmo pelo telefone que Ele respondeu? Os vinte anos a seguir, foram os mais aventurosos, ricos, reveladores da Sua graça e da minha própria limitação e ainda de um número ilimitado de coisas novas. Neste tempo, aprendi a gostar de mim, das pessoas que até ali não chamavam a minha atenção, a ver o mundo com matizes em vez de uma só cor. Encontrei gente única e insuperável, vi a esperança a aparecer ao virar de muitas esquinas, vi o futuro brilhar na cor diferente dos olhos das minhas netas, presenciei Deus mudar, restaurar, curar e fortalecer, através de um conselho, de uma palavra, de um abraço que Ele me proporcionou oferecer.

E agora? O que vai acontecer daqui para a frente? Nem sei como falar com Ele exactamente...Não sei o que Ele esconde no livro do Seu propósito que tem o meu nome, mas aprendi que não preciso fazer muitas perguntas, por que, na Sua imensa sabedoria, Ele pode usar até um telefone para responder...

Terça-feira, 24 de Agosto de 2010

ORGULHO

Ficar imobilizada durante uns dias, leva-nos a fazer coisas que normalmente não temos tempo, na nossa azáfama diária. Uma delas é pensar. Ou seja, fazer uma introspecção da nossa vida, dos nossos alvos, prioridades, do que queremos, do que desejamos na realidade. E esse exercício nem sempre é agradável.
Tenho descoberto coisas muito sérias nestas duas semanas em que não posso andar normalmente. Se eu conseguir por em palavras o que tenho sentido, o exercício já valeu a pena.
Estava convencida que não era uma pessoa orgulhosa. Aceito as opiniões dos outros, sou tolerante , perdoo com facilidade (aprendi a fazê-lo numa outra crise da minha vida), não insisto numa coisa que sei que pode levar-me a um problema. Mas descobri que o orgulho tem outras facetas, outros rostos, alguns deles bem mais bonitos do que os que atrás descrevi. Por exemplo, saber que estou a ir além das minhas forças, da minha resistência e num acto de heroísmo (pensava eu) dizer: “Não aguento, mas vou fazer isto!”
Qual heroísmo, qual história, o que eu queria era que toda a gente me aplaudisse e dissesse como sou corajosa, fantástica, como aguento, como avanço sem medo, etc.etc... Puro orgulho. Descobri isso agora. Heroísmo é outra coisa. Coragem também é outra coisa... Enquanto os médicos se concentram numa veia da minha perna, Deus está a dar voltas ao meu coração. O divino cirurgião já tem o bisturi pronto para o primeiro golpe. Quando o procedimento terminar, eu sei que não vou mais fazer “tantas” coisas apenas porque sou forte, mas farei as que Ele quiser em mim e através de mim, porque Ele é Forte. E quando me perguntarem no final de uma jornada exaustiva se estou bem, em vez de uma resposta orgulhosa “estou bem!” vou começar a dizer: “estou muito cansada, preciso refazer as forças”. Talvez não volte a ser TÃO admirada, mas serei verdadeira comigo mesma e com aquilo que Deus me tem ensinado.

Sábado, 14 de Agosto de 2010

ETAPA FINAL


Aqui estou...estendida e impossibilitada de me mover. Para mim é algo absolutamente anormal, impensável quase. Mas “com a saúde não se brinca”, diz a voz popular e por isso me acomodo neste enfado. Além de ler, muito mais que o costume, ver programas de televisão (numa semana mais do que nos últimos 5 anos!), pouco mais há a fazer.
Hoje dei comigo a ver uma das etapas da Volta a Portugal em bicicleta. Um desporto bonito, saudável e que deixa os telespectadores apreciarem um bocadinho desta terra tão linda, que é a nossa.
A corrida está praticamente no fim. Amanhã corre-se a última etapa. A entrada triunfal em Lisboa. Mais ou menos já se sabe quem vai ganhar. Houve percalços pelo caminho, desistências, dores, calor, “amargos de boca” quando alguns pensavam que ganhariam esta ou aquela etapa...
Imagine que ali sentada, perna esticada, sem nada que fazer a não ser tentar recuperar a saúde, dou por mim a comparar a Volta com a minha corrida na vida... E concluo que estou quase a entrar na etapa final. Não sei os quilómetros que foram designados para esta, mas sei que estou praticamente lá. O melhor de tudo, a sensação mais bonita, é que estou convicta que vou ganhar! Porque eles (os corredores da Volta), correm por um prémio que é efémero, que não vai durar para sempre. Mas o meu prémio está guardado num lugar seguro. Vou recebe-lo das mãos do Campeão dos Séculos. Até posso já nem pedalar nos últimos metros, mas vou ganhar! Tenho essa certeza, porque Ele disse que tinha vencido o mundo e eu poderia vencer também.
Nesta corrida, posso parar de vez em quando para descansar. O Director mesmo convida a isso. “Vinde, os que estais cansados...e vos darei descanso”. Não se perde tempo no descanso, recupera-se a força para continuar. É o que estou a fazer nestes dias.
Ia esquecendo uma coisa importante: os companheiros da equipa. Estão sempre lá, incentivando, orando, aplaudindo, seja na velocidade da corrida, num problema de saúde ou no descanso merecido. E isso é maravilhoso!

