quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

ÚLTIMOS DIAS

Fomos arrancando as folhas ao calendário. Cada dia uma história, cada hora uma parte da vida. Nem demos conta que as folhas iam diminuindo...que o calendário ficava mais perto do fim.
Estes trezentos e tantos dias ficaram marcados por lágrimas, por riso, por partidas e chegadas. Assistimos a funerais e estivemos presentes em bodas. Vimos os meninos nascerem e crescerem mais um pouco, os políticos a mentir e o povo a reclamar. Tantas coisas que acontecem num simples ano.
Olhamos para trás e há poucos dias que ficarão na memória. Talvez o dia de um aniversário especial, a data do nascimento de mais uma criança na família ou de uma despedida de um amigo que não vamos ver durante muito tempo. De resto, os dias passaram sem nota de grande importância. Os sobressaltos, os sustos, as alegrias, os momentos de prazer, as lágrimas e as dores, diluem-se dentro de nós para fazerem parte de quem somos, num recôndito do nosso ser que, segundo o poeta, ”é uma capela de ouro há cem anos fechada, onde não vai ninguém mas onde há festa ainda”.
Mas por cima deste enevoado de lembranças e memórias que desvanecerão, há um sol brilhante: a fidelidade de Deus, imensa, profunda, imensurável, inatingível, inamovível. Ele foi sempre Fiel. Ele É sempre fiel. Daqui a pouco viraremos a primeira página de um calendário novo e as Suas misericórdias continuarão a não ter fim, não importa o que nos acontecer. Os homens vaticinam crise, Ele vai estar lá. Os políticos adivinham mudanças terríveis, Ele vai permanecer. Os bruxos e adivinhadores encherão os programas televisivos com os seus chorrilhos de mentiras, mas Ele é a Verdade.
Que mais pode um ser humano desejar, se o Deus do Universo, invisível mas real, está aqui, connosco, Emanuel?

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

SINOS

Hoje o sino da aldeia onde vivo tocou longamente. À força de ouvir a sua música, já sei decifrar quando morre alguém, quando há festa na igreja, uma boda e hoje, um aniversário de casamento.
O tal sino já não é puxado por uma corda, como era antigamente. Tem agora um dispositivo electrónico que emite os sons que saiam do oco do próprio instrumento. Mas mesmo assim é bonito de se ouvir...
Os sinos geralmente fazem-se de metal, mas há sinos pequenos que também pode ser feitos de cerâmica ou vidro. Podem ser de qualquer tamanho: desde pequenos acessórios para trajes até sinos de templos que podem pesar muitas toneladas. No princípio da história do povo de Israel, os sacerdotes utilizavam nas orlas dos seus mantos dezenas de campainhas e esses pequenos instrumentos musicais deram lugar ao que hoje conhecemos como sinos.
Eu colecciono sinos. Trago um de cada cidade do mundo onde proclamo a Palavra de Deus. Já tenho uma montra bem bonita. Cada sino que compro tem ligado a ele uma história, várias às vezes, de pessoas, de experiências, de sabores e até de milagres...Tenho-os de metal, de vidro, porcelana, madeira, cristal...Uns mais pequenos, outros maiorezinhos. Mas os meus sinos não tocam. Estão lá, fechados numa vitrina, para me lembrar de algo importante.
Eu, pessoalmente, queria ser um sino daqueles que contam a verdade, mesmo quando ela é dolorosa, mesmo que faça alguém chorar. Também queria ser um daqueles que tocam em dias festivos, repicando sem parar, para dizer coisas boas, que não podem ser esquecidas, com o perigo de sermos ingratos. Queria tocá-lo longamente para proclamar que o Amor é a única coisa que existe no coração de Deus e que nunca esgota...e queria, acima de tudo, contar ao mundo histórias de milagres (como os meus, fechados na vitrina), porque vejo as pessoas sem esperança, à espera de uma música verdadeira e real, nem que seja de um sino...

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

PRESÉPIOS


Olho para todos os que nesta quadra do ano estão expostos nos mais variados lugares: montras, igrejas, largos, rotundas, teatros...sei lá, por aí. Olho até para umas figuras que todos os anos vou buscar à arrecadação e que faço questão de colocar num lugar bonito da minha sala e que me lembram um homem e mulher vestidos com trajes orientais, olhando para uma criança meio despida e deitado numas palhas... e sempre que os contemplo, pergunto-me outra vez: como teria sido aquele nascimento, aquele evento único na história da humanidade?
Nestes dias que antecedem o tempo das festas natalícias, dou comigo a ler os evangelhos e a imaginar, a dissecar mais uma vez, como foi o nascimento de Jesus.
Vejo um casal jovem atravessando estradas poeirentas, dias e noites de viagem cansativa, com um destino em mente: Belém da Judeia, para um recenseamento obrigatório. O homem, José, pertence à casa de David, o rei de Israel mais amado e profético. A mulher, sentada sobre a montada, tapa com o manto uma gravidez já bem adiantada. As palavras entre os dois são escassas e cuidadas. Aquele não é um casamento normal e muito menos uma gravidez desejada. José ainda pondera o tumulto de emoções que o tomou, meses atrás, quando descobriu que Maria, sua noiva, estava grávida. Como, se nunca houvera qualquer intimidade entre eles? Não houve muitas explicações, as que ouviu ele não as entendeu, mas porque era justo e bom, ruminou que a melhor maneira de evitar o escândalo, seria terminar o noivado, sem alarido, sem testemunhas. Maria ficou em silêncio, na maior parte das vezes em que o assunto foi trazido à conversa no seio da família. O que ela sabia era difícil ser aceite por mentes normais, o que ela contava da visita angélica que lhe anunciara que teria um filho e que “Ele salvaria o seu povo dos seus pecados”, ainda menos. José dormira pouco naquelas longas noites de dúvida e desgosto, mas numa delas, recebeu uma visita inesperada e única, de um anjo, que lhe assegurava que o casamento com Maria era para considerar, pois o que ela contava era a verdade.
Aproximaram-se de Belém. José via o cansaço espelhado nos olhos da sua mulher. Precisava de um lugar para descansar. Mas os parentes de José, já tinham a casa cheia de gente que chegara antes. Bateram a várias portas e a resposta foi sempre a mesma. Numa das casas onde procuraram abrigo, deram-lhes uma sugestão que aceitaram de bom gosto: o lugar onde guardavam os animais era abrigado e havia muita palha onde podiam fazer uma cama. Não sei que animais povoavam aquele lugar. Não sei a que horas o menino nasceu, imagino que alguém ajudou Maria a dar à luz, consigo vê-la fazendo à criança o que era normalmente feito a todos os recém-nascidos naquele tempo e a olhar em volta, procurando um lugar limpinho onde pudesse colocar a criança. Aproximou-se de uma das manjedouras e com um olhar indicou a José que aquela era a melhor. José colocou palha nova e ali, no quente do feno, adormeceu o Filho de Deus – encarnado, feito humano. Olharam os dois transfigurados para a criança que tinham na frente. José colocou os braços à volta dos ombros de Maria e naquele abraço, ela sentiu que agora tudo estava bem. Aquele menino seria dos dois. Aquele rapazinho rosado e pequenino faria parte da descendência de David, porque José O recebera como seu.
Romântico? Pode ser.
Invulgar? Completamente.
Único? Totalmente.
Divino? Absolutamente.
No meu presépio com cheiro a animais e feno, há pouco mais que um homem, uma mulher e uma criança acabada de nascer. Parecido a qualquer família. Diferente de todas elas. Porque o Menino não é só deles. É de todo o povo. De todos nós, afinal.

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

QUEM ÉS TU?

(click na foto para melhor visualização)

“...onde estavas quando eu organizava a terra? Sabes quem fixou as suas dimensões, quem a mediu com uma fita métrica? Onde estão assentes os seus pilares? Quem assentou a sua primeira pedra, enquanto as estrelas da manhã cantavam e gritavam de alegria todos os seres celestes?
Quem fez jorrar o mar das duas comportas, quando saía impetuoso da sua fonte, quando lhe dei as nuvens para se vestir e a neblina para se cobrir? Eu impus-lhe um limite, fechei-o com comportas e ferrolhos e disse-lhe:”daqui para diante não passas, aqui têm de parar as tuas ondas mais fortes”.
Alguma vez deste ordens ao dia ou indicaste á aurora o lugar devido, para abarcar com as suas asas toda a terra e afastar todos os criminosos? A luz afugenta os criminosos e os que levantaram o braço ficam sem força para dar o golpe.
Já foste às nascentes do mar, ou passeaste pelo fundo do oceano? Foram-te reveladas as portas da morte? Viste a entrada para aquele reino de sombras? Consegues perceber tudo o que há na terra?
Qual é o caminho para o lugar onde habita a luz? Onde é a morada da escuridão?
Já foste aos reservatórios da neve? Viste os reservatórios do granizo que eu tenho guardados para uma hora de perigo, para o dia de combate e de guerra?
De que maneira se divide o relâmpago e sopra sobre a terra como o vento leste?
Quem abriu a passagem para a chuva, um caminho para as nuvens que trovejam? Qual é o pai que criou a chuva e fez nascer as gotas de orvalho? Qual é a mãe que deu á luz o gelo e a geada que cai do céu?
És capaz de atar as cordas que seguram a constelação das Plêiades ou de desatar as do Orion? Consegues fazer aparecer as constelações cada uma na sua altura própria e guiar a Ursa Maior com os seus filhos?
Conheces as leis que governam o céu e a influência que ele exerce sobre a terra? És tu que mandas embora os relâmpagos?
Que arranja comida para o corvo, quando os seus filhotes mortos de fome gritam a Deus por socorro?”
Sabes em que época nascem as crias das corças, já viste as gazelas darem à luz?...”
Parte de uma conversa poética entre Deus e o seu amigo Jó. Relatada nos capítulos 39-42 do livro do mesmo nome. (BPT)

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

PORTUGAL


PORTUGAL

De cheiro de açucenas e madressilva, da flor da macieira, do almiscarado das figueiras, das estevas, das giestas, dos pinheiros e eucaliptos, do mosto e do azeite...
De brisas que sopram suaves nos vales; de entardeceres únicos e cálidos; de madrugadas musicadas por centenas de espécies de aves; de rios que correm tranquilos para o mar; de um oceano que já viu partir heróis e valentes e que é nosso, porque muito do seu sal são lágrimas do nosso povo...
De vinhas e trigais, de nogueirais, de amendoeiras, oliveiras e sobreiros...
De um povo que, embora embalado pelas notas pungentes do fado que o remete à saudade e ao passado, ainda acredita, mesmo tendo sido roubado da fé e da esperança...
De uma gente que abre a porta ao estrangeiro e põe a mesa aos visitantes...
De homens que continuam a inventar e a criar, mesmo sem serem reconhecidos...
De pessoas solidárias ainda que tendo pouco, que ousam ainda sonhar, mesmo sabendo que esses sonhos vão desfazer-se como nuvem passageira no profundo azul do céu...
Esta é a minha terra. Meu canto. Meu chão. Meu país lindo e único.

terça-feira, 30 de novembro de 2010

O CAMINHO ESTREITO


À medida que os anos passam e a vida vai-se esvaindo entre os intervalos da minha loucura, de repente, descubro que a estrada vai ficando mais estreita.
As amizades ficam mais escassas, a saúde mais curta, as capacidades menos reconhecidas, a saudade mais profunda, a paixão difícil de acender, o mundo mais escuro, a esperança mais ténue, os livros mais relidos, as fotos mais gastas, os olhos mais focados, o coração batendo num ritmo mais lento...As montanhas parecem mais altas, os mares mais profundos, as pontes mais distantes, as praias mais inacessíveis, as canções cantadas a medo, as lágrimas mais difíceis de saltar...
A estrada é mais estreita e no entanto, lá ao fundo, há uma luz que nunca vira antes, quando tudo era azáfama, ardor, força e presença dos que amo. O caminho fica mais íngreme e tenho que parar de vez em quando, mesmo por que, numa curva inesperada, a paisagem é deslumbrante.
A luz fica mais próxima. Agora a estrada é um carreiro no meio de um bosque. Só tem lugar para uma pessoa. Daqui para a frente não há como me perder; os atalhos acabaram, os sinais ao longo do caminho desapareceram, o silêncio é só quebrado pelo chilrear dos pássaros e pela minha respiração. Mas não há tristeza. É como se eu soubesse há muito tempo, que este caminho só é meu, que não tenho que partilhá-lo com mais ninguém, que as águas que correm no rio ao lado são só minhas e que as flores que crescem na beira do carreiro estão lá por minha causa.
A luz é mais forte agora. Mas mesmo sem escolher, sinto que alguém resolveu seguir o mesmo caminho. Os passos na vereda ficam mais próximos e o desconhecido fala comigo sem pedir licença. Invade os meus pensamentos, põe a nu o meu coração, penetra a minha mente com palavras que me seguram e, de repente, dou comigo a pedir-lhe: Fica comigo, porque é tarde e o dia já declina...
Afinal, a vereda dá para caminharmos os dois, juntos, para a luz...

