segunda-feira, 21 de novembro de 2016

ESCREVO...PORQUÊ?

Tenho na minha frente uma folha em branco. Posso deixá-la assim. Muita gente deixa. Mas comigo a conversa é outra. É como se  aquele espaço vazio estivesse morto e eu precisasse, com a máxima urgência, dar-lhe vida. 
Mas escrevo o quê, nesta página em branco?
Se escrever sobre Deus, faltam-me as palavras, fico parada, sem saber o que mais acrescentar a um Ser que é todo sublime, todo poderoso, todo amor, todo.
Se escrevo sobre a minha família, quem lê, pensará que "me acho" mais que os outros, porque só posso descreve-la com tintas de cores doces e nuances de riso e loucura.
Se escrevo sobre mim, vão dizer que tenho ataques constantes de crises e de dúvidas, quando afinal as minhas crises cada vez mais me dão certezas.
Se escrevo sobre o que se passa à minha volta, estou sujeita a que me digam que não é bem assim, pois cada um vê o mundo pelos seus olhos.
Se escrevo sobre fé, esperança, amor, dizem que isso é bonito mas não é real.
Se escrevo sobre dores, logo a seguir recebo as mensagens da praxe que me dizem que "vai ficar tudo bem", que "o melhor ainda está para vir"...
Diante disto, o melhor era não escrever. Mas não consigo. A página está em branco, aqui mesmo, à minha frente, à espera de palavras que não são colocadas lá para a aprovação de ninguém, mas porque é mais forte do que eu.
Vou continuar a escrever. Ainda há muitas páginas em branco por aí.

sexta-feira, 28 de outubro de 2016

A PARÁBOLA DO CABELEIREIRO

E o reino de Deus na vida de uma mulher pode assemelhar-se a alguém que decide ir tratar do cabelo. Fá-lo,  não por vaidade, mas por necessidade. Está sujo, desalinhado, com mau aspecto. Para isso, tem que marcar uma hora, sentar-se pacientemente na cadeira e deixar que o artista faça o que deve  ser feito. Primeiro é uma lavagem  tipo "esfrega", para que o sujo saia todo. O champô aplicado a seguir, tem como objectivo não deixar nada por limpar e o terceiro, para que o cabelo fique bem limpo, sedoso, brilhante. Depois começa a secagem e o penteado, feito com escovas diferentes. Às vezes, o calor do secador fere, mas pouco a pouco, o cabelo vai tomando jeito. Depois é o penteado, toque final da mão artística. E para que dure mais, é aplicado um spray, que vai ajudar o cabelo a ficar bonito e apresentável durante algumas horas.
E como todas as parábolas, esta também me ensina algo importante. Olho para mim e não gosto do que vejo. Preciso de tirar tempo para estar  com o meu Pai Celestial e deixar-me ficar nas  Suas mãos sábias, para que Ele me lave, uma e outra vez. Depois, aguentar o calor, tantas vezes desconfortável,  para chegar ao que Ele acha ser o formato que planeou para a minha vida e permitir que as Suas mãos criadoras, alindem aquilo que uns minutos antes era feio, sujo  e sem beleza. Olho no espelho da Sua Palavra  à medida que Ele trabalha  e noto como é sabedor dos pormenores mais pequenos, para que tudo fique a Seu contento. Fico abismada com o produto final. Mas Ele aplica ainda um spray de graça sobe a minha vida, para que a obra que acabou de fazer perdure mais um pouco. Despede-se de mim com um sorriso  e diz-me que me espera daí a uns dias...
E eu volto sempre. Sempre. Como não voltar, se Ele me faz parecer tão formosa e importante?

domingo, 23 de outubro de 2016

A MENINA DANÇA?

