
Profeta, amigo de Deus, líder de competência altíssima, o mais manso de todos os homens que havia na terra, intercessor, amigo do povo, ensinador, legislador, homem de experiência espiritual profunda e marcante, gigante de fé, culto, uma história de vida única, esse foi Moisés.
A sua existência foi marcada por três estações de 40 anos. Parecia que em cada um desses espaços de tempo, algo específico e drástico acontecia na sua vida. Cada uma dessas fases tem um fascínio próprio, encapsulado no relato de Hebreus capítulo 11, a galeria dos heróis.
Entro nessa galeria. Paro diante de cada vida e reparo que há momentos, períodos, instantes (às vezes bem curtos), em que os tais homens e mulheres de fé apresentam pequenos defeitos e falhas que comprometem tudo o que é dito a seu respeito.
Moisés não é excepção. E é diante dele que me detenho. Depois de ter aguentado um povo desobediente, uma gente rebelde e dúbia, de ter feito com eles alianças que os levariam a ser prósperos e benditos, de ter chorado por eles diante de Deus, de ter subido a alguns montes e em cada um deles ter alcançado para o povo padrões eternos de conduta e prosperidade, de ter sido usado para fazer milagres e prodígios – o homem comete UM erro e o seu destino e propósito pessoais ficam para sempre comprometidos.
O povo não tinha água. Como em muitas outras ocasiões, falou e murmurou contra Deus e os seus líderes. Estes recebem do Senhor uma solução directa para por ponto final numa situação de grande dificuldade e que afecta a sobrevivência de milhares de pessoas. Deus ordena que Moisés pegue na sua vara e fale a uma rocha. A rocha ouviria a voz do profeta e dela sairia a água para aliviar a sede do povo, como se fosse um ser inteligente e auto-suficiente. E aqui começa a minha tentativa de desculpar Moisés: se era para falar apenas, por que Deus mandou que levasse o bordão?
Por que razão Deus não se explica melhor, quando pretende algo em que nos envolve?
O povo era descrente, mas nesse momento Moisés pecou pela mesma descrença. Achou que não era a falar que resolveria o problema. Ele já enfrentara uma situação anterior em que usara a vara e vira resultados... e em vez de falar e mais uma vez mostrar o poder de Jeová, bate na rocha não uma vez, mas duas. A água surge realmente, o povo bebe até se saciar, mas Moisés ouve a sentença da sua vida: não entraria na terra da promessa.
Daí em diante só tenho que pasmar diante de tudo o que fez, incentivou, discursou e programou, apesar da sentença mais dolorosa que pesava sobre ele.
Moisés está a chegar ao fim de mais um período de 40 anos e Deus manda-o subir a outro monte. Deste não retornará. Lá no cimo do Pisga, Deus concede-lhe não apenas uma ideia da terra prometida, mas fortalece os seus olhos de maneira a que tenha uma visão nítida de cada contorno, um perceber distinto de cada lugar. Tudo termina depois desta visão. Os olhos que viram o que mais nenhum homem viu, fecham-se para sempre e os anjos sepultam o seu corpo ainda forte. Não havia rugas no seu rosto, não havia sinais de fraqueza na sua face. O seu intelecto não estava em decadência, a sua memória e capacidade de julgamento permaneciam intactos. Mas a sua jornada terminara. O que admiro neste homem é a sua enorme capacidade de entender o desígnio divino e de não se revoltar contra algo que ele sabe ser o carácter de Deus.
Saio da galeria pensativa. Sinto um arrepio e dou comigo a perguntar: como é que me atrevo às vezes a desafiar o propósito de Deus? Porque não confio plenamente quando Ele me manda fazer algo que eu não compreendo? Será que tudo o que tenho feito me dá o direito de pensar que Deus vai dar-me um final perfeito?
Nem quero pensar nos outros que por aí correm, tentando espalhar, dar ou vender unção. A coisa é mais séria. Tem a ver comigo.
Aconchego-me com o casaco. A temperatura mudou mesmo. Está agreste e severa. De repente lembro um pormenor: a sepultura de Moisés nunca foi encontrada. Passados estes anos de descobertas arqueológicas complicadas, esta nunca foi feita. Foi como se Deus dissesse: “Não vale a pena fazer dele um objecto de veneração. Um erro é um erro, mas já está tudo tratado e arrumado entre dois amigos”.
