quinta-feira, 26 de novembro de 2009

O SEIO DA MÃE


“...Mas ainda que esta mãe viesse a esquecer-se dele, eu, todavia, não me esquecerei de ti” (Isaías 49:15b)

Há uns anos, estava em Moçambique, numa grande reunião numa igreja e no final uma mulher muito jovem, carregando um bebé muito cheio de roupa e bem embrulhado, aproximou-se de mim e com voz triste disse: “Ore pelo meu menino, está muito doente. Não tenho leite para ele”. Fiquei admirada com a mulher e perguntei quanto tempo tinha a criança, ao que ela respondeu “Duas semanas!”. Não sei se ela estava muito certa do tempo, mas o que me assustou tanto, ao ponto de sentir até uma agonia física, foi o facto de aquela criança não comer. Não era possível, o menino tinha de ingerir algum alimento... A jovem então explicou-me que lhe dava água com açúcar e sopa...
Perante aquele quadro, perguntei se não tinha leite no peito para dar ao seu filho. “Não, não tenho” disse, com os olhos baixos.
Fiz então uma das coisas mais loucas que já me aconteceram na vida. Desabotoei-lhe a blusa e pedi-lhe que tirasse o seio para fora. Ela assim fez. Fiz pressão sobre o seio da mulher... “Agora”, disse eu, “coloque a boca do menino no seu mamilo. Faça pressão sobre o seio...”. Isto demorou uns lentos minutos, mas de repente, vejo a boca do bebé a puxar o leite da mãe. Os olhos da moça iluminaram-se de sorrisos. Sentei-me com ela e expliquei como Deus fez o nosso corpo de forma tão maravilhosa para podermos suprir a necessidade de alimentação dos nossos filhos durante os seus primeiros meses de vida. Ela simplesmente não sabia... as mulheres mais velhas achavam que ela estava seca...
Como Deus é sábio ao fazer do nosso corpo um lugar de segurança para uma criança ser formada e dos nossos seios uma fábrica de leite com a temperatura, textura e elementos perfeitos para que esse ser receba tudo quanto necessita para ser saudável. Enquanto amamenta o seu filho, louve a Deus por esse dom, mas não se esqueça de elevar uma prece pelos meninos do mundo que nascem e são abandonados, que nunca sentirão o calor de um seio, que jamais olharão com olhinhos lânguidos para o rosto da mãe...
(Do livro: Esperança para a Alma (pg. 26) de Sarah Catarino)

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

SE EU PUDESSE...


Diante de tantas calamidades que assolam o nosso mundo, do sofrimento infligido muitas vezes a seres inocentes, de tanta violência e dor, sentimo-nos impotentes e limitados, como se a solução de tudo o que vemos à nossa volta escorresse pela fragilidade dos nossos dedos.
Se eu pudesse, mudaria tanta coisa, solucionaria tantos problemas, poria fim a tanto sofrimento...se eu pudesse... Mas não posso e a angústia dessa limitação, paralisa-me muitas vezes para aquilo que posso.
Neste dilema imenso que é a vida, a voz doce do meu Pai assegura-me que Ele pode todas as coisas e que, mesmo assim, algumas delas estão ao alcance do meu esforço.
Posso controlar o meu relacionamento com Ele, porque sei que tudo na minha vida está exactamente nessa dependência da Sua pessoa. Ele fez-me um ser de escolha; sou eu que dito na minha vida até que ponto quero ou não aproximar-me de Deus, qual a intensidade do amor que Lhe dedico, que intimidade desejo ter com Ele.
Posso controlar as minhas necessidades emocionais. Infelizmente muita gente pensa que a sua vida deve ser orientada por aquilo que sente, pelo que traz sensações de felicidade. Deus criou-me um ser emocional, mas isso não me dá o direito de usar essa capacidade para manipular, perturbar e confundir o ambiente e as pessoas à minha volta.
Posso controlar as minhas atitudes. As circunstâncias onde me acho podem não se transformar, mas a minha atitude em relação elas pode ser diferente. O Espírito Santo tem prazer em fazer crescer na minha vida um fruto que se chama temperança, auto-controlo necessário para que as minhas atitudes e palavras sejam coincidentes com a minha fé.
Posso controlar e evitar a amargura e a falta de perdão. “A amargura não destrói o objecto sobre o qual é derramada, mas o vaso que a contém”. Elas danificam o meu corpo, a minha alma e tornam-me cativa das minhas próprias prisões. Viver em perdão é viver em plena liberdade. Quando encerramos alguém na prisão da nossa indiferença, do nosso esquecimento e desamor, nem nos apercebemos que as algemas que colocámos no outro, prenderam também os nossos movimentos...
Posso controlar a maneira como vejo os outros à minha volta. O meu crescimento como pessoa passa também pela tolerância, pela compaixão, pelo não julgamento das pessoas e das suas acções. Que sei eu desse indivíduo que desejo criticar? Quem sou eu para colocar rótulos sobre pessoas ou grupos se não entrei nas suas vidas o suficiente para conhecer porque agem ou falam assim? O julgamento precipitado pode cortar para sempre uma oportunidade de mudança na vida do outro e uma janela de esperança para alguém à procura de resposta.
Posso fazer e controlar coisas pequenas no “meu mundo”, actos de bondade, sorrisos de gratidão, palavras de encorajamento, serviço abnegado e sacrificial. Contra estas coisas não há lei...
Afinal ainda posso fazer imenso...