sábado, 27 de novembro de 2010

CONVERSAS SOLTAS

Hoje encontrei uma senhora com quem converso algumas vezes, que me informou sobre a festa de S. Saturnino, segunda-feira dia 29 de Novembro.
Contava-me ela que este santo, padroeiro de Fanhões, era LINDO! Que a igreja tinha gasto algumas centenas de euros para restaurá-lo, para que nesta festa, o santo estivesse no seu melhor.
Perguntei-lhe quem era o tal Saturnino. Ela deu uma grande gargalhada e respondeu que não sabia, só sabia que a cara do santo era linda...
A igreja matriz de Fanhões dedicada a S. Saturnino, data de 1575 e foi restaurada em 1796. A sua construção nasceu da necessidade de a população ter uma igreja mais perto do local de residência. Tem uma só nave e torre sineira. No interior, o destaque para o coro joanino, assente em duas colunas de mármore, pia baptismal e painéis de azulejos dos séculos XVI e XVII. Singela, mas bonita, sobretudo muito antiga. Consta que foi queimada durante a I República, mas restaurada a seguir pelos fiéis. Durante a revolução do 25 de Abril, os senhores da extrema-esquerda decidiram fazer dela uma adega cooperativa, mas a coisa ficou só pelo dito.Isto eu já sabia, mas e o santo,
tão venerado nesta terra onde vivo? Por isso fui à procura. E descobri algumas coisas bem interessantes e curiosas:
De origem grega, São Saturnino é uma das devoções mais populares na França e na Espanha.Foi o primeiro bispo de Toulouse, em 250 sob o consulado de Décio e Grato.
Era uma época em que a Igreja, naquela região, contava com poucas comunidades cristãs. Estava desorganizada desde 177, com o grande massacre dos mártires de Lyon. O número de fiéis diminuía cada vez mais, enquanto nos templos pagãos as filas para prestar sacrifícios aos deuses parecia aumentar. Embora houvesse um decreto do imperador proibindo e punindo com a morte quem participasse de missas ou mesmo de simples reuniões cristãs, Saturnino liderou os crentes fiéis e continuou com a comunhão e a leitura do Evangelho.
Assim, ele e outros quarenta e oito cristãos, acabaram por ser descobertos quando se reuniam para celebrar a sua fé num domingo. Foram presos e julgados no Capitólio de Toulouse. O juiz ordenou que o bispo Saturnino, uma autoridade da religião cristã, sacrificasse um touro em honra a Júpiter, deus pagão, para convencer os demais. Como se recusou, foi amarrado pelos pés ao pescoço do animal, que o arrastou pela escadaria do templo. Morreu com os membros esfacelados.O seu corpo foi recolhido e sepultado por duas cristãs
Ora é a isto que eu chamo uma linda história de fé e perseverança. A minha grande questão depois de descobrir isto tudo, é se o povo de Fanhões que o venera e admira, sabe quem foi o santo e se deseja seguir o seu exemplo: amar a Deus, custe o que custar, mesmo que isso signifique por em risco a sua vida...
Saturnino, bispo de Toulouse, venerado na freguesia de Fanhões, concelho de Loures. Mal sabia o santo, que chegaria tão longe... Porquê?
Ele há cada mistério...

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

IDENTIDADE FAMILIAR

A minha amiga e o marido nem podiam acreditar. Olharam um para o outro, descrentes, porque a sua menina estava a fazer a mala para ir embora de casa. Nem sabiam se haviam de rir ou chorar. Afinal a menina tinha só 6 anos.
E foi mesmo. Só que a família do outro lado da rua que a recebeu, quando chegou a uma certa hora, disse-lhe que estava na altura de voltar, porque era dia da sua família ir à loja de gelados. Faziam isso todas as semanas. A pequena resolveu telefonar para casa e perguntar se, mesmo tendo saído com malas e bagagens, ainda tinha direito à tradição familiar. Claro que foi recebida de braços abertos e lá foram felizes e contentes comer o gelado da praxe”.

Li esta pequena história que me fez pensar se as famílias de hoje têm tradições, cultura, valores, costumes, uma identidade toda própria. Infelizmente, o mundo “enorme” e ao mesmo tempo “encolhido” em que vivemos, tem outras coisas que substituem essa tradição prazeirosa de se saber que no aniversário da mãe faz-se isto, que no Natal é costume cantar aquilo, que todo os verões, mal o tempo da praia chega, a família vai fazer mais aqueloutro...São tradições tão simples quanto estas que permitem que a família fique junta, que os laços não rebentem de uma vez.
Além de que, uma identidade familiar também ajuda os filhos a desenvolverem uma auto-identidade forte e saudável. Saberem o que torna singular a sua família, dá às crianças e aos jovens um ponto de partida para descobrirem o seu lugar no mundo. Têm sido feitos estudos que mostram que os miúdos que se identificam com os valores da sua família são menos promíscuos e enfrentam um risco menor de abuso de substâncias.
Para que esta identidade familiar se estabeleça, são necessários a presença física dos pais, refeições juntos, jogos e brincadeiras em família. Uma outra maneira de firmar este laço é a celebração. Celebre tudo o que há para celebrar. O nascimento de um pintainho, uma flor recebida como surpresa, uma refeição feita com requinte, um bolo desejado há muito tempo, um bom relatório escolar...sei lá, o céu é o limite! Mais, fale sobre Deus, sobre fé, sobre oração, fale sem esforço, naturalmente, acerca de assuntos tão palpitantes como a confiança num Deus que não se vê, mas que está lá!
Mesmo que o filho faça a mala e saia, um dia volta. A saudade do cheiro dos lençóis, do odor único dos bolos de canela, das conversas e dos risos, vai trazê-lo outra vez.
Lá, por onde andar, é tudo frio, sem sabor e sem cheiro. Sem identidade familiar.

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

NOZES...


Ofereceram-nos um saco de nozes. Hoje em dia ninguém gosta de as partir, dá trabalho e faz lixo...É muito mais fácil compra-las no supermercado, embaladas e caras.
Mas hoje resolvi partir algumas. Deliciosas, as nozes fortalecem as defesas do corpo, auxiliam na formação de glóbulos vermelhos, ajudam a curar ferimentos mais depressa, fortalecem ossos e dentes e, ainda, actuam contra o envelhecimento das células. Com tantas qualidades desses frutos de casca dura, o que se come é a semente e elas (as nozes), podem e devem entrar no nosso cardápio regularmente.
Cá estou eu, sentada com o dito saco na minha frente e a parti-las. Não são bonitas, mas ainda só encontrei duas podres. O resto é todo bom. A casa está em silêncio e o único ruído é o que faço, cada vez que parto um dos frutos. De repente, vem-me à mente algo que ouvi há algum tempo, dito por um grande homem de Deus. Ele comparou uma noz à nação onde vivemos. Dura, forte, nem sempre bela, mas impenetrável. Estamos protegidos (assim pensamos). Dentro está o miolo, a semente, que ele comparou à Igreja, a nação santa, dentro da outra nação. A casca tem a sua utilidade, mas é o miolo que alimenta, que traz os tais benefícios que acima referi...
Enquanto separava o miolo da casca, reflecti que muitas vezes o miolo se parte pela pressão exercida sobre a casca. É preciso jeito e um instrumento bom, para partir sem desfazer o que está dentro, coisa que não tenho... E aí estou eu a pensar que as pressões sobre a Igreja, sobre a nação santa, são grandes e podem causar danos, mas mesmo assim, aproveita-se o miolo, mesmo partido, mesmo sem estar inteiro.
Agora tenho nas mãos uma acabada de partir; parece boa, mas tem um pozinho que é sinal que está atacada por um bichinho que gosta de nozes. Ponho-a de lado, não vá a infecção fazer-nos mal...
E oro: Senhor, que a “nação santa” dentro de Portugal nutra, fortaleça, actue em saúde para todos os que dela se alimentarem. Mesmo quebrados, mesmo partidos, ainda queremos ser alimento! E onde houver infecção, doença ou algo perigoso, limpa-nos, não nos lances fora da Tua presença...”
Acabei a tarefa. Guardei o miolo bom, que vai alimentar e dar saúde a quem comer.
Sobre o outro, a nação santa, continuo preocupada, insisto em orar e esperar...

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

LEMBRAS?


Procuras-me no vazio. Eu não estou lá. Gritas por mim para o ar, como se Eu me escondesse. Questionas-me como seu Eu não tivesse respostas.
Não és o único. Muitos outros antes de ti fizeram o mesmo... alguns conseguiram encontrar a solução, outros ainda andam por aí, procurando nos lugares errados.
Lembras-te quando recebeste algo maravilhoso que nem tinhas pedido? Fui Eu, que conheço os segredos do teu coração!
E quando tinhas uma situação tão problemática que nem sabias onde procurar a solução e de repente tudo ficou fácil? Fui Eu, que tomo os problemas dos homens nas minhas mãos...
E quando te sentiste invadido pela tristeza, solidão e abandono, mas de repente foi como se alguém se tivesse colocado ao teu lado? Era Eu, porque o acaso não existe.
Lembras-te quando te sentiste tão cansado da vida ao ponto de querer morrer e de repente entrou em ti uma força que te deu ânimo para continuar? Fui Eu, que te carrego nos braços e te faço descansar.
Eu sempre estive no teu caminho. Mesmo quando não me vias nem sentias. Porque sempre te amei. Não posso dar-te todas as respostas, porque não ias entendê-las. Mas quero que saibas uma coisa que sei que irás compreender: quando Eu vim ao mundo, abdiquei de toda a minha glória e fiz-me igual a ti, para saber como são as tuas dores. Mas quando me pregaram na cruz eu levei não só as tuas, mas as de todo o mundo. E nos instantes finais, quando já não conseguia quase falar por causa do suplício, ainda tive força para pronunciar as palavras mais importantes que tu precisas ouvir ainda hoje: ESTÁ TERMINADO!
Os que estavam à volta da cruz, pensaram que eu me referia à minha vida ou ao sofrimento agonizante daquela hora, mas não. Eu estava a declarar de uma vez por todas que o TEU sofrimento, solidão, fome, frio, angústia, maldição, doença e pecado, tinham cessado.
Só te é requerida uma ÚNICA coisa. Que creias em mim. Que acredites que o que eu fiz é suficiente e que me deixes entrar na tua vida e ter relação contigo.
Depois, mesmo que algumas dessas coisas te vierem perturbar, saberás que a minha graça, força e presença nunca te deixarão.
Olha...fica em silêncio um bocadinho. Sentes? Eu estou, mesmo AQUI!
(Autor Desconhecido)

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

GIGANTES

O jovem mete as mãos na água do riacho e procura pedras. Escolhe-as cuidadosamente. Precisa só de cinco, lisinhas, que possa utilizar na sua funda de pastor e que voem com a força de um míssil para abater qualquer fera.
Mas David escolhe hoje as suas pedras melhor que em qualquer outro dia, porque vai usá-las para atacar o homem mais forte do exército inimigo – um brutamontes de carne, aço e ferro, que se levanta orgulhosa e altivamente contra os exércitos do Deus de Israel. Descendente de uma antiga família de inimigos que fora expulsa da terra pelo general Josué, agora, passados tantos anos, volta á carga, ameaçando derrubar quem se atrever a enfrentar os músculos poderosos e as armas mortíferas que carrega. “Dêem-me um homem”, grita ele do alto da sua arrogância. Ele quer um homem, mas é um menino que avança, sem medo, confiado no Deus de Israel e numa pedra colocada com precisão na sua funda de pastor.
Aos olhos do exército, do rei, dos seus irmãos, tem poucas chances – nenhumas, aliás. Mas ele

caminha, passo a passo, sem medo, com os olhos colocados na fronte do gigante. A pedra voa em velocidade letal e Golias cai por terra com a força da pedrada. Daí até acabar com o inimigo, são apenas minutos.
Que chances tenho contra os gigantes que se levantam na minha nação? Não têm espadas, nem lanças estes inimigos, mas carregam dardos de abandono, abuso sexual, depressão, infidelidade e entram em casa, no escritório, no quarto, na sala de aula. Trazem consigo contas que não podemos pagar, bebida a que não conseguimos resistir, pornografia difícil de não ver, culpa que insiste em nos fazer lembrar.É o mesmo gigante que ofendeu os nossos antepassados, que destruiu as nossas famílias, que desmoronou os nossos lares. É o mesmo. Enfrento-o? Fujo dele? Foco-me em algo que ninguém vê? Enquanto avança para mim, vejo nele um alvo a abater, um inimigo a derrotar. O foco deixa de ser a força brutal do gigante e passa a ser o mesmo do herói de Israel: “O Senhor me livrará da mão deste filisteu!” Os olhos das pessoas á minha volta só vêem o filisteu, mas os meus olhos conseguem ver Deus, a Sua força, o Seu poder, a Sua capacidade de revestir-me do impensável.
Como David, eu não quero ver Golias, eu desejo ver Deus! E quando todos à minha volta focarem no gigante que ataca, quero ver o Senhor, maior que ele, mais poderoso que ele.
E de repente, o gigante cai. Eu venci.

