terça-feira, 21 de setembro de 2010

JUNTE-SE AO CLUBE!

“Que os nossos filhos sejam, na sua mocidade, como plantas viçosas e as nossas filhas como pedras angulares, lavradas como colunas de um palácio”. (Salmo 144:12)
Alguém disse que a adolescência é uma fase em que os filhos, por estarem tão envolvidos em actividades fora de casa, fazem com que os pais se sintam “como o cão que corre atrás da própria cauda”! Achei interessante esta comparação, ainda mais por ser mesmo real!
Nesta fase, o ritmo familiar muda completamente. A agenda que permitia a reunião à volta da mesa esboroou-se e o tempo com os filhos é cada vez mais determinado por eles mesmos. Por isso é tão importante que os pais se ajustem a este momento único na vida dos seus filhos, pois com certeza não gostariam que esses anos fossem cheios de frustração e temor. São momentos únicos de oportunidade. São os anos em que damos os últimos retoques naquilo que eles serão como futuros homens e mulheres. Conheço muitos pais que até têm sabido criar as suas crianças relativamente sem problemas, mas que, chegada esta fase, ficam confusos com o seu papel, em especial quando os filhos questionam muito do que lhes foi ensinado e transmitido.
Ter 4 netas adolescentes dá-me a possibilidade de tornar a viver um período que, na vida dos meus filhos, apresentou alguns casos curiosos. O mundo delas é diferente do mundo dos seus pais, mas os seus problemas basicamente são os mesmos: o que estou aqui a fazer, quem sou, porquê, porque não? A maior mensagem que posso dar-lhes é como elas são lindas, capazes, dignas e com um potencial de chegar bem mais alto do que imaginam. Não precisam de condenação, nem de gritos de frustração, mas de um braço forte e de uma mente aberta para responder às suas questões e ouvir as suas dúvidas.
Se pensarmos bem, concluiremos que o mundo à volta dos jovens é hoje tão complexo, os valores que lhes são ensinados tão diluídos, que não admira que cada vez mais esta fase do crescimento de uma criança seja mais turbulenta e dolorosa. Os pais têm de se revestir de algo muito precioso e que faz parte do carácter de Deus nosso Pai: paciência. Já imaginou quão paciente é Deus com as nossas falhas e os nossos deslizes? Se de cada vez que pecamos e falhamos Ele nos expulsasse da Sua presença, nos rejeitasse ou nos ignorasse, a nossa vida seria uma noite sem estrelas. Mas porque Ele é um Deus paciente e conhece a nossa estrutura, lembra-se que somos pó, podemos confiar no Seu amor, levantar-nos outra vez e crescer até à maturidade como Seus filhos e como seres humanos. Isso é exactamente o que temos de fazer com os adolescentes: ser pacientes. Um dia destes, eles descobrem a estrada que querem seguir, o companheiro que querem escolher, a carreira que desejam perseguir e tudo entra nos eixos outra vez...
Goze esta fase tão linda da vida do seu filho. Viva o encanto que é vê-lo sair do casulo da meninice, para descobrir que tem asas. Ensine-o a voar e a palmilhar caminhos novos, fique ao seu lado enquanto ele vive. Afinal não é isto que todos os pais desejam? Sobretudo, ajude-o a colocar a sua confiança num Deus que é bom, de geração em geração...
(De "Esperança para a Alma")

domingo, 12 de setembro de 2010

ESTA MANHÃ...

Esta manhã, enquanto estava na reunião dominical da minha igreja, cantámos uma velha canção que nunca perde o toque, o encanto, a força:
“...Perto estás, o Teu amor me envolve, Tu me atrais, guarda-me, Senhor e ao Te encontrar, como águia eu me elevo, pois Tu me guiarás e sempre viverei pelo poder do amor!”
Palavras lindas, momento de elevação que nos faz querer mesmo viver nesta força do amor. Mas enquanto cantava, pensei nas pessoas que à minha volta pronunciavam, como eu, estas palavras. E a pergunta que subiu ao meu coração foi: Será que conseguimos elevar-nos como águias?
Pois eu acho que aquele cântico não passou de desejo, de afirmação, de intenção. Porque uma grande maioria, onde me incluo, vive tão em baixo, tão perto do chão. Aliás, é aqui em baixo que tudo acontece: as festas, a diversão, os almoços, os bons livros, as grandes discussões, as longas listas de anseios e devaneios...tudo aqui em baixo. A águia voa alto, mas sozinha. A águia não fica limitada a um galinheiro, nem a uma capoeira, por mais higiénica, apropriada, que seja. Para subir, depende das correntes de ar, não apenas das suas asas poderosas e desenvolveu uma visão única, exactamente por causa das alturas a que voa. Nas alturas, ela vê o que mais nenhum ser vê. Nas alturas ela escolhe o que vai comer...
Por que cantamos coisas destas, se não é assim que vivemos?
O autor da canção tinha em mente o poder propulsor que nos pode elevar acima do natural, do efémero, do rotineiro: o amor de Deus. Mas será que não é mais fácil ser como o pavão, a avestruz, o galo, o papagaio? Que eu saiba, eles divertem-se mais, pelo menos têm sempre gente a olhar para eles... Será que eu quero ser como a águia, mesmo que esteja sozinha e ter a experiência do que é voar nas correntes do amor de Deus?
Se não quero...o melhor é não cantar.
De repente, fez-se silêncio.
Mais ninguém canta.