segunda-feira, 17 de agosto de 2015

NO COMBOIO

Dentro do comboio, as pessoas "matam" o tempo de várias maneiras.Os que viajam acompanhados, conversam, recebem e fazem chamadas telefónicas que toda a gente tem que ouvir. Os solitários, esses dormem, usam o computador ou o tablet. Resolvi desta vez fazer algo diferente: olhar a paisagem. A nossa terra é linda! Qualquer percurso que façamos, tem beleza e encanto. 
Ao longo da viagem reparei nas casas. Muitas casas, umas grandes outras pequenas, umas modernas outras a cair de antigas. Muitas casas. Imaginei as histórias por detrás de cada porta fechada. As alegrias, saudades, tristezas, risos, discussões, doença, drama, tragédia, luto que haveria nas casas. Depois, um outro pormenor chamou-me a atenção. Durante duas horas e meia de percurso, não vi uma única  pessoa perto das casas, à janela, junto à porta, no quintal, nas hortas! Os seres humanos concentravam-se apenas nas estações, onde o comboio parava. Será que toda a gente viajou? Que as ditas casas estão abandonadas? Que todo o mundo foi de férias? Que aquelas casas estão lá só para dar alguma graça à paisagem e que ninguém lá vive? 
Pensei ainda em Deus, olhando para este mundo, à procura de um justo, sem conseguir encontrar ninguém, de tal maneira, que tem que mandar O Justo à terra para povoá-la de pessoas que se identificam com Ele e que passam a viver em justiça.
E meditei nas palavras sóbrias e solenes do livro da Revelação: "Olha  que estou a bater  à tua  porta.Se alguém ouvir a minha voz e abrir a porta. eu entro em sua casa, janto com ele e e ele comigo" .
Há por aí tantas portas fechadas, tantas janelas cerradas.
Uma pessoa quando viaja, tem que pensar em alguma coisa...

sábado, 8 de agosto de 2015

A SUA MISERICÓRDIA

Acordei muito cedo. Àquela hora em que não queremos dar um passo para não perturbar o resto da família. A brisa leve fazia ondular o cortinado do quarto. Os galos não cantavam, os cães não ladravam, o trânsito normal não existia. Era como se o dia, tal como eu, tivesse acordado sem saber ainda o que fazer. Fiquei ali, quietinha, a sentir o sossego e a calma do amanhecer. Não sabia  o que esse dia iria trazer-me. Não conseguia planear nada, porque o momento era leve, doce, tranquilo, fresco, silencioso, único...mas pensei na misericórdia de Deus, que é nova a cada manhã, assim, leve, doce,tranquila, fresca, silenciosa, única...
O primeiro som que ouvi depois desta tranquilidade, foi o sino da igreja a marcar as horas. Sempre o tempo, o implacável tempo, a dizer-nos que aquele momento de paz está a passar e que logo a seguir vem outro, sei lá de quê...
Mas de uma coisa tenho a certeza. Amanhã, esteja eu acordada ou a dormir, a misericórdia de Deus será nova, leve, doce, tranquila, fresca...outra vez!

