domingo, 2 de agosto de 2015

UNIÃO

Alguém disse que "sós, vamos mais rápido mas juntos, vamos mais longe". É verdade  que há momentos na nossa vida em que temos que tocar a solo a sinfonia. Há instantes em que o jogo  depende apenas de nós. Há dias em que temos que ir à luta sozinhos...
Mas pense agora na beleza da música, quando toda a orquestra espalha sons de maravilha porque tocam juntos. Imagine uma equipa em que todos trabalham para o resultado final da partida. Veja o que um exército bem treinado e uniforme pode fazer  para derrotar o inimigo.
Estou a falar da força da união.  Estou a desejar que quem comigo vive, se aperceba que tudo o que faço não é para mim, mas para um conjunto de pessoas e que todos os objectivos que anseio alcançar, têm essas pessoas sempre em mente. Não quero fazer sozinha nem para mim apenas.
Acho triste o desejo quase doentio em certas pessoas que a luz do palco incida só sobre elas. Que os outros fiquem na obscuridade para que o brilho e o aplauso sejam só seus. Sinto-me frustrada quando entro numa corrida e os companheiros que estão comigo pensem na meta sem se preocupar se eu consigo percorrer os primeiros metros. Deus criou-nos como parte de um todo. O maior exemplo disso é a maravilha do nosso corpo. Cada parte, cada orgão diferente, a trabalhar para a saúde do todo. 
Se isto fosse assim na família, na igreja, na sociedade, que mundo seria o nosso! Não me importo que me chamem sonhadora, visionária. Vou continuar a acreditar que juntos...vamos mais longe, conseguimos mais, somos mais felizes!

quarta-feira, 22 de julho de 2015

SILÊNCIO

Consegue ouvir o silêncio? Não é possível. Há sempre algum som, próximo ou distante que invade aquele espaço. 
Tive uma experiência única sobre isto, na Islândia. Subi até uma colina onde havia uma velha e imponente igreja. Entrei. Tinham-me dito que ali iria encontrar o silêncio. Mas não. Cada pessoa que entrava na igreja, por mais cuidado que tivesse, fazia sentir o som dos seus passos. Desapontada, saí. Fiquei cá fora uns minutos, embrulhada num forte agasalho, a olhar a paisagem única daquele país. Tanto, tanto verde! E de repente, ouvi-o. O silêncio. A natureza não fala, não canta, o vento recolhe-se não sei onde, não há pássaros, não há árvores, só o verde silencioso. Virei-me de repente. Pensava que tinha ficado surda, mas não, era verdade. Ali naquele lugar, Deus tinha criado um espaço de silêncio,um vácuo de som. Deve haver uma explicação cientifica para o fenómeno. Não me preocupei se havia ou não. Gozei apenas os breves momentos que fiquei ali, como que suspensa. Em segundos, apercebi-me de uma outra realidade. A presença de Deus enche a terra, este planeta que Ele criou com um fim especial e só Ele pode fazer  com que a a natureza cante, uive, trema, arda e silencie. Em meio ao silêncio, Deus!

sexta-feira, 17 de julho de 2015

PARA SEMPRE!

E vêm aí, os anversários de casamento das nossas meninas! Para duas delas passaram 3 anos, para uma só dois anos. E neste curto espaço de tempo, as folhas do calendário foram arrancadas, umas de repente, outras a medo. Há tanto para ver, para experimentar e viver!
Para quem já viu passar muitas décadas de um casamento sólido e feliz, estes poucos anos das nossas meninas parecem  uma pequena flor a desabrochar. Nem elas sabem por quanto ainda vão passar, o tanto que terão que sofrer e conquistar, rir e chorar, trabalhar e descansar, ter conflitos e perdoar, assistir a desilusões e levantar-se, porque o compromisso é maior.
É disto  que se faz uma união. É com estes ingredientes que se fabrica um casamento para a vida.
Os vestidos vaporosos, rendados, os véus , grinaldas e albuns, ficam guardados em armários. Mas à luz de cada dia, cada uma delas terá que trazer o melhor de si mesmas, investir até à exaustão, para que a promessa "para sempre" não seja apenas palavreado de ocasião.
Já agora, minhas queridas, festejem e celebrem, sempre , todos os meses, todos os anos! Toquem os sinos da vossa paixão outra vez, atirem ao ar as pétalas da doçura e do sonho  e façam de cada aniversário uma lembrança - para sempre!