Quinta-feira, 5 de Agosto de 2010

LENTES NOVAS

Mudei as lentes dos meus óculos. São muito especiais, completamente diferentes em cada olho, muito caras... Qualquer pessoa que se atreva a colocar os meus óculos, apanha um susto...ou seja, não consegue ver absolutamente nada...
Significa isto, que a minha visão é diferente das pessoas que me rodeiam, mesmo dos que me são próximos. Quer dizer também que se eu não usar estas lentes, estou sujeita a não ver nada, ou quase nada...
Que bom que temos esta possibilidade de corrigir a nossa visão, de torná-la mais nítida e mais clara. Estava a pensar no que diz a Palavra de Deus que “sem visão o povo perece”. Já ouvi muitas coisas sobre o assunto, mas a Palavra, para fazer sentido para mim, tenho que encarná-la. E porque as coisas espirituais se discernem pelas naturais, aí estou eu a colocar umas lentes no meu espírito. Sim, porque algures, ao longo do caminho, os meus olhos foram enfraquecendo, criando insuficiências, perdendo capacidades (os espirituais também!) Preciso de lentes! Rápido, porque sem visão, posso perecer, acabar perdendo-me e deixar de ver o alvo que Deus tem para mim.
Consulta urgente ao divino oftalmologista! Os evangelhos têm imensos encontros do Filho de Deus com gente cega, de vista cansada, míopes. Para cada um deles, o Cristo de Deus fez uma receita diferente, mas solucionou o seu problema. E o meu?
Aqui estou eu, Senhor. Preciso de umas gotas de colírio, para descongestionar uns olhos cansados de lágrimas e da poeira da vida. Preciso de umas lentes que me façam ver o que tens para mim, sem me enganar e sem me confundir. Necessito limpar estas lentes, muitas vezes, com o poder real da tua Palavra. Tenho que usá-las quando viajo, trabalho, leio, converso... Deixa que eu veja o mundo lindo que criaste, como saiu das Tuas mãos...permite que eu veja os homens à minha volta, não com a minha visão distorcida e doente, mas como Tu mesmo os vês... não permitas que confunda as cores da vida. “Senhor , eu quero ver”! (Mar 10:51)

Terça-feira, 27 de Julho de 2010

DESISTIR...

É assim o abandono do sonho, a renúncia da felicidade, o esquecer do compromisso. De repente os braços caem, a mente fica em "auto-piloto" e tanto faz... para quê lutar, por que insistir? É muito mais fácil desistir.
Pois na semana passada estava a falar com uma amiga que me dizia: "Desisto.Não tenho mais força. Não vale a pena continuar. " Fiquei assustada, porque já estive nesse lugar sombrio e escorregadio do abandono e sei quanto é falso e manhoso. Digo falso, porque ele parece trazer soluções rápidas, mas que provam mais tarde ser de dor e reprovação.
Há muitos anos, passou pelo Monte esperança,Instituto Bíblico de Portugal, um grande homem de Deus, Charles Greenaway. Ao falar para os alunos que encetavam uma nova etapa nas suas vidas académicas e ministeriais, leu um poema da sua autoria, que mais tarde traduzi para português e que a partir desse ano, passou a ser parte do dossier informativo que todas as novas turmas de alunos recebiam no princípio de cada ano lectivo.
A minha amiga, à beira da desistência, leu-o com a voz carregada de emoção. Por ser tão importante e belo, resolvi colocá-lo neste espaço. Quem sabe, ajudará alguém que pensa desistir...

