sexta-feira, 30 de abril de 2010

QUERO DIZER UM PIANO

Quero dizer um piano
na tua boca
aconchegar-te uma intenção de amor
sobre o peito
sussurrar-te aos ouvidos
uma bela canção napolitana
até chegar a ver uma flor amarela
envergonhada
a boiar nos teus cabelos

quero depositar-te o Sol no regaço

e depois esperar toda a sinfonia

que escorrerá

dos teus olhos.




Brissos Lino (originalmente publicado em Poeta Salutor)21/4/10

sexta-feira, 23 de abril de 2010

DIA DO LIVRO

Fascínio, atracção irresistível, consolo, refúgio, companhia, deleite, ensino...isto e muito mais é o livro, para mim.
Entrar numa livraria é como se de repente o mundo parasse e só tivesse olhos para gente especial, invulgar e única. O perfume dessas pessoas entra-me na alma e envolve-me os sentidos. Toco os livros com respeito, abro-os com cuidado, sinto-os.
Têm sido meus professores, exortadores, consoladores e amigos.
Têm-me feito chorar, rir, explodir de raiva e ficar sem palavras durante horas.
São desafiadores, chocantes, estúpidos alguns, misteriosos outros, difíceis ainda outros, mas sempre presentes.
Estou feliz porque posso ler.Rica e privilegiada porque tenho livros.
Hoje é o Dia do Livro. Quero prestar a minha homenagem a todos os que os escrevem, que os fabricam, que os lêem.
Quero agradecer sobretudo pelo LIVRO.
Deus comunicou-se com os homens de muitas maneiras, mas sempre pela palavra. Umas vezes falada, outras profetizada, outras cantada e por fim pelo Seu Filho - o Logos de Deus.
Os homens que escreveram o Livro em épocas distantes, deixaram na sua escrita uma pequena marca da sua individualidade, mas uma grande página onde se pode ler: DEUS.

quinta-feira, 22 de abril de 2010

O AMOR ACEITA...TODAS AS COISAS

“O amor... tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta”. 1 Coríntios 13:7

Não seria bom se o amor fosse como uma fila de restaurante onde as pessoas se servem a si mesmas? E se nós pudéssemos olhar para a pessoa com quem moramos e seleccionar o que queremos e passar ao lado do que não queremos? E se os pais pudessem fazer isso com os filhos? “Eu vou querer um prato de boas notas e sorrisos graciosos, e passar a crise de identidade da adolescência e contas do ensino”.
E se os filhos pudessem fazer o mesmo com os pais? “Por favor, dêem-me a mesada e alojamento gratuito, mas sem regras ou hora para dormir, obrigado”.
E cônjuge com cônjuge? “Uma tigela de boa saúde e bom humor. Mudanças de emprego, parentes e roupas para lavar, não estão na minha dieta”.
Não seria óptimo se o amor fosse como uma fila de restaurante onde as pessoas se servem a si mesmas? Seria mais fácil. Seria mais arrumado. Seria indolor e tranquilo. Mas sabe uma coisa? Não seria amor. O amor não aceita apenas algumas coisas. O amor está disposto a aceitar todas as coisas.
Amar é uma questão de atitude.
Deus amou o mundo e tomou uma atitude: enviou o Seu Filho Unigénito para que tenhamos salvação e uma vida com Ele. O Amor de Deus é inigualável, imensurável e alcançou-nos. Ele amou-nos, mesmo sendo nós pecadores! Ele continua a amar-nos a cada dia.

Ama e serás amado(a).

por Max Lucado.

quinta-feira, 15 de abril de 2010

PRIMAVERA??

