terça-feira, 30 de novembro de 2010

O CAMINHO ESTREITO


À medida que os anos passam e a vida vai-se esvaindo entre os intervalos da minha loucura, de repente, descubro que a estrada vai ficando mais estreita.
As amizades ficam mais escassas, a saúde mais curta, as capacidades menos reconhecidas, a saudade mais profunda, a paixão difícil de acender, o mundo mais escuro, a esperança mais ténue, os livros mais relidos, as fotos mais gastas, os olhos mais focados, o coração batendo num ritmo mais lento...As montanhas parecem mais altas, os mares mais profundos, as pontes mais distantes, as praias mais inacessíveis, as canções cantadas a medo, as lágrimas mais difíceis de saltar...
A estrada é mais estreita e no entanto, lá ao fundo, há uma luz que nunca vira antes, quando tudo era azáfama, ardor, força e presença dos que amo. O caminho fica mais íngreme e tenho que parar de vez em quando, mesmo por que, numa curva inesperada, a paisagem é deslumbrante.
A luz fica mais próxima. Agora a estrada é um carreiro no meio de um bosque. Só tem lugar para uma pessoa. Daqui para a frente não há como me perder; os atalhos acabaram, os sinais ao longo do caminho desapareceram, o silêncio é só quebrado pelo chilrear dos pássaros e pela minha respiração. Mas não há tristeza. É como se eu soubesse há muito tempo, que este caminho só é meu, que não tenho que partilhá-lo com mais ninguém, que as águas que correm no rio ao lado são só minhas e que as flores que crescem na beira do carreiro estão lá por minha causa.
A luz é mais forte agora. Mas mesmo sem escolher, sinto que alguém resolveu seguir o mesmo caminho. Os passos na vereda ficam mais próximos e o desconhecido fala comigo sem pedir licença. Invade os meus pensamentos, põe a nu o meu coração, penetra a minha mente com palavras que me seguram e, de repente, dou comigo a pedir-lhe: Fica comigo, porque é tarde e o dia já declina...
Afinal, a vereda dá para caminharmos os dois, juntos, para a luz...

sábado, 27 de novembro de 2010

CONVERSAS SOLTAS

Hoje encontrei uma senhora com quem converso algumas vezes, que me informou sobre a festa de S. Saturnino, segunda-feira dia 29 de Novembro.
Contava-me ela que este santo, padroeiro de Fanhões, era LINDO! Que a igreja tinha gasto algumas centenas de euros para restaurá-lo, para que nesta festa, o santo estivesse no seu melhor.
Perguntei-lhe quem era o tal Saturnino. Ela deu uma grande gargalhada e respondeu que não sabia, só sabia que a cara do santo era linda...
A igreja matriz de Fanhões dedicada a S. Saturnino, data de 1575 e foi restaurada em 1796. A sua construção nasceu da necessidade de a população ter uma igreja mais perto do local de residência. Tem uma só nave e torre sineira. No interior, o destaque para o coro joanino, assente em duas colunas de mármore, pia baptismal e painéis de azulejos dos séculos XVI e XVII. Singela, mas bonita, sobretudo muito antiga. Consta que foi queimada durante a I República, mas restaurada a seguir pelos fiéis. Durante a revolução do 25 de Abril, os senhores da extrema-esquerda decidiram fazer dela uma adega cooperativa, mas a coisa ficou só pelo dito.Isto eu já sabia, mas e o santo,
tão venerado nesta terra onde vivo? Por isso fui à procura. E descobri algumas coisas bem interessantes e curiosas:
De origem grega, São Saturnino é uma das devoções mais populares na França e na Espanha.Foi o primeiro bispo de Toulouse, em 250 sob o consulado de Décio e Grato.
Era uma época em que a Igreja, naquela região, contava com poucas comunidades cristãs. Estava desorganizada desde 177, com o grande massacre dos mártires de Lyon. O número de fiéis diminuía cada vez mais, enquanto nos templos pagãos as filas para prestar sacrifícios aos deuses parecia aumentar. Embora houvesse um decreto do imperador proibindo e punindo com a morte quem participasse de missas ou mesmo de simples reuniões cristãs, Saturnino liderou os crentes fiéis e continuou com a comunhão e a leitura do Evangelho.
Assim, ele e outros quarenta e oito cristãos, acabaram por ser descobertos quando se reuniam para celebrar a sua fé num domingo. Foram presos e julgados no Capitólio de Toulouse. O juiz ordenou que o bispo Saturnino, uma autoridade da religião cristã, sacrificasse um touro em honra a Júpiter, deus pagão, para convencer os demais. Como se recusou, foi amarrado pelos pés ao pescoço do animal, que o arrastou pela escadaria do templo. Morreu com os membros esfacelados.O seu corpo foi recolhido e sepultado por duas cristãs
Ora é a isto que eu chamo uma linda história de fé e perseverança. A minha grande questão depois de descobrir isto tudo, é se o povo de Fanhões que o venera e admira, sabe quem foi o santo e se deseja seguir o seu exemplo: amar a Deus, custe o que custar, mesmo que isso signifique por em risco a sua vida...
Saturnino, bispo de Toulouse, venerado na freguesia de Fanhões, concelho de Loures. Mal sabia o santo, que chegaria tão longe... Porquê?
Ele há cada mistério...

