quinta-feira, 28 de julho de 2011

SEM RITMO


Hoje estou triste. Não sou uma pessoa de gargalhadas sem razão, mas hoje tenho uma tristeza real. É como se alguém tivesse partido e não tivesse tido tempo de despedir-se. Normalmente quando sou “atacada” por este vírus, sei onde encontrar o tratamento, despegar-me do que é supérfluo na tristeza e embrenhar-me no que é verdadeiro na alegria – Deus. Mas hoje é diferente.
Estou em sofrimento por pessoas que sofrem e que não desejam ser ajudadas ou já desistiram da ajuda, por amigos que me mostraram tantas cores na vida e, agora, eles mesmos estão na sombra... Dentro de mim levantam-se questões que pensava há muito estarem resolvidas e arquivadas,lições que imaginava saber de cor, perguntas que voltam outra vez a assombrar-me. Será que se tivesse tentado mais, estado mais presente, orado com mais fervor, comido ou dormido menos, eles teriam sido melhor ajudados?
Assumo também nesta encruzilhada, que a minha fé não tem apenas a ver com a alegria de seguir Cristo, mas em conhecer o coração de Deus, aquilo que Lhe traz alegria. Trazer alegria ao coração de Deus é obedecer sem questionamento, confiar sem rede de protecção, avançar sem conhecer o que nos espera. Quero levar outros a dançar neste ritmo, mas e se eles negam acertar o passo, em fazer concessões, em transpirar para que o ritmo fique perfeito?. Os meus amigos desistiram de tudo isto. Resta-me o quê? O que é que eu ainda não consigo entender da alma humana? Como explicar de maneira mais clara que o caminho é simples e sem perigo?
As minhas mãos descaem ao longo do meu corpo cansado e da minha alma confusa. A minha própria dança parou.

domingo, 17 de julho de 2011

PERFUME


Estava a ler a passagem bíblica da mulher que derramou o perfume de nardo sobre a cabeça de Jesus e pela primeira vez entendi o espanto das pessoas à volta. Aquilo era um perfume MUITO caro! O nardo foi um dos primeiros materiais aromáticos a ser usado pelos antigos egípcios na sua perfumaria. Mais tarde foi usado pelos unguentarii (perfumistas da antiga Roma) para preparar um dos mais célebres perfumes da antiguidade. Não tenho ideia do tamanho do vaso que continha a tal essência perfumada da história bíblica. Mas segundo o relato, era coisa para custar o salário de um ano de uma pessoa...
Como é que esta mulher possuía tal preciosidade, só pode ser imaginado. Seria pessoa de grandes posses ou aquele perfume estaria guardado para um momento muito especial na sua vida, não sei. Ela entrou de mansinho na sala do banquete e num gesto rápido, imprevisível, abriu ou partiu a tampa do vaso e derramou o perfume sobre o Messias. Jesus ficou ensopado do líquido, afastou os cabelos molhados dos olhos e contemplou a mulher aos seus pés. Na sala o espanto era tão grande quanto o perfume que se espalhava.
E é aqui que começam as observações dos presentes. Depois de uns minutos curtos de estupefacção, não foram capazes de guardar aquele momento sublime e profético no profundo do seu espírito. Começaram a fazer contas, a criticar a mulher, a dar opiniões, a sugerir outros meios de adoração ao Filho de Deus...
É sempre assim. Cada vez que fazemos algo extravagante para Ele, há uma multidão de críticos, de observadores de bancada, de gente que não faz nada a não ser ver “a banda passar”, mas que se acham no direito de criticar, de opinar e até de ofender. Por isso os gestos únicos, as palavras simples e inspiradas, as expressões de alma próprias de cada homem, tornaram-se uma marca politicamente incorrecta. Por isso, os gestos de adoração têm que ser sempre ensaiados, medidos, iluminados, encenados, adereçados, ditos no momento próprio e na hora certa. Por isso também, as salas onde nos reunimos para banquetear-nos com o Filho de Deus, não cheiram mais a nardo...por isso não ouvimos no final de cada performance a Sua voz doce e perfumada dizer: “Esta fez o que podia...”

quinta-feira, 7 de julho de 2011

OBEDIÊNCIA


Deus continua a ser inatingível, no sentido em que não abarco os Seus pensamentos e não conheço os Seus caminhos. Na Sua infinita sabedoria, no Seu imenso poder, na sua extrema soberania...é difícil entendê-lO.
Aqui estou eu ocupada a fazer a mala para uma viagem parecida com aquela de Abraão: "para uma terra que te hei-de mostrar"!!! É verdade! Nunca lá fui, nem sei no mapa onde fica Vosu, num dos países do Báltico. Só conheço uma pessoa, a lingua é diferente e incompreensível e...não sei o que me espera.
Para Paulo, o apóstolo, as viagens eram mais previsíveis: ele sabia que em cada cidade esperava-o uma prisão e sabia também que a mensagem que levava era única, adequada e transformadora. Não sei se a mensagem que levo tem todos estes atributos, mas como ele, sei que não está baseada em eloquência de palavras, e desejo que seja dada em demonstração de poder.
O que faz Deus mover uma mulher de um extremo para o outro da Europa, para proclamar a Sua vontade e o Seu coração, quando há gente mais perto que talvez poderia fazer um trabalho melhor, faz parte do mistério da Sua pessoa. Mas vou. Em obediência. O resultado não tem a viver comigo, já sei. A aventura é colocar a minha confiança num Deus que não falha nos Seus planos misteriosos. O final é saber que obdeci, mesmo sem entender tudo.