Isto de estar “clinicamente proibida de funcionar durante um período de tempo”, leva-me a profunda meditação, como já disse anteriormente.
Desta vez, voltei vinte anos atrás, a um outro momento em que pensei que não poderia mais andar, esperar e viver. Os filhos casaram, a filha foi para longe, fui despedida injustamente, entrei na menopausa sem aviso prévio, fiquei sem objectivos, porque de repente, tudo o que preenchia a minha vida me foi tirado. Lembro que num desses dias de profundo desespero e decepção, falei com Deus e disse-Lhe que Ele não podia ter-se esquecido de mim daquela maneira. Não bastava que o telefone em casa estivesse em absoluto silêncio e ninguém se lembrasse que eu existia, Ele ia fazer a mesma coisa?
Pois não é que foi mesmo pelo telefone que Ele respondeu? Os vinte anos a seguir, foram os mais aventurosos, ricos, reveladores da Sua graça e da minha própria limitação e ainda de um número ilimitado de coisas novas. Neste tempo, aprendi a gostar de mim, das pessoas que até ali não chamavam a minha atenção, a ver o mundo com matizes em vez de uma só cor. Encontrei gente única e insuperável, vi a esperança a aparecer ao virar de muitas esquinas, vi o futuro brilhar na cor diferente dos olhos das minhas netas, presenciei Deus mudar, restaurar, curar e fortalecer, através de um conselho, de uma palavra, de um abraço que Ele me proporcionou oferecer.
E agora? O que vai acontecer daqui para a frente? Nem sei como falar com Ele exactamente...Não sei o que Ele esconde no livro do Seu propósito que tem o meu nome, mas aprendi que não preciso fazer muitas perguntas, por que, na Sua imensa sabedoria, Ele pode usar até um telefone para responder...
Dia devagar
Há 18 horas
