sexta-feira, 27 de maio de 2011

MONTES


A pequena freguesia onde vivo é rodeada de montes, colinas, elevações que nos parecem muito grandes, mas que já subimos e galgámos, por isso sabemos que não são assim tão altos... Aqui e acolá ainda se vêm moinhos, a maioria em ruínas, lembrança dos tempos em que os homens moíam o cereal que alimentava o povo. Hoje, o pão é feito de outra forma, as mós deram lugar às máquinas sofisticadas e os pobres moinhos foram caindo aos poucos...
Através da neblina da manhã, olhei para os montes e lá estavam elas, as grandes pás eólicas, movendo-se pela força do vento que noutros tempos movimentava as velas dos moinhos... Os montes, esses, estão na mesma. Fechei os olhos no frescor do dia e ouvi dentro de mim palavras eternas e que, cada vez fazem mais sentido, “levanto os meus olhos para os montes de onde me virá o socorro, o meu socorro vem do Senhor que fez o céu e a terra”. Se acontecesse por aí uma calamidade, um desastre natural como já sucedeu há anos nestas paragens, as pessoas fugiriam para os montes, lugar mais alto, mais seguro. Mas eu já não tenho força para essas corridas e maratonas. Tinha que quedar-me por aqui, viesse o que viesse. Por isso, cada vez é mais óbvio que os montes não me dariam nem abrigo nem segurança. Mas o meu socorro vem do Senhor, Deus dos montes e das planícies. Em qualquer lado, em todas as circunstâncias estou segura. E se, por alguma razão tivesse que correr, Ele assegura-me que “não deixará vacilar o meu pé, não me deixará cair”.
Abri os olhos devagar e fixei as colinas em desafio: “Estou muito mais segura aqui, os meus pés estão mais seguros aqui, Nele, o Senhor que fez o céu e a terra!”

Sem comentários:

Enviar um comentário