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

IDENTIDADE FAMILIAR

A minha amiga e o marido nem podiam acreditar. Olharam um para o outro, descrentes, porque a sua menina estava a fazer a mala para ir embora de casa. Nem sabiam se haviam de rir ou chorar. Afinal a menina tinha só 6 anos.
E foi mesmo. Só que a família do outro lado da rua que a recebeu, quando chegou a uma certa hora, disse-lhe que estava na altura de voltar, porque era dia da sua família ir à loja de gelados. Faziam isso todas as semanas. A pequena resolveu telefonar para casa e perguntar se, mesmo tendo saído com malas e bagagens, ainda tinha direito à tradição familiar. Claro que foi recebida de braços abertos e lá foram felizes e contentes comer o gelado da praxe”.

Li esta pequena história que me fez pensar se as famílias de hoje têm tradições, cultura, valores, costumes, uma identidade toda própria. Infelizmente, o mundo “enorme” e ao mesmo tempo “encolhido” em que vivemos, tem outras coisas que substituem essa tradição prazeirosa de se saber que no aniversário da mãe faz-se isto, que no Natal é costume cantar aquilo, que todo os verões, mal o tempo da praia chega, a família vai fazer mais aqueloutro...São tradições tão simples quanto estas que permitem que a família fique junta, que os laços não rebentem de uma vez.
Além de que, uma identidade familiar também ajuda os filhos a desenvolverem uma auto-identidade forte e saudável. Saberem o que torna singular a sua família, dá às crianças e aos jovens um ponto de partida para descobrirem o seu lugar no mundo. Têm sido feitos estudos que mostram que os miúdos que se identificam com os valores da sua família são menos promíscuos e enfrentam um risco menor de abuso de substâncias.
Para que esta identidade familiar se estabeleça, são necessários a presença física dos pais, refeições juntos, jogos e brincadeiras em família. Uma outra maneira de firmar este laço é a celebração. Celebre tudo o que há para celebrar. O nascimento de um pintainho, uma flor recebida como surpresa, uma refeição feita com requinte, um bolo desejado há muito tempo, um bom relatório escolar...sei lá, o céu é o limite! Mais, fale sobre Deus, sobre fé, sobre oração, fale sem esforço, naturalmente, acerca de assuntos tão palpitantes como a confiança num Deus que não se vê, mas que está lá!
Mesmo que o filho faça a mala e saia, um dia volta. A saudade do cheiro dos lençóis, do odor único dos bolos de canela, das conversas e dos risos, vai trazê-lo outra vez.
Lá, por onde andar, é tudo frio, sem sabor e sem cheiro. Sem identidade familiar.

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

NOZES...