quinta-feira, 9 de julho de 2015

PERGUNTAS E RESPOSTAS

Comecei o dia com esta pergunta, dirigida a Jesus Cristo em quem vivo, me movo e existo: "E agora, o que fazemos?"
A questão vinha do mais profundo do meu ser, da enorme preocupação que teimava em amarfanhar-me, da inquietude de não saber os passos a seguir, ao olhar para o homem da minha vida e ao vê-lo tão cansado, sem acção e sem vontade de dar um passo que fosse.
É nestes momentos  que temos que ter a certeza  quem somos e a quem pertencemos. É verdade que a vida foi-nos dada com um prazo e a embalagem não traz  a data da validade, mas cá dentro, sabemos que algo está a esgotar-se, como a areia na ampulheta.  
Por isso, fiz esta pergunta  ao Senhor. No plural. Porque sem Ele, nem tenho o direito de fazer perguntas destas. 
E Ele respondeu. Na Sua voz doce, firme, segura e única, a voz que deu vida ao Universo e que faz tremer montanhas  e embravecer os mares, mas que ao mesmo tempo, é capaz de susurrar uma canção de embalar para acalmar o sono de uma criança. Ele dise: CONFIA, DESCANSA, ESPERA!
Confio, Senhor, nunca mentiste, jamais falhaste e a tua graça está cheia de favor e promessas.
Descanso, Senhor, porque não quero que me digas o que disseste aos Teus discípulos: "Homens de pouca fé..."  e porque só o descanso me vai ensinar como és manso e humilde de coração.
Espero, Senhor, porque nesta espera Tu vais mostrar-te forte, o jogo vai mudar, o resultado final és Tu que o determinas e ninguém pode interferir naquilo que Tu já planeaste.

quarta-feira, 24 de junho de 2015

MALAS

Tenho-as de vários tamanhos e materiais. Em tempos idos, só havia uma grande e outra mais pequena, mas à medida que o tempo foi passando e as viagens foram divididas por semanas, dias ou apenas um fim de semana, comecei a ficar fascinada que as há para todas as necessidades do viajante. Estou a falar de malas de viagem! A coisa é de tal ordem, que não consigo passar por uma loja onde elas estejam expostas que não vá bisbilhotar para ver a última novidade!
Algumas delas têm história. Levaram dentro os pertences que me faziam falta para a ocasião e trouxeram de volta mais ou menos a mesma coisa, só que a precisar de lavagem. Transportaram apenas o que hoje em dia nos permitem passar por  um radar irritante e desconfiado, onde  um chapéu de chuva enroladinho, faz as luzes piscarem e mais coisas apitarem, só porque acham que tem forma de bomba.
Mas as minhas malas de viagem têm mais histórias. As despedidas e as chegadas. Não gosto, nem de umas nem de outras. Parto, não sei se volto, chego não sei o que aconteceu, se me escondem alguma coisa que deveria saber, se encontro tudo no lugar. Mas tem o seu lado bom, também.
As minhas malas (agora tenho uma verde quase florescente) dizem-me que sou uma viajante não só neste pequeno mundo onde as distâncias são encurtadas cada vez mais e onde as pessoas ate se cruzam em lugares inverossímeis, mas contam-me que sou peregrina, a caminho de uma pátria onde as viagens acabam de vez, onde o destino é final.
Tal e qual como arrumo a mala com cuidado e sem querer esquecer  nada para o caminho que tenho pela frente, medito que nesta viagem definitiva, a minha bagagem tem que ser bem escolhida, sem pressa e sem desejos escondidos. Não quero levar a mais, mas também não posso  levar a menos. Difcil escolha, mas importante.
Algumas das minhas malas foram destruidas no caminho, outras ficaram sem asas ou sem rodas, outras foram abertas e roubadas, mas tudo isso ficou perdido e ocupa um espaço muito pequeno na minha memória.  Mas esta bagagem que levo para a  tal cidade  cujo artífice e construtor é Deus, tem que ser tratada de outra maneira; sei que quando chegar à cidade, ela será pesada em balança especial, que os materiais que levo lá dentro têm um valor além da minha comprensão...
Sou viajante, sim senhor. Comecei e não vou parar.

sexta-feira, 19 de junho de 2015

O SONHADOR (cont)



