terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

COMUNIDADE

Ontem à noite estive numa reunião que deveria ter sido como as outras do género. Mas para mim, ela foi um abrir de olhos para uma realidade curadora do Corpo de Cristo.
Sentados num círculo, dez líderes dispostos a debater e orar pelos assuntos normais de uma comunidade em crescimento. Eis senão quando, um deles começa a falar das suas dificuldades de adaptação a uma nova vida, das suas quezílias com o cônjuge por causa dessa adaptação, dos dias de frustração e cansaço que estão sentindo, da mudança de vida radical que sofreram e que os afecta mais do que gostariam...
Nós ouvíamos. Mas dei por mim a reparar que o ouvir de cada um deixou de ser físico e passou a ser espiritual. Ali estavam irmãos, gente de qualidade, a passar por dificuldades que afinal são inerentes a todos os seres humanos em transição, mas que nunca ousamos confessar aos outros, com medo de ser criticados e olhados de lado.
E compreendi em plenitude absoluta o que é ser Igreja, membros do mesmo Corpo, que sentem o aperto do outro membro, o desconforto da mão ou do pé do outro, que não têm medo de se expor e de contar os pormenores de uma briga, porque sabem que ela vai terminar em perdão e em “reunião” um com o outro.
Como alguém disse: “De repente o Senhor invadiu o Seu Corpo e todos nós atravessámos a porta para um mundo sobrenatural”. Atravessámos sim, porque no mesmo instante chorámos com eles, abraçámo-los para que se sintam nossos e criámos soluções rápidas para amenizar a dificuldade, sem nunca haver uma única palavra de culpa, de crítica ou de reparo por algo que não deveria ter acontecido. Este é o verdadeiro significado do Corpo: membros, órgãos, combatendo a doença, expulsando a fraqueza, buscando no perdão e na oração uns pelos outros o verdadeiro sentido da vida da Igreja – comunidade!

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