quarta-feira, 11 de novembro de 2009

MOISÉS, SERVO DE DEUS...


Profeta, amigo de Deus, líder de competência altíssima, o mais manso de todos os homens que havia na terra, intercessor, amigo do povo, ensinador, legislador, homem de experiência espiritual profunda e marcante, gigante de fé, culto, uma história de vida única, esse foi Moisés.
A sua existência foi marcada por três estações de 40 anos. Parecia que em cada um desses espaços de tempo, algo específico e drástico acontecia na sua vida. Cada uma dessas fases tem um fascínio próprio, encapsulado no relato de Hebreus capítulo 11, a galeria dos heróis.
Entro nessa galeria. Paro diante de cada vida e reparo que há momentos, períodos, instantes (às vezes bem curtos), em que os tais homens e mulheres de fé apresentam pequenos defeitos e falhas que comprometem tudo o que é dito a seu respeito.
Moisés não é excepção. E é diante dele que me detenho. Depois de ter aguentado um povo desobediente, uma gente rebelde e dúbia, de ter feito com eles alianças que os levariam a ser prósperos e benditos, de ter chorado por eles diante de Deus, de ter subido a alguns montes e em cada um deles ter alcançado para o povo padrões eternos de conduta e prosperidade, de ter sido usado para fazer milagres e prodígios – o homem comete UM erro e o seu destino e propósito pessoais ficam para sempre comprometidos.
O povo não tinha água. Como em muitas outras ocasiões, falou e murmurou contra Deus e os seus líderes. Estes recebem do Senhor uma solução directa para por ponto final numa situação de grande dificuldade e que afecta a sobrevivência de milhares de pessoas. Deus ordena que Moisés pegue na sua vara e fale a uma rocha. A rocha ouviria a voz do profeta e dela sairia a água para aliviar a sede do povo, como se fosse um ser inteligente e auto-suficiente. E aqui começa a minha tentativa de desculpar Moisés: se era para falar apenas, por que Deus mandou que levasse o bordão?
Por que razão Deus não se explica melhor, quando pretende algo em que nos envolve?
O povo era descrente, mas nesse momento Moisés pecou pela mesma descrença. Achou que não era a falar que resolveria o problema. Ele já enfrentara uma situação anterior em que usara a vara e vira resultados... e em vez de falar e mais uma vez mostrar o poder de Jeová, bate na rocha não uma vez, mas duas. A água surge realmente, o povo bebe até se saciar, mas Moisés ouve a sentença da sua vida: não entraria na terra da promessa.
Daí em diante só tenho que pasmar diante de tudo o que fez, incentivou, discursou e programou, apesar da sentença mais dolorosa que pesava sobre ele.
Moisés está a chegar ao fim de mais um período de 40 anos e Deus manda-o subir a outro monte. Deste não retornará. Lá no cimo do Pisga, Deus concede-lhe não apenas uma ideia da terra prometida, mas fortalece os seus olhos de maneira a que tenha uma visão nítida de cada contorno, um perceber distinto de cada lugar. Tudo termina depois desta visão. Os olhos que viram o que mais nenhum homem viu, fecham-se para sempre e os anjos sepultam o seu corpo ainda forte. Não havia rugas no seu rosto, não havia sinais de fraqueza na sua face. O seu intelecto não estava em decadência, a sua memória e capacidade de julgamento permaneciam intactos. Mas a sua jornada terminara. O que admiro neste homem é a sua enorme capacidade de entender o desígnio divino e de não se revoltar contra algo que ele sabe ser o carácter de Deus.
Saio da galeria pensativa. Sinto um arrepio e dou comigo a perguntar: como é que me atrevo às vezes a desafiar o propósito de Deus? Porque não confio plenamente quando Ele me manda fazer algo que eu não compreendo? Será que tudo o que tenho feito me dá o direito de pensar que Deus vai dar-me um final perfeito?
Nem quero pensar nos outros que por aí correm, tentando espalhar, dar ou vender unção. A coisa é mais séria. Tem a ver comigo.
Aconchego-me com o casaco. A temperatura mudou mesmo. Está agreste e severa. De repente lembro um pormenor: a sepultura de Moisés nunca foi encontrada. Passados estes anos de descobertas arqueológicas complicadas, esta nunca foi feita. Foi como se Deus dissesse: “Não vale a pena fazer dele um objecto de veneração. Um erro é um erro, mas já está tudo tratado e arrumado entre dois amigos”.
Isso traz-me esperança. E afinal, o sol está a brilhar!

4 comentários:

  1. ... Moisés sempre foi alguém que eu desejo muito conhecer um dia no céu. A história dele fascina-me e emociona-me tal como aconteceu agora ao ler este seu texto.
    Um dia dei uma lição na Escola Dominical acerca dele, dando o exemplo de que apesar do seu nascimento não ter sido própriamente desejado (pelo perigo que corria), de ele ter problemas na fala, de ser um filho adoptivo no Eipto, ele era tão importante para Deus ao ponto de o usar para grandes feitos. A sua auto-estima não deveria ser a melhor de certeza, porque ele tentou "escapar" aos planos que Deus tinha para ele...
    Nós também somos muito importantes, que mesmo apesar das nossas limitações e defeitos podemos ser usados por Deus para grandes coisas.
    Deus a abençoe, beijinho.

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  2. Deleito-me ao ler estas palavras...
    O quanto eu desejo essa manifestação do Seu Espirito e Poder...
    estou ansioso!
    De súbito, Ele fala... fico tão pequenino... meu único desejo é estar com Ele; conforta-me, ouço a Sua voz:
    "a minha graça te basta!"
    Aquele é um dos dois momentos na vida de Moisés, para guardar e aprender.
    O outro é extraordinário, não pode ficar-nos despercebido a nós intercessores. Ele chega à presença do Senhor para dizer:
    "Perdoa o teu povo, ou então...
    RISCA-ME DO TEU LIVRO."
    Isto significa, ficar separado de Deus para sempre!
    Eu não sei se alguma vez conseguiria dizer isto...

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  3. Belíssimo texto!
    Domingo passado, preguei em cima do texto das águas de Mara.
    Foi tão interessante! Mas não poderia falar só desse texto, pois o público que estava a minha frente não conhecia a vida de Moisés, e quando eu ia contando a história, via surpresa no rosto das pessoas, exclamavam! Nossa!
    Experiência única!

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  4. No antigo testamento Moises foi, talvez o maior e melhor Servo do Altísismo Deus ... Talvez possa ser a seguir a Jesus Cristo e à Nossa Senhora o Maior Intercedor ... Como no Novo Testamento, também o foi possivelmente e maioritariamente S. Paulo ... um verdadeiro revolucionários e DINAMIZADOR DA VIDA E OBRA DE NOSSO SENHOR JESUS CRISTO ...

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