sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

GRANDES MULHERES

Termino o ano com um poema escrito por mais uma grande MULHER: Arlete Castro



Que estranho fenómeno é este

que num momento chegamos ao fim,

para logo a seguir começar outra vez?

Que dias são esses que passam

e correm acelerados,

que levam com eles a vida

arrastam a nossa história

e deixam memórias guardadas

arrumadas,

sem que se possa esquecer?


Que intensidade é esta

que nos faz transbordar de emoção

não pelos grandes eventos

que vem com os dias que correm

mas pelo quotidiano

repleto de risos, comidinhas caseiras

sonhos e muita brincadeira?


Que lágrimas são essas que rolam

enquanto o tempo passa correndo

e nem se quer pára

e repara que ele é preciso,

para apagar a dor

e arrumar lembranças

de gente que se foi,

dos sonhos de criança

e então correr outra vez?


Que sabedoria é esta

que enche a nossa vida de encanto,

acalanto para alma cansada

e que nos faz gerar

e driblar o tempo

e nos perpetuar...?


Que tempo é este

que pensa mandar nos dias,

mas não conhece o Eterno

e nem desconfia

que enquanto passa apressado,

acelerado

não tem autonomia,

segue cansado

de tanta fadiga

e nem vê que na verdade

“tem muito mais olhos

do que o tamanho

da sua barriga...” *


Arlete Castro

30.12.2011

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