sexta-feira, 16 de janeiro de 2015

TANTO PARA AGRADECER!

Hoje fiquei impressionada com as lágrimas de uma senhora que entrou no café onde normalmente  toma o seu pequeno-almoço. A senhora já vai entrada nos anos, move-se com dificuldade, não tem família, mas todos os dias, chova ou faça sol, enche-se de coragem e lá vai, umas vezes mais rápida outras tão lenta que parece que faz um viagem de quilómetros. Mas vai. Mas insiste. Afinal, dentro do café está quentinho, as senhoras da aldeia juntam-se religiosamente  todas as manhãs para o galão e o pão quente e ela, pelo menos ali, tem companhia. 
Perguntei-lhe da razão do choro, o que deu aso a mais lágrimas e mais assoadelas e por fim, com a voz embargada de soluços teimosos, foi contando da imensa dificuldade que tem em vestir-se, calçar-se, ela que já fez, que já andou, que deu e repartiu....e aí vem um caudal de lembranças de um tempo que já lá vai. Deixei-a desabafar. Todos precisamos desta descarga de emoção, de vez em quando. Daí a minutos já estava agarrada ao pãozinho, mas ainda com a lágrima ao canto do olho. Foi então que lhe disse que possivelmente podia ver as coisas do outro lado. Há sempre um outro lado. Porque não agradecer a Deus que ainda tem alguém que pode ajudá-la a vestir-se e a arranjar-se, quando há tantas pessoas que estão mesmo sozinhas, sem ajuda de ninguém? Porque não encher a alma de gratidão pelas amigas que conversam com ela todos os dias e desarrumam o café só para que ela fique mais confortavelmente sentada? Porque não dar graças por uma vida vivida com prazer, ao lado de alguém que tanto amou, quando tantos neste mundo, passam por ele sem nunca saber o que é carinho e ternura?
Olhou para mim com os olhos vermelhos de tantas lágrimas e disse: "É verdade, tenho tanto para agradecer!"
Vim para casa e apliquei  à minha própria vida o que disse à senhora. Tanto para agradecer. Uma imensidade de graça, misericórdia, cuidado, perdão, força., coragem, em doses precisas e na hora certa, das mãos de um Deus que não falha, não se ausenta e nem se esquece do que prometeu fazer.
Neste dia frio de Inverno, quero aquecer a minha alma com o calor da gratidão. Quem sabe, se alguém com muito frio, não fica mais consolado.

segunda-feira, 5 de janeiro de 2015

SEI!

E vamos lá começar um novo ano no blogue,
Iniciei-o em 2009. Não quero falar do outro, anterior, que me foi roubado, pirateado e sei lá mais o quê.
Tem-me dado tanto prazer escrever! Gostaria de fazê-lo mais amiúde, mas o tempo ás vezes não dá para tudo...
Tenho abordado aqui imensos temas, desde os mais tristes e dolorosos até aos alegres e ainda aqueles que não têm muita importância, a não ser para mim, que os escrevo.
Ouvi dizer que 2015 será o ano da esperança. Não sei onde se baseiam os políticos e comentadores para tal afirmação. Afinal todos os anos deveriam ser de esperança. mesmo quando a perdemos, ainda quando não  há muito para esperar. Escrevi aqui há tempo sobre este assunto da esperança ou da falta dela.
Mas hoje, quero trazer à lembrança aquilo que me dá esperança: saber que a fidelidade, bondade, amor, misericórdia, graça de Deus nunca falham, jamais me desamparam! O que vejo e o que que sinto, não são muito promissores. O que me acontece não é, de modo algum, um prenúncio de algo bom, mas eu trago hoje à lembrança tudo o que pode produzir em mim esperança - a grande fidelidade de Deus.
Se no decorrer deste ano algo ruim me acontecer, SEI que Deus será Fiel nesse momento como foi noutras circunstâncias semelhantes. SEI que Ele me levantará acima das minhas dores. SEI que a Sua mão de poder me sustentará acima dos meus medos. SEI que posso estar confiante Naquele que cuida dos pássaros e sabe o número de todos eles. SEI  que no meio do vendaval, não irá deixar o meu barco afundar. 
SEI! E só isso, acende a luz da esperança!

