quinta-feira, 8 de março de 2012

UMA MULHER EM SAMARIA


Baseado em João capítulo 4

A mulher estava sedenta.
Em suas mãos um balde vazio,
No peito a ausência de algo,
Na alma uma dor sem porquê.

As ruas estavam desertas
E o sol que se erguia escaldante,
Brilhante...
lhe dizia não vá!

Mas a sede secava-lhe os lábios
A pele, os sonhos, o jeito...
E andando nas ruas desertas,
Seguia com seu balde vazio,
Rosto cansado, coração roto,
Pés no chão...

E no poço de muitas histórias
Entre gotas do líquido precioso,
Tentava inundar o seu corpo,
Sua história, memória...
Completa frustração...

Até que o coração solitário
Ergueu-se de repente para ver,
Uma fonte de água cristalina
E que lhe chamava a beber...

A Fonte olhou-lhe nos olhos
E o reflexo da sua alma carente,
Do seu desejo premente,
Pode naqueles olhos rever

E Ele prometeu-lhe um Rio
De àguas que nunca se cansam.
Jorram renovando raízes,
Pensando feridas latentes,
Enchendo a vida de novo,
Despertando na mulher solitária,
Um desejo de prevalecer.

E entre palavras e gestos
A Fonte de todas as águas
Tocou, amou, compreendeu...
E trocou com a Samaritana,
O balde para sempre vazio
Pela abundância do Rio.
Que desce do trono de Deus.

Arlete Castro
Portugal

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