Ficar imobilizada durante uns dias, leva-nos a fazer coisas que normalmente não temos tempo, na nossa azáfama diária. Uma delas é pensar. Ou seja, fazer uma introspecção da nossa vida, dos nossos alvos, prioridades, do que queremos, do que desejamos na realidade. E esse exercício nem sempre é agradável.
Tenho descoberto coisas muito sérias nestas duas semanas em que não posso andar normalmente. Se eu conseguir por em palavras o que tenho sentido, o exercício já valeu a pena.
Estava convencida que não era uma pessoa orgulhosa. Aceito as opiniões dos outros, sou tolerante , perdoo com facilidade (aprendi a fazê-lo numa outra crise da minha vida), não insisto numa coisa que sei que pode levar-me a um problema. Mas descobri que o orgulho tem outras facetas, outros rostos, alguns deles bem mais bonitos do que os que atrás descrevi. Por exemplo, saber que estou a ir além das minhas forças, da minha resistência e num acto de heroísmo (pensava eu) dizer: “Não aguento, mas vou fazer isto!”
Qual heroísmo, qual história, o que eu queria era que toda a gente me aplaudisse e dissesse como sou corajosa, fantástica, como aguento, como avanço sem medo, etc.etc... Puro orgulho. Descobri isso agora. Heroísmo é outra coisa. Coragem também é outra coisa... Enquanto os médicos se concentram numa veia da minha perna, Deus está a dar voltas ao meu coração. O divino cirurgião já tem o bisturi pronto para o primeiro golpe. Quando o procedimento terminar, eu sei que não vou mais fazer “tantas” coisas apenas porque sou forte, mas farei as que Ele quiser em mim e através de mim, porque Ele é Forte. E quando me perguntarem no final de uma jornada exaustiva se estou bem, em vez de uma resposta orgulhosa “estou bem!” vou começar a dizer: “estou muito cansada, preciso refazer as forças”. Talvez não volte a ser TÃO admirada, mas serei verdadeira comigo mesma e com aquilo que Deus me tem ensinado.
Dia devagar
Há 18 horas
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