sábado, 26 de dezembro de 2009

NO DIA SEGUINTE...


Em conversas íntimas com os meus “botões”, dou comigo a magicar o que terá sido o dia a seguir ao primeiro Natal. Isso, o dia a seguir ao nascimento, anúncio dos anjos, nenhum lugar na hospedaria...
O que terá acontecido à família de José quando amanheceu? Imagino-o à porta do lugar onde pernoitaram, olhando para o céu, consultando as nuvens para perceber se o tempo continuaria assim, frio, cinzento. José estica os braços para desentorpecê-los de uma noite mal dormida e pensa como o mundo sem o saber, ficou diferente. Nem imperadores, governadores ou sacerdotes se aperceberam, mas o calendário mudou. Porque o Messias chegou!
Maria está lá dentro, tentando a posição mais confortável para amamentar o seu menino. Olha-o enternecida, passa-lhe os dedos pelos cabelinhos escuros, encosta-o devagar ao seio virgem, que se entumece quando a boca pequenina o agarra num esforço de sobrevivência natural. Maria sente o líquido precioso a correr para a boca do...Salvador! É isso! Não é possível esquecer que aquele filho não é Seu, foi dado a todos os homens, pois salvará o Seu povo dos seus pecados!
As filas em frente das mesas de recenseamento vão diminuindo. A cidade vai ficando mais vazia, a vida voltou devagar à sua normalidade. Mas para José e Maria, é como se ela estivesse pendurada num fio invisível, que nem eles sabem onde começava e acaba. Precisavam saber o que fazer a seguir. Havia coisas a resolver. Tinham que pensar na ida ao templo para o resgate do menino Jesus. Nos próximos dias tinham que circuncidá-lo como ordenava a lei.
No dia seguinte, aconteceu o que acontece em qualquer casa onde nasce uma criança. Vizinhos, familiares, curiosos, precisam ver, visitar, olhar, dizer com quem é parecido. No dia a seguir, a mãe tenta coordenar os horários das mamadas. Acredito que alguém trouxe uma mantinha para colocar na manjedoura, acho que Ele não ficou muito tempo no desconforto da gamela dos animais...
No dia seguinte era o princípio do tempo de Deus. O Eterno encontrara o meio para fazer-se Emanuel entre os homens. E nos olhos de José e Maria havia um brilho único e cúmplice, pois sabiam que o trono de David estava seguro para sempre. O anjo dissera-o, “O Seu Reino não terá fim...”

Neste dia a seguir ao Natal, quero em reverência afirmar com eles a mesma verdade. Quero confessar que o principado está sobre os Seus ombros e que do incremento deste domínio e paz, nunca haverá fim. Poucos se apercebem do que está a acontecer, mas eu sei e por isso me prostro diante Dele, o Rei Maravilhoso, Conselheiro, Deus Forte, Pai da Eternidade, Príncipe da Paz...

segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

CONVERSA DE NATAL...


Deram-me uma pulseira branca de plástico, que tenho pena não poder usar porque me aperta o braço. A particularidade da pulseira é que ela tem 3 estrelas. Todas as pessoas que usam esta pulseira, são lembradas que a cada 3 segundos, uma criança morre em Africa vítima de fome, de má-nutrição e de doença. É incomodativo pensar nisto. Muito mesmo. Especialmente se nos sentarmos diante de uma mesa cheia de iguarias, que não conseguimos comer, porque ficamos cheios de tanta coisa na nossa ceia de Natal ou mesmo no dia de Natal.
Mas nem precisamos ir à Africa. Aqui mesmo, em Portugal, hoje há muitas famílias carenciadas, muita gente que passa mal, sem o básico para a sua sobrevivência.
O meu apelo e desejo é que faças deste, um Natal diferente. Reparta, partilha, dá, convida para a tua casa alguém que não tem família, que está sozinho, que não tem o afecto e o calor de filhos e netos...
Sabes que há mais de 2000 anos, Deus também transformou uma noite vulgar num acontecimento único. Haviam pastores no cimo das colinas da Judeia, guardando os seus rebanhos. Tudo estava calmo. Não havia sinais de perigo e os animais, seguros, já estavam nos currais. Quando de repente os céus clarearam e os pastores atónitos, viram um anjo... dois... três... muitos... milhares... enchendo a abóbada celeste. Um deles falou com os homens e deu-lhes a noticia que naquela noite nascera o Messias de Deus. De repente toda aquela hoste angélica começou a clamar “Glória, glória a Deus nas alturas, paz na terra, boa vontade entre os homens.”
Este cântico era o desejo de Deus para o mundo. Mas nós, homens infiéis e rebeldes, não Lhe damos glória, não promovemos a paz com as nossas acções, nem fazemos nada que mostre boa vontade para com os outros na nossa vida diária.
Hoje, a canção dos anjos, mais uma vez, é um apelo, para que eu e tu, neste Natal, façamos algo diferente, como Deus fez há muito tempo atrás.
Só posso desejar-te Boas Festas, se o teu coração estiver pronto a dar festa a alguém...de outra maneira...a saudação não faz sentido, festa de Natal não tem sentido se o amor, o maior dom de Deus não for partilhado.

sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

“COMO PODE SER ISTO?" (Lucas 1:34)

O que poderei dizer sobre Natal que já não tenha sido dito? O mesmo acontece a respeito do amor... já foi dito tudo...
É isso! Natal e amor estão ligados!
A Bíblia diz: Deus amou o mundo de tal maneira que enviou o Seu Filho...
A chegada, o nascimento de Jesus, que celebramos em cada Natal é isto mesmo - a prova viva do grande amor de Deus por um mundo afastado d’Ele, rebelde para com Ele, de costas voltadas para Ele.
Tantas vezes tentou Deus atrair o homem para Si mesmo, dando-lhe oportunidades sem fim, até que um dia, na plenitude dos tempos, enviou o Seu Filho.
Quando o anjo visitou a virgem Maria em Nazaré, uma jovem atarefada com os preparativos para o seu casamento com José, o carpinteiro da cidade, e lhe anunciou que fora escolhida para ser mãe do Messias de Israel, ela nem abarcou tudo o que estava a acontecer-lhe, mas fez a pergunta que todos nós fazemos quando nos encontramos perante algo de inesperado, grande e inusitado: Como pode ser isto?
Ela colocou esta questão ao anjo. Nem acho que tenha sido dúvida, mas, como disse, é a pergunta da nossa alma diante do que desconhecemos, do que está para além do nosso controlo.
A resposta do anjo foi ainda maior, tão grande que Maria tinha apenas dois caminhos a seguir: recusar ou aceitar sem reservas. Ela aceitou, dizendo estas palavras: ”Sou a serva do Senhor, que aconteça comigo, conforme a Tua palavra”. E ao dizer isto, ela ficou à mercê do poder, da virtude, da sombra do Deus Altíssimo que, ao cobri-la com a Sua glória, fez fecundar o seu ventre com uma semente divina e humana ao mesmo tempo, Jesus Cristo, Filho do Homem, Filho de Deus! Nosso Salvador, Redentor da Humanidade!
Os meses da gravidez de Maria não foram assim tão calmos nem normais para uma mulher que espera um filho. Mal teve a notícia do que lhe acontecera, foi até à aldeia de sua prima Isabel, ela também miraculosamente grávida, pois era uma mulher de idade avançada e toda a vida fora estéril. Quando Maria a visitou, Isabel estava já no sexto mês e a alegria de ver Maria e saber o que lhe acontecera, encheu-a de tal maneira que o bebé saltou dentro dela de alegria! Maria ficou ali três meses e antes do bebé de Isabel nascer, voltou para casa. O seu corpo estava a modificar-se, não podia mais esconder a sua gravidez e aí teve de enfrentar José, o seu noivo querido, que recebeu a notícia com muita dor e com um dilema terrível: denunciar a infidelidade de Maria com todas as suas consequências ou ficar com ela suportando o espinho daquilo que ele imaginava ter sido uma traição.
O anjo do Senhor aparece em sonhos a José e conta-lhe tudo o que se passa, instruindo-o acerca da criança especial que ia nascer. Mesmo depois de José a ter desposado, conseguimos imaginar quantas críticas, olhares maliciosos, comentários feios foram feitos nas ruas de Nazaré, à medida que o ventre de Maria crescia e o manto já não chegava para o tapar?
Já no fim da gravidez, José e Maria são obrigados a deslocar-se a Belém de Judá para um recenseamento obrigatório do imperador romano. Eles sabem que o menino poderá nascer por aqueles dias, mas mesmo assim viajam. Ao chegar a Belém, a cidade está cheia de gente que veio por causa do censo. Não há estalagens, casas de amigos ou parentes. Tudo está cheio. Maria já sente as dores e José encontra por fim um lugar onde guardam os animais. Não há conforto, nem o mínimo necessário para um parto decente, mas é ali que Maria dá à luz o seu filho. Depois de o limpar e esfregar com sal e óleo como era o costume do seu tempo, envolveu-o e apertou-o bem com panos. A seguir colocou o seu menino numa manjedoura. Era costume naqueles dias os recém-nascidos ficarem ao lado das mães, mas podemos bem imaginar que para Maria não havia muitas hipóteses de poder deitar-se. Dolorosa gravidez, parto complicado, humildade e pobreza absoluta, para que pela Sua pobreza, nós fossemos enriquecidos.
Penso muitas vezes que a primeira vez que Maria chegou a boca do menino Jesus ao seu peito para o amamentar e ficou a olhar para o seu rosto pequeno e macio, uma onda de alegria deve ter inundado a sua alma ao saber que ali nos Seus braços, descansava o Criador de todas as coisas, feito homem, por nosso amor. E acho que muitas vezes ela fez a mesma pergunta que fizera ao anjo: Como pode ser isto?
Neste Natal, acima das dores, das suas lutas, frustrações, doenças e desilusões, deixe que Deus a inunde de paz, de segurança e de certeza. As suas perguntas podem não encontrar uma resposta satisfatória e completa, mas Deus no Seu amor já lhe deu a melhor de todas as prendas de Natal, o seu Filho Jesus. Oferta maior Ele não podia dar, amor maior Ele não podia revelar.
Do meu coração agradecido, sai apenas uma pergunta: Como pode ser isto? E do seu?
Feliz Natal!
(Do livro ESPERANÇA PARA A ALMA)