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

OPERAÇÃO RESGATE

Muito já foi dito, escrito e ponderado sobre o resgate dos mineiros chilenos. Mas calculo que cada um de nós vê e reflecte de maneira diferente.
Olhei fascinada para o tempo que levou a cápsula a descer, para o cuidado dos homens à volta daquele enorme buraco. De vez em quando a imagem mostrava uma panorâmica maior do deserto frio onde se encontra a mina, gente andando de um lado para o outro, decerto com alguma tarefa importante a cumprir, já que tudo aquilo tinha a ver com o salvamento de vidas humanas. Agradeci pela tecnologia ao dispor dos homens, pelo empenho de pessoas que, noite e dia, trabalharam para que esta operação tivesse sucesso.
Senti um calafrio quando mostraram a bandeira da nação, tremulando no alto de um poste. Todo o país sofreu, chorou, orou e esperou que os homens voltassem à superfície, sãos e salvos. Hoje, esse mesmo povo celebra e canta nas ruas a vida e a solidariedade..
Enquanto decorria o salvamento, veio ao meu pensamento o texto de Efésios 3:17-19. Não entendia o que o Espírito de Deus falava ao meu coração, não compreendia o que tinha o texto a ver com o resgate de 33 homens nas profundezas da terra, alimentados apenas pela esperança que, alguém cá em cima estava a fazer tudo para salvá-los.
Sem compreender ainda, reparei no cuidado colocado em cada gesto, no altruísmo de 6 homens que desceram para fazer parte dos soterrados e ajudá-los a aguentar as últimas horas, na alegria genuína e vibrante de cada um à volta do buraco, cada vez que um mineiro chegava salvo... e de repente, a palavra de Efésios ficou viva!
Nós ainda não entendemos a largura do amor de Deus – o quanto Ele se estendeu para nos alcançar; nem o comprimento – o quanto caminhou para nos achar; nem a profundidade – o quanto desceu para nos libertar – o quanto subiu para nos trazer vitória total. Por que se conhecêssemos esse amor, que excede todo o esforço, todo o empreendimento, todo o conhecimento e toda a nossa compreensão, aí sim, gozaríamos de toda a plenitude de Deus!
Ele continua a procurar em todas as dimensões para alcançar o desesperado e quando acontece achar um deles, a bandeira dança ao vento e há alegria no céu, gozo indizível e glorioso, cada vez que um dos perdidos é resgatado...
A família e amigos cobriam de beijos cada mineiro que saía da terra. Será que a “família” do perdido, sem Deus e sem salvação, se alegra quando ele é resgatado?
As lágrimas corriam-me quentes pelo rosto. “Senhor fortalece o meu interior, hoje. Deixa o meu coração criar raízes em Ti, para que eu entenda este amor”...
Lá, eles foram todos salvos.
“...que Eu não perca nem um só daqueles que Ele me deu...” João 6:39

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

A ESMAGADORA MINORIA"

“É fácil ser honesto no mundo programado para a desonestidade? É fácil manter-se puro, num mundo poluído pela imoralidade e arrasado por filosofias que pregam e ensinam que tudo o que conta na vida é o “aqui e agora”?

A revista Vogue aumentou consideravelmente o número de seus leitores depois de uma grande campanha publicitária que declara: “Vogue é lida pela esmagadora minoria”. A mensagem transmitia a ideia de que o importante não era o número de leitores, mas a qualidades destes. Ser minoria não é problema, se a minoria se tornar esmagadora.

O que Jesus estava querendo dizer em Sua oração intercessória é justamente que o Seu povo sempre seria a minoria, mas devia ser uma minoria esmagadora, capaz de revolucionar o mundo, uma minoria que não fosse contaminada, mas que "contaminasse”, que não fosse influenciada, mais que influenciasse.

Repetidas vezes Ele afirmou essa mensagem ao usar as figuras do sal, que sendo a minoria em meio aos elementos que formam uma comida, é capaz de mudar completamente o sabor dela. Outra vez usou a figura da luz, que sendo apenas um raio insignificante, pode romper o poder das trevas que reinam num quarto escuro.

A esmagadora minoria!

Não Te peço que os tires do mundo, mas que os mantenhas sempre “esmagadora minoria”, capaz de reflectir o Meu carácter para os homens.

Todos conhecem a oração do grande pregador Carlos Spurgeon:

“Dá-me doze homens, homens importunos, amantes de almas, que não temam coisa alguma senão o pecado, e não amem coisa alguma senão a Deus, e abalarei Londres de extremo a extremo.”

A esmagadora minoria de Gedeão foi capaz de derrotar o inimigo. A esmagadora minoria dos cristãos primitivos foi capaz de levar o evangelho para todos os cantos do mundo conhecido daquele tempo.

Não tenha medo de fazer parte da minoria, mas tenha a certeza de que ela é esmagadora”.

terça-feira, 21 de setembro de 2010

JUNTE-SE AO CLUBE!

“Que os nossos filhos sejam, na sua mocidade, como plantas viçosas e as nossas filhas como pedras angulares, lavradas como colunas de um palácio”. (Salmo 144:12)
Alguém disse que a adolescência é uma fase em que os filhos, por estarem tão envolvidos em actividades fora de casa, fazem com que os pais se sintam “como o cão que corre atrás da própria cauda”! Achei interessante esta comparação, ainda mais por ser mesmo real!
Nesta fase, o ritmo familiar muda completamente. A agenda que permitia a reunião à volta da mesa esboroou-se e o tempo com os filhos é cada vez mais determinado por eles mesmos. Por isso é tão importante que os pais se ajustem a este momento único na vida dos seus filhos, pois com certeza não gostariam que esses anos fossem cheios de frustração e temor. São momentos únicos de oportunidade. São os anos em que damos os últimos retoques naquilo que eles serão como futuros homens e mulheres. Conheço muitos pais que até têm sabido criar as suas crianças relativamente sem problemas, mas que, chegada esta fase, ficam confusos com o seu papel, em especial quando os filhos questionam muito do que lhes foi ensinado e transmitido.
Ter 4 netas adolescentes dá-me a possibilidade de tornar a viver um período que, na vida dos meus filhos, apresentou alguns casos curiosos. O mundo delas é diferente do mundo dos seus pais, mas os seus problemas basicamente são os mesmos: o que estou aqui a fazer, quem sou, porquê, porque não? A maior mensagem que posso dar-lhes é como elas são lindas, capazes, dignas e com um potencial de chegar bem mais alto do que imaginam. Não precisam de condenação, nem de gritos de frustração, mas de um braço forte e de uma mente aberta para responder às suas questões e ouvir as suas dúvidas.
Se pensarmos bem, concluiremos que o mundo à volta dos jovens é hoje tão complexo, os valores que lhes são ensinados tão diluídos, que não admira que cada vez mais esta fase do crescimento de uma criança seja mais turbulenta e dolorosa. Os pais têm de se revestir de algo muito precioso e que faz parte do carácter de Deus nosso Pai: paciência. Já imaginou quão paciente é Deus com as nossas falhas e os nossos deslizes? Se de cada vez que pecamos e falhamos Ele nos expulsasse da Sua presença, nos rejeitasse ou nos ignorasse, a nossa vida seria uma noite sem estrelas. Mas porque Ele é um Deus paciente e conhece a nossa estrutura, lembra-se que somos pó, podemos confiar no Seu amor, levantar-nos outra vez e crescer até à maturidade como Seus filhos e como seres humanos. Isso é exactamente o que temos de fazer com os adolescentes: ser pacientes. Um dia destes, eles descobrem a estrada que querem seguir, o companheiro que querem escolher, a carreira que desejam perseguir e tudo entra nos eixos outra vez...
Goze esta fase tão linda da vida do seu filho. Viva o encanto que é vê-lo sair do casulo da meninice, para descobrir que tem asas. Ensine-o a voar e a palmilhar caminhos novos, fique ao seu lado enquanto ele vive. Afinal não é isto que todos os pais desejam? Sobretudo, ajude-o a colocar a sua confiança num Deus que é bom, de geração em geração...
(De "Esperança para a Alma")

domingo, 12 de setembro de 2010

ESTA MANHÃ...

Esta manhã, enquanto estava na reunião dominical da minha igreja, cantámos uma velha canção que nunca perde o toque, o encanto, a força:
“...Perto estás, o Teu amor me envolve, Tu me atrais, guarda-me, Senhor e ao Te encontrar, como águia eu me elevo, pois Tu me guiarás e sempre viverei pelo poder do amor!”
Palavras lindas, momento de elevação que nos faz querer mesmo viver nesta força do amor. Mas enquanto cantava, pensei nas pessoas que à minha volta pronunciavam, como eu, estas palavras. E a pergunta que subiu ao meu coração foi: Será que conseguimos elevar-nos como águias?
Pois eu acho que aquele cântico não passou de desejo, de afirmação, de intenção. Porque uma grande maioria, onde me incluo, vive tão em baixo, tão perto do chão. Aliás, é aqui em baixo que tudo acontece: as festas, a diversão, os almoços, os bons livros, as grandes discussões, as longas listas de anseios e devaneios...tudo aqui em baixo. A águia voa alto, mas sozinha. A águia não fica limitada a um galinheiro, nem a uma capoeira, por mais higiénica, apropriada, que seja. Para subir, depende das correntes de ar, não apenas das suas asas poderosas e desenvolveu uma visão única, exactamente por causa das alturas a que voa. Nas alturas, ela vê o que mais nenhum ser vê. Nas alturas ela escolhe o que vai comer...
Por que cantamos coisas destas, se não é assim que vivemos?
O autor da canção tinha em mente o poder propulsor que nos pode elevar acima do natural, do efémero, do rotineiro: o amor de Deus. Mas será que não é mais fácil ser como o pavão, a avestruz, o galo, o papagaio? Que eu saiba, eles divertem-se mais, pelo menos têm sempre gente a olhar para eles... Será que eu quero ser como a águia, mesmo que esteja sozinha e ter a experiência do que é voar nas correntes do amor de Deus?
Se não quero...o melhor é não cantar.
De repente, fez-se silêncio.
Mais ninguém canta.

terça-feira, 31 de agosto de 2010

ELE RESPONDE...

Isto de estar “clinicamente proibida de funcionar durante um período de tempo”, leva-me a profunda meditação, como já disse anteriormente.

Desta vez, voltei vinte anos atrás, a um outro momento em que pensei que não poderia mais andar, esperar e viver. Os filhos casaram, a filha foi para longe, fui despedida injustamente, entrei na menopausa sem aviso prévio, fiquei sem objectivos, porque de repente, tudo o que preenchia a minha vida me foi tirado. Lembro que num desses dias de profundo desespero e decepção, falei com Deus e disse-Lhe que Ele não podia ter-se esquecido de mim daquela maneira. Não bastava que o telefone em casa estivesse em absoluto silêncio e ninguém se lembrasse que eu existia, Ele ia fazer a mesma coisa?

