terça-feira, 22 de setembro de 2009

Senhora do Cabo


Na minha aldeia celebrou-se uma festa religiosa dedicada à Senhora do Cabo Espichel. É uma festa que acontece cada 25 anos. O povo inteiro mobilizou-se para pintar, alindar, embelezar a aldeia para a entrada triunfal da procissão. Tinham um coche puxado por cavalos de raça, em cima do qual viajava a imagem de poucos centímetros, quase invisível aos olhos do passeante...as ruas ficaram cheias de ramos no chão, as janelas engalanaram-se de colchas e flores, para receber, segundo eles, a “mãe”, a “rainha do céu”...
Houve muito trabalho, muito empenho envolvido num evento que, as pessoas desejam se repita daqui a 25 anos, pois isso significa que estarão ainda vivas.
O programa da festa incluiu concertos, missa campal e no final, o tradicional baile. Hoje vão começar a tirar os arcos, as luzes, as colchas das janelas. O que fica? Uma “santa” peregrina, guardada dentro da capela, que a maioria das pessoas não vai mais visitar, pois o que lhes interessava já passou – a festa.
Estes foram também dias em que alguns dos nossos conterrâneos curiosos pela nossa ausência, se aproximaram para perguntar a razão“por que não gostamos da Senhora”. Que bela oportunidade para dizer-lhes como admiramos não esta, mas Maria, a bem aventurada, a escolhida pelo Senhor para ser a mãe do Filho do Homem. Como ela mesmo nos ensinou a “fazer tudo o que Ele nos disser”; como ela foi obediente e submissa como todos deveríamos ser; como por causa da sua submissão à vontade de Deus, ela transportou em si o Verbo divino, um privilégio jamais concedido a outra mulher; como as virtudes por ela demonstrada deveriam ser exemplo para todos nós; como há um só Deus e um só Mediador entre Deus e os homens – Jesus Cristo, Homem.
Foi uma oportunidade única para esclarecer a fé e para aproximá-los mais de nós em vez de ficarmos afastados. O resto, não é trabalho nem responsabilidade nossa, mas do Espírito de Deus, convencê-los e atrai-los. E ainda bem que assim é, quanto mais vivo, mais consciente estou que nunca seria capaz de fazer tal tarefa.


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