Era com esta pergunta que os rapazes convidavam uma moça para dançar...lá atrás, no tempo. Eu nunca dancei. Lembro que na escola, a professora de ginástica bem tentava que eu aprendesse os passos das danças, mas era escusado. Há uma dislexia entre os meus pés, e o que a minha mente sente da música. Não conjugam. Já casada, o meu amor, que dança muito bem, tentou ultrapassar esta dificuldade, mas depois de muitas tentativas, desistiu.
O engraçado é que eu adoro ver dançar. Acho aquele mover do corpo, das mãos e dos pés, algo mágico. Desisti deste prazer e desta magia que é ser levada por alguém, rodopiando, ao som de uma música.
Até que descobri na Palavra de Deus (cheia de incidentes de dança), uma frase que me trouxe esperança. Ao ler Mateus 11:28 numa versão parafraseada da Bíblia, Jesus Cristo diz: Aprendam os ritmos livres da graça! “ Quando li estas palavras o meu coração deu um salto. Afinal eu já dancei, eu sei dançar este ritmo! Se fixar os olhos no meu Senhor, vejo os Seus braços estendidos, sinto as Suas mãos a segurar-me e a música da Sua graça, move-me. É um ritmo livre. Os passos não têm que ser sincronizados. A graça é livre! A graça é feita do imerecido, do perdão, do esquecimento do que ficou para trás, de lembranças doridas que se vão desvanecendo, de lugares de horror que dão lugar a paisagens de sonho, de frustrações sem fim a promessas cumpridas. E quanto mais conheço esta graça, melhor eu danço! Só preciso de olhar para Ele, fixar os olhos no Seu rosto de amor, para dançar perfeitamente. Agora Ele enleia-me, mais forte e ouço o bater do Seu coração. Nem penso nos meus pés, que continuam a dançar...neste ritmo livre, livre!


segunda-feira, 17 de outubro de 2016

GERAÇÕES

Que linda! Estou a falar da minha bisneta Isabelle. Ontem tive-a no colo e ao olhar a sua carinha recém-chegada ao mundo, não consegui deixar de lembrar o dia em que me colocaram nos braços a sua avó. Eu era jovem, cheia de energia e sonhos para a menina que Deus me tinha concedido. Foi um parto bem difícil, os dias a seguir ainda mais, mas ela venceu todos os obstáculos e fez-se uma mulher de carácter, de sabedoria, de fé, que toca o mundo à sua volta e sabe discernir o que Deus deseja para a sua vida. 
Depois lembrei o dia em que nasceu a sua mãe, a minha neta. Oh, meu  Deus! Que manhã aquela, de espera ansiosa, até que a enfermeira passou com o bercinho da recém-nascida e todos os temores desapareceram diante da perfeição deste novo ser. Os pais deram-lhe um nome que trouxe esperança à minha vida, num momento de fragilidade emocional.Hoje olho para a minha neta e sinto um orgulho profundo pela pessoa que é, pela determinação e capacidade de estar longe da família 5 anos para formar-se e pela esposa e mãe em que se tornou.
E agora...ali está ela, Isabelle, bisneta, num momento de fragilidade física da minha vida, a dizer-me sem palavras: "Louva a Deus, nonna, porque chegaste aqui! Nem todas as mulheres têm este privilégio! Nem todas podem gozar do carinho que te damos, muitas na tua idade já nem sabem por que vivem..."
Respiro fundo. A gratidão às vezes também nos sufoca...e não há como não deixar que ela escorra dos nossos olhos.

sábado, 15 de outubro de 2016

ESTAMOS VIVOS

A vida é salpicada de dor.
Possivelmente seria mais correcto dizer que ela é dor, salpicada de momentos de alegria...
Hoje estava a ouvir uma amiga contar das suas, tão grandes, tão estranhas, tão insolúveis. Comparei a minha existência com a sua e encolhi-me de gratidão.
De  qualquer modo, todos temos momentos de aflição, angústia, medo, perplexidade. Como encaramos esses momentos é que faz a diferença.
Ontem falei com uma senhora com Alzheimer. Já não a via há bastante tempo e pensei que ela teria um discurso diferente. Notei como se esforçava para lembrar-se das pessoas à sua volta e como tentava que tudo fosse perfeitamente normal, até ao momento em que deixou cair a chávena que tinha na mão. Acontece a  qualquer pessoa, todos os dias se parte loiça, mas para ela foi como se aquele percalço a avisasse, de tal maneira que disse logo: "Não devia ter saído de casa", ao que toda a gente respondeu que  aquilo não tinha importância, que acontecia a todos os mortais, mas ela foi ficando mais e mais recolhida, embora o sorriso lindo que sempre emoldurou o seu rosto, permanecesse.
Queixo-me de tantas dores. Tenho dias em que são tão difíceis de suportar. Mas o que é isso, comparado com uma mente que se vai fechando, até daqui a uns meses já nem saber quem são os filhos, nem perceber  o que veste ou se precisa de tomar banho?
A maneira melhor de encarar qualquer dor é agradecendo. Agradecer porque conseguimos dar-lhe nome, porque temos a noção onde começou e onde pode terminar, ser grata porque apesar de tudo, sentimos o carinho na voz de alguém, discernimos amor nos olhos de outro alguém, numa palavra - vivemos!

