segunda-feira, 21 de junho de 2010

COMPAIXÃO

É assim uma espécie de sufoco, que vem do fundo do nosso ser, que sobe pela garganta e de repente explode em lágrimas. Umas mais fartas, outras contidas, mas sempre resultado de um sentir e de uma dor estranha e envergonhada…
Estou a falar de compaixão. Coisa rara neste tempo, por isso mesmo quando sentida, se esconde por detrás de outras fachadas mais espessas, não vá o vizinho do lado olhar-nos como se viéssemos de outro mundo…
Foi essa dor complexa que senti ontem, quando ouvi de um amigo que, por causa de erros e escolhas impróprias, perdeu bens, trabalho, reputação, respeito e, calculo eu, perdeu-se a si mesmo no labirinto do seu sofrimento. É tão fácil apontar o dedo, tão simples fazer uma lista de soluções, tão “santo” mostrar o pecado. Mas no mesmo dia, sem que procurasse, abri o evangelho e vejo o Filho de Deus, sozinho, com uma mulher que foi apanhada no meio do erro. Os acusadores foram embora e deixaram-na a contas com Um que reivindicara nunca ter pecado. Jesus pronuncia as palavras mais correctas e as mais necessárias para alguém que só espera condenação: “...eu não te condeno. Vai e não peques mais”. Absolve-a, mas faz mais: dá-lhe uma oportunidade de recomeçar!
Não tenho o poder do Filho de Deus, mas se encontrasse hoje este homem, o meu amigo, poria os meus braços à sua volta e dir-lhe-ia que ainda há futuro para ele, que é possível recomeçar, que é necessário reconstruir. E fá-lo-ia por causa dessa coisa estranha e dolorida que é a compaixão. Coisa que só sente quem sabe que é falho e que entende o coração de Cristo…

1 comentário:

  1. É esse mesmo sentimento que deve "ferver" nos nossos corações. Caiu tão bem esta palavra no meu...
    Deixo aqui o link de um tema musical, que tem tudo a ver, beijos,
    Tim
    "as lágrimas dos santos"
    http://www.youtube.com/watch?v=oaQbdyWnoXg

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