quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

SEPULCROS CAIADOS


Estava a ler no Facebook o post de um amigo sobre “sepulcros caiados”. É uma expressão do Senhor Jesus Cristo e tem um significado bastante curioso. Naquele tempo, os judeus tinham que colocar uma marca sobre o lugar onde existisse qualquer coisa impura ou imunda. No intervalo dos dias de festa, marcavam esses lugares com cal. Não o faziam em cima do lugar, mas ao lado e bastante perto, para que se não desperdiçasse a terra de Israel. Não colocavam essas marcas sobre lugares que já todos sabiam ser impuros, mas sobre lugares duvidosos, como um sepulcro no meio do campo ou lugares abertos. Por que a chuva poderia lavar essas marcas, no primeiro dia de Adar (Fevereiro) quando reparavam as estradas, marcavam também as sepulturas com essa cal, para o efeito já explicado. A razão porque usavam cal branca, era porque se parecia com o branco dos ossos e assim, qualquer pessoa ao olhar, fazia a relação mental das duas coisas. À distância, aquelas marcas brancas até pareciam bonitas, mas dentro daqueles lugares havia vermes, podridão, matéria em decomposição.
Jesus comparou os fariseus a estes sepulcros caiados. Por fora estavam bem lavados, marcados com ritualismo, orações, esmolas, tudo exterior ao seu coração.
Quando li a frase do meu amigo, fiquei a pensar profundamente, como é possível viver assim? Será que as pessoas chegam a esse estado de “podridão” espiritual de repente? Claro que não. Um dia esquecem um compromisso com a Deus, noutro dia fecham os olhos aos ditames da Sua Palavra, noutra ocasião permitem-se entrar em terrenos que não são as veredas da justiça e, pouco a pouco, o seu coração se polui, apodrece. Nessa altura, ou atiram-se de cabeça para o pecado aberto ou pretendem continuar a mostrar o que não existe mais.
Dei comigo também a pensar que não sou eu nem nenhum de nós que tem o direito de “caiar” essas pessoas...afinal somos todos falhos. A própria Palavra de Deus encarrega-se de o fazer. É só prestar atenção e esses sinais estão lá.
O marido da senhora Íris Robinson não prestou atenção aos sinais e um dia, deparou-se com o inevitável. Tirei o trecho a seguir do "El Pais".
“Um dia, passeando pela margem do rio Lagan, no sul de Belfast, viram um antigo casarão de pedra que a prefeitura queria transformar em café. Como que por acaso, Iris Robinson tinha todas as chaves para que o negócio acabasse nas mãos de Kirk. Ela conseguiu o dinheiro, dois cheques equivalentes a 27 mil euros cada, procedentes de construtoras amigas. E, sendo ela vereadora local, não foi difícil que a prefeitura concedesse a licença ao seu namorado.O problema é que Iris, deputada em Westminster e na Assembleia da Irlanda do Norte, além de vereadora, nunca deu conta de seus interesses pessoais nessas operações. Não só sentimentais, mas também económicos. Ficou com 10% do dinheiro que conseguiu para Kirk, para saldar suas próprias dívidas. E quando eles romperam, depois de vários meses como amantes, ela exigiu a devolução do dinheiro e quis que a metade fosse directamente para os cofres da sua igreja. Os pecados da carne se redimem rezando; os da bolsa, não.”

E eu? Terei alguma coisa dentro de mim que não coloco no escrutínio do Espírito e da Palavra para ser purificado?
Queria tanto que o terreno da minha vida fosse pisado por todos os que passam, sem medo de tropeçar em algo imundo e mal cheiroso...

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