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

NATAL VERMELHO

A velha canção: “...sonho com um Natal branco...” deixou de fazer sentido. O Natal mudou de cor. Agora é vermelho. Por todo o lado vejo o velho barrigudo subindo pelas janelas, entrando nas sacadas, pendurado nas lojas, calcorreando sem descanso as avenidas dos centros comerciais. Ele, o Pai Natal, vestido de vermelho, nunca me afligiu, até este momento, em que o vejo por todo o lado, como se tivesse direito a tudo isto...
Qual é o papel desta estranha figura? As crianças já não acreditam que ele chega pela noite, correndo sobre as nuvens, segurando o freio das renas douradas que transportam um mundo de presentes. Já não precisam dele. Hoje os pais vão à Internet ou aos shoppings fazer as compras e levam as crianças com eles. A doçura da surpresa foi-se diluindo, o mistério da prenda deixou de existir. Então porque insistem em pendurá-lo, como se ele já não tivesse força para descer por uma chaminé qualquer?
Na minha aldeia, este ano, trocaram-no por outro artefacto vermelho: um pano onde está pintada a figura do menino Jesus, que os meus vizinhos penduram com orgulho nas janelas e varandas.
Dei comigo a pensar que a ideia não é assim tão má. O “menino” tem mais direito que o “velho”. A história é mesmo a respeito dele. Começou lá bem atrás, na profecia de Isaías: “Porque um menino nos nasceu...”, até ao relato de Lucas, que no capítulo segundo do seu evangelho fala do “menino” dez vezes! Natal tem a ver com o nascimento de um Menino, que cresceu em graça, sabedoria e estatura, até cumprir o propósito para que nasceu – oferecer-se como o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo.
Aí sim, aí tudo ficou vermelho. A cruz, as Suas vestes, o Seu rosto, o Seu corpo, a terra...tomaram a cor do sangue precioso, incontaminado e perfeito.
Tirem o Pai Natal e já agora tirem aquela figura pintada sobre um pano vermelho e olhem para o Calvário. Lá sim, lá o vermelho faz sentido, tem propósito, é real.
Diz o Livro que quando aparecer outra vez, o Seu vestido será salpicado de sangue... Ele, o “Cordeiro que foi morto, antes da fundação do mundo”...

sábado, 5 de dezembro de 2009

NATAL EM CRISE

“Toda a boa dádiva e todo o dom perfeito, vem do alto” (Tiago 1:17)
Tudo o que ouvimos nestes dias através dos noticiários e jornais é que o mundo está numa crise muito grande, que ninguém sabe como iremos sair dela, etc., etc. Interessante que há dias ouvi uma notícia sobre uma empresa que está a crescer a olhos vistos no meio de tudo isto. Os serviços prestados por esta empresa têm a ver com um produto invulgar: ensinar as companhias e corporações a poupar. Alguém tem de ganhar com isto...
E no meio deste caos chegamos a uma data onde as pessoas gastam o que devem e o que não devem.
Compram-se presentes de circunstância, para pagar favores, para parecer bem, para que os outros não fiquem ofendidos, enfim, essa tal companhia bem podia ensinar os cristãos ocidentais que poupar neste tempo seria muito valioso e traria às famílias um conforto mais estável.
Alguém pode dizer:
Damos presentes porque os magos trouxeram ofertas a Jesus naquele primeiro Natal, ao que respondo: os magos trouxeram ouro incenso e mirra, porque reconheceram em Jesus o seu Rei e o seu Senhor - e nós?
Damos presentes porque a lenda diz que o Pai Natal, um velho bondoso, de uma região gelada, recompensava as crianças que mais necessitavam ao que eu respondo: as nossas ofertas são na sua maioria a pensar nos mais necessitados?
Damos prendas porque Deus também nos deu o maior presente – o Seu amado Filho. E aí eu pergunto: pensamos nessa dádiva, nesse dom inexplicável de Deus quando corremos de uma loja para a outra gastando dinheiro em prendas que na sua maioria ficarão guardadas numa gaveta sem uso?
Eu teria uma resposta para a crise de Natal:
• Daria mais louvor a Deus por ter enviado Jesus para nos salvar e abençoar. Louvor pode ser feito com muito ou com pouco dinheiro no bolso, louvor está no coração.
• Escolheria uma pessoa, uma família, que tivesse necessidade e daria algo que amenizasse a sua fome, o seu frio ou a sua saúde. Em vez de comprar dezenas de brinquedos, comprava só uma boneca para uma menina que não pode andar, um carrinho para um menino doente.
• Partilharia com as crianças da minha casa a alegria que há em dar e em fazer alguém feliz.
A crise seria suavizada se todos pensássemos nos que precisam e menos em nós e nas pessoas a quem queremos agradar pelas razões menos certas.
Há um versículo na Bíblia que me constrange profundamente. Jesus diz: “Porque tive fome e não me deste de comer, tive sede e não me deste de beber, estava nu e não me vestiste, estive na prisão e não me visitaste... ” Estas palavras deveriam cair bem fundo no nosso coração neste tempo de Natal.
Quando Ele chegou a este mundo a crise era muito grande, o ambiente político de cortar à faca, faltavam quase todos os bens essenciais aos habitantes daquela região, mas no dia do Seu nascimento, mesmo assim houve festa. Os anjos cantaram sobre as montanhas da Judeia, os pastores louvaram quando O viram deitado numa manjedoura, o coração de Maria conservava em profundo gozo e reverência tudo o que se passava à sua volta. O primeiro Natal cheirava a feno, a animais, a escassez, a rejeição, mas Ele veio, mesmo assim!
Ele quer entrar na “sua” crise, da mesma maneira doce e suave como entrou no mundo há muito tempo.
(Do livro "Esperança para a Alma)

