terça-feira, 15 de junho de 2010

NO CABELEIREIRO...

À espera de ficar mais apresentável, recosto-me na cadeira do cabeleireiro. Olho à minha volta e a conversa é tão banal quanto aqueles frascos e frasquinhos que enchem as prateleiras e cujos rótulos me levam para cabelos brilhantes, sedosos, tratados, brilhantinas, espumas e afins... Já os vi antes, não mudam muito...
Por isso atiro-me a uma revista, que só folheio naquele lugar. Por uma razão simples: não entendo a cronologia dos acontecimentos relatados nas ditas revistas.
Passo a explicar. É que uma diz que fulano se separou de beltrano e que agora namora sicrano. Uma outra, do mesmo preço e tamanho, diz precisamente o contrário. Que nunca foram tão felizes, que até estão a pensar casar, blá, blá, blá...
Vou buscar outra (a capa promete ser melhor) e esta fala das mesmas pessoas, mostra a casa das ditas, fotografa-as em posições românticas e de extrema felicidade... Em que ficamos afinal? Diante do meu suspiro de tédio e enojamento, uma senhora ao lado diz-me em tom secreto: “Não se pode acreditar em nada disto...são só mentiras, para vender!”
Não estou muito preocupada no que é verdade ou mentira na história. Afinal nem conheço aquelas pessoas e possivelmente nunca me cruzarei com eles. Mas sim, dou comigo a pensar no trabalhão que devem ter os autores de tais artigos, para inventar, contornar a verdade, abrilhantar a festa, mostrar a casa mais bonita e os meninos (alguns dos tais, têm filhos) mais arrumadinhos do mundo... E acima de tudo, como será a sua vida daqui a uns anos, quando estas estrelas tiverem passado e precisarem de encontrar outras, com mais histórias irreais e incoerentes? Como encararão o dia-a-dia se não tiveram tempo para um gesto de caridade, de amor, de abraço, de fraternidade? Sim, porque aquilo deve dar muito trabalho a descobrir, a perseguir, a entrevistar e a inventar sobre as tais personalidades...
Olha do que eu havia de me lembrar, numa tarde aborrecida de espera?

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