Ofereceram-nos um saco de nozes. Hoje em dia ninguém gosta de as partir, dá trabalho e faz lixo...É muito mais fácil compra-las no supermercado, embaladas e caras.
Mas hoje resolvi partir algumas. Deliciosas, as nozes fortalecem as defesas do corpo, auxiliam na formação de glóbulos vermelhos, ajudam a curar ferimentos mais depressa, fortalecem ossos e dentes e, ainda, actuam contra o envelhecimento das células. Com tantas qualidades desses frutos de casca dura, o que se come é a semente e elas (as nozes), podem e devem entrar no nosso cardápio regularmente.
Cá estou eu, sentada com o dito saco na minha frente e a parti-las. Não são bonitas, mas ainda só encontrei duas podres. O resto é todo bom. A casa está em silêncio e o único ruído é o que faço, cada vez que parto um dos frutos. De repente, vem-me à mente algo que ouvi há algum tempo, dito por um grande homem de Deus. Ele comparou uma noz à nação onde vivemos. Dura, forte, nem sempre bela, mas impenetrável. Estamos protegidos (assim pensamos). Dentro está o miolo, a semente, que ele comparou à Igreja, a nação santa, dentro da outra nação. A casca tem a sua utilidade, mas é o miolo que alimenta, que traz os tais benefícios que acima referi...
Enquanto separava o miolo da casca, reflecti que muitas vezes o miolo se parte pela pressão exercida sobre a casca. É preciso jeito e um instrumento bom, para partir sem desfazer o que está dentro, coisa que não tenho... E aí estou eu a pensar que as pressões sobre a Igreja, sobre a nação santa, são grandes e podem causar danos, mas mesmo assim, aproveita-se o miolo, mesmo partido, mesmo sem estar inteiro.
Agora tenho nas mãos uma acabada de partir; parece boa, mas tem um pozinho que é sinal que está atacada por um bichinho que gosta de nozes. Ponho-a de lado, não vá a infecção fazer-nos mal...
E oro: Senhor, que a “nação santa” dentro de Portugal nutra, fortaleça, actue em saúde para todos os que dela se alimentarem. Mesmo quebrados, mesmo partidos, ainda queremos ser alimento! E onde houver infecção, doença ou algo perigoso, limpa-nos, não nos lances fora da Tua presença...”
Acabei a tarefa. Guardei o miolo bom, que vai alimentar e dar saúde a quem comer.
Sobre o outro, a nação santa, continuo preocupada, insisto em orar e esperar...

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

LEMBRAS?


Procuras-me no vazio. Eu não estou lá. Gritas por mim para o ar, como se Eu me escondesse. Questionas-me como seu Eu não tivesse respostas.
Não és o único. Muitos outros antes de ti fizeram o mesmo... alguns conseguiram encontrar a solução, outros ainda andam por aí, procurando nos lugares errados.
Lembras-te quando recebeste algo maravilhoso que nem tinhas pedido? Fui Eu, que conheço os segredos do teu coração!
E quando tinhas uma situação tão problemática que nem sabias onde procurar a solução e de repente tudo ficou fácil? Fui Eu, que tomo os problemas dos homens nas minhas mãos...
E quando te sentiste invadido pela tristeza, solidão e abandono, mas de repente foi como se alguém se tivesse colocado ao teu lado? Era Eu, porque o acaso não existe.
Lembras-te quando te sentiste tão cansado da vida ao ponto de querer morrer e de repente entrou em ti uma força que te deu ânimo para continuar? Fui Eu, que te carrego nos braços e te faço descansar.
Eu sempre estive no teu caminho. Mesmo quando não me vias nem sentias. Porque sempre te amei. Não posso dar-te todas as respostas, porque não ias entendê-las. Mas quero que saibas uma coisa que sei que irás compreender: quando Eu vim ao mundo, abdiquei de toda a minha glória e fiz-me igual a ti, para saber como são as tuas dores. Mas quando me pregaram na cruz eu levei não só as tuas, mas as de todo o mundo. E nos instantes finais, quando já não conseguia quase falar por causa do suplício, ainda tive força para pronunciar as palavras mais importantes que tu precisas ouvir ainda hoje: ESTÁ TERMINADO!
Os que estavam à volta da cruz, pensaram que eu me referia à minha vida ou ao sofrimento agonizante daquela hora, mas não. Eu estava a declarar de uma vez por todas que o TEU sofrimento, solidão, fome, frio, angústia, maldição, doença e pecado, tinham cessado.
Só te é requerida uma ÚNICA coisa. Que creias em mim. Que acredites que o que eu fiz é suficiente e que me deixes entrar na tua vida e ter relação contigo.
Depois, mesmo que algumas dessas coisas te vierem perturbar, saberás que a minha graça, força e presença nunca te deixarão.
Olha...fica em silêncio um bocadinho. Sentes? Eu estou, mesmo AQUI!
(Autor Desconhecido)