Isso traz-me esperança. E afinal, o sol está a brilhar!
A sua existência foi marcada por três estações de 40 anos. Parecia que em cada um desses espaços de tempo, algo específico e drástico acontecia na sua vida. Cada uma dessas fases tem um fascínio próprio, encapsulado no relato de Hebreus capítulo 11, a galeria dos heróis.
Entro nessa galeria. Paro diante de cada vida e reparo que há momentos, períodos, instantes (às vezes bem curtos), em que os tais homens e mulheres de fé apresentam pequenos defeitos e falhas que comprometem tudo o que é dito a seu respeito.
Moisés não é excepção. E é diante dele que me detenho. Depois de ter aguentado um povo desobediente, uma gente rebelde e dúbia, de ter feito com eles alianças que os levariam a ser prósperos e benditos, de ter chorado por eles diante de Deus, de ter subido a alguns montes e em cada um deles ter alcançado para o povo padrões eternos de conduta e prosperidade, de ter sido usado para fazer milagres e prodígios – o homem comete UM erro e o seu destino e propósito pessoais ficam para sempre comprometidos.
O povo não tinha água. Como em muitas outras ocasiões, falou e murmurou contra Deus e os seus líderes. Estes recebem do Senhor uma solução directa para por ponto final numa situação de grande dificuldade e que afecta a sobrevivência de milhares de pessoas. Deus ordena que Moisés pegue na sua vara e fale a uma rocha. A rocha ouviria a voz do profeta e dela sairia a água para aliviar a sede do povo, como se fosse um ser inteligente e auto-suficiente. E aqui começa a minha tentativa de desculpar Moisés: se era para falar apenas, por que Deus mandou que levasse o bordão?
Por que razão Deus não se explica melhor, quando pretende algo em que nos envolve?
O povo era descrente, mas nesse momento Moisés pecou pela mesma descrença. Achou que não era a falar que resolveria o problema. Ele já enfrentara uma situação anterior em que usara a vara e vira resultados... e em vez de falar e mais uma vez mostrar o poder de Jeová, bate na rocha não uma vez, mas duas. A água surge realmente, o povo bebe até se saciar, mas Moisés ouve a sentença da sua vida: não entraria na terra da promessa.
Daí em diante só tenho que pasmar diante de tudo o que fez, incentivou, discursou e programou, apesar da sentença mais dolorosa que pesava sobre ele.
Moisés está a chegar ao fim de mais um período de 40 anos e Deus manda-o subir a outro monte. Deste não retornará. Lá no cimo do Pisga, Deus concede-lhe não apenas uma ideia da terra prometida, mas fortalece os seus olhos de maneira a que tenha uma visão nítida de cada contorno, um perceber distinto de cada lugar. Tudo termina depois desta visão. Os olhos que viram o que mais nenhum homem viu, fecham-se para sempre e os anjos sepultam o seu corpo ainda forte. Não havia rugas no seu rosto, não havia sinais de fraqueza na sua face. O seu intelecto não estava em decadência, a sua memória e capacidade de julgamento permaneciam intactos. Mas a sua jornada terminara. O que admiro neste homem é a sua enorme capacidade de entender o desígnio divino e de não se revoltar contra algo que ele sabe ser o carácter de Deus.
Saio da galeria pensativa. Sinto um arrepio e dou comigo a perguntar: como é que me atrevo às vezes a desafiar o propósito de Deus? Porque não confio plenamente quando Ele me manda fazer algo que eu não compreendo? Será que tudo o que tenho feito me dá o direito de pensar que Deus vai dar-me um final perfeito?
Nem quero pensar nos outros que por aí correm, tentando espalhar, dar ou vender unção. A coisa é mais séria. Tem a ver comigo.
Aconchego-me com o casaco. A temperatura mudou mesmo. Está agreste e severa. De repente lembro um pormenor: a sepultura de Moisés nunca foi encontrada. Passados estes anos de descobertas arqueológicas complicadas, esta nunca foi feita. Foi como se Deus dissesse: “Não vale a pena fazer dele um objecto de veneração. Um erro é um erro, mas já está tudo tratado e arrumado entre dois amigos”.
Isso traz-me esperança. E afinal, o sol está a brilhar!
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