terça-feira, 4 de maio de 2010

O VENTO

Hoje está um dia muito ventoso. Pelo menos nesta zona. Perguntamos quando será que a “verdadeira” Primavera se vai instalar, mas quem pode responder, nada diz...
Se ao menos pudéssemos mandar o vento para outro lado...para a Islândia, por exemplo, já que eles também mandam outras coisas para outros lados...
Reparei no movimento do vento nos ramos das árvores, nas folhas caídas no chão, no pó levantado e dei comigo a meditar numa frase que Jesus Cristo usou e que, temos à nossa maneira, utilizada tantas vezes de maneira pouco correcta: “Assim como ouves o vento, mas não sabes donde vem nem para onde vai...” Pois, esse é que é o busílis da questão, não conseguir controlá-lo, não lhe dar um jeito ao nosso gosto, não mandá-lo para outro sítio onde a sua força não nos incomode. Mas o Mestre disse mais umas coisas logo a seguir: “...assim se passa com aquele que é nascido do Espírito”. Compreendemos o que o Senhor quer dizer? Mesmo? É que Nicodemos não entendeu, mas Ele passou a explicar.
O nosso problema, como o do doutor da lei, é que não queremos vento, perturbação, mas uma acalmia gostosa, bem ao nosso jeito, de maneira a que nada saia do lugar, nem seja mudado de maneira nenhuma. Queremos ficar sempre no mesmo lugar, usar as mesmas orações, ler a Palavra da mesma maneira, ver as pessoas segundo a bitola que nos foi ensinada há muito tempo, fazer as mesmas coisas, usar os mesmos métodos, olhar os que são diferentes com os mesmos olhos...pouca mudança, nada de vento.
Mas os nascidos do Espírito são os que se abrem para horizontes maiores, os que são capazes de ser levantados do chão e plantados noutro lugar, os que olham para os marginais da vida como se fossem parte da sua família, os que se deixam levar pela força impulsionadora de uma vida abundante que nada tem a ver com maneirismos religiosos, nem palavras de ordem de uma cartilha que um iluminado qualquer escreveu. São, disse Jesus, os que procuram a luz para que todos vejam que estão a fazer o que Deus deseja (João 3:8,21 –O Livro).
A grande questão que coloco à minha alma hoje é: Estarei a deixar-me levar pelo vento de Deus, para soprar onde Ele bem entender, ou acomodo-me à mesmice do conforto, do que foi, do que já vi, do que não provoca mudança nem atrito?

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