segunda-feira, 23 de maio de 2011

ÁRVORES DA MINHA TERRA...


Enchi os olhos e a alma de verde, enquanto o autocarro galgava os quilómetros que me separavam de casa. Senti cá dentro o que significava a frase “árvores da minha terra”, de Espanca, poetisa da dor.
Os sobreiros, azinheiras, pinheiros, oliveiras e mais altos os eucaliptos, cada um deles oferece uma tonalidade diferente de verde, que repousa sobre um outro matiz, o das elevações e campos a perder de vista. Aqui e acolá, uma daquelas já gastas, troncos nus, reclamando uma gota de água... e de repente, numa curva da estrada, o verde muda para dourado, espigas amadurecendo, de um trigo que já promete pão. Que lindo é o Alentejo! Que linda é a nossa terra!
Pensei na nossa vida, todos somos árvores de uma mesma plantação, mas mostramos cor e matiz diferente. Umas dão sombra outras fruto, ainda algumas exalam saúde, outras oferecem madeira... perfeita aguarela da criação, quadro pleno da natureza em equilíbrio. Em contraste, dentro da viatura, não há sossego, as pessoas centram-se nos telefones que não param de tocar, “filha, faltam 20 minutos para chegar”, “não, eu vou sozinha para casa”, “não faças almoço, não estou com fome”, “estou desejando chegar e saber o que se passou...” Gente, cheia de ansiedade, expectativas, saudades, lutas e sucessos.
As árvores, essas estão firmes, verdes, perenes, sem preocupação com o vento ou com o sol. Estão lá, para deixar o mundo mais belo, para encher os nossos olhos de harmonia e a nossa alma de esperança...

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