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

O SEIO DA MÃE


“...Mas ainda que esta mãe viesse a esquecer-se dele, eu, todavia, não me esquecerei de ti” (Isaías 49:15b)

Há uns anos, estava em Moçambique, numa grande reunião numa igreja e no final uma mulher muito jovem, carregando um bebé muito cheio de roupa e bem embrulhado, aproximou-se de mim e com voz triste disse: “Ore pelo meu menino, está muito doente. Não tenho leite para ele”. Fiquei admirada com a mulher e perguntei quanto tempo tinha a criança, ao que ela respondeu “Duas semanas!”. Não sei se ela estava muito certa do tempo, mas o que me assustou tanto, ao ponto de sentir até uma agonia física, foi o facto de aquela criança não comer. Não era possível, o menino tinha de ingerir algum alimento... A jovem então explicou-me que lhe dava água com açúcar e sopa...
Perante aquele quadro, perguntei se não tinha leite no peito para dar ao seu filho. “Não, não tenho” disse, com os olhos baixos.
Fiz então uma das coisas mais loucas que já me aconteceram na vida. Desabotoei-lhe a blusa e pedi-lhe que tirasse o seio para fora. Ela assim fez. Fiz pressão sobre o seio da mulher... “Agora”, disse eu, “coloque a boca do menino no seu mamilo. Faça pressão sobre o seio...”. Isto demorou uns lentos minutos, mas de repente, vejo a boca do bebé a puxar o leite da mãe. Os olhos da moça iluminaram-se de sorrisos. Sentei-me com ela e expliquei como Deus fez o nosso corpo de forma tão maravilhosa para podermos suprir a necessidade de alimentação dos nossos filhos durante os seus primeiros meses de vida. Ela simplesmente não sabia... as mulheres mais velhas achavam que ela estava seca...
Como Deus é sábio ao fazer do nosso corpo um lugar de segurança para uma criança ser formada e dos nossos seios uma fábrica de leite com a temperatura, textura e elementos perfeitos para que esse ser receba tudo quanto necessita para ser saudável. Enquanto amamenta o seu filho, louve a Deus por esse dom, mas não se esqueça de elevar uma prece pelos meninos do mundo que nascem e são abandonados, que nunca sentirão o calor de um seio, que jamais olharão com olhinhos lânguidos para o rosto da mãe...
(Do livro: Esperança para a Alma (pg. 26) de Sarah Catarino)

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

SE EU PUDESSE...


Diante de tantas calamidades que assolam o nosso mundo, do sofrimento infligido muitas vezes a seres inocentes, de tanta violência e dor, sentimo-nos impotentes e limitados, como se a solução de tudo o que vemos à nossa volta escorresse pela fragilidade dos nossos dedos.
Se eu pudesse, mudaria tanta coisa, solucionaria tantos problemas, poria fim a tanto sofrimento...se eu pudesse... Mas não posso e a angústia dessa limitação, paralisa-me muitas vezes para aquilo que posso.
Neste dilema imenso que é a vida, a voz doce do meu Pai assegura-me que Ele pode todas as coisas e que, mesmo assim, algumas delas estão ao alcance do meu esforço.
Posso controlar o meu relacionamento com Ele, porque sei que tudo na minha vida está exactamente nessa dependência da Sua pessoa. Ele fez-me um ser de escolha; sou eu que dito na minha vida até que ponto quero ou não aproximar-me de Deus, qual a intensidade do amor que Lhe dedico, que intimidade desejo ter com Ele.
Posso controlar as minhas necessidades emocionais. Infelizmente muita gente pensa que a sua vida deve ser orientada por aquilo que sente, pelo que traz sensações de felicidade. Deus criou-me um ser emocional, mas isso não me dá o direito de usar essa capacidade para manipular, perturbar e confundir o ambiente e as pessoas à minha volta.
Posso controlar as minhas atitudes. As circunstâncias onde me acho podem não se transformar, mas a minha atitude em relação elas pode ser diferente. O Espírito Santo tem prazer em fazer crescer na minha vida um fruto que se chama temperança, auto-controlo necessário para que as minhas atitudes e palavras sejam coincidentes com a minha fé.
Posso controlar e evitar a amargura e a falta de perdão. “A amargura não destrói o objecto sobre o qual é derramada, mas o vaso que a contém”. Elas danificam o meu corpo, a minha alma e tornam-me cativa das minhas próprias prisões. Viver em perdão é viver em plena liberdade. Quando encerramos alguém na prisão da nossa indiferença, do nosso esquecimento e desamor, nem nos apercebemos que as algemas que colocámos no outro, prenderam também os nossos movimentos...
Posso controlar a maneira como vejo os outros à minha volta. O meu crescimento como pessoa passa também pela tolerância, pela compaixão, pelo não julgamento das pessoas e das suas acções. Que sei eu desse indivíduo que desejo criticar? Quem sou eu para colocar rótulos sobre pessoas ou grupos se não entrei nas suas vidas o suficiente para conhecer porque agem ou falam assim? O julgamento precipitado pode cortar para sempre uma oportunidade de mudança na vida do outro e uma janela de esperança para alguém à procura de resposta.
Posso fazer e controlar coisas pequenas no “meu mundo”, actos de bondade, sorrisos de gratidão, palavras de encorajamento, serviço abnegado e sacrificial. Contra estas coisas não há lei...
Afinal ainda posso fazer imenso...

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

MOISÉS, SERVO DE DEUS...


