quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

O MAR - A PALAVRA


A Palavra de Deus tem um poder único, transformador, revelador, criador. Quando estamos vários dias num lugar onde essa Palavra é declarada, é como se estivéssemos numa estância de descanso, como se o nosso corpo, alma e espírito fossem lavados de poeiras, de poluição e damos por nós a sair de lá com um novo brilho e uma nova luz cá dentro.
Foi o que me aconteceu a semana passada em Barcelona. Ouvi a Palavra, outra vez. Nada que não tivesse já lido e pensado, mas desta vez ela entrou no meu ouvido físico e espiritual e fez o efeito para que foi enviada.
De repente é como se uma nova janela se abrisse e a paisagem à nossa frente tomasse nova cor. Tive essa experiência uma manhã quando abri a janela do quarto e olhei para o mar. O Mediterrâneo estendia-se à frente dos meus olhos, calmo, sereno, espelhado, cheio de luz, tanta que o verde das águas parecia ter sido engolido por ela. Um oceano diferente? Não, o mesmo do dia anterior, o mesmo dos dias seguintes, mas com ondulação e cor diferentes.
É assim a Palavra de Deus. A verdadeira, a que não tem roupagens humanas e filosofias de homens. A que não é usada no púlpito para outra coisa senão para fazer aquilo para que o Espírito de Deus a envia. Que oceano! Que profundidade!
Assomo à janela outra vez antes de vir para casa. Um olhar de despedida a uma paisagem que nos incita a louvar o Criador. Hoje o mar está revolto. As ondas varrem o areal e ao mesmo tempo depositam nele o lixo do oceano. Senhor, varre o meu espírito com a Tua Palavra e traz acima tudo o que não presta: ideias, conceitos, “achismos” (eu acho...), preconceito, falta de propósito, tudo o que impede que Tu governes e reines completamente em minha vida!
O bater das ondas na praia, provoca dor na areia; a Palavra ministrada em poder, autoridade e clareza fazem o mesmo, mas esse é um exercício necessário para que eu diminua e Ele cresça em mim...

sábado, 15 de janeiro de 2011

O ÁLBUM


A amizade é como uma casa onde queremos morar com alguém. Constrói-se com um certo ritmo, escolhendo os materiais adequados para o produto final. Um dia olhamos e a casa está feita, sólida, bonita. Esquecemos até o esforço, as agruras e o preço que custou construi-la. Casas foram feitas para ser habitadas e amadas. Amizade é assim também. Depois de construi-la, entramos lá dentro e passamos a morar, a partilhar e a alindar esse espaço precioso.

Nem sempre é tudo calmo dentro da casa. Há dias em que choramos, outros em que rimos e ainda outros em que o silêncio é necessário. Mas quando um dos elos da amizade parte para outro destino, outra casa, instala-se um vazio, uma dor tão grande...é como se não soubéssemos mais onde sentar, o que comer, como dormir. Depois, um dia, damos por nós a fazer a nossa rotina. Restam-nos as lembranças, os telefonemas e os álbuns das fotografias. E é dentro deles que voltamos a viver momentos, a rir de lembranças e a recordar o que foi dito num certo momento.

Aconteceu-me isto esta semana. A minha casa ficou mais vazia. A minha amiga partiu para o seu novo destino e eu vou ter de habituar-me a viver assim, com as lembranças, os breves instantes de conversa possível e um álbum, onde ela colocou alguns dos momentos da nossa “casa”. Viro as folhas com cuidado e detenho-me a lembrar o que está por detrás de cada foto, como foi vivido cada momento. É fácil, porque ela escreveu o que era importante junto de cada uma delas. E citou um poeta da sua terra: “O correr da vida embrulhou tudo. A vida é assim, esquenta e esfria, aperta e daí afrouxa, sossega e depois desinquieta...O que ela quer da gente é coragem!”

A casa está forte, sólida e à espera. Amizade, uma vez construída fica ali, à espera...

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

PESSOAS

Estou mais uma vez “enfronhada” na vida de Abraão, figura bíblica da fé, da obediência, da atenção pronta à voz de Deus. Todos os episódios da sua vida são fascinantes e cheios de lições. Mas esta semana, fiquei parada diante de umas palavras que lhe foram dirigidas que fazem parte de um conceito que merece urgente reflexão, desafiadoras e cujo valor ignoramos tantas vezes.
A história é que o patriarca foi defender um sobrinho e a sua família que tinham sido feitos reféns numa guerra. Levou consigo 318 dos seus criados e perseguiram o exército que levara o sobrinho, até trazê-lo de volta, os seus bens, as suas mulheres e o povo de Sodoma.
Eis senão quando aparece um dos reis que escapara da matança e faz um pedido estranho a Abrão: “Dá-me as pessoas, os bens ficam para ti”. Segundo as leis da guerra daquele tempo, Abraão tendo vencido o inimigo, tinha todo o direito a ficar com os bens e com as pessoas!
O rei de Sodoma, apesar de ser um pagão e possivelmente um homem sangrento e brutal, tinha em alta conta “as pessoas” que eram seus súbditos, mais do que os bens que incluíam ouro, prata, gado e tudo o que se podia mover.
Como o mundo mudou! Hoje, os governantes, as figuras de autoridade, estão tão preocupadas com o ganho, com os mercados, com estatísticas e listas de prioridades desses ganhos e esqueceram totalmente as pessoas.
O coração do meu Mestre comovia-se quando olhava para as pessoas. Eram pobres, destituídas, roubadas, escravas de uma potência estrangeira e Jesus olhava-os como um rebanho de “ovelhas que não tem pastor”, ninguém que cuide, que guie, que cure as feridas, que os abrigue dos perigos.
Que valor têm as pessoas para mim? É o ganho que posso tirar delas? São os favores ou a “mãozinha” que possam dar-me para alcançar o que ambiciono?
Como olho para as pessoas que enchem o templo da adoração? Como amigos preciosos, gente com necessidades iguais às minhas, pais e mães que lutam por uma vida melhor para os filhos, pessoas que estão numa caminhada espiritual nem sempre fácil, mas que continuam a insistir até chegar mais perto?
O fascinante na vida de Abraão, é que ele abdicou do seu direito de usar as pessoas porque elas pertenciam a Sodoma. Torná-los propriedade sua, era negócio que nem lhe passara pela mente. Mais ainda, todo o ganho que lhe foi oferecido, foi igualmente recusado...
Concluo eu, que quando pessoas auferem de um tal valor no debate, o resto (bens, riquezas), diminui de importância.