Pois não é que foi mesmo pelo telefone que Ele respondeu? Os vinte anos a seguir, foram os mais aventurosos, ricos, reveladores da Sua graça e da minha própria limitação e ainda de um número ilimitado de coisas novas. Neste tempo, aprendi a gostar de mim, das pessoas que até ali não chamavam a minha atenção, a ver o mundo com matizes em vez de uma só cor. Encontrei gente única e insuperável, vi a esperança a aparecer ao virar de muitas esquinas, vi o futuro brilhar na cor diferente dos olhos das minhas netas, presenciei Deus mudar, restaurar, curar e fortalecer, através de um conselho, de uma palavra, de um abraço que Ele me proporcionou oferecer.

E agora? O que vai acontecer daqui para a frente? Nem sei como falar com Ele exactamente...Não sei o que Ele esconde no livro do Seu propósito que tem o meu nome, mas aprendi que não preciso fazer muitas perguntas, por que, na Sua imensa sabedoria, Ele pode usar até um telefone para responder...

terça-feira, 24 de agosto de 2010

ORGULHO

Ficar imobilizada durante uns dias, leva-nos a fazer coisas que normalmente não temos tempo, na nossa azáfama diária. Uma delas é pensar. Ou seja, fazer uma introspecção da nossa vida, dos nossos alvos, prioridades, do que queremos, do que desejamos na realidade. E esse exercício nem sempre é agradável.
Tenho descoberto coisas muito sérias nestas duas semanas em que não posso andar normalmente. Se eu conseguir por em palavras o que tenho sentido, o exercício já valeu a pena.
Estava convencida que não era uma pessoa orgulhosa. Aceito as opiniões dos outros, sou tolerante , perdoo com facilidade (aprendi a fazê-lo numa outra crise da minha vida), não insisto numa coisa que sei que pode levar-me a um problema. Mas descobri que o orgulho tem outras facetas, outros rostos, alguns deles bem mais bonitos do que os que atrás descrevi. Por exemplo, saber que estou a ir além das minhas forças, da minha resistência e num acto de heroísmo (pensava eu) dizer: “Não aguento, mas vou fazer isto!”
Qual heroísmo, qual história, o que eu queria era que toda a gente me aplaudisse e dissesse como sou corajosa, fantástica, como aguento, como avanço sem medo, etc.etc... Puro orgulho. Descobri isso agora. Heroísmo é outra coisa. Coragem também é outra coisa... Enquanto os médicos se concentram numa veia da minha perna, Deus está a dar voltas ao meu coração. O divino cirurgião já tem o bisturi pronto para o primeiro golpe. Quando o procedimento terminar, eu sei que não vou mais fazer “tantas” coisas apenas porque sou forte, mas farei as que Ele quiser em mim e através de mim, porque Ele é Forte. E quando me perguntarem no final de uma jornada exaustiva se estou bem, em vez de uma resposta orgulhosa “estou bem!” vou começar a dizer: “estou muito cansada, preciso refazer as forças”. Talvez não volte a ser TÃO admirada, mas serei verdadeira comigo mesma e com aquilo que Deus me tem ensinado.

sábado, 14 de agosto de 2010

ETAPA FINAL


Aqui estou...estendida e impossibilitada de me mover. Para mim é algo absolutamente anormal, impensável quase. Mas “com a saúde não se brinca”, diz a voz popular e por isso me acomodo neste enfado. Além de ler, muito mais que o costume, ver programas de televisão (numa semana mais do que nos últimos 5 anos!), pouco mais há a fazer.
Hoje dei comigo a ver uma das etapas da Volta a Portugal em bicicleta. Um desporto bonito, saudável e que deixa os telespectadores apreciarem um bocadinho desta terra tão linda, que é a nossa.
A corrida está praticamente no fim. Amanhã corre-se a última etapa. A entrada triunfal em Lisboa. Mais ou menos já se sabe quem vai ganhar. Houve percalços pelo caminho, desistências, dores, calor, “amargos de boca” quando alguns pensavam que ganhariam esta ou aquela etapa...
Imagine que ali sentada, perna esticada, sem nada que fazer a não ser tentar recuperar a saúde, dou por mim a comparar a Volta com a minha corrida na vida... E concluo que estou quase a entrar na etapa final. Não sei os quilómetros que foram designados para esta, mas sei que estou praticamente lá. O melhor de tudo, a sensação mais bonita, é que estou convicta que vou ganhar! Porque eles (os corredores da Volta), correm por um prémio que é efémero, que não vai durar para sempre. Mas o meu prémio está guardado num lugar seguro. Vou recebe-lo das mãos do Campeão dos Séculos. Até posso já nem pedalar nos últimos metros, mas vou ganhar! Tenho essa certeza, porque Ele disse que tinha vencido o mundo e eu poderia vencer também.
Nesta corrida, posso parar de vez em quando para descansar. O Director mesmo convida a isso. “Vinde, os que estais cansados...e vos darei descanso”. Não se perde tempo no descanso, recupera-se a força para continuar. É o que estou a fazer nestes dias.
Ia esquecendo uma coisa importante: os companheiros da equipa. Estão sempre lá, incentivando, orando, aplaudindo, seja na velocidade da corrida, num problema de saúde ou no descanso merecido. E isso é maravilhoso!

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

LENTES NOVAS

Mudei as lentes dos meus óculos. São muito especiais, completamente diferentes em cada olho, muito caras... Qualquer pessoa que se atreva a colocar os meus óculos, apanha um susto...ou seja, não consegue ver absolutamente nada...
Significa isto, que a minha visão é diferente das pessoas que me rodeiam, mesmo dos que me são próximos. Quer dizer também que se eu não usar estas lentes, estou sujeita a não ver nada, ou quase nada...
Que bom que temos esta possibilidade de corrigir a nossa visão, de torná-la mais nítida e mais clara. Estava a pensar no que diz a Palavra de Deus que “sem visão o povo perece”. Já ouvi muitas coisas sobre o assunto, mas a Palavra, para fazer sentido para mim, tenho que encarná-la. E porque as coisas espirituais se discernem pelas naturais, aí estou eu a colocar umas lentes no meu espírito. Sim, porque algures, ao longo do caminho, os meus olhos foram enfraquecendo, criando insuficiências, perdendo capacidades (os espirituais também!) Preciso de lentes! Rápido, porque sem visão, posso perecer, acabar perdendo-me e deixar de ver o alvo que Deus tem para mim.
Consulta urgente ao divino oftalmologista! Os evangelhos têm imensos encontros do Filho de Deus com gente cega, de vista cansada, míopes. Para cada um deles, o Cristo de Deus fez uma receita diferente, mas solucionou o seu problema. E o meu?
Aqui estou eu, Senhor. Preciso de umas gotas de colírio, para descongestionar uns olhos cansados de lágrimas e da poeira da vida. Preciso de umas lentes que me façam ver o que tens para mim, sem me enganar e sem me confundir. Necessito limpar estas lentes, muitas vezes, com o poder real da tua Palavra. Tenho que usá-las quando viajo, trabalho, leio, converso... Deixa que eu veja o mundo lindo que criaste, como saiu das Tuas mãos...permite que eu veja os homens à minha volta, não com a minha visão distorcida e doente, mas como Tu mesmo os vês... não permitas que confunda as cores da vida. “Senhor , eu quero ver”! (Mar 10:51)

terça-feira, 27 de julho de 2010

DESISTIR...

É assim o abandono do sonho, a renúncia da felicidade, o esquecer do compromisso. De repente os braços caem, a mente fica em "auto-piloto" e tanto faz... para quê lutar, por que insistir? É muito mais fácil desistir.
Pois na semana passada estava a falar com uma amiga que me dizia: "Desisto.Não tenho mais força. Não vale a pena continuar. " Fiquei assustada, porque já estive nesse lugar sombrio e escorregadio do abandono e sei quanto é falso e manhoso. Digo falso, porque ele parece trazer soluções rápidas, mas que provam mais tarde ser de dor e reprovação.
Há muitos anos, passou pelo Monte esperança,Instituto Bíblico de Portugal, um grande homem de Deus, Charles Greenaway. Ao falar para os alunos que encetavam uma nova etapa nas suas vidas académicas e ministeriais, leu um poema da sua autoria, que mais tarde traduzi para português e que a partir desse ano, passou a ser parte do dossier informativo que todas as novas turmas de alunos recebiam no princípio de cada ano lectivo.
A minha amiga, à beira da desistência, leu-o com a voz carregada de emoção. Por ser tão importante e belo, resolvi colocá-lo neste espaço. Quem sabe, ajudará alguém que pensa desistir...

Se eu desistir
O que ganharei?
Terminará a batalha? Ficarei livre?
Não, nem a porta se fechava, nem a batalha terminava,
Porque Deus teria outro para ficar na brecha
Se eu desistisse.
Se eu desistir,
O que farei?
Procurarei abrigo do calor? Esquecerei o clamor do perdido?
Por um tempo seria feliz, depois descobriria que já não o era
E gastaria o meu tempo orando para fazer algo
E dizendo a Deus, “porque desisti?”
Se eu desistir,
Descobrirei que Deus não desiste.
A batalha ainda rugirá, a Igreja marchará,
O vento soprará ainda, o Espírito continuará a encher,
E eu ficarei cada vez mais longe, meditando,
Perguntando, “Deus, porque desisti?”
Se eu desistir,
Que poderei dizer a Deus
Que me chamou,

ao povo que me enviou,
Ao pagão que confiou em mim para mostrar-lhe o caminho,
Ao Espírito que me anima dia após dia?
Deus, eu não posso desistir.
Se eu desistir,
Que seja quando eu morrer,
E não em vida, nem quando estiver insatisfeito,
Criticado, minimizado, esquecido,
Mas Deus, faz que o meu tempo de desistir
Seja quando eu morrer."

sexta-feira, 23 de julho de 2010

VAIDADE DAS VAIDADES...

Não fui para férias, não senhor. Deve-se a muitas coisas para fazer, pouca disponibilidade e alguns dias mais difíceis em que a disposição teima em fugir.

Mas esta semana encontrei um amigo e começamos a conversar sobre férias, evidentemente… No meio da conversa perguntei-lhe se a tal viagem que tinham pensado fazer a um determinado lugar, ainda estava de pé. O meu amigo explicou-me que o dinheiro está curto (será só para ele?) e que embora fosse importante ir, que a ideia ficava adiada. Ficámos por ali a debater sobre o que aprendemos quando estamos em locais diferentes, expostos a culturas e pessoas diferentes.

Por causa dessa conversa em princípio tão banal, comecei a reflectir sobre o que aprendo ou não, quando viajo, me desloco a lugares, países e comunidades diferentes. A esta altura da minha vida, parece-me que não há já muitas coisas diferentes. O que muda são os “adereços”. A peça da vida é igual para todos, o palco é mais iluminado para uns e mais sombrio para outros, mas o final é quase sempre igual. Esta descoberta será parecida com a que fez o sábio Salomão, quando disse num ar de total desapontamento”tudo é vaidade”?

É que a aquisição do conhecimento, a ciência, a fé, as dádivas, os dons, passam… Quando o homem chega ao final da sua jornada neste mundo, tudo isto se desvanece “como fumo”…vaidade…

Afinal para quê tanto afã, correria, competição, se tudo passa?

Vou ao Livro à procura da resposta. Salomão nunca a encontrou, mas deste lado de cá da vinda do Filho de Deus à terra, as respostas são mais fáceis, as respostas mais óbvias. É verdade que tudo passa, mas o Livro diz que o amor permanece. A única coisa que dura, passa para além da existência humana e continua numa outra esfera, é o amor, porque ele faz parte da essência divina. A grande questão é se eu possuo esse amor, se me dedico por causa desse amor, se me sacrifico porque tenho esse amor, se sofro, espero, creio através desse amor… Ele será o meu companheiro na travessia para a eternidade, porque é o único capaz de me levar e segurar. O resto fica.

terça-feira, 13 de julho de 2010

MEU NOME

Meu nome é MULHER!
Eu era a Eva
criada para a felicidade de Adão,
mais tarde fui Maria
dando à luz Aquele que traria a salvação.
Mas isso não bastava para eu encontrar perdão,
passei a ser Amélia,
a mulher de verdade
para a sociedade.
Não tinha a menor vaidade
mas sonhava com a igualdade.
Muito tempo depois decidi:Não dá mais!
Quero a minha dignidadeTenho os meus ideais!
Hoje não sou só esposa ou filha,
sou pai, mãe, arrimo de família,
sou camionista, taxista,
piloto de avião, mulher polícia,
operária em construção...
Ao mundo peço licença para actuar onde quiser.
Meu sobrenome é COMPETÊNCIA
E meu nome é MULHER..!!!!