sábado, 20 de dezembro de 2014

PALMEIRAS

O coração aperta, quando olho para as palmeiras da nossa terra.Não tenho informação que a praga seja generalizada, mas no sul do país, subindo o Alentejo, toda a zona à volta da grande Lisboa, as palmeiras estão a morrer. Dizem que não há tratamento, que a doença é provocada por um escaravelho que viajou do norte e Africa e destruiu as belas palmeiras que coroam as nossas rotundas, as avenidas de algumas cidades e vigiam as piscinas dos grandes hoteise resorts.
Ficam como que despenteadas no topo, depois essas folhas mortas vão caindo  e por fim toda a árvore fica afectada.  Assistimos impotentes, nós, meros admiradores e aqueles que  costumam cuidar das árvores desta terra. Dizem que não há nada a fazer. Elas vão morrer.
Mas hoje, ao passar por uma grane avenida num bairro próximo, reparei que as palmeiras tinham mudado de formato. Cortaram todas as folhas e ficou só o tronco, como um enorme ananás doente. Pelo menos evitam que os nossos olhos parem na miseria  das belas folhas, caídas, exangues...
Será que algo vai renascer daquele tronco? De botânica não percebo nada, mas depreendo que, se houver saúde na raíz, ainda brotará algo daquele tronco seco. Fiquei triste, mas aliviada. Pelo menos não temos o espectaculo doloroso  de uma árvore linda e altaneira, a morrer, aos poucos.
Vim para casa a pensar que na nossa vida há tantas coisas que morrem, tantas doenças que destroem os nossos sonhos e a forma como queremos viver, mas que, mesmo sem esses sonhos, sem as esperanças e as vivencias que gostariamos de experimentar, poderemos ficar no nosso lugar, não tão bonitos, não tão frondosos, nem tão úteis, mas ficar, apenas, firmes, quem sabe...à espera que do tronco cortado e aparentemente seco, brote ainda alguma folha.

quarta-feira, 10 de dezembro de 2014

FÉ, ESPERANÇA, AMOR

Dezembro é um mês difícil. O frio encolhe-nos e faz-nos andar mais rápidos,  impedindo-nos de olhar com atenção quem passa por nós.
O final de umas centenas de dias a que convencionaram chamar ano, também não ajuda. Olhamos para trás e o balanço nem sempre é positivo.
Como gente crente num Deus que nunca falhou um único dia, no fundo, bem no fundo, sabemos que todas as coisas que nos aconteceram, de algum modo contribuiram para algum bem.
Hoje tenho tirado momentos largos para fazer o MEU balanço. Muitas aflições, sustos, eminencia de ficar sem a pessoa mais importante da minha vida, cansaço imenso...
No meio de tantas situações difíceis, apareceram pessoas, que se transformaram em anjos e que tornaram os momentos impossíveis em horas de gratidão profunda.
Mas a dor mais funda destes últimos dias do ano, ninguém consegue tocar. Não tenho um ombro onde me encoste sem que tudo seja posto em causa, nenhum lenço para limpar as lágrimas me é oferecido sem a pressão de ter que devolve-lo. 
Hoje alguém me disse  para ter esperança. Não tenho. Tenho fé. Tenho ainda amor para dar, mas esperança é uma luz no meio destes três e a minha, está apagada. Vou viver um dia de cada vez, o de hoje está quase a chegar ao fim. As folhas que restam no calendário são já muito poucas. Mas não estou preocupada com o calendário novo, vistoso, cheio, colorido, mas com este espaço de 24 horas a que chamamos dia. O de hoje. Quase a terminar. Ainda tenho fé. Tenho amor para dar. Mas a esperança, é como a luz trémula da árvore de Natal que teimei em fazer, apesar de tudo. Acende e apaga, em intervalos de segundos. Não fica lá, iluminando o caminho. Aparece apenas, para gritar que mesmo assim, permanecem a fé,  a esperança e o amor. Quem sabe se um dia ela não brilhará, outra vez?

