sábado, 2 de abril de 2011

CASUALTIES


(Termo usado para referir as baixas entre os militares em combate)
Entrei num certo lugar e enquanto procurava a pessoa com quem ia fazer um trabalho, vi ao longe um homem parado, estático, cuja figura não me era estranha.
Gente míope sabe do estou a falar, mesmo com óculos há uma certa distância que ainda nos é interdita... Aproximei-me mais e o homem olhou-me com intensidade ao mesmo tempo que esboçava um sorriso tímido. Era ele mesmo, um amigo que não via há algum tempo. Fora um líder no meio dos crentes em Jesus e agora...Trocámos meia dúzia de frases de circunstância e banalidades de ocasião, até que me atrevi a perguntar-lhe o que fazia num lugar tão longe de casa, num ambiente que não tinha muito a ver com ele. Sorriu outra vez a medo e contou-me que estava ali para receber ajuda psicológica, pois encontrava-se totalmente perdido, sem direcção e sem objectivos. Fiquei feliz por ele, pois sei que há pessoas naquele lugar que poderão ajudá-lo a encontrar-se outra vez.
Acabei o meu trabalho e no caminho para casa, a minha mente voltou outra vez ao homem que encontrara à entrada da instituição. E ai, encolhi-me no banco do carro, como se tivesse feito uma maldade e não quisesse que me vissem. Não era medo, não. Vergonha, era o sentimento que me enchia o coração, teimava em sair-me dos olhos em lágrimas quentes e queimava-me o peito por não poder gritar.
Como é que os crentes, povo de Deus, filhos de um Pai amoroso, chamados para as boas obras que Ele preparou, podem ferir de morte, deixar no campo de batalha esvaído em dor, um soldado que foi marcado por um erro, que não teve hipótese de defesa, que nem compareceu diante do tribunal militar, mas cuja sentença foi dada na sua ausência: MORTO?
Como?
Os juízes alguma vez pensaram que podiam tê-lo salvo, tivesse ele uma outra oportunidade de corrigir alguma coisa menos correcta? Conjecturaram por momentos, que bastaria um abraço, uma palavra amiga, uma correcção a tempo, aquele soldado não se teria afundado num abismo de desespero, de solidão, de perda absoluta?

Limpei as lágrimas teimosas. Ele está num lugar onde vão amá-lo e onde vai sentir abraço e segurança. Os juízes, esses, um dia vão ser julgados, também, mas num tribunal muito mais perfeito.

2 comentários:

  1. Não me contive sem ter que comentar este triste episódio, e ao mesmo tempo agradecer a Deus por ter como amiga a Sara, às vezes distante, mas com um coração muito presente e sensível, obrigada Sara por ser como é, beijinhos

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  2. "... Pai, não lhes imputes este pecado" Como sendo Jesus o único perfeito, capaz de julgar o erro de alguém no maior momento de dor teve a capacidade, de tal acto de abnegação e misericórdia e tantos falíveis mortais acham-se no direito de julgar e condenar alguém e ainda por cima porque a vitima não está dentro dos parâmetros do que Jesus definiu. Quem estará mais distante?

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