terça-feira, 6 de março de 2012

O MEU AMADO


Estava na presença de Deus, e o Senhor levou-me a ler uma passagem que acho linda, terna, apaixonada e ao mesmo tempo sóbria e de aviso:

Cantares de Salomão 5:1-9;16b

Não é minha intenção fazer uma exegese deste texto inserido no sagrado do livro de Deus. Apenas dizer algo do que Deus falou comigo. Os primeiros versos mostram um banquete, onde o noivo e a noiva comem e bebem do melhor, junto com os seus amigos. Parece que a seguir ao banquete a noiva se retira e recosta para descansar. Adormece, não um sono profundo, mas um dormitar que dá para estar consciente do que se passa à sua volta. O seu coração continua ligado ao do noivo, e ouve-o bater à porta, escuta as suas palavras de ternura, as suas expressões de profundo amor.
O noivo deseja entrar. Bate, chama, mas ela tem uma resposta bem estranha:
Já despi a minha túnica, já lavei os meus pés...
Uma desculpa tão irracional. Podia ter-se levantado e colocado qualquer coisa sobre os ombros, podia ter saltado da cama sem pensar nos pés...

Eu sabia que isto não era apenas uma leitura devocional. Era muito mais. E dei comigo a pensar que, tantas vezes o meu Senhor bate à porta da minha vida, quer entrar, cear, ter uma festa comigo e faço exactamente o mesmo: Senhor, já fiz tudo o que devia, já estou separada, santificada, lavada, o que queres mais de mim?
Parece até que estou a colocar a culpa da situação sobre Aquele que bate à porta do meu coração, porque simplesmente me ama e quer ter comunhão comigo. Ele não quer entrar para verificar se tenho os pés lavados ou a túnica pronta para o outro dia, Ele quer entrar por absoluto amor e desejo de comunhão.
O verso 4 é muito importante: Afinal a porta não está completamente fechada, há uma fresta e aí ele mete a mão, para tentar abrir a porta.
Não sei da vossa experiência, mas eu nunca tenho a porta completamente fechada para Ele. Nos meus dias de teimosia, de orgulho, de rebelião espiritual, ainda deixo uma fresta. Afinal Jesus é o meu Amado e não O quero desapontar completamente. Por essa fresta entra o perfume da Sua presença, mas estou confortável demais para abrir o trinco da porta.

O cheiro da mirra e das flores na maçaneta da porta é tão forte que a noiva levanta-se de repente e as suas mãos tocam o ponto onde ele tentou forçar a entrada. E aí acontece algo misterioso, agora são as mãos dela que ficam a cheirar a algo precioso e raro.
Mas aguarda-a uma surpresa – Ele já se foi, não está lá! E agora diante do vazio da sua presença, olhando para a ingratidão do seu coração e o pecado de não ter prestado atenção à Sua voz, ela sente a paixão reacender.

Terei que fazer-vos uma comparação entre aquela noiva e a minha vida?
Quantas vezes O busco e parece que se foi...procuro respostas e ouço silêncio, preciso de consolo e há só vazio...
Mas é aí que o meu coração se acende de amor outra vez e busco-O, procuro a Sua presença, quero-O mais do que tudo o resto.
E de repente o Espírito de Deus leva-me ao ponto onde tenho que responder à pergunta mais importante. Foi feita à noiva naquela madrugada é a mesma que o Espírito Santo quer fazer-me hoje: Que é o teu amado, mais que outro amado?
Esta é a grande questão para ti e para mim. O que é Ele para nós? Qual a dimensão do nosso amor por Ele ao ponto de corrermos atrás da Sua presença?

Prostrada na presença de Deus só consegui usar as palavras da sulamita: Tu és totalmente desejável!
• Na Sua pessoa
• No Seu trabalho
• Na Sua Palavra
• Nos Seus mandamentos
• Na Sua perfeição
• No Seu amor.

Ele é assim para o Pai, para os anjos e para os santos. Nele há toda a excelência e toda a perfeição.

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