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

MOISÉS, SERVO DE DEUS...


Profeta, amigo de Deus, líder de competência altíssima, o mais manso de todos os homens que havia na terra, intercessor, amigo do povo, ensinador, legislador, homem de experiência espiritual profunda e marcante, gigante de fé, culto, uma história de vida única, esse foi Moisés.
A sua existência foi marcada por três estações de 40 anos. Parecia que em cada um desses espaços de tempo, algo específico e drástico acontecia na sua vida. Cada uma dessas fases tem um fascínio próprio, encapsulado no relato de Hebreus capítulo 11, a galeria dos heróis.
Entro nessa galeria. Paro diante de cada vida e reparo que há momentos, períodos, instantes (às vezes bem curtos), em que os tais homens e mulheres de fé apresentam pequenos defeitos e falhas que comprometem tudo o que é dito a seu respeito.
Moisés não é excepção. E é diante dele que me detenho. Depois de ter aguentado um povo desobediente, uma gente rebelde e dúbia, de ter feito com eles alianças que os levariam a ser prósperos e benditos, de ter chorado por eles diante de Deus, de ter subido a alguns montes e em cada um deles ter alcançado para o povo padrões eternos de conduta e prosperidade, de ter sido usado para fazer milagres e prodígios – o homem comete UM erro e o seu destino e propósito pessoais ficam para sempre comprometidos.
O povo não tinha água. Como em muitas outras ocasiões, falou e murmurou contra Deus e os seus líderes. Estes recebem do Senhor uma solução directa para por ponto final numa situação de grande dificuldade e que afecta a sobrevivência de milhares de pessoas. Deus ordena que Moisés pegue na sua vara e fale a uma rocha. A rocha ouviria a voz do profeta e dela sairia a água para aliviar a sede do povo, como se fosse um ser inteligente e auto-suficiente. E aqui começa a minha tentativa de desculpar Moisés: se era para falar apenas, por que Deus mandou que levasse o bordão?
Por que razão Deus não se explica melhor, quando pretende algo em que nos envolve?
O povo era descrente, mas nesse momento Moisés pecou pela mesma descrença. Achou que não era a falar que resolveria o problema. Ele já enfrentara uma situação anterior em que usara a vara e vira resultados... e em vez de falar e mais uma vez mostrar o poder de Jeová, bate na rocha não uma vez, mas duas. A água surge realmente, o povo bebe até se saciar, mas Moisés ouve a sentença da sua vida: não entraria na terra da promessa.
Daí em diante só tenho que pasmar diante de tudo o que fez, incentivou, discursou e programou, apesar da sentença mais dolorosa que pesava sobre ele.
Moisés está a chegar ao fim de mais um período de 40 anos e Deus manda-o subir a outro monte. Deste não retornará. Lá no cimo do Pisga, Deus concede-lhe não apenas uma ideia da terra prometida, mas fortalece os seus olhos de maneira a que tenha uma visão nítida de cada contorno, um perceber distinto de cada lugar. Tudo termina depois desta visão. Os olhos que viram o que mais nenhum homem viu, fecham-se para sempre e os anjos sepultam o seu corpo ainda forte. Não havia rugas no seu rosto, não havia sinais de fraqueza na sua face. O seu intelecto não estava em decadência, a sua memória e capacidade de julgamento permaneciam intactos. Mas a sua jornada terminara. O que admiro neste homem é a sua enorme capacidade de entender o desígnio divino e de não se revoltar contra algo que ele sabe ser o carácter de Deus.
Saio da galeria pensativa. Sinto um arrepio e dou comigo a perguntar: como é que me atrevo às vezes a desafiar o propósito de Deus? Porque não confio plenamente quando Ele me manda fazer algo que eu não compreendo? Será que tudo o que tenho feito me dá o direito de pensar que Deus vai dar-me um final perfeito?
Nem quero pensar nos outros que por aí correm, tentando espalhar, dar ou vender unção. A coisa é mais séria. Tem a ver comigo.
Aconchego-me com o casaco. A temperatura mudou mesmo. Está agreste e severa. De repente lembro um pormenor: a sepultura de Moisés nunca foi encontrada. Passados estes anos de descobertas arqueológicas complicadas, esta nunca foi feita. Foi como se Deus dissesse: “Não vale a pena fazer dele um objecto de veneração. Um erro é um erro, mas já está tudo tratado e arrumado entre dois amigos”.
Isso traz-me esperança. E afinal, o sol está a brilhar!