Profeta, amigo de Deus, líder de competência altíssima, o mais manso de todos os homens que havia na terra, intercessor, amigo do povo, ensinador, legislador, homem de experiência espiritual profunda e marcante, gigante de fé, culto, uma história de vida única, esse foi Moisés.
A sua existência foi marcada por três estações de 40 anos. Parecia que em cada um desses espaços de tempo, algo específico e drástico acontecia na sua vida. Cada uma dessas fases tem um fascínio próprio, encapsulado no relato de Hebreus capítulo 11, a galeria dos heróis.
Entro nessa galeria. Paro diante de cada vida e reparo que há momentos, períodos, instantes (às vezes bem curtos), em que os tais homens e mulheres de fé apresentam pequenos defeitos e falhas que comprometem tudo o que é dito a seu respeito.
Moisés não é excepção. E é diante dele que me detenho. Depois de ter aguentado um povo desobediente, uma gente rebelde e dúbia, de ter feito com eles alianças que os levariam a ser prósperos e benditos, de ter chorado por eles diante de Deus, de ter subido a alguns montes e em cada um deles ter alcançado para o povo padrões eternos de conduta e prosperidade, de ter sido usado para fazer milagres e prodígios – o homem comete UM erro e o seu destino e propósito pessoais ficam para sempre comprometidos.
O povo não tinha água. Como em muitas outras ocasiões, falou e murmurou contra Deus e os seus líderes. Estes recebem do Senhor uma solução directa para por ponto final numa situação de grande dificuldade e que afecta a sobrevivência de milhares de pessoas. Deus ordena que Moisés pegue na sua vara e fale a uma rocha. A rocha ouviria a voz do profeta e dela sairia a água para aliviar a sede do povo, como se fosse um ser inteligente e auto-suficiente. E aqui começa a minha tentativa de desculpar Moisés: se era para falar apenas, por que Deus mandou que levasse o bordão?
Por que razão Deus não se explica melhor, quando pretende algo em que nos envolve?
O povo era descrente, mas nesse momento Moisés pecou pela mesma descrença. Achou que não era a falar que resolveria o problema. Ele já enfrentara uma situação anterior em que usara a vara e vira resultados... e em vez de falar e mais uma vez mostrar o poder de Jeová, bate na rocha não uma vez, mas duas. A água surge realmente, o povo bebe até se saciar, mas Moisés ouve a sentença da sua vida: não entraria na terra da promessa.
Daí em diante só tenho que pasmar diante de tudo o que fez, incentivou, discursou e programou, apesar da sentença mais dolorosa que pesava sobre ele.
Moisés está a chegar ao fim de mais um período de 40 anos e Deus manda-o subir a outro monte. Deste não retornará. Lá no cimo do Pisga, Deus concede-lhe não apenas uma ideia da terra prometida, mas fortalece os seus olhos de maneira a que tenha uma visão nítida de cada contorno, um perceber distinto de cada lugar. Tudo termina depois desta visão. Os olhos que viram o que mais nenhum homem viu, fecham-se para sempre e os anjos sepultam o seu corpo ainda forte. Não havia rugas no seu rosto, não havia sinais de fraqueza na sua face. O seu intelecto não estava em decadência, a sua memória e capacidade de julgamento permaneciam intactos. Mas a sua jornada terminara. O que admiro neste homem é a sua enorme capacidade de entender o desígnio divino e de não se revoltar contra algo que ele sabe ser o carácter de Deus.
Saio da galeria pensativa. Sinto um arrepio e dou comigo a perguntar: como é que me atrevo às vezes a desafiar o propósito de Deus? Porque não confio plenamente quando Ele me manda fazer algo que eu não compreendo? Será que tudo o que tenho feito me dá o direito de pensar que Deus vai dar-me um final perfeito?
Nem quero pensar nos outros que por aí correm, tentando espalhar, dar ou vender unção. A coisa é mais séria. Tem a ver comigo.
Aconchego-me com o casaco. A temperatura mudou mesmo. Está agreste e severa. De repente lembro um pormenor: a sepultura de Moisés nunca foi encontrada. Passados estes anos de descobertas arqueológicas complicadas, esta nunca foi feita. Foi como se Deus dissesse: “Não vale a pena fazer dele um objecto de veneração. Um erro é um erro, mas já está tudo tratado e arrumado entre dois amigos”.
Isso traz-me esperança. E afinal, o sol está a brilhar!

domingo, 8 de novembro de 2009

VELHO...

Esta é uma prosa do General Douglas McArthur:

“A juventude não é um período de tempo. É um estado de mente, resultado da vontade, qualidade da imaginação, vitória da coragem sobre a timidez, do gosto da aventura sobre o amor ao conforto.
Um homem não fica velho por ter vivido um grande número de anos. Um homem envelhece, quando deserta o seu ideal. Os anos podem enrugar as suas faces, mas desertar o seu ideal enruga a sua alma. Preocupações, receios, dúvidas e desespero são os inimigos que nos atiram lentamente contra o chão e que nos tornam pó antes de morrermos. Ficarás jovem enquanto estiveres aberto ao que é belo, bom e grande; receptivo às mensagens de outros homens e mulheres, da natureza e de Deus. Se um dia te tornares amargo, pessimista e amordaçado pelo desespero, que Deus tenha misericórdia da tua alma de velho”.

terça-feira, 3 de novembro de 2009

Às Mulheres Aglow


Deus não tem mulher
mas fez-se homem a partir do ninho interior
de uma delas
que o amamentou nos seus peitos
em momentos de carinho

Deus não tem mulher
mas sabe a massa de que são feitas por dentro
e por isso as ama ainda mais

Deus não tem mulher
mas procura a sua intimidade
não dispensa o seu colo
o seu regaço incerto
o seu coração apertado

Deus não tem mulher
mas preferiu-as no seu gesto criador
fazendo delas fábricas de vida e ternura
onde fez repousar a sua gentileza

Deus não tem mulher
mas fez delas a peça que faltava no puzlle masculino

Deus não tem mulher
mas chamou-as a habitar todas as esquinas da História

Deus não tem mulher
mas trabalha para que todas as mulheres o desejem com ardor

Deus não tem mulher
não tem uma mulher, tem muitas
todas as Marias, Susanas, Lídias e Vitórias
Isabéis, Manuelas, Rutes, Saras, Fernandas
Josefinas, Luísas, Anas, Joaquinas
Carolinas, Martas, Antónias
e até Madalenas
todas as que queiram abrigar-se
nos seus braços de segurança e amor.

Brissos Lino - 30 de Outubro de 2009

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

BUSCAR A SUA PRESENÇA

Faltam só 3 dias para a nossa Conferência anual. Muito trabalho, muita expectativa.
O que irá acontecer? Como será o encontro com Deus daquelas centenas de mulheres? O que terá o Senhor em mente para essa jornada? Será apenas “mais” uma reunião, ou um marco na vida de cada uma?
Essas são algumas das minhas preocupações neste momento.
“Buscando a Sua Presença” esta manhã, o Espírito de Deus levou-me a uma passagem estranha e bela, misteriosa e doce, única e pungente: “Que é o teu amado, mais do que outro amado...? (Cant 5:9)
A sulamita corria como louca pelas ruas da cidade, gritava pelo amado e não tinha reposta, os guardas que deveriam protege-la e ajudá-la, espancaram-na, feriram-na, deixaram-na sem manto, desnudada, descoberta, frágil. Mas a sua busca não cessou apesar disso. Por fim fizeram-lhe a pergunta que coloca tudo em perspectiva: o que tem ele mais do outro qualquer? O que é ele acima dos outros, para ser procurado com tanta paixão?
Na Sua presença, o Espírito de Deus obrigou-me a responder por que O procuro, por que o meu coração O anseia, porque quero tanto que outros entendam que fora da Sua presença a vida perde o som, a cor, direcção e propósito... Possivelmente Ele fará a mesma pergunta ás mulheres que virão para a Conferencia, mas era comigo que falava nessa hora.
Só consegui uma resposta. Tirei-a dos lábios da sulamita: Ele é totalmente desejável!

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

PEDE, NÃO TENHAS MEDO!

Há imensas coisas que nos impedem de pedir, mas, na maioria das vezes, não pedimos por uma questão de orgulho: não queremos que os outros conheçam a nossa necessidade, não admitimos que somos pobres em alguma área da nossa vida, recusamo-nos a expor a nossa debilidade porque isso nos traria para um patamar de inferioridade...
O mais interessante é que fazemos o mesmo em relação a Deus. Vestimo-nos de uma capa de falsa humildade e evitamos contar-lhe os nossos sonhos, não somos capazes de arriscar a pedir coisas acima do que é “normal”.
Dei comigo a meditar sobre um texto por demais admirado e que jamais perde o seu sentido de aventura e de conquista. Está lá no capítulo 14 do livro de Josué. Calebe aproxima-se do general de Israel e faz-lhe um pedido que quase roça o ridículo: “Dá-me este monte”. O monte a que se referia, era Hebrom, habitado na época pelos filhos de Anaque, verdadeiros gigantes. Hebrom era um lugar que teria de voltar à posse dos filhos de Israel, pois ali Abraão vivera, morrera e tanto ele como os outros patriarcas e suas mulheres haviam sido sepultados, à excepção de Raquel.
Depois de Calebe conquistar Hebrom, o lugar foi separado para os levitas e tornou-se uma cidade de refúgio. Anos mais tarde, neste memo local, David foi ungido rei e lá reinou 7 anos e meio.
O que Deus me tem dito é que tudo quanto é meu por direito e por promessa, eu vou possuir. Os gigantes podem ser muito grandes, mas Ele prometeu-me esse monte! A conquista do Hebrom que tenho de possuir, não será para mim apenas, mas para que outros sejam abençoados, remidos, separados para Deus e ungidos para o que Ele quiser. No meu caso, estou a reclamar a vida das mulheres desta nação. Eu sei, eu vejo, como se fossem gravadas a ouro, as promessas que Deus me tem dado. Cada uma delas será cumprida. Os gigantes são grandes, poderosos e alguns bem feios, mas Ele prometeu-me esse monte, coisas boas e fiéis e, em oração e fé, tenho de conquistar esse Hebrom. Não será para o meu prazer, mas para a Sua glória, para que outros vejam o poder de Deus e a Sua vontade a ser cumprida.
Receio de pedir? Porquê? O pedido é arrojado? Tanto melhor! Calebe já tinha 85 anos quando subiu para derrotar os filhos de Anaque. Josué podia ter tentado colocar algum juízo na sua cabeça, pois o homem já tinha dado o que podia dar, mas o seu argumento era muito forte: “Eu tenho uma promessa de Deus!
Enquanto escrevo isto, sobem ao meu coração outras promessas de Deus, algumas que já tinha esquecido...é tempo de reclamar todos esses montes, com ou sem gigantes, porque se Ele prometeu...vou possui-los!