terça-feira, 4 de outubro de 2016

TRANSIÇÃO

Esta transição ente o Verão e o Outono é bem curiosa. Os dias de grande calor parece darem lugar a um clima mais ameno, mas o sol não deixa de brilhar. A paisagem exuberante do arvoredo e do mar continua lá, só que com tons diferentes. Ainda não temos frio para ir buscar a roupa quente, mas não podemos descuidar-nos muito, porque as tardes já refrescam bastante...
O que acho interessante na mudança, é que as pessoas não ficam tristes com o adeus ao Verão. É que ele, por mais divertido que seja, também cansa!
Esta reflexão simples tem a ver com a vida de cada individuo. Mal comparado, um dia somos Verão e daqui a nada caminhamos para o Outono. Num dia aguentamos todos os calores da vida, mas chega a um ponto em que precisamos de algum descanso. Ontem fomos felizes, freneticamente felizes e hoje, sabe bem este conforto, poucas palavras, sossego e confiança no que possuímos. 
Gosto do Outono. Das cores, dos cheiros, das tonalidades quando o sol quer deitar-se, arrastando lentamente as  pontas douradas  e vermelhas dos seus lençóis pelo céu sem fim.
E gosto sobretudo de  saber que há um propósito para cada estação, um projecto traçado por Deus para cada fase da minha vida. Nesta, não posso dar o mesmo "fruto" que dei na Primavera, mas o que é próprio desta estação!

sexta-feira, 23 de setembro de 2016

SOZINHOS?

Oh meus amigos, isto foi uma tragédia, um drama, lágrimas e muita confusão. De repente recebo a notícia da Google que o meu blogue tinha terminado, porque não paguei o domínio. Ora bem, aqui a ignorante estava convencida que essa "coisa" se renovava automaticamente.  Nada. Fiquei muito triste porque tenho posts escritos desde 2009 e nem todos estão guardados. (Outra burrice).
Mas as grandes empresas têm maneiras de chegar até nós e depois de dezenas de mails, de mensagens telefónicas, hoje consegui recuperar este cantinho  que amo tanto.
Ainda bem que temos netos que são tão inteligentes nestas coisas da tecnologia! Ainda bem que não estamos sozinhos no mundo, mas somos parte  de uma rede enorme de entreajuda quando as dificuldades nos batem à porta. 
É interessante  isto ter acontecido exactamente hoje, porque tive um sonho medonho a noite passada. No sonho, estava com um grupo  de amigos, numa festa, mas um a um foram-se afastando e quando olhei à minha volta não havia ninguém e estava numa casa desconhecida, num lugar que nem conseguia identificar e  não tinha ninguém que me ajudasse a voltar para casa. Acordei em sobressalto com a sensação angustiante que possivelmente. um dia destes, isto pode acontecer.
Mas não é verdade, a grande Google pensou aqui na vossa amiga e não descansou enquanto não recuperei o meu blogue. O meu neto, perdeu uns minutos longos do seu tempo para ajudar. Não estamos sozinhos. O mundo tem muita gente. Haverá sempre alguém que nos estenda a mão, no momento mais difícil, na hora mais triste. E mesmo que os fantasmas mentirosos nos assaltem enquanto dormimos, será bom lembrar a tal frase do tal Senhor que prometeu: "Nunca  te deixarei, não te abandonarei..."