sexta-feira, 22 de abril de 2011

FIM-DE-SEMANA


Há dias, há fins-de-semana para esquecer. Mas nada que se compare ao das mulheres que tinham seguido Jesus desde a Galileia, fieis, devotas, leais, presentes, prestativas, incansáveis. Aliás, aquele foi o pior fim-de-semana que a humanidade presenciou. Prenderam Jesus, enquanto orava no jardim, acusaram-no injustamente num julgamento sumário e tendencioso, obrigaram-no a caminhar pelas ruas de Jerusalém carregando um madeiro (instrumento de tortura e morte para os condenados por crimes contra a sociedade), pregaram-no àquele tronco ao lado de dois criminosos, deixaram-no agonizar como o pior dos malfeitores e já depois de morto, furaram o Seu peito com uma espada.

E elas, as mulheres que o tinham seguido sempre? Onde estavam? O evangelista Lucas diz que ficaram de longe, a contemplar a cena. Consigo imaginar a dor, os soluços reprimidos, as lágrimas teimosas correndo pelas faces. E depois? Silenciosas, como fantasmas, caminharam por entre as sombras do jardim onde havia túmulos novos. Viram onde o Senhor foi colocado, envolto apenas num lençol. Naquele mesmo silêncio dorido, voltaram para casa. Tinham pouco tempo para o que era preciso fazer. Antes que o dia terminasse, prepararam os unguentos, ligaduras perfumadas, embebidas em óleos e especiarias, para embalsamar o corpo do Mestre. Algures na cidade, os discípulos estavam escondidos, com medo dos judeus, sofrendo também, mas passivos, paralisados, limitados pelo receio. Ouviram o sinal que um novo sábado tinha começado. Descansaram conforme a lei, um descanso misturado com inquietação e perguntas: “Como revolveremos a enorme pedra à entrada do sepulcro?” “O que farão os guardas quando nos virem chegar?”

A aurora despontava no horizonte, o sábado terminara. No coração das mulheres não havia qualquer dúvida, nenhuma desculpa que as levasse a desistir da tarefa.
Sabemos o final da história, a maravilha que as aguardava: a pedra revolvida, o túmulo vazio, um ser celestial que lhes disse que o Senhor ressuscitara. Tudo o que levavam ficou ali, no jardim, espalhado entre as roseiras e as madressilvas, não tinha mais valor, não era mais necessário. As bocas encheram-se de riso, os pés de velocidade para chegarem aos discípulos e dizerem que o Senhor estava vivo! Mulheres! Práticas, entusiasmadas, fiéis, devotas, cheias de amor...
Como as entendo! Tão pouco que tinham para dar, mas fizeram-no até ao fim. Nunca abandonaram Jesus, nem na vida e nem na morte. O que Lhe tinham oferecido eram coisas pequenas, actos de amor, cuidado, coisas simples...

Também eu chego ao túmulo, para verificar, mais uma vez, que Ele está vazio. O que faço para mostrar-lhe o meu amor neste fim-de-semana de Páscoa? Uma palavra, uma oração, um sorriso, um gesto simples ou um copo de água a “um dos Seus pequeninos”?
Quero muito que o meu fim-de-semana seja de ressurreição, que o meu domingo seja de Aleluia!

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