quinta-feira, 17 de março de 2011

SOMBRA

“Uma sombra ocupa todo o espaço que está atrás de um objeto com uma fonte de luz na sua frente. A luminosidade presente na sombra apresenta-se proporcional à opacidade do objeto ao qual ela se utiliza para ser projetada: opaco, não permite a passagem de luz; transparente, permite a passagem de luz; translúcido, permite a passagem de luz, mas não permite identificá-la.”
Estava a ler a Bíblia, no livro dos Actos dos apóstolos e algo salta das suas páginas, como se precisasse ser visto naquele dia, já que tenho lido esta passagem tantas vezes...
É o princípio da Igreja de Jesus Cristo, a formação primitiva do Corpo, que seria alargado através dos séculos pelos milhares que crêem na Sua obra vicária e perfeita. Acontecem fenómenos incríveis nesse começo, acções extraordinárias do Espírito Santo, milagres inacreditáveis, sinais que gostaríamos de ver repetidos nestes dias de descrença e mornidão espiritual. Mas o que me fascina no meio de actos divinos tão inesperados operados por homens de fé e compromisso, é a expressão “E a multidão dos que criam no Senhor, tanto homens como mulheres crescia cada vez mais, de sorte que transportavam os enfermos para as ruas e os punham e leitos e em camilhas, para que ao menos a sombra de Pedro, quando este passasse, cobrisse alguns deles” (Actos 5:14,15).
E dei comigo a imaginar Pedro, passando pelas ruas de Jerusalém, a caminho da casa de amigos ou irmãos, fazendo o trajecto necessário para o seu destino. Passa rápido, tem um objectivo em mente, mas aqui e acolá pára, para falar com conhecidos que o interpelam. Nesses momentos fugazes de paragem na sua caminhada, as pessoas saem das casas, trazendo doentes em camas e esteiras, colocando-os numa posição em que a sombra de Pedro os cubra...e estes são curados.
Parece filme de ficção...mas não, é uma realidade diária na vida dos primeiros crentes.
Pedro, uma fonte de luz transparente, que projeta um sombra sobrenatural!
Fico parada e pensativa. Serei uma fonte de luz? Que tipo de sombra projeto na minha caminhada? Se alguém ficar na minha sombra, o que sentirá? Conforto, consolo, resposta, aceitação, alívio, frescura, cura?
Que tipo de sombra projeta a Igreja do século XXI? Haverá nela luz suficiente para a sombra ser de bênção e cura para as multidões? É que naquele tempo, à volta da igreja em formação, havia um reboliço tão grande, um movimento tão rápido, que tudo acontecia como se fosse natural, esperado. E hoje?
O Sol continua a brilhar...onde há luz, tem que haver sombra...será?

segunda-feira, 14 de março de 2011

DÊ MAIS UM PASSO...

"...Uma vida sem fracassos pode ser segura, mas leva ao aborrecimento, à apatia e a uma baixa auto-estima. Já reparou que o diabo nunca lhe recorda aquilo que você aprendeu? Não, ele quer que continue a reviver os detalhes dolorosos. Aprenda a lição, depois esqueça os detalhes! A vitória requer que se construa sobre o que se aprendeu e que se siga em frente. O teólogo Brooke Foss Westcott disse: "As grandes ocasiões não fazem hróis ou covardes, simplesmente desvendam-nos...silenciosamente, enquanto acordamos e adormecemos, fortalecemo-nos ou enfraquecemos e finalmente, alguma crise nos mostra no que nos tornámos".
Este artigo passou no Wall Stree Journal: "Você falhou muitas vezes embora não se lembre. Caiu a primeira vez que tentou caminhar. Quase que se afogou a primeira vez que tentou nadar... R.H.Macey falhou sete vezes antes de estabelecer a sua loja em Nova Iorque. O novelista inglês John Creasy recebeu 753 notas de rejeição antes de publicar 564 livros."
H.Jackson Brown deixa-nos duas regras para vencermos: regra número 1 - dê mais um passo. Regra número dois - quando não conseguir nem dar mais um passo, remeta para a regra númeero um". (PALAVRA PARA HOJE - Devocional)

quarta-feira, 9 de março de 2011

ENCONTROS


Nas minhas andanças por aí, conheço gente muito interessante, encontro outros muito patuscos e descubro ainda uns tantos que já nem me lembrava que existiam...
Não sei qual deles me dá mais prazer.
Os interessantes, é porque são mesmo. Têm sempre algo a ensinar, a partilhar, e parece que entram na nossa vida para acrescentar uma nova luz e um novo sabor. Não importa se são homens ou mulheres, há-os de todos os tamanhos e feitios. O que importa nesses, é mesmo o que acrescentam à minha vida.
Depois, os patuscos, para não chamar-lhes esquisitos, estranhos, são os que se aproximam com alguma intenção, às vezes nem eles sabem qual. A conversa é pouco fluida, os intervalos entre as frases difíceis de ser ultrapassados. Eu sei que eles querem qualquer coisa, mas não tenho o dom da adivinhação e eles não conseguem dizer mais que aquelas conversetas de nada... não tem a ver com gente simples ou com pouca cultura, tem mesmo a ver com pessoas que não trazem consigo o brilho para nos encantar e a palavra para nos fascinar...mas ainda assim, acho-os interessantes...
E há os outros, os tais que estavam esquecidos num canto da minha memória já gasta e que, de repente, vestidos de outras cores e quase sempre com algum peso a mais, saltam para a minha beira e querem retomar uma conversa interrompida por muitos anos de vida, luta, filhos, netos, distancias, guerra e paz. Às vezes trazem muito prazer consigo, outras vezes muitas lembranças que preferia tivessem ficado bem enterradas, algures num vale inexplorado. Falam sempre do passado, do que eram e do que tinham, tanto que, por fim, até fico sem saber onde estão no presente.
Todos eles me enriquecem, todos me ensinam, preciso deles todos. Que seria a vida se vivesse só com amigos do presente, com vizinhos com quem lido diariamente, com gente atilada e perfeita? Uma chatice.
Ainda há uns tantos (e são muitos) com quem nunca troco uma palavra. Mas deduzo também que há momentos em que o silêncio é de ouro. Acho que eles pensam o mesmo.