domingo, 2 de agosto de 2015

UNIÃO

Alguém disse que "sós, vamos mais rápido mas juntos, vamos mais longe". É verdade  que há momentos na nossa vida em que temos que tocar a solo a sinfonia. Há instantes em que o jogo  depende apenas de nós. Há dias em que temos que ir à luta sozinhos...
Mas pense agora na beleza da música, quando toda a orquestra espalha sons de maravilha porque tocam juntos. Imagine uma equipa em que todos trabalham para o resultado final da partida. Veja o que um exército bem treinado e uniforme pode fazer  para derrotar o inimigo.
Estou a falar da força da união.  Estou a desejar que quem comigo vive, se aperceba que tudo o que faço não é para mim, mas para um conjunto de pessoas e que todos os objectivos que anseio alcançar, têm essas pessoas sempre em mente. Não quero fazer sozinha nem para mim apenas.
Acho triste o desejo quase doentio em certas pessoas que a luz do palco incida só sobre elas. Que os outros fiquem na obscuridade para que o brilho e o aplauso sejam só seus. Sinto-me frustrada quando entro numa corrida e os companheiros que estão comigo pensem na meta sem se preocupar se eu consigo percorrer os primeiros metros. Deus criou-nos como parte de um todo. O maior exemplo disso é a maravilha do nosso corpo. Cada parte, cada orgão diferente, a trabalhar para a saúde do todo. 
Se isto fosse assim na família, na igreja, na sociedade, que mundo seria o nosso! Não me importo que me chamem sonhadora, visionária. Vou continuar a acreditar que juntos...vamos mais longe, conseguimos mais, somos mais felizes!

quarta-feira, 22 de julho de 2015

SILÊNCIO

Consegue ouvir o silêncio? Não é possível. Há sempre algum som, próximo ou distante que invade aquele espaço. 
Tive uma experiência única sobre isto, na Islândia. Subi até uma colina onde havia uma velha e imponente igreja. Entrei. Tinham-me dito que ali iria encontrar o silêncio. Mas não. Cada pessoa que entrava na igreja, por mais cuidado que tivesse, fazia sentir o som dos seus passos. Desapontada, saí. Fiquei cá fora uns minutos, embrulhada num forte agasalho, a olhar a paisagem única daquele país. Tanto, tanto verde! E de repente, ouvi-o. O silêncio. A natureza não fala, não canta, o vento recolhe-se não sei onde, não há pássaros, não há árvores, só o verde silencioso. Virei-me de repente. Pensava que tinha ficado surda, mas não, era verdade. Ali naquele lugar, Deus tinha criado um espaço de silêncio,um vácuo de som. Deve haver uma explicação cientifica para o fenómeno. Não me preocupei se havia ou não. Gozei apenas os breves momentos que fiquei ali, como que suspensa. Em segundos, apercebi-me de uma outra realidade. A presença de Deus enche a terra, este planeta que Ele criou com um fim especial e só Ele pode fazer  com que a a natureza cante, uive, trema, arda e silencie. Em meio ao silêncio, Deus!

sexta-feira, 17 de julho de 2015

PARA SEMPRE!

E vêm aí, os anversários de casamento das nossas meninas! Para duas delas passaram 3 anos, para uma só dois anos. E neste curto espaço de tempo, as folhas do calendário foram arrancadas, umas de repente, outras a medo. Há tanto para ver, para experimentar e viver!
Para quem já viu passar muitas décadas de um casamento sólido e feliz, estes poucos anos das nossas meninas parecem  uma pequena flor a desabrochar. Nem elas sabem por quanto ainda vão passar, o tanto que terão que sofrer e conquistar, rir e chorar, trabalhar e descansar, ter conflitos e perdoar, assistir a desilusões e levantar-se, porque o compromisso é maior.
É disto  que se faz uma união. É com estes ingredientes que se fabrica um casamento para a vida.
Os vestidos vaporosos, rendados, os véus , grinaldas e albuns, ficam guardados em armários. Mas à luz de cada dia, cada uma delas terá que trazer o melhor de si mesmas, investir até à exaustão, para que a promessa "para sempre" não seja apenas palavreado de ocasião.
Já agora, minhas queridas, festejem e celebrem, sempre , todos os meses, todos os anos! Toquem os sinos da vossa paixão outra vez, atirem ao ar as pétalas da doçura e do sonho  e façam de cada aniversário uma lembrança - para sempre!

