sexta-feira, 21 de maio de 2010

O DEUS DESCONHECIDO

Já não escrevia há alguns dias. Tenho estado em reflexão. O fim de semana passado ouvimos coisas muito importantes, sérias e desafiadoras. Costumo escrever o que ouço, mas gosto de tornar a ouvir a mensagem, mastigar e digerir calmamente o que me toca.
Na Sua imensa sabedoria, Deus envia-nos pessoas que nos trazem a Palavra como se ela fosse nova, como se o mel escorresse de cada frase, como se o sol de repente brilhasse acima das nuvens.
Uma das coisas que me tocou foi ver pessoas para quem Deus é Desconhecido, mas que ao ouvirem o arauto do Senhor, de repente tudo começa a fazer sentido. Deus pode até continuar a ser descolhecido para eles, mas desejam-no da mesma maneira, anelam pelo puro, pela luz, mesmo no meio da sua escuridão. O apóstolo Paulo encontrou no meio de muitos altares, um que lhe chamou a atenção. Nele só havia uma inscrição: "Ao deus desconhecido". Acredito que tal como naqueles dias, os homens procuram algo fora dos deuses, dos dogmas e dos rituais já conhecidos e batidos. No coração de cada homem, há saudade de Deus, do eterno, do espiritual. O nosso problema é que muitas vezes levamo-los a outros altares que nós ou a nossa "igreja" construimos, em vez de os deixarmos ali, procurando, desejando, meditando, nesse Deus desconhecido... Porque Ele deixa-se achar pelos que O buscam, Ele deixa-se ver pelos que O desejam, Ele revela-se aos de coração sincero. Temos pressa na conversão, temos ansiedade no processo, queremos que de repente façam parte, não entendemos o caminho de Deus...
Uma mulher chamada Lidia, junta as amigas e vão a caminho do rio, para um lugar calmo e tranquilo para orar...a um deus que não conheciam. Mas eis que Ele se revela, quando três homens se aproximam do rio e lhes apresentam a mensagem da salvação em Jesus Cristo. Elas entendem. Tudo passa a fazer sentido.
Oro para que aqueles que ouviram o homem de Deus neste fim de semana passado, encontrem no seu caminho Aquele que é o proprio Caminho e que na busca da luz, achem Aquele que em si mesmo é a Luz do mundo. Já agora, o processo é Dele, nós somos meros expectadores do milagre!

quarta-feira, 12 de maio de 2010

O PAPA PENSA...

Não consigo afugentar uma questão (ou várias) que me perturba: quando o Papa está sozinho, mesmo sozinho, em que pensará? Nos milhões de ovelhas que ele não conhece nem sabe o nome? Nos milhares de companheiros espalhados pelo mundo sob o os quais não faz qualquer discipulado? Nos biliões que enchem os cofres do seu estado e que não tem a mínima ideia onde são gastos? Nas notícias horrendas que a TV passa todos os dias e para as quais ele não tem solução, apesar de ser poderoso? Pensará na família? Nas mulheres que conheceu ao longo da vida e para as quais se sentiu atraído como homem? Nos livros que ainda não escreveu? No propósito do seu pontificado? A quem vai deixar os seus pertences quando morrer? No seu sucessor? Naquilo que sonhava ter feito mas ficou por fazer? Na eternidade? Nos dogmas da Igreja que sabe precisavam ser mudados, mas que não são possíveis de ser tocados? No segredo de Fátima? Saberá ele alguma parte desse segredo que mais ninguém sabe? Nos países que lhe indicaram precisar visitar? Na Palavra de Deus? Pensará em Deus? Como?
Tenho ainda mais questões sobre aquilo em que o Papa poderá pensar, mas fico-me por aqui...
Como homem, há tantas coisas em que ele TEM que pensar, DEVE pensar. Como Papa, em que pensará?

terça-feira, 4 de maio de 2010

O VENTO

Hoje está um dia muito ventoso. Pelo menos nesta zona. Perguntamos quando será que a “verdadeira” Primavera se vai instalar, mas quem pode responder, nada diz...
Se ao menos pudéssemos mandar o vento para outro lado...para a Islândia, por exemplo, já que eles também mandam outras coisas para outros lados...
Reparei no movimento do vento nos ramos das árvores, nas folhas caídas no chão, no pó levantado e dei comigo a meditar numa frase que Jesus Cristo usou e que, temos à nossa maneira, utilizada tantas vezes de maneira pouco correcta: “Assim como ouves o vento, mas não sabes donde vem nem para onde vai...” Pois, esse é que é o busílis da questão, não conseguir controlá-lo, não lhe dar um jeito ao nosso gosto, não mandá-lo para outro sítio onde a sua força não nos incomode. Mas o Mestre disse mais umas coisas logo a seguir: “...assim se passa com aquele que é nascido do Espírito”. Compreendemos o que o Senhor quer dizer? Mesmo? É que Nicodemos não entendeu, mas Ele passou a explicar.
O nosso problema, como o do doutor da lei, é que não queremos vento, perturbação, mas uma acalmia gostosa, bem ao nosso jeito, de maneira a que nada saia do lugar, nem seja mudado de maneira nenhuma. Queremos ficar sempre no mesmo lugar, usar as mesmas orações, ler a Palavra da mesma maneira, ver as pessoas segundo a bitola que nos foi ensinada há muito tempo, fazer as mesmas coisas, usar os mesmos métodos, olhar os que são diferentes com os mesmos olhos...pouca mudança, nada de vento.
Mas os nascidos do Espírito são os que se abrem para horizontes maiores, os que são capazes de ser levantados do chão e plantados noutro lugar, os que olham para os marginais da vida como se fossem parte da sua família, os que se deixam levar pela força impulsionadora de uma vida abundante que nada tem a ver com maneirismos religiosos, nem palavras de ordem de uma cartilha que um iluminado qualquer escreveu. São, disse Jesus, os que procuram a luz para que todos vejam que estão a fazer o que Deus deseja (João 3:8,21 –O Livro).
A grande questão que coloco à minha alma hoje é: Estarei a deixar-me levar pelo vento de Deus, para soprar onde Ele bem entender, ou acomodo-me à mesmice do conforto, do que foi, do que já vi, do que não provoca mudança nem atrito?