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

O PESO ERRADO DA BALANÇA

Há uns anos na Suécia, conheci uma rapariga que sofria de anorexia. Fizera já várias tentativas para se livrar do problema, algumas com resultado, mas voltava à mesma situação passado algum tempo. No meu encontro com ela, não notei muito a sua magreza, mas uma coisa nunca esquecerei - o seu olhar. Era como se de repente a palavra desespero se materializasse naqueles olhos azuis.
Sentei-me junto dela e ouvi a sua história. Por entre lágrimas, contou-me o seu percurso, a sua dor, o vazio que a invadia sempre que a levavam ao hospital e, por fim, o facto de não conseguir perdoar-se a si mesmo pela sua autodestruição.
Quando alguém entra numa rota tão destrutiva como esta, mesmo depois de clinicamente curado, continuará a experimentar muita dor e o mesmo sentimento que invadia essa moça com quem falei – falta de perdão pelo que fizera.
Li uma lenda interessante de um padre numa cidade do interior dos Estados Unidos, que cometera um pecado grave na sua juventude e apesar de ter pedido perdão a Deus, passou a vida inteira carregando o peso da culpa desse pecado. Não tinha a certeza se Deus o perdoara.
Um dia ouviu falar de uma senhora idosa que, segundo as histórias que se contavam, tinha visões e conversava com Deus. O padre encheu-se de coragem e foi visitá-la. Ela convidou-o a entrar, ofereceu-lhe uma chávena de chá e quando a visita estava a terminar, fitando a senhora, o padre perguntou: “É verdade que a senhora costuma ter visões e que conversa com Deus?” “Sim”, disse a senhora, “é verdade”. “
“Então, da próxima vez que a senhora falar com Deus poderia fazer-Lhe uma pergunta?” A senhora ficou muito admirada com o pedido, mas quis saber qual era a questão que o padre desejava que ela colocasse a Deus.
“Não se importa de perguntar a Deus qual foi o pecado que este padre cometeu quando era jovem?” Passadas algumas semanas o padre voltou a visitar a senhora. “Então teve alguma visão recentemente? E falou com Deus?” perguntou ele. “Sim”, disse a senhora.
“E perguntou a Deus qual foi o pecado que eu cometi quando era jovem? Ele respondeu?” “ Sim”, disse a mulher. “Ele disse-me que não se lembra!”
É isso mesmo. Deus não apenas perdoa os nossos pecados como os esquece. Contei isto àquela mulher jovem com quem falei. Disse-lhe que o seu comportamento, o mal que causara ao seu corpo, a sua obsessão em relação ao peso e a preocupação que trouxera à sua família estavam não apenas perdoados mas esquecidos por Deus!
Aquela reunião continuou no dia seguinte. Estava curiosa por ver a jovem com quem falara. Quando ela entrou, a diferença era enorme. Os seus olhos não tinham mais desespero, mas luz, o seu rosto, apesar de magro, tinha a cor de uma beleza a desabrochar e o mais belo ocorreu quando ela pediu licença para ir à frente cantar. Há muitos anos que não cantava, perdera a força e a vontade, mas naquele dia a sua linda voz de soprano subiu ao céu num louvor maravilhoso de gratidão a Deus pelo Seu perdão e pelo Seu esquecimento.
A Palavra de Deus diz que “assim com o oriente está longe do ocidente, assim Deus afasta de nós as nossas transgressões “. A distância entre o oriente e o ocidente é bastante razoável, não? Deus esquece o nosso pecado, quando nos voltamos para Ele e, através de Jesus Cristo, pedimos o Seu perdão.
Depois... podemos cantar outra vez!

sábado, 17 de outubro de 2009

MIOPIA ESPIRITUAL

A miopia é a condição em que os olhos podem ver os objectos que estão perto, mas não são capazes de enxergar nitidamente os objectos que estão longe. A palavra "miopia" vem do grego "olho fechado", porque as pessoas com esta condição, frequentemente apertam os olhos para ver melhor à distância.
No entanto, é evidente que se um indivíduo é míope de muitas dioptrias (ou graus), para ver bem de perto, tem que aproximar-se muito, o que é um factor muito cansativo e incómodo.
Mas a ideia não é falar-vos de doenças dos olhos. Para isso temos especialistas. Eu só sei explicar o que é, porque sofro do problema!
Na nossa visão espiritual podemos também sofrer de miopia. Na Bíblia encontramos alguns casos típicos de miopia espiritual. Um deles, é a história triste de um homem que pelo prazer da comida e pela fome imediata, vendeu a sua parte na herança da família. O direito de primogenitura dava certos privilégios ao filho mais velho: 1)porção dobrada dos haveres paternos depois da morte deste; 2)direito de exercer o sacerdócio sobre a família; na linha de Abraão incluía ainda o privilégio de ficar na linha genealógica directa do Messias que viria. Por causa de um prato de comida, Esaú desbaratou tudo isto. (Génesis 25:29-34). A epístola aos Hebreus chama-o de “profano”, ou seja, alguém que não dá valor às coisas espirituais. Ele olhou para a panela do guisado e foi incapaz de focar-se na herança, no privilégio de estar na linha do Redentor, conforme Deus prometera ao seu avô Abraão. Viu o imediato e não viu o seu futuro. A sua perda de perspectiva foi tão grande, que cometeu a loucura de pensar que um guisado quente era mais importante que a herança do pai. Essa, no seu ver míope, ainda estava tão longe!
A miopia cura-se procurando uma correcção - A Palavra de Deus diz que podemos andar da mesma maneira que as ovelhas: “Todos nós andávamos desgarrados como ovelhas, cada um se desviava do seu caminho” (Is 53:6). Sabe porque elas se desgarram, se perdem? Pela maneira como andam. De cabeça baixa, concentrando-se na erva que têm à frente do nariz. Vão de um tufo para outro e podem afastar-se das outras, nesse caminhar e perder-se. É possível viver uma vida assim. Andando sem alvos definidos, fazendo o que surge, enfrentando o dia a dia, avançando sem um plano definido, focando no imediato, no que está à frente dos olhos.
A miopia vence-se, olhando para além da dor imediata - Deus criou o nosso sistema nervoso de uma maneira maravilhosa e ao mesmo tempo desconcertante. Ou seja, quando somos magoados ou feridos, as terminações nervosas gritam a sua mensagem de dor. E ainda bem que assim é. A dor alerta-nos para o facto que algo não está bem em nós. Podemos desenvolver uma miopia que nos leve a concentrar-nos apenas nas nossas dores e males, esquecendo as nossas bênçãos. Concentramo-nos nos perigos e esquecemos as possibilidades.
A miopia vence-se concentrando-nos nas necessidades dos outros, não nas nossas - No caso de Esaú, a sua necessidade gritava mais alto. É fácil olhar para os nossos pés. É mais difícil focar o horizonte. É mais fácil focar em tudo o que temos ou não temos, conforto, bens, roupa, dinheiro, comunicação com a família. Este é o nosso foco diário, imediato. Mas Jesus prescreveu uma receita para isto: “Amarás o Senhor teu Deus, de todo o teu coração, de toda a tua alma, de todo o teu entendimento. Este é o primeiro e grande mandamento. O segundo semelhante a este é: Amarás o teu próximo como a ti mesmo” (Mat 22:37-39).A nossa vida de amor sempre se centra em alguém: Deus, os outros ou nós mesmos.
Deus deseja que o nosso olhar foque acima (Deus) e à nossa volta (os outros). Para isto é necessário um acto de vontade, uma decisão da nossa mente. Concentração, focagem da nossa vista, para vencer esta miopia do eu, do meu, do tenho, do não tenho...O samaritano da parábola de Jesus, teve que confrontar-se com a miopia. Olhando para o homem caído à beira da estrada, magoado pelo assalto dos ladrões que o espancaram depois de roubá-lo, podia ter pensado: “Este homem é judeu; a caridade é para os da casa. Talvez os ladrões andem por aí e venham atacar-me também; já estou atrasado; não sou médico...”Mas o homem de Samaria venceu todo o pensamento míope e mesquinho. Parou, tratou as feridas do outro, carregou-o sobre o seu animal e levou-o a um lugar onde podia ter tratamento específico. Pagou as despesas e quando voltou de viagem ainda se certificou se havia algo mais a fazer e a pagar.
A minha oração é que Deus coloque nos meus olhos umas lentes poderosas do seu Espírito, que transformem uma imagem desfocada do plano e projecto de Deus para a minha vida, em algo nítido e real.