Se eu desistir
O que ganharei?
Terminará a batalha? Ficarei livre?
Não, nem a porta se fechava, nem a batalha terminava,
Porque Deus teria outro para ficar na brecha
Se eu desistisse.
Se eu desistir,
O que farei?
Procurarei abrigo do calor? Esquecerei o clamor do perdido?
Por um tempo seria feliz, depois descobriria que já não o era
E gastaria o meu tempo orando para fazer algo
E dizendo a Deus, “porque desisti?”
Se eu desistir,
Descobrirei que Deus não desiste.
A batalha ainda rugirá, a Igreja marchará,
O vento soprará ainda, o Espírito continuará a encher,
E eu ficarei cada vez mais longe, meditando,
Perguntando, “Deus, porque desisti?”
Se eu desistir,
Que poderei dizer a Deus
Que me chamou,

ao povo que me enviou,
Ao pagão que confiou em mim para mostrar-lhe o caminho,
Ao Espírito que me anima dia após dia?
Deus, eu não posso desistir.
Se eu desistir,
Que seja quando eu morrer,
E não em vida, nem quando estiver insatisfeito,
Criticado, minimizado, esquecido,
Mas Deus, faz que o meu tempo de desistir
Seja quando eu morrer."

Sexta-feira, 23 de Julho de 2010

VAIDADE DAS VAIDADES...

Não fui para férias, não senhor. Deve-se a muitas coisas para fazer, pouca disponibilidade e alguns dias mais difíceis em que a disposição teima em fugir.

Mas esta semana encontrei um amigo e começamos a conversar sobre férias, evidentemente… No meio da conversa perguntei-lhe se a tal viagem que tinham pensado fazer a um determinado lugar, ainda estava de pé. O meu amigo explicou-me que o dinheiro está curto (será só para ele?) e que embora fosse importante ir, que a ideia ficava adiada. Ficámos por ali a debater sobre o que aprendemos quando estamos em locais diferentes, expostos a culturas e pessoas diferentes.

Por causa dessa conversa em princípio tão banal, comecei a reflectir sobre o que aprendo ou não, quando viajo, me desloco a lugares, países e comunidades diferentes. A esta altura da minha vida, parece-me que não há já muitas coisas diferentes. O que muda são os “adereços”. A peça da vida é igual para todos, o palco é mais iluminado para uns e mais sombrio para outros, mas o final é quase sempre igual. Esta descoberta será parecida com a que fez o sábio Salomão, quando disse num ar de total desapontamento”tudo é vaidade”?

É que a aquisição do conhecimento, a ciência, a fé, as dádivas, os dons, passam… Quando o homem chega ao final da sua jornada neste mundo, tudo isto se desvanece “como fumo”…vaidade…

Afinal para quê tanto afã, correria, competição, se tudo passa?

Vou ao Livro à procura da resposta. Salomão nunca a encontrou, mas deste lado de cá da vinda do Filho de Deus à terra, as respostas são mais fáceis, as respostas mais óbvias. É verdade que tudo passa, mas o Livro diz que o amor permanece. A única coisa que dura, passa para além da existência humana e continua numa outra esfera, é o amor, porque ele faz parte da essência divina. A grande questão é se eu possuo esse amor, se me dedico por causa desse amor, se me sacrifico porque tenho esse amor, se sofro, espero, creio através desse amor… Ele será o meu companheiro na travessia para a eternidade, porque é o único capaz de me levar e segurar. O resto fica.

Terça-feira, 13 de Julho de 2010

MEU NOME

Meu nome é MULHER!
Eu era a Eva
criada para a felicidade de Adão,
mais tarde fui Maria
dando à luz Aquele que traria a salvação.
Mas isso não bastava para eu encontrar perdão,
passei a ser Amélia,
a mulher de verdade
para a sociedade.
Não tinha a menor vaidade
mas sonhava com a igualdade.
Muito tempo depois decidi:Não dá mais!
Quero a minha dignidadeTenho os meus ideais!
Hoje não sou só esposa ou filha,
sou pai, mãe, arrimo de família,
sou camionista, taxista,
piloto de avião, mulher polícia,
operária em construção...
Ao mundo peço licença para actuar onde quiser.
Meu sobrenome é COMPETÊNCIA
E meu nome é MULHER..!!!!

(Autor desconhecido)