(Autor desconhecido)

terça-feira, 6 de julho de 2010

FÉRIAS

Não desapareci, não senhor! Foram apenas uns dias com muita ocupação e pouca inspiração...
Engraçado como as tais tarefas "importantes" , têm o condão de nos roubar o mais importante, as pequeninas coisas que dão encanto à nossa vida: um livro que se lê, um amigo com quem se almoça, uns minutos a observar as crianças a brincarem descuidadas no parque, umas linhas que se escrevem sobre o que nos vai na alma...
Mas as tais coisas "importantes", acabadas de ser feitas ou cumpridas, deixam-nos exaustos, quase vazios, ao passo que as pequenas, parecem preencher espaços únicos dentro do nosso ser. Serei só eu?
Pois hoje resolvi parar o "importante" e deter-me no que é banal.
E o banal deste dia foi ouvir toda a gente a queixar-se do calor, tanto calor, que horror de calor!
Há uns dias atrás os mesmos reclamavam que "nunca mais é Verão!", "isto não parece Verão!" e agora incomodam-se com o calor, com a falta de uma brisa, com a casa muito quente...mas afinal de contas, nunca estamos contentes?
Estou feliz por aqueles que vão para férias ou que já estão a gozá-las neste momento. Para quem como eu, não vai ter esse privilégio, o melhor é ficar a ouvir os comentários, reportagens e filmes dos que vão e agradecer a Deus por ter a capacidade de ficar, sem muitas reclamações e sem uma coisa muito feia e pecaminosa: inveja.

segunda-feira, 21 de junho de 2010

COMPAIXÃO

É assim uma espécie de sufoco, que vem do fundo do nosso ser, que sobe pela garganta e de repente explode em lágrimas. Umas mais fartas, outras contidas, mas sempre resultado de um sentir e de uma dor estranha e envergonhada…
Estou a falar de compaixão. Coisa rara neste tempo, por isso mesmo quando sentida, se esconde por detrás de outras fachadas mais espessas, não vá o vizinho do lado olhar-nos como se viéssemos de outro mundo…
Foi essa dor complexa que senti ontem, quando ouvi de um amigo que, por causa de erros e escolhas impróprias, perdeu bens, trabalho, reputação, respeito e, calculo eu, perdeu-se a si mesmo no labirinto do seu sofrimento. É tão fácil apontar o dedo, tão simples fazer uma lista de soluções, tão “santo” mostrar o pecado. Mas no mesmo dia, sem que procurasse, abri o evangelho e vejo o Filho de Deus, sozinho, com uma mulher que foi apanhada no meio do erro. Os acusadores foram embora e deixaram-na a contas com Um que reivindicara nunca ter pecado. Jesus pronuncia as palavras mais correctas e as mais necessárias para alguém que só espera condenação: “...eu não te condeno. Vai e não peques mais”. Absolve-a, mas faz mais: dá-lhe uma oportunidade de recomeçar!
Não tenho o poder do Filho de Deus, mas se encontrasse hoje este homem, o meu amigo, poria os meus braços à sua volta e dir-lhe-ia que ainda há futuro para ele, que é possível recomeçar, que é necessário reconstruir. E fá-lo-ia por causa dessa coisa estranha e dolorida que é a compaixão. Coisa que só sente quem sabe que é falho e que entende o coração de Cristo…

terça-feira, 15 de junho de 2010

NO CABELEIREIRO...

À espera de ficar mais apresentável, recosto-me na cadeira do cabeleireiro. Olho à minha volta e a conversa é tão banal quanto aqueles frascos e frasquinhos que enchem as prateleiras e cujos rótulos me levam para cabelos brilhantes, sedosos, tratados, brilhantinas, espumas e afins... Já os vi antes, não mudam muito...
Por isso atiro-me a uma revista, que só folheio naquele lugar. Por uma razão simples: não entendo a cronologia dos acontecimentos relatados nas ditas revistas.
Passo a explicar. É que uma diz que fulano se separou de beltrano e que agora namora sicrano. Uma outra, do mesmo preço e tamanho, diz precisamente o contrário. Que nunca foram tão felizes, que até estão a pensar casar, blá, blá, blá...
Vou buscar outra (a capa promete ser melhor) e esta fala das mesmas pessoas, mostra a casa das ditas, fotografa-as em posições românticas e de extrema felicidade... Em que ficamos afinal? Diante do meu suspiro de tédio e enojamento, uma senhora ao lado diz-me em tom secreto: “Não se pode acreditar em nada disto...são só mentiras, para vender!”
Não estou muito preocupada no que é verdade ou mentira na história. Afinal nem conheço aquelas pessoas e possivelmente nunca me cruzarei com eles. Mas sim, dou comigo a pensar no trabalhão que devem ter os autores de tais artigos, para inventar, contornar a verdade, abrilhantar a festa, mostrar a casa mais bonita e os meninos (alguns dos tais, têm filhos) mais arrumadinhos do mundo... E acima de tudo, como será a sua vida daqui a uns anos, quando estas estrelas tiverem passado e precisarem de encontrar outras, com mais histórias irreais e incoerentes? Como encararão o dia-a-dia se não tiveram tempo para um gesto de caridade, de amor, de abraço, de fraternidade? Sim, porque aquilo deve dar muito trabalho a descobrir, a perseguir, a entrevistar e a inventar sobre as tais personalidades...
Olha do que eu havia de me lembrar, numa tarde aborrecida de espera?

quarta-feira, 9 de junho de 2010

DEPOIS DE BARCELONA

Uma viagem normal, rápida e sem precalços. Amigos que não via há muito tempo que me esperavam para dar aquele abraço de boas vindas...Um almoço delicioso junto à praia com um sol doce e caliente.
Uma conferência extraordinária onde Deus se manifestou entre nós, trazendo muita convicção, muitas lágrimas e muito consolo, mas acima de tudo a certeza de quem somos em Cristo.
Muito cansaço depois de pregar 5 vezes, mas muita alegria e espanto porque Ele usa os vasos fracos e frageis para manifestar o Seu poder e glória.
Muito carinho recebido de tantas mulheres que se sentiram abençoadas e restauradas.
Muita convicção de que tenho que continuar, mesmo quando as circunstâncias não são as melhores.
Plena certeza de que a Sua presença na minha vida é a maior segurança.
Absoluta fé nas Suas promessas que nunca falham a meu respeito.
Obrigado, Senhor.

quinta-feira, 3 de junho de 2010

Barcelona

Lá vou eu, para mais uma aventura no desconhecido...
Quero dizer, que não sei quem vou encontrar, como vão ser 3 dias de ministração intensa, se vou ter força para tanto... por isso chamo-o desconhecido.
Mas tenho algumas certezas:
· Que o Senhor vai à minha frente
· Que está ao meu lado
· Que guarda a minha entrada e a minha saída
· Que todas as coisas, conjuntamente, contribuem para meu bem
· Que Ele cumprirá o propósito para que sou enviada e recebida
· Acima de tudo, que Ele é FIEL!
Oro para que as minhas irmãs catalãs me entendam e recebam o que Deus tem para elas nestes dias.
E...lá vou eu, Barcelona!

sexta-feira, 21 de maio de 2010

O DEUS DESCONHECIDO

Já não escrevia há alguns dias. Tenho estado em reflexão. O fim de semana passado ouvimos coisas muito importantes, sérias e desafiadoras. Costumo escrever o que ouço, mas gosto de tornar a ouvir a mensagem, mastigar e digerir calmamente o que me toca.
Na Sua imensa sabedoria, Deus envia-nos pessoas que nos trazem a Palavra como se ela fosse nova, como se o mel escorresse de cada frase, como se o sol de repente brilhasse acima das nuvens.
Uma das coisas que me tocou foi ver pessoas para quem Deus é Desconhecido, mas que ao ouvirem o arauto do Senhor, de repente tudo começa a fazer sentido. Deus pode até continuar a ser descolhecido para eles, mas desejam-no da mesma maneira, anelam pelo puro, pela luz, mesmo no meio da sua escuridão. O apóstolo Paulo encontrou no meio de muitos altares, um que lhe chamou a atenção. Nele só havia uma inscrição: "Ao deus desconhecido". Acredito que tal como naqueles dias, os homens procuram algo fora dos deuses, dos dogmas e dos rituais já conhecidos e batidos. No coração de cada homem, há saudade de Deus, do eterno, do espiritual. O nosso problema é que muitas vezes levamo-los a outros altares que nós ou a nossa "igreja" construimos, em vez de os deixarmos ali, procurando, desejando, meditando, nesse Deus desconhecido... Porque Ele deixa-se achar pelos que O buscam, Ele deixa-se ver pelos que O desejam, Ele revela-se aos de coração sincero. Temos pressa na conversão, temos ansiedade no processo, queremos que de repente façam parte, não entendemos o caminho de Deus...
Uma mulher chamada Lidia, junta as amigas e vão a caminho do rio, para um lugar calmo e tranquilo para orar...a um deus que não conheciam. Mas eis que Ele se revela, quando três homens se aproximam do rio e lhes apresentam a mensagem da salvação em Jesus Cristo. Elas entendem. Tudo passa a fazer sentido.
Oro para que aqueles que ouviram o homem de Deus neste fim de semana passado, encontrem no seu caminho Aquele que é o proprio Caminho e que na busca da luz, achem Aquele que em si mesmo é a Luz do mundo. Já agora, o processo é Dele, nós somos meros expectadores do milagre!

quarta-feira, 12 de maio de 2010

O PAPA PENSA...

Não consigo afugentar uma questão (ou várias) que me perturba: quando o Papa está sozinho, mesmo sozinho, em que pensará? Nos milhões de ovelhas que ele não conhece nem sabe o nome? Nos milhares de companheiros espalhados pelo mundo sob o os quais não faz qualquer discipulado? Nos biliões que enchem os cofres do seu estado e que não tem a mínima ideia onde são gastos? Nas notícias horrendas que a TV passa todos os dias e para as quais ele não tem solução, apesar de ser poderoso? Pensará na família? Nas mulheres que conheceu ao longo da vida e para as quais se sentiu atraído como homem? Nos livros que ainda não escreveu? No propósito do seu pontificado? A quem vai deixar os seus pertences quando morrer? No seu sucessor? Naquilo que sonhava ter feito mas ficou por fazer? Na eternidade? Nos dogmas da Igreja que sabe precisavam ser mudados, mas que não são possíveis de ser tocados? No segredo de Fátima? Saberá ele alguma parte desse segredo que mais ninguém sabe? Nos países que lhe indicaram precisar visitar? Na Palavra de Deus? Pensará em Deus? Como?
Tenho ainda mais questões sobre aquilo em que o Papa poderá pensar, mas fico-me por aqui...
Como homem, há tantas coisas em que ele TEM que pensar, DEVE pensar. Como Papa, em que pensará?

terça-feira, 4 de maio de 2010

O VENTO

Hoje está um dia muito ventoso. Pelo menos nesta zona. Perguntamos quando será que a “verdadeira” Primavera se vai instalar, mas quem pode responder, nada diz...
Se ao menos pudéssemos mandar o vento para outro lado...para a Islândia, por exemplo, já que eles também mandam outras coisas para outros lados...
Reparei no movimento do vento nos ramos das árvores, nas folhas caídas no chão, no pó levantado e dei comigo a meditar numa frase que Jesus Cristo usou e que, temos à nossa maneira, utilizada tantas vezes de maneira pouco correcta: “Assim como ouves o vento, mas não sabes donde vem nem para onde vai...” Pois, esse é que é o busílis da questão, não conseguir controlá-lo, não lhe dar um jeito ao nosso gosto, não mandá-lo para outro sítio onde a sua força não nos incomode. Mas o Mestre disse mais umas coisas logo a seguir: “...assim se passa com aquele que é nascido do Espírito”. Compreendemos o que o Senhor quer dizer? Mesmo? É que Nicodemos não entendeu, mas Ele passou a explicar.
O nosso problema, como o do doutor da lei, é que não queremos vento, perturbação, mas uma acalmia gostosa, bem ao nosso jeito, de maneira a que nada saia do lugar, nem seja mudado de maneira nenhuma. Queremos ficar sempre no mesmo lugar, usar as mesmas orações, ler a Palavra da mesma maneira, ver as pessoas segundo a bitola que nos foi ensinada há muito tempo, fazer as mesmas coisas, usar os mesmos métodos, olhar os que são diferentes com os mesmos olhos...pouca mudança, nada de vento.
Mas os nascidos do Espírito são os que se abrem para horizontes maiores, os que são capazes de ser levantados do chão e plantados noutro lugar, os que olham para os marginais da vida como se fossem parte da sua família, os que se deixam levar pela força impulsionadora de uma vida abundante que nada tem a ver com maneirismos religiosos, nem palavras de ordem de uma cartilha que um iluminado qualquer escreveu. São, disse Jesus, os que procuram a luz para que todos vejam que estão a fazer o que Deus deseja (João 3:8,21 –O Livro).
A grande questão que coloco à minha alma hoje é: Estarei a deixar-me levar pelo vento de Deus, para soprar onde Ele bem entender, ou acomodo-me à mesmice do conforto, do que foi, do que já vi, do que não provoca mudança nem atrito?

sexta-feira, 30 de abril de 2010

QUERO DIZER UM PIANO

Quero dizer um piano
na tua boca
aconchegar-te uma intenção de amor
sobre o peito
sussurrar-te aos ouvidos
uma bela canção napolitana
até chegar a ver uma flor amarela
envergonhada
a boiar nos teus cabelos

quero depositar-te o Sol no regaço

e depois esperar toda a sinfonia

que escorrerá

dos teus olhos.




