quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

FUNERAIS

Por que vamos a funerais? O que nos tira de casa para enfrentar um grupo de pessoas vestidas de luto, algumas em pranto, outras nem por isso, para ouvir uma série de conversas que têm a ver com um passado quase sempre distante, quando nos relacionávamos, quando comíamos juntos, quando isto e aquilo?
Quantas vezes visitamos o finado, quantas lhe deixamos uma mensagem no telemóvel, quantas lhe demos uma palavra de coragem e incentivo no meio da doença, da dor e sofrimento?
A que propósito nos deslocamos, fazendo centenas de quilómetros de estrada, só para marcar presença? Todas as vezes que assisto a um funeral, estas e outras perguntas semelhantes me enchem a alma e me deixam num estado de culpa. Mas devo ser só eu. E ainda bem. Porque espero que ninguém vá à tal cerimónia por culpa. De não ter amado, de não ter acarinhado, de não estar lá na hora necessária, de ser ausente, de ter fechado os olhos à solidão do velho, à precisão da mãe e à ansiedade do filho...
Ontem fui a um funeral. Amava aquele homem, respeitava-o, admirava-o pelo que fez, o que foi e o que influenciou a sua geração. Mas que amor passivo é o meu, o nosso, que falamos e dizemos estas coisas só depois da pessoa não poder tocar-nos, ouvir-nos nem sorrir de volta? Havia muitas flores, lindas, paradas e estáticas. Flores que dizem adeus, mas que não podem ser cheiradas nem guardadas num vaso. Por que enquanto colocamos flores numa jarra, cada vez que as olhamos, elas sorriem e dizem-nos o quanto nos admira quem no-las deu...
Só deviam ir a funerais os amigos verdadeiros, não os ausentes como eu. Só deviam chorar pelo morto, os que riram com ele. Só deviam levar flores os que lhe alegraram a existência...só esses.
Mas o melhor é ficar por aqui. Senão, quando eu morrer, não vai ninguém ao meu funeral!

2 comentários:

  1. se me permite, deixe-me dizer que penso no mesmo. Na verdade o que me leva a ir a funerais, é a ideia de estar perto daqueles que ficaram e sentem a dor naquele momento. fui a pouco, é verdade. e sei que socialmente é suposto estarmos presente... Mas desejo que na simplicidade dos meus poucos anos (comparados aos 96 do meu avô), tenha a capacidade de dizer mais vezes que AMO e APRECIO aqueles que estão perto de mim.
    Obrigada por esta reflexão.

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  2. 1. Considerando os serviços prestados pelas agências funerárias portuguesas, indique 5 itens que considera relevantes na prestação de serviços.

    1.1. _______________________________
    1.2. _______________________________
    1.3. _______________________________
    1.4. _______________________________
    1.5. _______________________________


    2. Qual a principal dificuldade no relacionamento com as agências?
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    3. Apresente as suas sugestões e identifique necessidades e expectativas (actuais e futuras).



    Estou a fzer uma tese sobre marketing funeráio. Poderia ajudar com estas respostas

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