segunda-feira, 21 de junho de 2010

COMPAIXÃO

É assim uma espécie de sufoco, que vem do fundo do nosso ser, que sobe pela garganta e de repente explode em lágrimas. Umas mais fartas, outras contidas, mas sempre resultado de um sentir e de uma dor estranha e envergonhada…
Estou a falar de compaixão. Coisa rara neste tempo, por isso mesmo quando sentida, se esconde por detrás de outras fachadas mais espessas, não vá o vizinho do lado olhar-nos como se viéssemos de outro mundo…
Foi essa dor complexa que senti ontem, quando ouvi de um amigo que, por causa de erros e escolhas impróprias, perdeu bens, trabalho, reputação, respeito e, calculo eu, perdeu-se a si mesmo no labirinto do seu sofrimento. É tão fácil apontar o dedo, tão simples fazer uma lista de soluções, tão “santo” mostrar o pecado. Mas no mesmo dia, sem que procurasse, abri o evangelho e vejo o Filho de Deus, sozinho, com uma mulher que foi apanhada no meio do erro. Os acusadores foram embora e deixaram-na a contas com Um que reivindicara nunca ter pecado. Jesus pronuncia as palavras mais correctas e as mais necessárias para alguém que só espera condenação: “...eu não te condeno. Vai e não peques mais”. Absolve-a, mas faz mais: dá-lhe uma oportunidade de recomeçar!
Não tenho o poder do Filho de Deus, mas se encontrasse hoje este homem, o meu amigo, poria os meus braços à sua volta e dir-lhe-ia que ainda há futuro para ele, que é possível recomeçar, que é necessário reconstruir. E fá-lo-ia por causa dessa coisa estranha e dolorida que é a compaixão. Coisa que só sente quem sabe que é falho e que entende o coração de Cristo…

terça-feira, 15 de junho de 2010

NO CABELEIREIRO...

À espera de ficar mais apresentável, recosto-me na cadeira do cabeleireiro. Olho à minha volta e a conversa é tão banal quanto aqueles frascos e frasquinhos que enchem as prateleiras e cujos rótulos me levam para cabelos brilhantes, sedosos, tratados, brilhantinas, espumas e afins... Já os vi antes, não mudam muito...
Por isso atiro-me a uma revista, que só folheio naquele lugar. Por uma razão simples: não entendo a cronologia dos acontecimentos relatados nas ditas revistas.
Passo a explicar. É que uma diz que fulano se separou de beltrano e que agora namora sicrano. Uma outra, do mesmo preço e tamanho, diz precisamente o contrário. Que nunca foram tão felizes, que até estão a pensar casar, blá, blá, blá...
Vou buscar outra (a capa promete ser melhor) e esta fala das mesmas pessoas, mostra a casa das ditas, fotografa-as em posições românticas e de extrema felicidade... Em que ficamos afinal? Diante do meu suspiro de tédio e enojamento, uma senhora ao lado diz-me em tom secreto: “Não se pode acreditar em nada disto...são só mentiras, para vender!”
Não estou muito preocupada no que é verdade ou mentira na história. Afinal nem conheço aquelas pessoas e possivelmente nunca me cruzarei com eles. Mas sim, dou comigo a pensar no trabalhão que devem ter os autores de tais artigos, para inventar, contornar a verdade, abrilhantar a festa, mostrar a casa mais bonita e os meninos (alguns dos tais, têm filhos) mais arrumadinhos do mundo... E acima de tudo, como será a sua vida daqui a uns anos, quando estas estrelas tiverem passado e precisarem de encontrar outras, com mais histórias irreais e incoerentes? Como encararão o dia-a-dia se não tiveram tempo para um gesto de caridade, de amor, de abraço, de fraternidade? Sim, porque aquilo deve dar muito trabalho a descobrir, a perseguir, a entrevistar e a inventar sobre as tais personalidades...
Olha do que eu havia de me lembrar, numa tarde aborrecida de espera?

quarta-feira, 9 de junho de 2010

DEPOIS DE BARCELONA

Uma viagem normal, rápida e sem precalços. Amigos que não via há muito tempo que me esperavam para dar aquele abraço de boas vindas...Um almoço delicioso junto à praia com um sol doce e caliente.
Uma conferência extraordinária onde Deus se manifestou entre nós, trazendo muita convicção, muitas lágrimas e muito consolo, mas acima de tudo a certeza de quem somos em Cristo.
Muito cansaço depois de pregar 5 vezes, mas muita alegria e espanto porque Ele usa os vasos fracos e frageis para manifestar o Seu poder e glória.
Muito carinho recebido de tantas mulheres que se sentiram abençoadas e restauradas.
Muita convicção de que tenho que continuar, mesmo quando as circunstâncias não são as melhores.
Plena certeza de que a Sua presença na minha vida é a maior segurança.
Absoluta fé nas Suas promessas que nunca falham a meu respeito.
Obrigado, Senhor.

quinta-feira, 3 de junho de 2010

Barcelona

Lá vou eu, para mais uma aventura no desconhecido...
Quero dizer, que não sei quem vou encontrar, como vão ser 3 dias de ministração intensa, se vou ter força para tanto... por isso chamo-o desconhecido.
Mas tenho algumas certezas:
· Que o Senhor vai à minha frente
· Que está ao meu lado
· Que guarda a minha entrada e a minha saída
· Que todas as coisas, conjuntamente, contribuem para meu bem
· Que Ele cumprirá o propósito para que sou enviada e recebida
· Acima de tudo, que Ele é FIEL!
Oro para que as minhas irmãs catalãs me entendam e recebam o que Deus tem para elas nestes dias.
E...lá vou eu, Barcelona!