quinta-feira, 9 de julho de 2015

PERGUNTAS E RESPOSTAS

Comecei o dia com esta pergunta, dirigida a Jesus Cristo em quem vivo, me movo e existo: "E agora, o que fazemos?"
A questão vinha do mais profundo do meu ser, da enorme preocupação que teimava em amarfanhar-me, da inquietude de não saber os passos a seguir, ao olhar para o homem da minha vida e ao vê-lo tão cansado, sem acção e sem vontade de dar um passo que fosse.
É nestes momentos  que temos que ter a certeza  quem somos e a quem pertencemos. É verdade que a vida foi-nos dada com um prazo e a embalagem não traz  a data da validade, mas cá dentro, sabemos que algo está a esgotar-se, como a areia na ampulheta.  
Por isso, fiz esta pergunta  ao Senhor. No plural. Porque sem Ele, nem tenho o direito de fazer perguntas destas. 
E Ele respondeu. Na Sua voz doce, firme, segura e única, a voz que deu vida ao Universo e que faz tremer montanhas  e embravecer os mares, mas que ao mesmo tempo, é capaz de susurrar uma canção de embalar para acalmar o sono de uma criança. Ele dise: CONFIA, DESCANSA, ESPERA!
Confio, Senhor, nunca mentiste, jamais falhaste e a tua graça está cheia de favor e promessas.
Descanso, Senhor, porque não quero que me digas o que disseste aos Teus discípulos: "Homens de pouca fé..."  e porque só o descanso me vai ensinar como és manso e humilde de coração.
Espero, Senhor, porque nesta espera Tu vais mostrar-te forte, o jogo vai mudar, o resultado final és Tu que o determinas e ninguém pode interferir naquilo que Tu já planeaste.

quarta-feira, 24 de junho de 2015

MALAS

Tenho-as de vários tamanhos e materiais. Em tempos idos, só havia uma grande e outra mais pequena, mas à medida que o tempo foi passando e as viagens foram divididas por semanas, dias ou apenas um fim de semana, comecei a ficar fascinada que as há para todas as necessidades do viajante. Estou a falar de malas de viagem! A coisa é de tal ordem, que não consigo passar por uma loja onde elas estejam expostas que não vá bisbilhotar para ver a última novidade!
Algumas delas têm história. Levaram dentro os pertences que me faziam falta para a ocasião e trouxeram de volta mais ou menos a mesma coisa, só que a precisar de lavagem. Transportaram apenas o que hoje em dia nos permitem passar por  um radar irritante e desconfiado, onde  um chapéu de chuva enroladinho, faz as luzes piscarem e mais coisas apitarem, só porque acham que tem forma de bomba.
Mas as minhas malas de viagem têm mais histórias. As despedidas e as chegadas. Não gosto, nem de umas nem de outras. Parto, não sei se volto, chego não sei o que aconteceu, se me escondem alguma coisa que deveria saber, se encontro tudo no lugar. Mas tem o seu lado bom, também.
As minhas malas (agora tenho uma verde quase florescente) dizem-me que sou uma viajante não só neste pequeno mundo onde as distâncias são encurtadas cada vez mais e onde as pessoas ate se cruzam em lugares inverossímeis, mas contam-me que sou peregrina, a caminho de uma pátria onde as viagens acabam de vez, onde o destino é final.
Tal e qual como arrumo a mala com cuidado e sem querer esquecer  nada para o caminho que tenho pela frente, medito que nesta viagem definitiva, a minha bagagem tem que ser bem escolhida, sem pressa e sem desejos escondidos. Não quero levar a mais, mas também não posso  levar a menos. Difcil escolha, mas importante.
Algumas das minhas malas foram destruidas no caminho, outras ficaram sem asas ou sem rodas, outras foram abertas e roubadas, mas tudo isso ficou perdido e ocupa um espaço muito pequeno na minha memória.  Mas esta bagagem que levo para a  tal cidade  cujo artífice e construtor é Deus, tem que ser tratada de outra maneira; sei que quando chegar à cidade, ela será pesada em balança especial, que os materiais que levo lá dentro têm um valor além da minha comprensão...
Sou viajante, sim senhor. Comecei e não vou parar.