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

SEM GÁS



O despertador toca, implacável. Salto da cama (melhor, arrasto-me para fora...) a caminho de um dia que tem tudo para ser "interessante": um almoço com uma amiga, uma reunião na igreja, levar a neta ao cabeleireiro (precisa de um corte naqueles caracóis), preparar um jantar melhor (o de ontem foi feito à pressa), fazer uns telefonemas a propósito da próxima conferência de mulheres. Abro a torneira, distraidamente, espreguiçando as últimas ondas de sono. A água corre, fria, sempre fria.
Ouço uma voz do outro lado da casa:

-“Não há gás! Estamos sem gás!”

De repente, tudo fica de uma cor esverdeada (dentro de mim, claro...), mas as palavras batem-me como martelos: “não tenho gás!” Como é que esqueci una coisa tão importante? Como é que deixo acabar algo que é essencial?
É isso mesmo. É assim que me sinto por dentro também. Tenho dado tanto de mim aos outros ultimamente, que esvaziei completamente, lentamente, sem dar por isso e sem me aperceber que a fonte da minha energia, o tempo que passo com Deus, na Sua intimidade, no Seu esconderijo, já foi há algum tempo... Mas há tantos afazeres. Tantas pessoas que precisam do meu conselho, tantos a necessitarem de oração e intercessão. Tantas cartas para escrever, reuniões para planear, roupa para passar, comida para preparar...
Sento-me na banheira fria e ali mesmo, elevo os meus olhos para Deus: “Senhor, estou aqui mais uma vez...sem gás!”
Como posso ser influência para os outros se a força dessa influência que vem da minha intimidade com Deus, enfraqueceu, esmoreceu, apagou?
A palavra intimidade tem a sua origem na raíz latina intimus, que significa “o mais interior”. O apóstolo Paulo entendeu perfeitamente essa necessidade de intimidade com Deus, quando disse aos crentes de Filipos “...pelo qual sofri a perda de todas as coisas e as considero como lixo para que possa ganhar Cristo”. (Fil 3:8). As suas capacidades, estudos, habilidades e dons naturais, para ele ficaram nada, comparados com a ânsia de compreender e conhecer melhor o Senhor.
O meu problema é que preencho a minha vida de coisas, pessoas, actividades, programas, que não são necessariamente maus, mas que ENCHEM o meu espaço interior.
Corro de um lado para o outro tentando ser a esposa perfeita, a líder gigante, a resposta para as questões que me põem, o conforto para cada desalento e a solução para o problema dos outros e por fim...não tenho gás!
É altura de parar, reflectir no que é prioritário, sobre o que é importante.
Ainda ontem ouvia uma querida mulher contar-me um rosário de peripécias complicadas que têm surgido ultimamente na sua vida, algumas delas bem estranhas, uma série de “asares”, coisas que normalmente se resolvem, mas que ao virem todas ao mesmo tempo, se transformam numa tempestade para a qual não há abrigo. Só consegui dizer-lhe as palavras do salmista “abrigo-me debaixo das Tuas asas até que passem as calamidades”. Esse é o lugar da intimidade, onde tudo o resto à nossa volta fica pequeno, sem a importância que parece ter, por causa do tamanho das Suas asas e do precioso da Sua presença. Aí se recebe consolo, descanso e força.

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

HOMENAGEM À CORAGEM

Esta história é feita de pura e genuína CORAGEM.
Desejo fazer uma singela homenagem a uma mulher jovem, linda e especial, que um dia descobriu no seu maxilar inferior um pequeno quisto, coisa sem importância, que possivelmente passaria com algum desinfectante ou antibiótico.
O certo e que “aquilo” cresceu. Foi empurrando os dentes para a frente, pois precisava de espaço para esse desenvolvimento incorrecto e inexplicável.
No dia do seu casamento, ela usou de algumas técnicas para que, nas fotos, não se notasse tanto aquele enorme volume que lhe enchia já a mandíbula.
Por fim, o diagnóstico bem reservado, apontava numa só direcção: cirurgia.
Tinha 21 anos, cheios de sonhos. Deixou em casa um bebé a precisar do seu seio e sujeitou-se a uma cirurgia que mais parecia trabalho de açougue. O maxilar foi retirado na sua totalidade e com ele os dentes inferiores. No seu lugar foi colocada uma prótese metálica que seguraria os tecidos do queixo e guardaria a forma da boca.
Essa prótese sofreu-a durante dez longos anos, com sucessivas e intermináveis infecções, desconforto e olhares de piedade, dores, perda de peso e forças, mas sempre com vontade de vencer, com ânimo para lutar. Continuou a comer, a sorrir, a rir bem alto, porque cria, porque sabia que Deus está no controlo da nossa vida, que Ele é capaz de usar “todas as coisas conjuntamente” para o bem dos que O amam.
Depois de sucessivas operações, algumas sem êxito, de muitas horas de dor, de inúmeras viagens à procura da solução, de descobrir que até numa operação Deus providencia médicos especiais, provisão, recursos financeiros que não existem fez-se alguma luz no fundo deste túnel imenso.
O pequeno resumo que aqui faço, daria material para um livro que não contaria apenas os erros médicos, os descuidos hospitalares, as pessoas incríveis que encontrou nesta jornada, mas também os episódios em que Deus ficou tão perto, que deu para ela sentar-se ao Seu colo e aninhar-se ali até que a tormenta passasse.
Em todos os anos deste longo sofrimento, nunca lhe ouvi uma palavra de revolta, nem uma frase de dúvida. Nunca a vi desesperada. Via-a chorar algumas vezes, mas pelos outros à sua volta, que não viam o que ela conseguia vislumbrar. Via-a orar por homens e mulheres em aflição, dar ânimo a tantos sem direcção.
Por isso e porque a luta ainda não acabou, seria uma falta grave se, aqui e agora, não me curvasse diante da tua coragem, fé e determinação e dizer do fundo da minha alma o orgulho que sinto porque fazes parte da minha vida e do meu coração - Miriam, minha querida nora!