Brissos Lino (originalmente publicado em Poeta Salutor)21/4/10

sexta-feira, 23 de abril de 2010

DIA DO LIVRO

Fascínio, atracção irresistível, consolo, refúgio, companhia, deleite, ensino...isto e muito mais é o livro, para mim.
Entrar numa livraria é como se de repente o mundo parasse e só tivesse olhos para gente especial, invulgar e única. O perfume dessas pessoas entra-me na alma e envolve-me os sentidos. Toco os livros com respeito, abro-os com cuidado, sinto-os.
Têm sido meus professores, exortadores, consoladores e amigos.
Têm-me feito chorar, rir, explodir de raiva e ficar sem palavras durante horas.
São desafiadores, chocantes, estúpidos alguns, misteriosos outros, difíceis ainda outros, mas sempre presentes.
Estou feliz porque posso ler.Rica e privilegiada porque tenho livros.
Hoje é o Dia do Livro. Quero prestar a minha homenagem a todos os que os escrevem, que os fabricam, que os lêem.
Quero agradecer sobretudo pelo LIVRO.
Deus comunicou-se com os homens de muitas maneiras, mas sempre pela palavra. Umas vezes falada, outras profetizada, outras cantada e por fim pelo Seu Filho - o Logos de Deus.
Os homens que escreveram o Livro em épocas distantes, deixaram na sua escrita uma pequena marca da sua individualidade, mas uma grande página onde se pode ler: DEUS.

quinta-feira, 22 de abril de 2010

O AMOR ACEITA...TODAS AS COISAS

“O amor... tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta”. 1 Coríntios 13:7

Não seria bom se o amor fosse como uma fila de restaurante onde as pessoas se servem a si mesmas? E se nós pudéssemos olhar para a pessoa com quem moramos e seleccionar o que queremos e passar ao lado do que não queremos? E se os pais pudessem fazer isso com os filhos? “Eu vou querer um prato de boas notas e sorrisos graciosos, e passar a crise de identidade da adolescência e contas do ensino”.
E se os filhos pudessem fazer o mesmo com os pais? “Por favor, dêem-me a mesada e alojamento gratuito, mas sem regras ou hora para dormir, obrigado”.
E cônjuge com cônjuge? “Uma tigela de boa saúde e bom humor. Mudanças de emprego, parentes e roupas para lavar, não estão na minha dieta”.
Não seria óptimo se o amor fosse como uma fila de restaurante onde as pessoas se servem a si mesmas? Seria mais fácil. Seria mais arrumado. Seria indolor e tranquilo. Mas sabe uma coisa? Não seria amor. O amor não aceita apenas algumas coisas. O amor está disposto a aceitar todas as coisas.
Amar é uma questão de atitude.
Deus amou o mundo e tomou uma atitude: enviou o Seu Filho Unigénito para que tenhamos salvação e uma vida com Ele. O Amor de Deus é inigualável, imensurável e alcançou-nos. Ele amou-nos, mesmo sendo nós pecadores! Ele continua a amar-nos a cada dia.

Ama e serás amado(a).

por Max Lucado.

quinta-feira, 15 de abril de 2010

PRIMAVERA??

Toda a gente se queixa desta Primavera!
Houve uns breves dias de sol, a temperatura subiu, as pessoas abriram as janelas e sorriram cheias de esperança – o Inverno tinha acabado!
Mas de repente, inesperada, não desejada, odiada até, a chuva voltou. O termómetro desceu e os casacos saíram outra vez do armário. Até quando? O calendário estipula um dia para o começo da estação e para o seu fim também, mas não promete que tudo será florido, risonho, ensolarado e delicioso.
No meio de qualquer primavera da vida o inverno pode penetrar outra vez. Nas relações conjugais, na interacção afectiva com os filhos, nas amizades, nos negócios, nos sonhos até...E quando isso acontece, não tomamos a coisa como parte de um processo natural da nossa existência, mas como algo que “não devia acontecer, não agora”.
Parece-me que nunca estamos preparados para a mudança brusca. A vida está tão bem, tão fácil, que já guardámos tudo o que faz falta numa emergência.
Lembrei-me da mulher de Provérbios 31. Diz o sábio escritor que ela não tem receio do frio, do desagradável, do inesperado, porque tem roupa quente para toda a família. Que prodígio de mulher! Não tem apenas para ela, mas para a sua casa! Significa que, no dia da adversidade, tem tudo preparado para que o embate seja mais suave para os que ama!
Será defeito das mulheres do século XXI que, em vez de estarem prontas e preparadas, se desorientam, reclamam, exigem e deprimem?
A minha avó costumava dizer:”Um tempo não fica a dever nada ao outro”. Sabedoria de Bandarra ou de alfarrábios bolorentos? Não sei, mas é verdade! Agora veio a chuva outra vez, mas preparemo-nos para o sol de novo e quando parecer que o tempo bom se instalou, estejamos prontas para qualquer novidade que bata à nossa porta. Vivamos cada dia na “temperatura” que nos traz, sabendo que HOJE é o dia que o Senhor criou para nós!

terça-feira, 6 de abril de 2010

OLHANDO PARA TRÁS...

A Páscoa já lá vai. Mas os pensamentos daqueles dias ainda são muito nítidos. Por todo o lado se fizeram celebrações, recitais, cantatas, teatro, demonstração da arte do homem diante do que é profundo, belo e ao mesmo tempo incompreensível. Por que a morte do Filho de Deus continua a ser isso mesmo. É um relâmpago na escuridão, uma pedrada num charco, uma dor que produz vida, um véu que se rasga e deixa ver o que estava envolto em sombras.
Nesta Páscoa, sentei-me no cenáculo. Vi o Mestre levantar-se. Os olhos dos discípulos seguiram a Sua figura recta e forte, para depois se abrirem de espanto ao vê-lo cingido com uma toalha e transportando nas mãos uma bacia de água. Ajoelhou-se diante deles e começou a lavar-lhes os pés sujos, poeirentos, suados. As Suas mãos doces derramavam sobre cada pé não só água, mas cuidado, ternura, amor.
Vi-O sentar-se à mesa e comer o cordeiro, as ervas amargas e o pão. Fiquei tensa ao ver o horror nos olhos dos doze homens, quando Ele disse: “Comei do meu corpo...bebei do meu sangue...”.
Cada uma das Suas afirmações, naquela noite, estava envolta em profundo mistério que a mente dos discípulos não conseguia atingir. Por isso seguiram-no em silêncio até ao jardim. Aquela seria a última jornada com o Mestre. Eles não sabiam, mas pressentiam algo final nas Suas palavras, nos Seus gestos.
Vi os soldados prenderem-no e levarem-no para um tribunal inventado na hora. Vi Pedro aquecendo-se junto da fogueira que tinham feito no pátio. Horrorizada e tremendo, ouvi-o negar o Mestre que tanto amava.
De longe vi a cena da crucificação. Brutal, horrenda, sangrenta. De repente o céu escureceu, a terra tremeu, parecia que a Natureza vomitava diante de tanta injustiça.
Vi a rocha aberta onde colocaram o Seu corpo. A enorme pedra que rolaram sobre a entrada.
Nas sombras da madrugada segui as mulheres que iam ao sepulcro. O cheiro das flores era inebriante àquela hora do dia. O silêncio do jardim era só quebrado pelos pássaros que começavam a mexer-se nos ramos do arvoredo. Um fio de água corria de uma fonte perto e marcava o compasso incessante da música da natureza.
Uns passos atrás delas, vi o lugar da sepultura. Parei maravilhada, a pedra tinha rolado, o túmulo estava aberto a quem quisesse entrar. Elas estacaram. Sem saber o que fazer, olharam umas para as outras num misto de espanto e apreensão. Maria Madalena pousou numa pedra a caixa com o unguento e entrou temerosa, para recuar logo em seguida: Jesus não estava lá. A pedra onde O tinham deitado estava vazia. Os lençóis e o lenço que tapara o Seu rosto estavam de lado, mas não havia sinais do Mestre. Em vez dele, uma figura angélica avisou-as que Ele ressuscitara, o príncipe da vida não podia estar no meio dos mortos.
Correram pelo caminho para chegar à cidade e contar o que acontecera.
Eu fiquei por ali. Estupefacta, jubilosa, inebriada de emoção...mas tenho que ir! Tenho uma mensagem para contar ao mundo: Ele ressuscitou! Ele está vivo! Não posso ficar agarrada à emoção de um dia, ao sentir de uma hora que foi única. Os outros à minha volta têm que saber...Um dia novo acaba de nascer.

segunda-feira, 29 de março de 2010

REFLEXÕES EM EZEQUIEL 47, NUMA TARDE DE PRIMAVERA

A tarde era dourada e o meu marido levou-me até junto do mar. Cada vez que o contemplo, sinto-me invadida por algo imenso e inexplicável... mas ontem reparei num menino que corria para a beira da água, chapinhava, saltitava na água e depois voltava para junto da mãe. Fez o mesmo percurso dezenas de vezes, sempre feliz. Não entrava na água mais uns passos, não se aventurava mais uns centímetros, ficava na sua zona de segurança.
Olhando o menino, pensei na minha vida. fFiz o mesmo trajecto durante tanto tempo, provando, correndo para refrescar os pés, sentindo o bater das ondas, mas sempre receosa da sua força e da sua imensidão...
A mãe do tal menino cansou de ver o filho fazer o mesmo caminho tantas vezes e resolveu pegar na situação. Tal e qual: apertou-lhe os braços e sem ouvir os seus gritos de pavor, mergulhou-o naquela água em movimento...a criança saiu a chorar, a mãe vinha vitoriosa!
Já sei o que vai acontecer; vai levar muito tempo para que aquele menino corra sozinho para o mar e se o fizer, vai sempre olhar para trás, não venha lá a mãe obrigá-lo a uma coisa tão insegura (não é só a água que tem movimento, a areia no fundo também tem...).
Deus, meu Pai, fez exactamente o oposto comigo. Para que eu aprendesse a nadar nas Suas promessas e no Seu plano, foi à minha frente. Mediu primeiro uma profundidade fácil, até aos artelhos; depois noutro momento, a água já me batia na cintura. Olhei para a praia. Ainda estava a uma distância segura. Mas Ele levou-me mais longe e aí ... estendi os braços e nadei...Nunca me empurrou, nunca forçou, deixou que eu entendesse a força do Seu plano e da Sua voz e estendeu sempre a mão, para que em nenhum momento me sentisse só.
Na margem vejo árvores, fruto, gente que pesca, curada, redimida. Fez-me entrar nessas águas para que conheça o Seu poder, para que nunca mais tenha medo...posso voltar à praia sempre que quero, posso entrar na água sempre que desejo. Sou livre!

quinta-feira, 25 de março de 2010

PROSSIGO? AVANÇO?

