domingo, 23 de outubro de 2011

ÁGUIAS


Há uma lenda no meio do povo judeu que, cada dez anos a águia sobe bem alto, muito alto no firmamento e aproxima-se do sol. Ao fazê-lo, por causa da veemência do calor, o seu corpo não aguenta os raios solares e em queda livre, cai no mar. Ali, as suas penas caem e o corpo da águia renova-se outra vez, as penas tornam a crescer e volta ao tempo da sua mocidade. Cada dez anos, até chegar aos cem e quando atinge esse limite, segundo o seu costume, a águia sobe até ao sol, mas ao cair no mar, pela centésima vez, morre.
Lenda interessante, mas contrária ao que a Bíblia diz. Esta não fala quantas vezes sou renovada, nem de que maneira a minha força, mocidade, vigor e esperança são substituídos por algo novo. Diz apenas que tenho que ESPERAR no Senhor. Esta palavra no hebraico, significa “aguardar em grande expectativa”. É o momento em que a mulher está em trabalho de parto, sabe que o filho vai nascer, mas não sabe quantas horas tem pela frente até ao evento mais belo da sua vida. Nessa espera, reúne as forças que lhe vão faltando para o momento supremo do nascimento.
Esta espera nem sempre é fácil, mas se olhar para a promessa que ela contém, de força, de vigor, de corrida, de voo alto e libertador, vale a pena.
Estou em modo de espera.

quinta-feira, 13 de outubro de 2011

INIMIGOS OCULTOS

(Não conheço o autor, mas achei bom para publicar)

Sofre de reumatismo…

Quem percorre os caminhos tortuosos;
Quem se destina aos escombros da tristeza;
Quem vive tropeçando no egoísmo.

Sofre de artrite…
Quem jamais abre mão;
Quem aponta sempre os defeitos dos outros;
Quem nunca oferece uma rosa.

Sofre de bursite…
Quem não oferta seu ombro amigo;
Quem retesa, permanentemente, os músculos.
Quem cuida, excessivamente, das questões alheias.

Sofre da coluna…
Quem nunca se curva diante da vida;
Quem carrega o mundo nas costas;
Quem não anda com rectidão.

Sofre dos rins…
Quem tem medo de enfrentar problemas;
Quem não filtra seus ideais;
Quem não separa o joio do trigo.

Sofre de gastrite…
Quem vive de paixões avassaladoras;
Quem costuma agir na emoção;
Quem reage somente com impulsos;
Quem sempre chora o leite derramado.

Sofre de prisão de ventre…
Quem aprisiona seus sentidos;
Quem detém suas mágoas;
Quem é duro em demasia.

Sofre dos pulmões…
Quem se intoxica de raiva e de ódio;
Quem sufoca, permanentemente, os outros;
Quem não respira aliviado pelo dever cumprido;
Quem não muda de ares.

Sofre do coração…
Quem guarda ressentimentos;
Quem vive do passado;
Quem não segue as batidas do tempo;
Quem não se ama e, portanto, não tem coração para amar alguém.

Sofre da garganta…
Quem fala mal dos outros;
Quem vocifera;
Quem não solta o verbo;
Quem repudia;
Quem omite;
Quem usa a sua espada afiada para ferir outrem;
Quem subjuga;
Quem reclama o tempo todo;
Quem não fala com Deus.

Sofre dos ouvidos…
Quem julga os actos dos outros;
Quem não se escuta;
Quem costuma escutar a conversa dos outros;
Quem ensurdece ao chamado divino.

Sofre dos olhos…
Quem não se enxerga;
Quem distorce os factos;
Quem não amplia asua visão;
Quem vê tudo com duplo sentido;
Quem não quer ver.

Sofre de distúrbios da mente…
Quem mente para si mesmo;
Quem não tem o mínimo de lucidez;
Quem preza a inconsciência;
Quem menospreza a intuição;
Quem não vigia seus pensamentos;
Quem não se volta para o Universo;
Quem vive no mundo da lua;
Quem não pensa na vida;
Quem vive sonhando;
Quem se ilude;
Quem alimenta a ilusão dos outros;
Quem mascara a realidade;
Quem não areja a cabeça;
Quem tem cabeça de vento.

Somos, certamente, o maior amor das nossas vidas! Assim como o nosso maior inimigo é aquele que está oculto e que habita, inexoravelmente, no interior de nós mesmos.