quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

NATAL VERMELHO

A velha canção: “...sonho com um Natal branco...” deixou de fazer sentido. O Natal mudou de cor. Agora é vermelho. Por todo o lado vejo o velho barrigudo subindo pelas janelas, entrando nas sacadas, pendurado nas lojas, calcorreando sem descanso as avenidas dos centros comerciais. Ele, o Pai Natal, vestido de vermelho, nunca me afligiu, até este momento, em que o vejo por todo o lado, como se tivesse direito a tudo isto...
Qual é o papel desta estranha figura? As crianças já não acreditam que ele chega pela noite, correndo sobre as nuvens, segurando o freio das renas douradas que transportam um mundo de presentes. Já não precisam dele. Hoje os pais vão à Internet ou aos shoppings fazer as compras e levam as crianças com eles. A doçura da surpresa foi-se diluindo, o mistério da prenda deixou de existir. Então porque insistem em pendurá-lo, como se ele já não tivesse força para descer por uma chaminé qualquer?
Na minha aldeia, este ano, trocaram-no por outro artefacto vermelho: um pano onde está pintada a figura do menino Jesus, que os meus vizinhos penduram com orgulho nas janelas e varandas.
Dei comigo a pensar que a ideia não é assim tão má. O “menino” tem mais direito que o “velho”. A história é mesmo a respeito dele. Começou lá bem atrás, na profecia de Isaías: “Porque um menino nos nasceu...”, até ao relato de Lucas, que no capítulo segundo do seu evangelho fala do “menino” dez vezes! Natal tem a ver com o nascimento de um Menino, que cresceu em graça, sabedoria e estatura, até cumprir o propósito para que nasceu – oferecer-se como o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo.
Aí sim, aí tudo ficou vermelho. A cruz, as Suas vestes, o Seu rosto, o Seu corpo, a terra...tomaram a cor do sangue precioso, incontaminado e perfeito.
Tirem o Pai Natal e já agora tirem aquela figura pintada sobre um pano vermelho e olhem para o Calvário. Lá sim, lá o vermelho faz sentido, tem propósito, é real.
Diz o Livro que quando aparecer outra vez, o Seu vestido será salpicado de sangue... Ele, o “Cordeiro que foi morto, antes da fundação do mundo”...

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