sexta-feira, 23 de outubro de 2009

O PESO ERRADO DA BALANÇA

Há uns anos na Suécia, conheci uma rapariga que sofria de anorexia. Fizera já várias tentativas para se livrar do problema, algumas com resultado, mas voltava à mesma situação passado algum tempo. No meu encontro com ela, não notei muito a sua magreza, mas uma coisa nunca esquecerei - o seu olhar. Era como se de repente a palavra desespero se materializasse naqueles olhos azuis.
Sentei-me junto dela e ouvi a sua história. Por entre lágrimas, contou-me o seu percurso, a sua dor, o vazio que a invadia sempre que a levavam ao hospital e, por fim, o facto de não conseguir perdoar-se a si mesmo pela sua autodestruição.
Quando alguém entra numa rota tão destrutiva como esta, mesmo depois de clinicamente curado, continuará a experimentar muita dor e o mesmo sentimento que invadia essa moça com quem falei – falta de perdão pelo que fizera.
Li uma lenda interessante de um padre numa cidade do interior dos Estados Unidos, que cometera um pecado grave na sua juventude e apesar de ter pedido perdão a Deus, passou a vida inteira carregando o peso da culpa desse pecado. Não tinha a certeza se Deus o perdoara.
Um dia ouviu falar de uma senhora idosa que, segundo as histórias que se contavam, tinha visões e conversava com Deus. O padre encheu-se de coragem e foi visitá-la. Ela convidou-o a entrar, ofereceu-lhe uma chávena de chá e quando a visita estava a terminar, fitando a senhora, o padre perguntou: “É verdade que a senhora costuma ter visões e que conversa com Deus?” “Sim”, disse a senhora, “é verdade”. “
“Então, da próxima vez que a senhora falar com Deus poderia fazer-Lhe uma pergunta?” A senhora ficou muito admirada com o pedido, mas quis saber qual era a questão que o padre desejava que ela colocasse a Deus.
“Não se importa de perguntar a Deus qual foi o pecado que este padre cometeu quando era jovem?” Passadas algumas semanas o padre voltou a visitar a senhora. “Então teve alguma visão recentemente? E falou com Deus?” perguntou ele. “Sim”, disse a senhora.
“E perguntou a Deus qual foi o pecado que eu cometi quando era jovem? Ele respondeu?” “ Sim”, disse a mulher. “Ele disse-me que não se lembra!”
É isso mesmo. Deus não apenas perdoa os nossos pecados como os esquece. Contei isto àquela mulher jovem com quem falei. Disse-lhe que o seu comportamento, o mal que causara ao seu corpo, a sua obsessão em relação ao peso e a preocupação que trouxera à sua família estavam não apenas perdoados mas esquecidos por Deus!
Aquela reunião continuou no dia seguinte. Estava curiosa por ver a jovem com quem falara. Quando ela entrou, a diferença era enorme. Os seus olhos não tinham mais desespero, mas luz, o seu rosto, apesar de magro, tinha a cor de uma beleza a desabrochar e o mais belo ocorreu quando ela pediu licença para ir à frente cantar. Há muitos anos que não cantava, perdera a força e a vontade, mas naquele dia a sua linda voz de soprano subiu ao céu num louvor maravilhoso de gratidão a Deus pelo Seu perdão e pelo Seu esquecimento.
A Palavra de Deus diz que “assim com o oriente está longe do ocidente, assim Deus afasta de nós as nossas transgressões “. A distância entre o oriente e o ocidente é bastante razoável, não? Deus esquece o nosso pecado, quando nos voltamos para Ele e, através de Jesus Cristo, pedimos o Seu perdão.
Depois... podemos cantar outra vez!

2 comentários:

  1. A profundidade do Seu amor...
    Aí,Ele tem encerrados todos os meus erros passados! Derrama em meu coração porções imensuráveis deste amor... por isso também esqueço, esqueço e prossigo para andar de valor em valor!

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