Estava a ler uma conhecida passagem da carta de Paulo aos crentes de Filipos, escrita a uma gente tão diferente, numa cultura completamente alheia a tudo o que vivemos hoje neste mundo ocidental e mais uma vez, fico estupefacta diante do poder da Palavra inspirada e da verdade revelada: PROSSIGO. AVANÇO. PROSSIGO. ANDEMOS.
É como se o homem tivesse a noção nítida que ao imprimir um certo movimento à sua carreira, uma certa velocidade à sua caminhada, não houvesse maneira de pará-la, sob risco de acontecer algo grave e perigoso.
Encontro gente que acha que já alcançou a meta, que já atingiu o clímax da sabedoria e do conhecimento, que já pode sentar-se à sombra e dar conselho aos outros, que já pode reformar-se da vida e gozar dos resultados de algum esforço...nada disso vejo neste apóstolo-atleta. O homem não tinha o descanso, nem a paragem no seu horizonte, mas prosseguia. Não sabia tudo, mas avançava para o desconhecido, andava na luz do que já entendia, para prosseguir outra vez para um alvo que sempre o norteou e do qual não podia despregar o seu olhar: o conhecimento de Deus, a soberana vocação de Deus.
Hoje acordei com vontade de parar. Há um misto de angústia e de inquietação pelo futuro. Seria tão mais confortável trocar as botas de marcha pelos chinelos macios! Parece que já não há muito lugar para mim num mundo onde são os mais novos que fazem coisas, criam novo.
Mas de repente dou comigo a ler: “prossigo...avanço... prossigo...ando...não cheguei ainda, não alcancei “... E dentro de mim faz-se luz. A viagem não tem a ver com o que faço, mas com o que alcanço, não é sobre performance, mas sobre vocação. Não se trata de mim, mas Dele, que me perseguiu, que me alcançou também e que tem uma meta definida para a minha vida. Fico envergonhada pelo desejo de desistência. Como, se ainda não O conheço? Como, se ainda não entendi todo o poder da Sua ressurreição? Como, se ainda não vislumbrei o que é a comunhão dos Seus sofrimentos?
A estrada ainda é longa... O melhor é avançar.

quinta-feira, 18 de março de 2010

O SAMARITANO

O homem viu ao longe a curva do caminho. Para lá da colina poderia parar e refazer-se da jornada. Já cavalgava havia umas horas e vira passar apressadamente um levita e um sacerdote que pareciam seguir o mesmo caminho. Claro que eles nem sequer o haviam saudado, mas ele já estava habituado a ser descriminado pelos judeus. Embrenhado nos seus pensamentos naquele fim de tarde macio e doce, nem dera pelo pôr-do-sol no horizonte. Mas os seus olhos habituados ao relevo da estrada, de repente viram algo que não era normal. Era mesmo um homem, caído, ferido, maltratado, na berma do caminho.
O samaritano saltou da montada e correu para o pobre. Um gemido quase imperceptível fê-lo acalmar, o homem ainda estava vivo. Foi à montada trouxe o que era necessário para um primeiro socorro e, depois de tratar o ferido, colocou-o sobre a sua cavalgadura e levou-o para a tal estalagem onde pensara pernoitar. Passou a noite junto do homem que fora atacado por salteadores de estrada. De manhã bem cedo deu ao dono da estalagem algum dinheiro para que o tratamento ao desconhecido não fosse descurado e seguiu viagem, não sem assegurar o estalajadeiro que voltaria pelo mesmo caminho para pagar qualquer despesa extra feita pelo doente...

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Que faço eu na estrada da vida? Viajo à procura do conforto, da estabilidade, levo na bagagem tudo o que preciso para a MINHA vida. Não é só um homem ou uma mulher que vejo caídos na estrada, são muitos. Vejo-os feridos pelo divórcio, pela solidão, pelo desamparo de filhos e família. Uns estão quase mortos, outros ainda têm força para chorar. Noto-os sem força para continuar, porque os assaltos á sua dignidade e integridades foram muitos.
Mas não paro. Estou muito ocupada. Faço uma pequena oração quando passo por eles. Quem sabe se pelo mesmo caminho não virá um samaritano que tomará conta das suas feridas e que sem perguntar nada, sem fazer julgamentos de raça ou religião, se baixará para levantá-los e colocá-los no lugar da cura?

segunda-feira, 8 de março de 2010

MULHER DE SUCESSO


“A bênção do Senhor enriquece e com ela, Ele não traz desgosto” (Provérbios 10:22)

SUCESSO: “ Bom êxito. Resultado feliz, bom resultado”.
Pensava eu que o dicionário daria uma resposta maior a algo tão importante como o sucesso, mas diz apenas que é um resultado bom ou feliz, algo feito com êxito. Nada pomposo, nada fascinante, apenas uma tarefa cumprida com bom resultado.
Para mim, que já caminhei alguns quilómetros na estrada da vida, sucesso tem a ver com a influência que eu posso ter para que outros cheguem mais longe e mais alto que eu.
Conta-se que uma mulher caminhava pela praia e reparou numa senhora idosa que apanhava na areia estrelas-do-mar, atirando-as de seguida à água. Achando que os esforços da senhora idosa eram inúteis perguntou-lhe: Senhora, porque faz isso? Há tantas estrelas-do-mar na praia, você atira algumas à água, que diferença faz? Ao que a senhora idosa respondeu atirando mais uma ao mar: “Faz diferença, para esta”.
Nem que seja apenas por uma pessoa, vale a pena a nossa influência e exemplo para essa pessoa.
Tenho pensado muito em mulheres que mudaram a sua sociedade, a sua geração, o seu mundo, não só nas páginas da história, da Bíblia, mas ainda mulheres contemporâneas que fazem a diferença no lugar para o qual Deus as chamou, seja no governo, medicina, artes, negócios, educação, ciência, serviço social e no lar, e reparei que há certos traços de carácter ou qualidades, comuns a todas elas e na influência que exerceram sobre outros:
• É íntegra
Uma mulher de sucesso tem a integridade tecida no profundo do seu carácter. Quando se encontra numa situação extrema, sabe nesse momento exacto qual a decisão certa a tomar. “Integridade é um compromisso para viver consistentemente com aquilo que sabemos ser certo e correcto.”
Deus está à procura de mulheres deste calibre. Pessoas que na hora H façam o que é certo, sem medo, apesar de tudo.
A integridade é um caminho. Neste percurso, aprendemos a ser honestos connosco, sobre os outros, a ter compaixão pelos erros dos outros, a ter equilíbrio.
• Conhece Deus
Conhecer Deus é um conceito difícil de explicar, já que Deus é infinitamente grande. Quando pensamos que já O conhecemos, ainda estamos no princípio da jornada. Mas um dos profetas da Bíblia disse: “Conheçamos e prossigamos em conhecer ao Senhor”. Quer dizer que, é um caminhar constante, sem final à vista. Por isso é uma aventura única. Um dia descobrimos Deus como nosso protector, outro dia sentimo-Lo como nosso consolo, depois numa outra experiência da vida Ele revela-se como nosso conselheiro... é um nunca acabar de conhecimento.
Houve um rei poeta que cantou um dia estas lindas palavras: “O Senhor é o meu pastor, nada me faltará”. Seja o que for que vier à nossa vida, Ele tem a capacidade de suprir TUDO! Por isso disse que é impossível ser conhecido plenamente. Mas para nós, seres finitos, o que aprendemos com Ele em cada circunstância, já é muito. Para conhecê-Lo temos de ter intimidade com Ele, falar com Ele, ouvi-Lo falar à nossa alma. Temos de ter relação com Ele. O maior sucesso da minha vida é saber que, seja qual for o nível de tarefa, de empreendimento, da luta, posso ter intimidade com Deus e receber d’Ele força, direcção, consolo e sabedoria.
Algures na Bíblia, o livro de Deus, está escrito: “Conhecer Deus é o princípio da sabedoria”. Poderia parafrasear: “Conhecer Deus é ter uma vida de pleno sucesso”.
Por isso considero-me uma mulher de sucesso!
(do livro Esperança para a Alma)

quarta-feira, 3 de março de 2010

SPRING CLEANING

Este começo de ano tem sido muito duro. Tantas tragédias, mortes, desastres naturais, uma lista de dor que não tem fim. Além disso, o tempo frio, chuvoso, cinzento e húmido, produz um desconforto a que não nos habituamos, visto termos o sol e o céu azul dentro das nossas veias.

Mas hoje, tive uma surpresa. Elas já chegaram! As andorinhas! No canto da minha varando o corrupio é imenso. Nem queria acreditar quando ouvi o chilrear das ditas. Vieram, mesmo com chuva? perguntei-me, para depois me lembrar que elas têm dentro delas um relógio (que não é de sol!) que não falha – o da natureza em transformação.

Daqui a umas longas semanas, faça chuva ou sol, haverá uns biquitos abertos à espera de comida. Pai e mãe andorinha voarão sem descanso para saciar o apetite voraz dos filhotes...

E lembrei-me do que diz a Palavra de Deus: que ficamos sem desculpa quando olhamos a natureza, as coisas criadas, e não entendemos através delas as espirituais. “Eis que faço...novo” é o slogan de um Deus que ama sem fim, que cuida desveladamente e que está pronto a renovar. Coisas velhas, desbotadas, sem sabor, sem propósito na nossa vida, Ele quer mudar através de uma primavera cheia de força.

Dei comigo a fazer um “spring cleaning” à minha alma, a renovar os meus propósitos, a tirar o pó das promessas recebidas há muito e que ainda não se cumpriram, a colocar sementes novas nos vasos do meu pensamento para que brotem flores de cor diferente... Quero que a primavera de Deus chegue e encha o meu ser, a minha casa, de novas fragrâncias. Quero abrir as portas e deixar que outros se sentem no chão lavado da minha vida e encontrem descanso e aconchego...

O inverno está a terminar! A primavera está á porta!

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

COMUNIDADE

Ontem à noite estive numa reunião que deveria ter sido como as outras do género. Mas para mim, ela foi um abrir de olhos para uma realidade curadora do Corpo de Cristo.
Sentados num círculo, dez líderes dispostos a debater e orar pelos assuntos normais de uma comunidade em crescimento. Eis senão quando, um deles começa a falar das suas dificuldades de adaptação a uma nova vida, das suas quezílias com o cônjuge por causa dessa adaptação, dos dias de frustração e cansaço que estão sentindo, da mudança de vida radical que sofreram e que os afecta mais do que gostariam...
Nós ouvíamos. Mas dei por mim a reparar que o ouvir de cada um deixou de ser físico e passou a ser espiritual. Ali estavam irmãos, gente de qualidade, a passar por dificuldades que afinal são inerentes a todos os seres humanos em transição, mas que nunca ousamos confessar aos outros, com medo de ser criticados e olhados de lado.
E compreendi em plenitude absoluta o que é ser Igreja, membros do mesmo Corpo, que sentem o aperto do outro membro, o desconforto da mão ou do pé do outro, que não têm medo de se expor e de contar os pormenores de uma briga, porque sabem que ela vai terminar em perdão e em “reunião” um com o outro.
Como alguém disse: “De repente o Senhor invadiu o Seu Corpo e todos nós atravessámos a porta para um mundo sobrenatural”. Atravessámos sim, porque no mesmo instante chorámos com eles, abraçámo-los para que se sintam nossos e criámos soluções rápidas para amenizar a dificuldade, sem nunca haver uma única palavra de culpa, de crítica ou de reparo por algo que não deveria ter acontecido. Este é o verdadeiro significado do Corpo: membros, órgãos, combatendo a doença, expulsando a fraqueza, buscando no perdão e na oração uns pelos outros o verdadeiro sentido da vida da Igreja – comunidade!

terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

CARNAVAL

Esta manhã Fanhões acordou completamente suja, vandalizada. Tudo porque é Carnaval. “Nada parece mal”, dizia-se antigamente, quando nesta época se pregavam partidas aos amigos, se vestia um traje mais arrojado e havia alguns excessos.
Mas aqui não foi isso. Acordámos com o lixo de todos os contentores espalhado nas ruas, as papeleiras destruídas, os sinais de trânsito levantados do chão, caixas de correio arrancadas, vidros de carros partidos, vasos e flores quebrados... Violência, vandalismo, falta absoluta de civismo e respeito pelos outros. A montra que a autarquia utiliza para colocar à vista da população editais e informações, foi aberta e todos os papeis destruídos.
Pasmo como permitimos que isto aconteça, num lugar onde as pessoas limpam quase diariamente a soleira da porta, se preocupam em regar as plantas do vizinho que foi de férias e alindam as suas casas todos os anos.
O Carnaval vai passar e os directamente prejudicados, vão tornar a substituir o que foi partido e estragado. Não irá haver inquérito a um acto de tamanho vandalismo, não se punem os culpados, não se ensinam a estes “heróis” da noite a respeitar o que é dos outros. Em nome de quê? Do Carnaval, “festa” onde se pode fazer tudo, até mesmo invadir a propriedade alheia.
Tenho direito à indignação. Se eu pudesse, fazia-os limpar todas as ruas, colocar todos os sinais de trânsito e aprender a arte de vidraceiro, pois há muitas janelas partidas. Em seguida, obrigava-os durante umas semanas a substituírem os funcionários do lixo, até que a ordem fosse reposta...
Mas isso era eu, que não tenho poder. Quem tem, fica à espera do próximo Carnaval.