domingo, 8 de novembro de 2009

VELHO...

Esta é uma prosa do General Douglas McArthur:

“A juventude não é um período de tempo. É um estado de mente, resultado da vontade, qualidade da imaginação, vitória da coragem sobre a timidez, do gosto da aventura sobre o amor ao conforto.
Um homem não fica velho por ter vivido um grande número de anos. Um homem envelhece, quando deserta o seu ideal. Os anos podem enrugar as suas faces, mas desertar o seu ideal enruga a sua alma. Preocupações, receios, dúvidas e desespero são os inimigos que nos atiram lentamente contra o chão e que nos tornam pó antes de morrermos. Ficarás jovem enquanto estiveres aberto ao que é belo, bom e grande; receptivo às mensagens de outros homens e mulheres, da natureza e de Deus. Se um dia te tornares amargo, pessimista e amordaçado pelo desespero, que Deus tenha misericórdia da tua alma de velho”.

terça-feira, 3 de novembro de 2009

Às Mulheres Aglow


Deus não tem mulher
mas fez-se homem a partir do ninho interior
de uma delas
que o amamentou nos seus peitos
em momentos de carinho

Deus não tem mulher
mas sabe a massa de que são feitas por dentro
e por isso as ama ainda mais

Deus não tem mulher
mas procura a sua intimidade
não dispensa o seu colo
o seu regaço incerto
o seu coração apertado

Deus não tem mulher
mas preferiu-as no seu gesto criador
fazendo delas fábricas de vida e ternura
onde fez repousar a sua gentileza

Deus não tem mulher
mas fez delas a peça que faltava no puzlle masculino

Deus não tem mulher
mas chamou-as a habitar todas as esquinas da História

Deus não tem mulher
mas trabalha para que todas as mulheres o desejem com ardor

Deus não tem mulher
não tem uma mulher, tem muitas
todas as Marias, Susanas, Lídias e Vitórias
Isabéis, Manuelas, Rutes, Saras, Fernandas
Josefinas, Luísas, Anas, Joaquinas
Carolinas, Martas, Antónias
e até Madalenas
todas as que queiram abrigar-se
nos seus braços de segurança e amor.

Brissos Lino - 30 de Outubro de 2009