quarta-feira, 16 de novembro de 2011

MULHER DE MISERICÓRDIA

(Provérbios 31:20)

“...abre a mão ao aflito e ao necessitado estende as mãos”.

A mulher ideal de Deus não pensa apenas em si, no bem estar da sua família, nos seus vizinhos, nas pessoas que lhe são mais chegadas. Ela estende a sua mão aos necessitados. Quando lemos este capítulo e vemos a intensa actividade desta mulher, não podemos deixar de interrogar-nos como é que ainda tem tempo para pensar nos de fora, nos pobres, nos esquecidos, nos aflitos da vida?

Já reparaste também no pomenor das mãos desta mulher? São mãos decididas (vs.13), mãos de empreendimento (vs.16), mãos de trabalho (vs.19) e agora mãos de misericórdia e bondade (vs.20).

Nota ainda que a frase diz “abre a sua mão”. Na nossa bela língua temos esta expressão tão interessante, “tem umas mãos abertas”, que expressa tão bem o que o hebraico queria dizer-nos. Diz-se das pessoas generosas, que não guardam apenas para si, mas estão prontas a dar aos outros. Lembro-me do meu irmão que já está com o Senhor, dizer-nos que, quando um pobre na rua lhe pedia esmola, ele punha a mão no bolso e trazia de lá tudo o que havia, para dar ao necessitado. Achávamos aquela maneira de dar uma extravagância, já que ele mesmo não tinha assim tanto dinheiro, mas a sua natureza generosa levava-o a abrir a sua mão dentro do bolso (e como eram grandes e belas as suas mãos!) e trazer de lá muito ou pouco, o que houvesse, para suprir a falta dos outros.

Esta mulher de honra abre a sua mão quando alguém precisa de pão; abre a sua mão quando alguém precisa de abrigo. É interessante que a primeira parte da frase fala da mão (abre a mão ao aflito), a segunda parte das mãos (ao necessitado estende as suas mãos). Há gestos de compaixão que podem ser feitos só com uma mão, mas há tarefas de ajuda em que são precisas as duas mãos. Para dar algo a alguém podes fazê-lo só com uma mão, para ajudar fisicamente, precisas das duas. É uma dádiva total. Cuidar de um mãe doente, levantar um filhinho incapacitado, fazer sopa para os sem-abrigo, dar banho a uma mulher prostituída, toxicodependente, apanhada na rua sem nada, a não ser farrapos, mau cheiro e bichos, requer duas mãos. Mas requer mais. Diz o versículo que ela “estende”. Esta palavra denota um coração cheio de compaixão, misericórdia e amor. Quantas vezes olhamos com orgulho, com vaidade, para as nossas mãos arranjadas! Umas mãos que nunca se sujaram com a necessidade e a aflição do próximo, estão longe do propósito para as quais Deus as criou.

Muitas vezes discutimos nos nossos grupos de igreja acerca dos nossos “ministérios”, do que fazemos, queremos ou achamos que temos direito de fazer, como se ministério fosse algo que se pudesse colocar num gráfico, somar ou subtrair conforme os êxitos ou as falhas. Ministério é TUDO o que fazemos com amor para a edificação da Igreja e para a benção das pessoas à nossa volta.

St.Agostinho disse: “O amor tem mãos para ajudar os outros. Tem pés que correm para os pobres e necessitados. Tem olhos para ver a miséria e ouvidos para escutar os suspiros e dores dos homens. É assim o amor”.

Deus está a usar muheres em todo o mundo para edificarem o Seu reino - mulheres que realmente O amam, amando o próximo em maneiras práticas, mulheres que não têm medo de estender as suas mãos aos infectados com o HIV e aos orfãos sem nada, no continente africano. Não importa o custo, estas heroínas não se detêm e fazem diferença para Deus, neste mundo onde a miséria e a pobreza são cada vez mais escandalosas. Talvez nunca saberemos os seus nomes, possivelmente os seus feitos nunca serão “contabilizados”, mas o galardão que as espera por terem alimentado, vestido e abrigado os pobres em nome de Jesus, será grande e eterno.

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