terça-feira, 25 de novembro de 2014

TEMPESTADE

Hoje resolvi ler algumas das coisas que tenho escrito neste blogue. Já lá vão 5 anos ou mais, porque entretanto, houve um pirata que entrou para estragar e perdi muito do que tinha escrito.
Dizia eu que li o que ficou para trás. Para as pessoas que por aqui passam, é quase imperceptível que cada um destes escritos reflecte o momento presente da minha vida. E hoje não podia ser diferente.
O mês de Novembro vai-se escoando rápido, o calendário tem já poucas folhas para arrancar e daqui a nada, fechamos um ano cheio de surpresas e de inesperado.
A vida seria muito monótona se não houvesse outra estação que não o inverno. Só que, quando a chuva cai e o frio nos encolhe, fechamo-nos nos agasalhos, puxamos para os olhos os chapéus e gorros e esquecemos que ao virar da esquina há uma primavera.
Nestes dias, as minhas dores também me fecharam num redemoinho de sentimentos que me impedem de ver a cor da esperança. Espreito avidamente o céu, para ver se há ao menos uma nesga de azul, mas só consigo ver nuvens escuras, que descrevem tempestade e desconsolo.
Lembro um grupo de homens, num barco, de noite, debaixo de um medonho temporal. Já tinham experimentado outros, mas aquela ocasião parecia-lhes única. Só um dos homens dormia, no meio dos gritos, das ondas, da água que entrava no barco. Jesus dormia. Depois de tanto O sacudirem, Ele acordou, olhou para o mar e para o vendaval e falou-lhes num jeito de quem os conhece como a palma da mão: "Aquietem-se, acalmem-se!" No mesmo instante fez-se calma, as ondas beijavam apenas a embarcação e o vento empurrava-os suavemente para terra.
Eu sei, que Ele está no barco comigo. No meio deste temporal, Ele vai levantar-se e dar uma ordem de paz. Só não sei quando.

quarta-feira, 12 de novembro de 2014

DIVAGANDO...

Muito, muito trabalho. Não está certo, porque o que mais gosto de fazer na vida, além de estar com pessoas, abraçá-las e  ajudá-las, ficou para trás neste frenesim dos últimos dias. E o que maior prazer me dá é escrever.
Gostava que inventassem um aparelhómetro que pudéssemos ligar ao nosso cérebro e ele, sozinho, fosse escrevendo tudo o que os nossos dedos não conseguem no tempo e no espaço. Assim, todas as ideias mirabolantes, sonhos sem sentido, imaginação que queríamos ver tornada realidade, ficariam registados. Depois, o tal aparelho teria um botão que usaríamos para apagar o que não interessa  aos outros. Teria ainda um outro  que poria em ordem, por assuntos, os tais pensamentos e imaginações... Tenho a certeza que por aí, já há alguém a inventar esta "aplicação". Só que quando isso vier a público, já será tarde para mim. 
Aliás, nestes últimos dias tenho descoberto que há tantas coisas que vão sendo dificeis alcançar. Conclui que uma das razões por que as pessoas com mais idade andam mais devagar, é porque não têm pressa de chegar ao fim! Noto que já não corro...para quê? Reparo que já não tenho tanta pressa, porque teria? Descubro diariamente um novo encanto em pequenas coisas cuja existência nunca tinha notado. Bebo uma chávena de café com menos pressa, saboreio o aconchego macio da cama com mais tempo.
Os abraços das minhas netas e os cuidados dos meus filhos são cada vez mais necessários. Revejo-me nas suas conquistas, rio nas suas alegrias, choro com as suas tristezas, como se eu própria já não tivesse tanto para rir ou para chorar...
E cada dia que passa, leva-me mais perto de Deus, da Sua Presença, do Seu coração; hoje entendo-O de uma maneira quase sublime, vejo-O com olhos quase verdadeiros. Será por causa do brilho deste por-do-sol?

terça-feira, 28 de outubro de 2014

IDEIAS

Já ouviu a frase "ideias não me faltam..."?
Pois eu tenho este enorme problema. Tenho MUITAS ideias. Umas mensuraveis, outras apenas sonho, algumas completamente loucas e ainda umas quantas que gostaria de realizar, mas que, provavelmente  já não vou ter tempo para isso. O difícil é fazer a gestão de tantas, quais as que posso por de lado, as que podem ser guardadas na gaveta dos sonhos e as que, com algum esforço e ajuda, poderei por de pé. E perco algum tempo a fazer esta escolha. E até para isso tenho algumas ideias...
Surgiu-me ontem uma ideia! Nada de novo. Acontece quase todos os dias. Mas não é que esta me perseguiu o dia todo e hoje ainda não me saíu da cabeça? De vez em quando bate mais forte, abre uma janela para que eu veja um pouco do que pode acontecer. Fecho-a novamente, mas daqui a nada, lá vem outra vez!
Eu sei o que tenho que fazer  quando estou numa fase de "ideias": aquietar o meu coração. Falar silêncio à minha alma. Não escrever nem uma linha do que gostaria de dizer. Viver a rotina do dia como se fosse tudo calmo e normal. Pode ser que nesse sossego ela desmaie ou vá embora. Mas também pode ser que engorde e crie contornos de realidade e aí...arrasta-me como um turbilhão e só paro quando está concertizada.
Vamos ver como será desta vez. Também tenho algumas  ideias a respeito do que pode acontecer...