Toda a gente se queixa desta Primavera!
Houve uns breves dias de sol, a temperatura subiu, as pessoas abriram as janelas e sorriram cheias de esperança – o Inverno tinha acabado!
Mas de repente, inesperada, não desejada, odiada até, a chuva voltou. O termómetro desceu e os casacos saíram outra vez do armário. Até quando? O calendário estipula um dia para o começo da estação e para o seu fim também, mas não promete que tudo será florido, risonho, ensolarado e delicioso.
No meio de qualquer primavera da vida o inverno pode penetrar outra vez. Nas relações conjugais, na interacção afectiva com os filhos, nas amizades, nos negócios, nos sonhos até...E quando isso acontece, não tomamos a coisa como parte de um processo natural da nossa existência, mas como algo que “não devia acontecer, não agora”.
Parece-me que nunca estamos preparados para a mudança brusca. A vida está tão bem, tão fácil, que já guardámos tudo o que faz falta numa emergência.
Lembrei-me da mulher de Provérbios 31. Diz o sábio escritor que ela não tem receio do frio, do desagradável, do inesperado, porque tem roupa quente para toda a família. Que prodígio de mulher! Não tem apenas para ela, mas para a sua casa! Significa que, no dia da adversidade, tem tudo preparado para que o embate seja mais suave para os que ama!
Será defeito das mulheres do século XXI que, em vez de estarem prontas e preparadas, se desorientam, reclamam, exigem e deprimem?
A minha avó costumava dizer:”Um tempo não fica a dever nada ao outro”. Sabedoria de Bandarra ou de alfarrábios bolorentos? Não sei, mas é verdade! Agora veio a chuva outra vez, mas preparemo-nos para o sol de novo e quando parecer que o tempo bom se instalou, estejamos prontas para qualquer novidade que bata à nossa porta. Vivamos cada dia na “temperatura” que nos traz, sabendo que HOJE é o dia que o Senhor criou para nós!

terça-feira, 6 de abril de 2010

OLHANDO PARA TRÁS...

A Páscoa já lá vai. Mas os pensamentos daqueles dias ainda são muito nítidos. Por todo o lado se fizeram celebrações, recitais, cantatas, teatro, demonstração da arte do homem diante do que é profundo, belo e ao mesmo tempo incompreensível. Por que a morte do Filho de Deus continua a ser isso mesmo. É um relâmpago na escuridão, uma pedrada num charco, uma dor que produz vida, um véu que se rasga e deixa ver o que estava envolto em sombras.
Nesta Páscoa, sentei-me no cenáculo. Vi o Mestre levantar-se. Os olhos dos discípulos seguiram a Sua figura recta e forte, para depois se abrirem de espanto ao vê-lo cingido com uma toalha e transportando nas mãos uma bacia de água. Ajoelhou-se diante deles e começou a lavar-lhes os pés sujos, poeirentos, suados. As Suas mãos doces derramavam sobre cada pé não só água, mas cuidado, ternura, amor.
Vi-O sentar-se à mesa e comer o cordeiro, as ervas amargas e o pão. Fiquei tensa ao ver o horror nos olhos dos doze homens, quando Ele disse: “Comei do meu corpo...bebei do meu sangue...”.
Cada uma das Suas afirmações, naquela noite, estava envolta em profundo mistério que a mente dos discípulos não conseguia atingir. Por isso seguiram-no em silêncio até ao jardim. Aquela seria a última jornada com o Mestre. Eles não sabiam, mas pressentiam algo final nas Suas palavras, nos Seus gestos.
Vi os soldados prenderem-no e levarem-no para um tribunal inventado na hora. Vi Pedro aquecendo-se junto da fogueira que tinham feito no pátio. Horrorizada e tremendo, ouvi-o negar o Mestre que tanto amava.
De longe vi a cena da crucificação. Brutal, horrenda, sangrenta. De repente o céu escureceu, a terra tremeu, parecia que a Natureza vomitava diante de tanta injustiça.
Vi a rocha aberta onde colocaram o Seu corpo. A enorme pedra que rolaram sobre a entrada.
Nas sombras da madrugada segui as mulheres que iam ao sepulcro. O cheiro das flores era inebriante àquela hora do dia. O silêncio do jardim era só quebrado pelos pássaros que começavam a mexer-se nos ramos do arvoredo. Um fio de água corria de uma fonte perto e marcava o compasso incessante da música da natureza.
Uns passos atrás delas, vi o lugar da sepultura. Parei maravilhada, a pedra tinha rolado, o túmulo estava aberto a quem quisesse entrar. Elas estacaram. Sem saber o que fazer, olharam umas para as outras num misto de espanto e apreensão. Maria Madalena pousou numa pedra a caixa com o unguento e entrou temerosa, para recuar logo em seguida: Jesus não estava lá. A pedra onde O tinham deitado estava vazia. Os lençóis e o lenço que tapara o Seu rosto estavam de lado, mas não havia sinais do Mestre. Em vez dele, uma figura angélica avisou-as que Ele ressuscitara, o príncipe da vida não podia estar no meio dos mortos.
Correram pelo caminho para chegar à cidade e contar o que acontecera.
Eu fiquei por ali. Estupefacta, jubilosa, inebriada de emoção...mas tenho que ir! Tenho uma mensagem para contar ao mundo: Ele ressuscitou! Ele está vivo! Não posso ficar agarrada à emoção de um dia, ao sentir de uma hora que foi única. Os outros à minha volta têm que saber...Um dia novo acaba de nascer.