sábado, 14 de maio de 2011

BONITA...FEIA...


Bonita...feia...mais ou menos...não é feia de todo...não é assim tão feia...pena não ser bonita...é simpática, mas não é bonita....até nos esquecemos que é feia...destoou dos irmãos que são tão bonitos...para ser bom, não é preciso ser bonito...feio, é relativo...
Querem mais? Pois desde que me lembro que sou gente, que ouço estas e outras tantas expressões, relativas à minha pessoa. Cresci a ouvir estes comentários, na escola, na igreja, na rua onde morava e eles foram entrando na minha mente de criança e adolescente como verdade. Ficava longas horas em frente ao espelho, imaginando como seria ser bonita. Ouvia as comparações das amigas e dos amigos e lá no fundo, havia um consolo, porque a mãe tinha o cuidado de apontar como eu era bonita. Será que ela não tinha olhos para ver o que os outros viam ou ela via beleza onde não existia?
Já mulher, dei-me conta que a beleza, segundo o povo, é um conceito tão pequeno e tão fácil de comprar. Basta usar isto, cortar aquilo, depilar mais acolá, dar cor no lugar certo e o quadro aparente fica logo diferente... Percebi também que as pessoas que durante a minha juventude se gabavam de ser belas, hoje não passam de sombra e de desgaste.
Mas porque fui tão bombardeada por essa ideia, resolvi ser bonita. Ora essa, hei-de ter o meu momento de glória! Descobri que a paz tira as rugas e alisa a pele, que a alegria faz os olhos mais brilhantes, que a ternura no coração provoca veludo no olhar, que as palavras ditas no momento certo fazem os lábios mais correctos, que olhar para Deus muitas vezes reflecte-se no rosto...fui fazendo a minha plástica, sozinha, sem ajuda de ninguém, porque poucos sabem deste meu “problema” em relação à beleza...
Sabe que hoje olhei para o espelho e fiquei deslumbrada? Não me comparei com ninguém, mas achei que a imagem que o vidro me devolvia era quase bela...

2 comentários:

  1. Quando comecei a ler, nem imaginei que a Sarah estivesse a falar de si própria. Revejo-me em algumas coisas, mais agora do que há uns anos atrás. Eu passo a vida a ouvir coisas do género "como tu eras bonita e magrinha". E curiosamente, sinto-me mais bonita agora do que quando os outros me achavam bonita. Desde que a vi pela primeira vez que a acho bonita. Talvez porque o conceito de beleza seja realmente muito relativo mas sem dúvida alguma porque a «ternura do coração provoca veludo no olhar».
    Um grande beijinho

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  2. Obrigada,Lara,por me entender...sabe que ninguém se lembra como eu era elegante e magrinha???? Será que comigo até a gordura é formosura???

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