sábado, 3 de outubro de 2009

CHEIRO DA MINHA TERRA


Agulhas verdejantes
cheiro da mata
que chora lágrimas desfeitas em pinhas
espalhadas pelo chão,
maresia que navega
no convés da neblina,
salpicos de um mar sem limite
cheiro a distância e a azul...
peixe saltitando sobre as brasas
transformado em dor
no repasto do descanso,
cheiro de uma terra
que não tem fim no tempo
perfumes de um chão
que é meu, para sempre.

quarta-feira, 30 de setembro de 2009

Uma mulher de bom gosto



Não há nada mais atractivo para os olhos de uma mulher do que vestidos, jóias e...homens. Não sei se coloquei isto na devida ordem...
Quando encontramos uma amiga no nosso dia a dia ou num lugar especial, os nossos olhos caem naquilo que ela traz vestido. (Fica-lhe bem... que antiquado... onde terá descoberto esta roupa... já não se usa... já a vi com este trapinho mil vezes...etc.)
Por outro lado, se perguntarmos aos nossos homens depois de uma festa o que fulana trazia vestido, a sua resposta será invariavelmente: “Sei lá! Era azul... não, era verde!”. Mas NÓS somos capazes de relatar os pormenores todos...
A Bíblia Sagrada, fala também acerca do nosso vestir. Há algumas referências interessantes sobre o assunto, mas gostaria de mencionar uma mulher designada no trecho sagrado como “mulher de honra”, cujas virtudes, actividades, gostos, negócios e roupa (imagine!) são descritos com grande pormenor. Os tecidos de que eram feitos as vestes desta mulher têm muito pouco a ver com o que usamos hoje. Ela fazia parte de uma cultura oriental, onde as cores e as misturas de fios nada têm a ver com os nossos gostos de mulheres modernas ocidentais e onde a confecção de todos os materiais era feita pelas próprias mulheres.
Para não perdermos muito tempo, vamos olhar para o guarda-roupa desta mulher tão especial e importante, ver exactamente as palavras bíblicas que o descrevem:

Força – A força da sua roupa não tem a ver com o tecido mais forte ou mais grosso, mas com
· preparativos importantes para a sua casa
· a ordem que coloca no seu viver diário
· o seu envolvimento saudável com a sociedade
· a sua confiança em Deus
· a sua mente equilibrada que lhe proporciona força interior e determinação.

Glória – Esta palavra significa “esplendor”. Com certeza que já encontraram pessoas que parecem ter um brilho de beleza à sua volta. Isso tem a ver com a dignidade do seu carácter, das suas acções. Parecem ter sobre si um toque de majestade, de realeza. Impressiona-nos que nesta mulher, não há nada pequeno, mesquinho, vulgar. A grandeza da sua alma, aliada à sua conduta graciosa, deixam transparecer uma beleza que não podemos chamar outra coisa senão dignidade, glória.

Esperança – Esta é uma peça de vestuário cara e muito rara no mercado da vida. Vivemos num tempo tão sombrio, tão inquietante, tão imprevisível. Onde vamos buscar a esperança? Onde se adquire tal produto? Essa esperança não é apenas uma ideia vaga que tudo mais ou menos vai dar certo. Essa esperança tem a ver com um facto muito importante: Quando Deus está no controlo da nossa vida e dos nossos empreendimentos, sabemos, sem sombra de dúvida que o soberano absoluto do Universo cuida individualmente de cada uma de nós, que Ele tem o melhor para nós, que os Seus planos a nosso respeito são para bem.
Para rir do futuro, é necessário estar vestida de uma maneira muito especial. Esta mulher veste-se de força, de dignidade e sobre tudo isso coloca um manto de esperança.
O mundo tornar-se-á um lugar melhor, mais digno, mais belo, se cada uma de nós se vestir desta maneira.

A força e a glória são os seus vestidos e ri-se do futuro!” Prov 31:25

terça-feira, 29 de setembro de 2009

TERCEIRA IDADE


Quem disse que não prestam, que “saiam do caminho” que “já estão acabados, arrumados”? Quem disse, está errado, porque a Bíblia diz que “ainda na velhice darão frutos!”
Tenho no meu quintal uma videira com mais de 100 anos. Não está muito cuidada, (também é só uma!). A coitadita cria folhas novas em cada estação, fornece alguma sombra, pois está por cima de uma latada, misturada com umas quantas outras trepadeiras. Pois imagine-se que este ano deu umas uvas maravilhosas! Bebemos sumo, comemos as ditas, regalámo-nos a ir à videira buscar um fruto inesperado, mas bom.
Pois acho que é isso mesmo que acontece com certas pessoas que, chegando a uma certa idade, de repente se apercebem que ainda há lições para aprender, mundos a descobrir, horizontes a explorar.
Uma Universidade Sénior em Setúbal (e noutros pontos do país), é o resultado deste florescer de novo para a vida. Fiquei fascinada a ouvir o reitor da mesma, meu amigo Dr. Brissos Lino e mais fascinada ainda pelo facto que estas pessoas não estão inscritas para prosseguir carreiras, para terem um lugar no mercado de trabalho, mas pelo simples prazer de aprender, de conviver, de ir buscar aos novos saberes, um gosto doce e dourado que só essa idade é capaz de fornecer ao homem.
Para Deus não há idade de beleza, não há faixa etária predestinada ao sucesso. Ele ama todos os homens, individualmente e mais do que poderemos imaginar, também é Ele que dá “força ao cansado e vigor ao que já não o tem”.
O meu conselho é que se já “passou da idade”, se lhe dizem que já não é capaz, não se deixe abater, prove que é capaz, persiga um sonho que ainda não realizou, use um chapéu da cor mais extravagante que encontrar, pois você tem o mesmo direito à vida, ao amor, à capacidade, como qualquer outro ser humano.
Acima de tudo, apesar de tudo, creia que Deus o ama incondicionalmente e que os seus dias estão guardados nas Suas mãos, não na ideia cultural que os homens possam ter sobre a idade.
Levante-se desse lugar de descanso forçado a que o sujeitaram porque é velho e vá atrás de algo que lhe faça bem, que lhe dê prazer e alegria. Fruto, pode nascer de uma videira já velha, quanto mais da sua vida!

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

CAOS

Quando Deus quer fazer algo novo, trazer algo novo, há necessariamente um tempo de caos. “Caos é uma ordem não conhecida”. Caos é como um desarranjo, uma desarrumação. É como se algo acontecesse, mas nada está a acontecer. Estamos num lugar, mas não temos a certeza onde estamos, nem para onde vamos e temos por isso muita vontade de voltar para trás. Ficamos nervosos. Ficamos inseguros, sem chão.
O caos vem à nossa vida porque Deus está a mudar até a ordem pela qual O conhecemos e pela qual funcionamos para Ele com os nossos dons. Chegamos a um ponto onde a maneira antiga de fazer as coisas, cai por terra, mas a coisa nova também não se vê ainda e aí, a nossa visão fica mesmo confusa.
Mas Deus paira sobre nós. Vemos isto na criação, no capítulo 1 de Génesis. Por um tempo, por um propósito necessário, tudo estava sem forma e vazio. A expressão no hebraico é tohu bohu, sem forma e vazio.
Já passei por vários destes tohu bohus na minha vida, onde parece que Deus está a querer levar-me para um outro nível, mas eu continuo a fazer as minhas coisas e nem me apercebo que aquilo já nem faz sentido. Nem sei se estou de cabeça para baixo ou para cima...
O grande perigo para um novo mover de Deus é o velho que ainda funciona. E às vezes o velho serve-nos tão bem, até mesmo estando vazio...
Neste momento estou à procura do novo. A ordem que não é conhecida ainda, persiste. Mas eu sei (como sei!) que o Espírito de Deus paira sobre o vazio, sobre o caos e daqui a pouco Ele vai dizer: HAJA!
Quando a Palavra for dita, haverá dia, noite, águas separadas, vegetação...vida! Mais, haverá um jardim e tudo fará sentido outra vez.

