segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

PESSOAS

Estou mais uma vez “enfronhada” na vida de Abraão, figura bíblica da fé, da obediência, da atenção pronta à voz de Deus. Todos os episódios da sua vida são fascinantes e cheios de lições. Mas esta semana, fiquei parada diante de umas palavras que lhe foram dirigidas que fazem parte de um conceito que merece urgente reflexão, desafiadoras e cujo valor ignoramos tantas vezes.
A história é que o patriarca foi defender um sobrinho e a sua família que tinham sido feitos reféns numa guerra. Levou consigo 318 dos seus criados e perseguiram o exército que levara o sobrinho, até trazê-lo de volta, os seus bens, as suas mulheres e o povo de Sodoma.
Eis senão quando aparece um dos reis que escapara da matança e faz um pedido estranho a Abrão: “Dá-me as pessoas, os bens ficam para ti”. Segundo as leis da guerra daquele tempo, Abraão tendo vencido o inimigo, tinha todo o direito a ficar com os bens e com as pessoas!
O rei de Sodoma, apesar de ser um pagão e possivelmente um homem sangrento e brutal, tinha em alta conta “as pessoas” que eram seus súbditos, mais do que os bens que incluíam ouro, prata, gado e tudo o que se podia mover.
Como o mundo mudou! Hoje, os governantes, as figuras de autoridade, estão tão preocupadas com o ganho, com os mercados, com estatísticas e listas de prioridades desses ganhos e esqueceram totalmente as pessoas.
O coração do meu Mestre comovia-se quando olhava para as pessoas. Eram pobres, destituídas, roubadas, escravas de uma potência estrangeira e Jesus olhava-os como um rebanho de “ovelhas que não tem pastor”, ninguém que cuide, que guie, que cure as feridas, que os abrigue dos perigos.
Que valor têm as pessoas para mim? É o ganho que posso tirar delas? São os favores ou a “mãozinha” que possam dar-me para alcançar o que ambiciono?
Como olho para as pessoas que enchem o templo da adoração? Como amigos preciosos, gente com necessidades iguais às minhas, pais e mães que lutam por uma vida melhor para os filhos, pessoas que estão numa caminhada espiritual nem sempre fácil, mas que continuam a insistir até chegar mais perto?
O fascinante na vida de Abraão, é que ele abdicou do seu direito de usar as pessoas porque elas pertenciam a Sodoma. Torná-los propriedade sua, era negócio que nem lhe passara pela mente. Mais ainda, todo o ganho que lhe foi oferecido, foi igualmente recusado...
Concluo eu, que quando pessoas auferem de um tal valor no debate, o resto (bens, riquezas), diminui de importância.

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