segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

NO VALE DA SOMBRA


Quando David pegou na harpa e dedilhou os primeiros sons do salmo, não se apercebeu que o Espírito do Senhor transformava a sua experiência de pastor num hino profético do cuidado de Deus pelo Seu povo.
Cada frase do cântico de David, está embrulhada em segurança: quando as ovelhas comem e bebem tranquilamente, quando enveredam por trilhos certos, ao terem um repasto especial na presença dos predadores e répteis perigosos, no momento em que o óleo lhes escorre pelo pela cabeça protegendo-as de doenças e insectos e ao ser-lhes assegurado que o pastor nunca as abandonará, em momento algum.
Não, não esqueci o vale da sombra da morte. Deixei-o para o fim. Intencionalmente. Esse é o momento mais duro para o rebanho. De maneira a poder usufruir do melhor alimento no alto da montanha, tem que passar pelos vales escuros e trilhos quase inacessíveis. Os raios de sol não penetram nesses vales, a neblina esconde os precipícios, e o pastor vai à frente. Chega a um ponto em que as ovelhas quase não o enxergam, mas ouvem a sua voz...
Sombras que podem ser morte. Se não ouvirem a voz do Pastor, podem cair num buraco escuro da vereda.
Sombras que podem ser dúvidas. Será que o Pastor sabe o que está a fazer?
Sombras que são desconfortáveis. Não seria melhor ficar lá em baixo, junto das águas tranquilas?
Sombras que são fraqueza e fragilidade. Terei força para chegar ao fim desta jornada?
As sombras do vale envolvem-me. Tal e qual como envolviam as ovelhas de David. Mas da mesma maneira eu ouço a voz do Pastor. Não tenho que ter medo. Ele está comigo. Ouço a Sua voz a dizer-mo...mesmo no frio e no meio do escuro das sombras...

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