Algum tempo depois chega uma comitiva vinda do palácio. Procuram José. O rapaz toma banho e muda de roupa. Vai apresentar-se diante do dono do mundo, sabe-se lá porquê. O esplendor e o brilho da casa do rei não deslumbram o jovem. Ele sabe que é mais uma missão. Enquanto espera, olha para a roupa limpa que vestiu e sorri. Já tinha vestido várias roupas nestes poucos anos da sua vida, cada uma delas representando o seu estado de filho amado, escravo e prisioneiro. A roupa que tem agora  parece-lhe estranha, não faz sentido, mas espera. Levam-no à presença do faraó. Não ousa enfrentar o dono da terra, mas este, em voz alterada conta-lhe um sonho que não consegue decifrar. Pretende que José o faça, já que teve essa capacidade com os colegas da prisão. José  olha agora sem medo para o rei  e ele, que em menino sonhara tanto, agora começa a interpretar o sonho  do faraó.
Quando termina, levam-no dali para vesti-lo com roupas reais. José olha para o espelho que lhe dão  e nem acredita. Em vez de uma corrente de ferro nos pés, tem uma de ouro ao pescoço, no lugar do avental de escravo e do calção de prisioneiro, tem um manto de governo sobre o seu corpo jovem. E os sonhos? Não tem mais tempo par a sonhar, a realidade de governar o Egipto e de fazer florescer a sua economia, roubam-lhe todo o tempo.
Mas um dia, na sua frente, estão 10 homens hebreus inclinados, submissos, carentes, incapazes.  E é aí que José vê o seu sonho tornado realidade. Os irmãos não o reconhecem, mas ele sabe quem eles são. Os seus rostos e cheiro estão para sempre gravados no seu coração. A dor que lhe infligiram ainda não desapareceu. O turbilhão de sentimentos é grande demais para o governador do Egipto e tem que sair para chorar sozinho...
Um dia, já no final da sua vida, José volta a sonhar. Pede à família que, quando voltarem à sua terra de origem, levem com eles os seus ossos. Sonha repousar na terra que o viu nascer, mas mais do que isso, sonha que um dia Deus vai fazê-los voltar ao lugar que prometera ser sua propriedade para sempre.
José, o menino sonhador, foi elevado por Deus a um patamar superior – intérprete de sonhos.
Deus ainda faz isto hoje com o que desejamos e sonhamos. Um dia, damos por nós a fazer algo que está anos de luz acima do que tínhamos pensado. Porque se o nosso coração se mantiver fiel, leal, puro e moldável, Deus tem um terreno pronto para mais do que pedimos ou pensamos!


quinta-feira, 18 de junho de 2015

O SONHADOR



O rapaz sonhava muito. Sonhos estranhos, impensáveis e incompreensíveis. Os pais lá iam tolerando tudo, ums vezes com um encolher de ombros, outras com uma repreensão mais acesa. Os irmãos, esses odiavam a capacidade que o rapaz tinha de ver mais longe, de conseguir alcançar um mundo onde eles nunca chegariam. Ainda por cima, o pai resolveu dar ao rapaz uma capa especial, colorida, de mangas largas e compridas, coisa que nenhum deles tinha recebido.
Essa raiva acumulada no coração dos irmãos de José, um dia explodiu. O miúdo estava ali, na sua frente, indefeso, inocente, sonhador, a muitos quilómetros de casa e da protecção do pai. Era altura de dar um fim aos sonhos incomodativos do menino.  José sentiu as mãos calosas dos irmãos a empurrá-lo para um buraco fundo. Quando recuperou o equilíbrio, agradeceu porque o poço era seco, mas depois tudo ficou escuro, quando eles taparam a entrada do poço. As horas passavam lentas. Os soluços do rapaz tinham-se transformado em dor profunda pela maldade imensa dos seus irmãos. Ainda ouviu ao longe a voz do mais velho, que discutia as consequências daquele acto sem  sentido.  O silêncio imenso foi quebrado  pelo rodado de carros que passavam. José, lá no fundo, imaginou como seria a caravana. Ouviu os homens a falarem com os seus irmãos, uma longa conversa, feita de silêncios e de pragas à mistura e por fim, tiraram-no de dentro do poço. A luz da tarde feriu-lhe os olhos inchados, mas pouca força lhe restava para defender-se das cordas que agora o amarravam. A caravana pôs-se em marcha outra vez e José foi perdendo de vista os irmãos, a sua terra...A sua linda capa ficara para trás, junto com os seus sonhos.
No Egipto, para onde foi levado, venderem-no para um oficial do faraó. Agora usava um avental de escravo. Fazia o que lhe mandavam. Os sonhos tinham desaparecido, a sua realidade agora era servir com cuidado e dedicação. Crescia e fazia-se um homem, cada dia mais belo e aprumado. Todas as tarefas eram feitas com zelo e excelência e o oficial promoveu-o. Não durou muito tempo, esse intervalo de bem-estar. A mulher de Potifar, cada vez que passava por ele, deitava-lhe um olhar de cobiça e desejo  reprimido. No coração de José, onde havia saudade, mágoa e  dor, havia também lugar para lealdade, verdade e pureza. A mulher engendrou uma história mirabolante de assédio, que levou José para a prisão. Vestiram-no com roupa de prisioneiro. Mais fundo não poderia estar. Mas a graça da sua vida seguia-o, mesmo ali na prisão e dentro de pouco tempo, José  transformou-se no ajudante do carcereiro, com acesso livre aos outros presos.  Uma manhã, dois deles estão cabisbaixos. Tiveram sonhos maus, difíceis de entender. José sente uma dor no peito. Sonhos? Outra vez? Os prisioneiros relatam-lhe o que sonharam e José interpreta o significado daqueles sonhos.  Sonhar, parecia algo tão distante para José. Dentro de poucos dias as portas do cárcere abrem-se para os prisioneiros. José vê-os sair e no seu coração a dor fica maior, mas ela não iria impedi-lo de cumprir as suas obrigações com a mesma dedicação.
(Continua)