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

FACE OCULTA versus ROSTO DESCOBERTO

Face oculta, face escondida, vultos no escuro, sei lá o que por aí anda...
Estou mesmo cansada das histórias trazidas pelos noticiários de uma coisa que debatem, repisam, tornam a debater e que a maioria do “Zé povo” não sabe do que estão a falar. Concluo que é por ser “oculto”...
A ouvir todo este “falou-disse-que-não disse”, dei comigo a ponderar numa palavra de Paulo, o grande apóstolo, escrevendo aos crentes da cidade de Corinto pela segunda vez:”Todos nós, de rosto descoberto, somos um reflexo da glória do Senhor, transformando-nos assim numa imagem dele, com um brilho cada vez maior, porque é o Espírito do Senhor que faz isto”(2:18).
Rosto descoberto, reflexo de algo que é interior, profundo, espiritual. Sem palavras de sentido duplo, sorrisos de fingimento, olhares de piedade fria... Este é um rosto que está em transformação, de uma obra que está a ser delineada no interior, executada nos alicerces, no cerne do nosso homem interior.
Diz o escritor da carta, que neste processo de transformação ficamos parecidos com Ele, o Senhor, autor da transformação. O brilho parece que aumenta enquanto essa obra continua...
Nesta divagação, perguntei-me: Estaremos a deixar Deus fazer esta transformação, de uma face que escondia, que fingia, que não era autêntica, para um rosto descoberto, onde a Sua glória se reflecte, em absoluto, de maneira que quem olha vê a Sua imagem? Ou continuamos a usar agendas escondidas, máscaras bem-feitas, palavras camufladas? Qual a face que o mundo vê?

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

PARABÉNS, NANÁ!


O dia amanheceu frio e chuvoso. Ainda estávamos deitados quando o nosso filho nos entrou pela casa e disse que ia levar a mulher para a maternidade.
Daí a poucas horas nasceu a Natacha. Era um bebé lindo, gordinho e com uma cara “invulgar”, como diziam os primos.
À medida que os dias e meses passaram o invulgar transformou-se em doçura e beleza. Todos os pais desejam ter filhos e sobretudo filhas, que sejam belos. Pois ela é.
Faz hoje 18 anos. Na sua vida já conheceu todas estas primaveras, algumas bem nubladas e sombrias, mas que fizeram dela uma pessoa mais forte e mais preparada para a vida.
Desejo de todo o coração que ela se deixe usar por Deus para o serviço do próximo. Que à medida que a sua beleza de mulher desabrocha em força, também o seu coração e espírito estejam mais perto do Deus que a criou com um plano perfeito de esperança.
Desejo ainda que um dia encontre alguém com quem partilhe a sua vida, alguém que a coloque em honra, que a estime com profunda amizade e a ame com paixão.
E será pedir muito...que eu ainda posso ver alguma destas coisas acontecerem?
Parabéns, Naná!

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

DIVAGAÇÕES EM VIAGEM


Viajar é uma emoção singular. Parece que os nossos olhos ficam mais abertos ao que não estamos habituados, o ouvido mais sensível a novos sons, o gosto curioso por novos paladares...
Acabei de chegar de mais uma viagem. A Europa está vestida de branco nesta altura do ano. É lindo mas muito inconveniente. O branco é uma cor que não dá para todas as ocasiões, suja-se com facilidade e, por fim, cansa os olhos dos que estão habituados à cor...
Mas para mim, o mais importante são as pessoas que encontro. Aquelas pequenas conversas que fazemos à mesa do restaurante com quem nos serve, com o empregado que nos atende numa loja, com o vizinho sentado ao nosso lado no avião.
É sobre este que eu queria falar. O homem era enorme. Por todos os lados. Dei por mim a medir a distância entre os meus joelhos e os dele em relação ao banco da frente. Tinha-os bem encostados, as pernas enormes quase não cabiam na cadeira e pior que tudo, esborrachavam-me contra a janela do avião.
Não resisti e meti conversa. Queixava-se ele que ninguém pensa nos que são XXL quando constroem carros, aviões, mobília etc. Mas eu mostrei-lhe as vantagens de ser daquele tamanho, podia por exemplo colocar as malas na bagageira com toda a facilidade, enquanto eu, às vezes quase que tenho que subir para o banco...
Quando a conversa esmoreceu, recolhi ao meu pensamento e maravilhei-me da criação de Deus, tão diferente e tão única. Criou uns de um tamanho “anormal”, outros fez de cor diferente, uns gostam do branco da neve, outros apaixonam-se pelas cores das árvores e do céu...
Colocou uns no Corpo para serem apóstolos, outros profetas, doutores, etc. Deu a uns a capacidade de consolar, a outros de exortar e corrigir, a alguns o dom de dar, a outros o de discernir e a todos, o de amar.
Enquanto o homem ao meu lado tentava colocar-se o mais confortavelmente possível sem nunca ter conseguido, eu fugia daquelas enormes pernas para o meu cantinho, imaginem, a pensar nestas coisas tão sublimes. Por isso gosto de pessoas. Fazem-me pensar e descobrir o que ainda não sei...

sábado, 23 de janeiro de 2010

O ATENDEDOR DE CHAMADAS DOS AVÓS

Não resisti, e aqui transcrevo...


"Bom dia! De momento não estamos em casa mas por favor deixe-nos a sua mensagem depois de ouvir o sinal sonoro:
- Se é um dos nossos filhos, prima 1
- Se precisa que tomemos conta das crianças, prima 2
- Se quer que lhe emprestemos o carro, prima 3
- Se quer que lavemos a roupa e a passemos a ferro, prima 4
- Se quer que as crianças durmam aqui em casa, prima 5
- Se quer que os vamos buscar à escola, prima 6
- Se quer que lhe preparemos uns bolinhos para domingo, prima 7
- Se querem vir comer cá a casa, prima 8
- Se precisam de dinheiro, prima 9.
- Se é um dos nossos amigos, pode falar!"

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

HATI. E DEPOIS?

Tinha prometido a mim mesma que não escreveria nada sobre a tragédia do Haiti. Por várias razões, sendo uma delas o facto de que não me sinto capacitada para fazer uma análise do que se passou sem que o meu coração não se confranja e doa por tanto sofrimento e desgraça.
A outra razão é porque muita gente já escreveu coisas tão prementes e tão importantes e, quem sou eu, para acrescentar seja o que for?
Mas hoje, depois de ouvir a notícia de um outro abalo e de ver as imagens cada vez mais espectaculares que os telejornais transmitem, resolvi colocar neste espaço que é meu, (mas que abro para quem quiser ler o meu coração), muito do que vai na minha alma sobre o assunto.
Tenho um amigo que faz parte de uma ONG, que há muito tempo alimenta 7000 crianças no Haiti. Poderia até fazer uma lista de outras organizações que por lá se têm dedicado a tentar tornar mais fácil e humana a vida dos haitianos, muito antes desta tragédia.
O que me apoquenta, aflige e dói é só isto: e depois de todas estas ajudas das várias organizações humanitárias que fornecem primeiros socorros, primeiros alimentos, tendas, roupa, medicamentos e outros terminarem? Sim, porque não vão ficar lá para sempre...
E depois? Quem é que levanta casas? Quem é que constrói escolas? Quem é que estabelece as estruturas físicas e sociais que eles desesperadamente precisam? Quem cria postos de trabalho? Quem vai ensinar os homens e mulheres daquela terra a produzirem para si e para as suas famílias? Quem?
Ouvia ontem um jornalista dizer como o povo é dependente. Eles já não tinham nada antes, já eram dependentes... e depois?
Será que as pessoas por lá já se habituaram a viver sem o mínimo e vão continuar assim?
Ou o Haiti passará a ser uma memória dolorida na mente do mundo, mais um lugar na estatística dos mais pobres, dos mais dependentes, dos mais carenciados?
O hoje é trágico...muito trágico, mas o amanhã? O que será? Como será?

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

SEPULCROS CAIADOS


Estava a ler no Facebook o post de um amigo sobre “sepulcros caiados”. É uma expressão do Senhor Jesus Cristo e tem um significado bastante curioso. Naquele tempo, os judeus tinham que colocar uma marca sobre o lugar onde existisse qualquer coisa impura ou imunda. No intervalo dos dias de festa, marcavam esses lugares com cal. Não o faziam em cima do lugar, mas ao lado e bastante perto, para que se não desperdiçasse a terra de Israel. Não colocavam essas marcas sobre lugares que já todos sabiam ser impuros, mas sobre lugares duvidosos, como um sepulcro no meio do campo ou lugares abertos. Por que a chuva poderia lavar essas marcas, no primeiro dia de Adar (Fevereiro) quando reparavam as estradas, marcavam também as sepulturas com essa cal, para o efeito já explicado. A razão porque usavam cal branca, era porque se parecia com o branco dos ossos e assim, qualquer pessoa ao olhar, fazia a relação mental das duas coisas. À distância, aquelas marcas brancas até pareciam bonitas, mas dentro daqueles lugares havia vermes, podridão, matéria em decomposição.
Jesus comparou os fariseus a estes sepulcros caiados. Por fora estavam bem lavados, marcados com ritualismo, orações, esmolas, tudo exterior ao seu coração.
Quando li a frase do meu amigo, fiquei a pensar profundamente, como é possível viver assim? Será que as pessoas chegam a esse estado de “podridão” espiritual de repente? Claro que não. Um dia esquecem um compromisso com a Deus, noutro dia fecham os olhos aos ditames da Sua Palavra, noutra ocasião permitem-se entrar em terrenos que não são as veredas da justiça e, pouco a pouco, o seu coração se polui, apodrece. Nessa altura, ou atiram-se de cabeça para o pecado aberto ou pretendem continuar a mostrar o que não existe mais.
Dei comigo também a pensar que não sou eu nem nenhum de nós que tem o direito de “caiar” essas pessoas...afinal somos todos falhos. A própria Palavra de Deus encarrega-se de o fazer. É só prestar atenção e esses sinais estão lá.
O marido da senhora Íris Robinson não prestou atenção aos sinais e um dia, deparou-se com o inevitável. Tirei o trecho a seguir do "El Pais".
“Um dia, passeando pela margem do rio Lagan, no sul de Belfast, viram um antigo casarão de pedra que a prefeitura queria transformar em café. Como que por acaso, Iris Robinson tinha todas as chaves para que o negócio acabasse nas mãos de Kirk. Ela conseguiu o dinheiro, dois cheques equivalentes a 27 mil euros cada, procedentes de construtoras amigas. E, sendo ela vereadora local, não foi difícil que a prefeitura concedesse a licença ao seu namorado.O problema é que Iris, deputada em Westminster e na Assembleia da Irlanda do Norte, além de vereadora, nunca deu conta de seus interesses pessoais nessas operações. Não só sentimentais, mas também económicos. Ficou com 10% do dinheiro que conseguiu para Kirk, para saldar suas próprias dívidas. E quando eles romperam, depois de vários meses como amantes, ela exigiu a devolução do dinheiro e quis que a metade fosse directamente para os cofres da sua igreja. Os pecados da carne se redimem rezando; os da bolsa, não.”

E eu? Terei alguma coisa dentro de mim que não coloco no escrutínio do Espírito e da Palavra para ser purificado?
Queria tanto que o terreno da minha vida fosse pisado por todos os que passam, sem medo de tropeçar em algo imundo e mal cheiroso...