quarta-feira, 27 de outubro de 2010

GIGANTES

O jovem mete as mãos na água do riacho e procura pedras. Escolhe-as cuidadosamente. Precisa só de cinco, lisinhas, que possa utilizar na sua funda de pastor e que voem com a força de um míssil para abater qualquer fera.
Mas David escolhe hoje as suas pedras melhor que em qualquer outro dia, porque vai usá-las para atacar o homem mais forte do exército inimigo – um brutamontes de carne, aço e ferro, que se levanta orgulhosa e altivamente contra os exércitos do Deus de Israel. Descendente de uma antiga família de inimigos que fora expulsa da terra pelo general Josué, agora, passados tantos anos, volta á carga, ameaçando derrubar quem se atrever a enfrentar os músculos poderosos e as armas mortíferas que carrega. “Dêem-me um homem”, grita ele do alto da sua arrogância. Ele quer um homem, mas é um menino que avança, sem medo, confiado no Deus de Israel e numa pedra colocada com precisão na sua funda de pastor.
Aos olhos do exército, do rei, dos seus irmãos, tem poucas chances – nenhumas, aliás. Mas ele

caminha, passo a passo, sem medo, com os olhos colocados na fronte do gigante. A pedra voa em velocidade letal e Golias cai por terra com a força da pedrada. Daí até acabar com o inimigo, são apenas minutos.
Que chances tenho contra os gigantes que se levantam na minha nação? Não têm espadas, nem lanças estes inimigos, mas carregam dardos de abandono, abuso sexual, depressão, infidelidade e entram em casa, no escritório, no quarto, na sala de aula. Trazem consigo contas que não podemos pagar, bebida a que não conseguimos resistir, pornografia difícil de não ver, culpa que insiste em nos fazer lembrar.É o mesmo gigante que ofendeu os nossos antepassados, que destruiu as nossas famílias, que desmoronou os nossos lares. É o mesmo. Enfrento-o? Fujo dele? Foco-me em algo que ninguém vê? Enquanto avança para mim, vejo nele um alvo a abater, um inimigo a derrotar. O foco deixa de ser a força brutal do gigante e passa a ser o mesmo do herói de Israel: “O Senhor me livrará da mão deste filisteu!” Os olhos das pessoas á minha volta só vêem o filisteu, mas os meus olhos conseguem ver Deus, a Sua força, o Seu poder, a Sua capacidade de revestir-me do impensável.
Como David, eu não quero ver Golias, eu desejo ver Deus! E quando todos à minha volta focarem no gigante que ataca, quero ver o Senhor, maior que ele, mais poderoso que ele.
E de repente, o gigante cai. Eu venci.

Sem comentários:

Enviar um comentário