sexta-feira, 12 de agosto de 2011

LIXO


Definitivamente, endoidecemos. Sim, porque atirarmo-nos a uma garagem e a uma “adega”, onde ao longo dos anos se têm acumulado coisas, das mais variadas origens e procedências, só estando mesmo com o juízo virado.
Munimo-nos de sacos de plástico, daqueles enormes, pretos. Calçamos luvas de borracha e com panos e detergente, aí vamos nós.
Não, não calculam. Foi tanto lixo deitado fora, que até tínhamos vergonha que alguém visse, por isso guardámos algum para uma escapadela nocturna ao receptáculo do dito.
Como é possível guardar tanta coisa, durante tanto tempo? Objectos dos mais variados feitios e tamanhos, alguns deles (a maioria) escondidos da nossa vista, como se fossem tesouros valiosos? Quando terminámos, uma sensação boa de alívio, limpeza, espaço, claridade, higiene e sei lá quantas coisas mais deste género, invadiram-nos e sossegaram o cansaço que sentíamos...
Depreendo que dentro de mim, há também espaço para uma boa limpeza. Há lembranças, objectos, vozes, sons, conceitos, crenças e outros tantos, que precisam ser jogados fora. Não estão lá a fazer nada. Não me ensinam nada. Não servem para mais nada, não têm mais utilidade. São apenas entulho e tiram o espaço ao novo que preciso ter na minha vida.
“As misericórdias do Senhor são novas, a cada manhã”. Se a Sua misericórdia não pode ser guardada, encaixotada, armazenada, nem colocada em prateleiras empoeiradas, mas é sempre renovada, diariamente, o resto também não.
Neste caso, esta limpeza só pode ser feita por mim. Sozinha. Só eu sei o que está a mais, apenas eu tenho o direito de abrir essas arrecadações e começar a limpeza.
Mãos à obra!

Sem comentários:

Enviar um comentário