quinta-feira, 16 de junho de 2011

CELEBRAÇÃO


Tinha só 19 anos. Tantos sonhos e planos mais ou menos delineados... Estava longe de casa, numa altura em que as “meninas” não saíam para estudar fora. Mas sempre fui um pouco diferente e isso levou-me a viver durante mais de dois anos num país gelado, brumoso, onde o sol era um luxo e os dias mais quentes uma loucura quase nacional!
Para ganhar uns tostões, cuidava de duas crianças, enquanto os pais saíam para o trabalho. Nos tempos livres lia, lia muito e o muito aqui não se refere à quantidade de livros, mas ao tempo que me levava a ler um só, pois eu tinha que aprender inglês rapidamente e esse era o meio mais eficaz, mas mais difícil.
O livro que tinha nas mãos chamava-se IMPACT, escrito por T.L.Osborn. Falava da necessidade de levar o evangelho de Jesus Cristo aos que não O conheciam, da responsabilidade pessoal de cada cristão de fazer conhecida a pessoa maravilhosa do Filho de Deus. Deixei de ler com os olhos e passei a ler com o coração. Cada página era mais forte e esclarecedora que a anterior e cada uma me trazia uma sensação que algo estava a acontecer dentro de mim, que não conseguia por em palavras. Era como se uma luz brilhasse sobre cada palavra e se um foco se acendesse sobre cada frase. Quando terminei a última página e li as últimas palavras, Deus falou comigo. Dizer que ouvi uma voz seria uma falsidade, mas dizer que Ele não falou seria ainda mais perigoso. O que Ele me dizia era como se fosse a continuação das páginas que terminara de ler. Tal e qual como Deus usava aquelas pessoas descritas no livro, Ele dizia-me que eu seria parte desse grupo de gente que levaria o evangelho a “todas as nações”. Durante alguns dias andei inquieta e sem dormir. Numa longa carta contei aos meus pais o que Deus me tinha dito e na sua sabedoria e experiência, encontrei a confirmação que, naquele dia, Deus me tinha separado para um trabalho, uma obra que estava além das minhas capacidades, da minha força e das convenções dos homens – pregar a Palavra de Deus.
Já passaram 50 anos desde esse dia! A vocação, o chamado de Deus, são irrevogáveis. Sem me dar conta, sem fazer qualquer esforço, Ele cumpriu tudo o que tinha no Seu propósito fazer comigo.
Dentro de mim, no segredo do lugar onde ele ainda me fala, quero celebrar esta caminhada. Teve que haver um tempo de espera, até estar pronta para a jornada que Ele tinha em mente, mas hoje, cada vez que estou na frente de uma multidão ou de um pequeno grupo, sei que não tem a ver comigo, mas com Ele, que cumpre os Seus desígnios e propósitos, com a Sua fidelidade, que nunca falha, com o Seu amor, que nunca desiste...

Sem comentários:

Enviar um comentário