segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

SINOS

Hoje o sino da aldeia onde vivo tocou longamente. À força de ouvir a sua música, já sei decifrar quando morre alguém, quando há festa na igreja, uma boda e hoje, um aniversário de casamento.
O tal sino já não é puxado por uma corda, como era antigamente. Tem agora um dispositivo electrónico que emite os sons que saiam do oco do próprio instrumento. Mas mesmo assim é bonito de se ouvir...
Os sinos geralmente fazem-se de metal, mas há sinos pequenos que também pode ser feitos de cerâmica ou vidro. Podem ser de qualquer tamanho: desde pequenos acessórios para trajes até sinos de templos que podem pesar muitas toneladas. No princípio da história do povo de Israel, os sacerdotes utilizavam nas orlas dos seus mantos dezenas de campainhas e esses pequenos instrumentos musicais deram lugar ao que hoje conhecemos como sinos.
Eu colecciono sinos. Trago um de cada cidade do mundo onde proclamo a Palavra de Deus. Já tenho uma montra bem bonita. Cada sino que compro tem ligado a ele uma história, várias às vezes, de pessoas, de experiências, de sabores e até de milagres...Tenho-os de metal, de vidro, porcelana, madeira, cristal...Uns mais pequenos, outros maiorezinhos. Mas os meus sinos não tocam. Estão lá, fechados numa vitrina, para me lembrar de algo importante.
Eu, pessoalmente, queria ser um sino daqueles que contam a verdade, mesmo quando ela é dolorosa, mesmo que faça alguém chorar. Também queria ser um daqueles que tocam em dias festivos, repicando sem parar, para dizer coisas boas, que não podem ser esquecidas, com o perigo de sermos ingratos. Queria tocá-lo longamente para proclamar que o Amor é a única coisa que existe no coração de Deus e que nunca esgota...e queria, acima de tudo, contar ao mundo histórias de milagres (como os meus, fechados na vitrina), porque vejo as pessoas sem esperança, à espera de uma música verdadeira e real, nem que seja de um sino...

Sem comentários:

Enviar um comentário