quinta-feira, 18 de março de 2010

O SAMARITANO

O homem viu ao longe a curva do caminho. Para lá da colina poderia parar e refazer-se da jornada. Já cavalgava havia umas horas e vira passar apressadamente um levita e um sacerdote que pareciam seguir o mesmo caminho. Claro que eles nem sequer o haviam saudado, mas ele já estava habituado a ser descriminado pelos judeus. Embrenhado nos seus pensamentos naquele fim de tarde macio e doce, nem dera pelo pôr-do-sol no horizonte. Mas os seus olhos habituados ao relevo da estrada, de repente viram algo que não era normal. Era mesmo um homem, caído, ferido, maltratado, na berma do caminho.
O samaritano saltou da montada e correu para o pobre. Um gemido quase imperceptível fê-lo acalmar, o homem ainda estava vivo. Foi à montada trouxe o que era necessário para um primeiro socorro e, depois de tratar o ferido, colocou-o sobre a sua cavalgadura e levou-o para a tal estalagem onde pensara pernoitar. Passou a noite junto do homem que fora atacado por salteadores de estrada. De manhã bem cedo deu ao dono da estalagem algum dinheiro para que o tratamento ao desconhecido não fosse descurado e seguiu viagem, não sem assegurar o estalajadeiro que voltaria pelo mesmo caminho para pagar qualquer despesa extra feita pelo doente...

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Que faço eu na estrada da vida? Viajo à procura do conforto, da estabilidade, levo na bagagem tudo o que preciso para a MINHA vida. Não é só um homem ou uma mulher que vejo caídos na estrada, são muitos. Vejo-os feridos pelo divórcio, pela solidão, pelo desamparo de filhos e família. Uns estão quase mortos, outros ainda têm força para chorar. Noto-os sem força para continuar, porque os assaltos á sua dignidade e integridades foram muitos.
Mas não paro. Estou muito ocupada. Faço uma pequena oração quando passo por eles. Quem sabe se pelo mesmo caminho não virá um samaritano que tomará conta das suas feridas e que sem perguntar nada, sem fazer julgamentos de raça ou religião, se baixará para levantá-los e colocá-los no lugar da cura?

1 comentário:

  1. Conversa entre duas tartarugas, diz a primeira: "Não sei porque Deus permite tanto sofrimento, porque não faz nada?" responde a segunda: "Tenho medo que Deus me faça a mesma pergunta" (in "Defesa da Fé" de Lee Strobel)

    Confesso que tambem tenho esse medo...

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