terça-feira, 22 de setembro de 2009

Senhora do Cabo


Na minha aldeia celebrou-se uma festa religiosa dedicada à Senhora do Cabo Espichel. É uma festa que acontece cada 25 anos. O povo inteiro mobilizou-se para pintar, alindar, embelezar a aldeia para a entrada triunfal da procissão. Tinham um coche puxado por cavalos de raça, em cima do qual viajava a imagem de poucos centímetros, quase invisível aos olhos do passeante...as ruas ficaram cheias de ramos no chão, as janelas engalanaram-se de colchas e flores, para receber, segundo eles, a “mãe”, a “rainha do céu”...
Houve muito trabalho, muito empenho envolvido num evento que, as pessoas desejam se repita daqui a 25 anos, pois isso significa que estarão ainda vivas.
O programa da festa incluiu concertos, missa campal e no final, o tradicional baile. Hoje vão começar a tirar os arcos, as luzes, as colchas das janelas. O que fica? Uma “santa” peregrina, guardada dentro da capela, que a maioria das pessoas não vai mais visitar, pois o que lhes interessava já passou – a festa.
Estes foram também dias em que alguns dos nossos conterrâneos curiosos pela nossa ausência, se aproximaram para perguntar a razão“por que não gostamos da Senhora”. Que bela oportunidade para dizer-lhes como admiramos não esta, mas Maria, a bem aventurada, a escolhida pelo Senhor para ser a mãe do Filho do Homem. Como ela mesmo nos ensinou a “fazer tudo o que Ele nos disser”; como ela foi obediente e submissa como todos deveríamos ser; como por causa da sua submissão à vontade de Deus, ela transportou em si o Verbo divino, um privilégio jamais concedido a outra mulher; como as virtudes por ela demonstrada deveriam ser exemplo para todos nós; como há um só Deus e um só Mediador entre Deus e os homens – Jesus Cristo, Homem.
Foi uma oportunidade única para esclarecer a fé e para aproximá-los mais de nós em vez de ficarmos afastados. O resto, não é trabalho nem responsabilidade nossa, mas do Espírito de Deus, convencê-los e atrai-los. E ainda bem que assim é, quanto mais vivo, mais consciente estou que nunca seria capaz de fazer tal tarefa.


quinta-feira, 17 de setembro de 2009

RECOMEÇAR


“Ninguém pode retroceder e ter um começo totalmente novo, mas qualquer pessoa pode começar agora a tentar um final totalmente novo”. (Siembre un geranio en su cráneo – Barbara Johnson)

Palavras sábias. Tiradas directamente da experiência de alguém que, apesar de ter um presente duvidoso, descobre que não pode recomeçar como era, mas decide fazer do seu final um momento de apoteose.
Pois foi incentivada por isto e por alguns amigos, que resolvi recomeçar a escrever o meu blog. Por erro ou avaria técnica, o blog foi retirado e eu perdi com ele muitas coisas. Uma delas foi um grande entusiasmo em escrever os meus pensamentos, as minhas alegrias, descobertas, perdas e dores, porque já me habituara aos amigos fieis que me seguiam em todo o mundo e com os quais me sentia ligada cada vez que clicava nos contadores e via os pontinhos vermelhos piscando em várias nações. Perdi também muito material que, por estupidez, não guardei a tempo. Estou a fazer luto.
Mas vou recomeçar.
Hoje há na blogosfera espaços de muita qualidade, que debatem as mais variadas matérias, alguns dos quais sigo atentamente. Não pretendo de modo algum comparar-me com eles, mas desejo que ao abrir o meu coração, a minha perspectiva de vida leve alguém a reflectir no que é essencial.
Quero que as minhas simples divagações levem os meus amigos a pensar mais alto e mais longe. Eu não me contento com menos do que o céu!
Estou de volta...seja o que Deus quiser!

terça-feira, 8 de setembro de 2009

O MEU SALMO

O livro dos Salmos é um dos meus favoritos na Bíblia. Um dia quando lia, lembrei que também eu poderia dedicar um salmo ao Senhor meu Deus. Aqui vai!

Senhor, Tu tens sido o meu Deus fiel e misericordioso.
Ainda no ventre da minha mãe, a Tua mão já me cobria e abençoava.
Preservaste a minha alma do meu inimigo. Tiraste-me do laço e da armadilha que me preparava.
Quando ele pensava que eu já estava destruída, a Tua mão me arrancou, me libertou e me colocaste num lugar seguro.
Nem sempre entendi os Teus desígnios, mas a minha alma sempre te amou.
Nem sempre obedeci à Tua voz, mas a Tua fidelidade foi maior que o meu pecar.
Quando olho para o caminho que ficou para trás, ele está encoberto. Os dias de glória e de bênção recolheste nas Tuas câmaras celestiais. Os dias e as noites do meu pecar e rebelião colocaste debaixo da cruz do Teu Filho Jesus.
Quando olho para o caminho que está à frente sinto a Tua presença. Nem sempre é claro, mas a Tua Palavra ilumina os meus pés. Nem sempre é directo, mas os Teus preceitos ensinam-me os passos a seguir.
Em Tuas mãos a minha dextra está segura. Em Teu coração encontro o abrigo que procuro. Em Teu amor tenho tudo o que preciso.
Meu Deus, meu Salvador, meu Senhor, minha Rocha e minha Fortaleza!
Atende à súplica da Tua serva quando a Ti clamo.
Faz a Tua serva ver o desejo do seu coração cumprido, pois Tu és o meu prazer e o meu Deus, para sempre!

Tempos Trabalhosos...


( O texto abaixo foi escrito para www.genizahvirtual.com)
“TEMPOS TRABALHOSOS...”


A primeira década deste século, está a chegar ao fim. Estamos navegando em mares com muita ondulação. O século começou com medo, sacudiu o receio logo a seguir, esboçou um sorriso leve de esperança, para logo a seguir sentir a tremedeira de uma crise que atingiu tudo e todos.
O futuro dos próximos dez anos avizinha-se estranho a todos os níveis – até para a Igreja.
De todos os lados nos chegam as notícias de um corte, uma proibição, uma nova lei, um novo modo de vida, imposto por um grupo de gente que tem o direito de viver, sentir e crer no que lhe apetecer, mas que, subitamente, adquiriu um poder que a continuar assim, dentro de pouco tempo nos esmagará sem nos apercebermos que estamos debaixo de uma imposição que não faz sentido.

O “politicamente correcto” faz-se a partir do que ordenam, exigem e reclamam. Desde a proibição da oração nas escolas, ao silenciar do sino milenar na torre das igrejas, tudo tem que ser em função destas almas.
Por outro lado - do outro lado, para ser mais correcta, há uma outra invasão que quer controlar de outra maneira: Deus está à nossa disposição para o que queremos e exigimos.
Somos Seus filhos, temos direitos, podemos confessar, reclamar e possuir.No meio destes “vendilhões do templo”, a moeda de troca é bênção por dinheiro, oração por oferta, sucesso por vanglória e sinais exteriores de riqueza.
Por favor, não invadam Portugal!
Fiquem bem longe destas fronteiras. Uns e outros. Já nos chegam os problemas “lusos” com que temos que lidar todos os dias...
Já sabíamos que viriam “tempos trabalhosos”.


O que vai fazer a Igreja, a Noiva, diante de forças tão estranhas e contrárias ao legado de Jesus Cristo? Valerá a pena gritar contra a invasão? (Acho que ninguém nos ouve...). Desfilar nas ruas em protesto? (Não faz mossa...) Escrever, usar os meios actuais à nossa disposição para despertar consciências e alertar os incautos?

Por favor respondam!
Eu preciso respostas!

***Sarah Catarino é lider feminina portuguesa, presidente da AGLOW Portugal, oradora internacional, e co-produtora do programa Mulheres de Esperança da Rádio Transmundial de Portugal. Dica da Betânia ALVES (A mesma Bê Pirola, só que sem o nepotismo!!!)