domingo, 12 de setembro de 2010

ESTA MANHÃ...

Esta manhã, enquanto estava na reunião dominical da minha igreja, cantámos uma velha canção que nunca perde o toque, o encanto, a força:
“...Perto estás, o Teu amor me envolve, Tu me atrais, guarda-me, Senhor e ao Te encontrar, como águia eu me elevo, pois Tu me guiarás e sempre viverei pelo poder do amor!”
Palavras lindas, momento de elevação que nos faz querer mesmo viver nesta força do amor. Mas enquanto cantava, pensei nas pessoas que à minha volta pronunciavam, como eu, estas palavras. E a pergunta que subiu ao meu coração foi: Será que conseguimos elevar-nos como águias?
Pois eu acho que aquele cântico não passou de desejo, de afirmação, de intenção. Porque uma grande maioria, onde me incluo, vive tão em baixo, tão perto do chão. Aliás, é aqui em baixo que tudo acontece: as festas, a diversão, os almoços, os bons livros, as grandes discussões, as longas listas de anseios e devaneios...tudo aqui em baixo. A águia voa alto, mas sozinha. A águia não fica limitada a um galinheiro, nem a uma capoeira, por mais higiénica, apropriada, que seja. Para subir, depende das correntes de ar, não apenas das suas asas poderosas e desenvolveu uma visão única, exactamente por causa das alturas a que voa. Nas alturas, ela vê o que mais nenhum ser vê. Nas alturas ela escolhe o que vai comer...
Por que cantamos coisas destas, se não é assim que vivemos?
O autor da canção tinha em mente o poder propulsor que nos pode elevar acima do natural, do efémero, do rotineiro: o amor de Deus. Mas será que não é mais fácil ser como o pavão, a avestruz, o galo, o papagaio? Que eu saiba, eles divertem-se mais, pelo menos têm sempre gente a olhar para eles... Será que eu quero ser como a águia, mesmo que esteja sozinha e ter a experiência do que é voar nas correntes do amor de Deus?
Se não quero...o melhor é não cantar.
De repente, fez-se silêncio.
Mais ninguém canta.

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