quinta-feira, 19 de abril de 2012

DOR...DORES...

A dor é algo com que o homem se depara nas várias etapas da sua vida e aparece nos mais inesperados momentos da sua existência. Diante da surpresa da dor, todos fazem a mesma pergunta: porquê?
Aqueles que já passaram por dores profundas sabem que, no final dessa caminhada, há um peso de experiência, de conhecimento e de desenvolvimento de carácter, que não teria acontecido de outro modo. Mas no meio da dor, no auge do sofrimento, quase todos se recusam a aceitá-lo, como se a vida tivesse que obrigatoriamente ser uma linha recta, sem desvios, sem travessias, sem montanhas ou vales. Na realidade, aquilo a que chamamos felicidade, só pode ser conseguido quando aceitarmos a dor como forma inevitável de se chegar mais longe, de nos desenvolvermos como pessoas de equilíbrio, neste contexto intrincado que é a vida.
Alguém disse que a única dor suportável é a dor dos outros.
Por mais chegados que sejamos a alguém, por mais amor que tenhamos por outrem, a sua dor nunca pode ser sentida por nós na sua violência devastadora. Como suportar a dor da separação, da rejeição, da perda, da falência da saúde, da solidão? Muita gente se tem debruçado sobre este problema e muitos têm tentado várias metodologias para minorar a dor do ser humano, mas se quisermos ser verdadeiros, ela não pode ser aliviada facilmente. Na perda, tem que haver tempo para luto e lágrimas, na rejeição tem que haver momentos para dúvidas, desespero e confusão interior, na separação tem que haver espaço para habituação...
Estava a pensar em Maria, mãe de Jesus, bem-aventurada entre as mulheres, por causa da graça de ter trazido ao mundo o Salvador. A maternidade foi uma experiência bem dolorosa para esta mulher. Dá à luz o seu filho longe de casa, sem os confortos que já preparara para a chegada do menino. Passado pouco tempo, tem que fugir com José, seu esposo, para uma terra distante, o Egipto, pois o governador da Judeia decidira matar todos os meninos, para atingir Jesus.
Diz a Bíblia que Maria tinha uma maneira muito particular de entender o que se passava à sua volta, de se fortalecer interiormente “ela guardava todas as coisas que lhe aconteciam, conferindo-as em seu coração”. Mas um dia ela levou o menino Jesus ao templo para cumprir o ritual religioso do seu povo e quando chegou, um homem desconhecido, pegou no menino e disse palavras que aos ouvidos de Maria eram um pressentimento de algo terrível:“E uma espada trespassará a tua alma”. Maria não compreendeu muito bem o aviso, mas como sempre guardou no seu coração. Acredito que à medida que Jesus crescia, muitos foram os sustos, as preocupações do seu coração de mãe.
Mas quando o seu filho tinha 33 anos de idade, na força da sua juventude, ela ficou de pé, na colina do Calvário, pasmada, trespassada por uma dor tão forte como uma grande espada furando o seu coração de mãe, ao ver o seu amado filho pendurado numa cruz de tortura, sendo vaiado pelos soldados romanos, sofrendo os horrores de uma morte destinada ao maior dos criminosos e aí, ela deve ter lembrado da espada de que o profeta falara. Não há qualquer registo de alguma palavra que ela tenha proferido junto à cruz. Maria era uma mulher de poucas palavras e naquele momento, que poderia ela dizer?
O que me atrai na história desta mulher tão dilacerada pela dor, é que ela não ficou agarrada ao seu sofrimento. Pouco tempo depois encontramo-la numa sala, junto com os outros discípulos de Jesus, em oração, em espera. Ela sabia que aquele filho lhe tinha sido “emprestado” por um tempo. E agora, estava pronta para recomeçar.
Se está a passar por um desses momentos de dor dilacerante, de sofrimento, de perda, de separação, tome o exemplo desta mulher, a mais abençoada de todas as mulheres e ao mesmo tempo tão sofrida, que por sua humildade e pela sua presença junto à cruz, venceu a maior de todas as dores.
Creio firmemente que o seu consolo veio do facto de saber que Jesus, o seu filho, tinha todo o poder para entrar na vida de uma pessoa e consolar, mudar e fazer de novo.
Mas dor aior, dores atrozes, foram as que Ele suportou, pendurado, rasgado, esfacelado pelos nossos ppecados. Mas paz maior no meio da dor não pode existir, se ouvimos as Suas últimas palavras que nos dizem: Já fiz Tudo!
Saiba que há um consolo superior a tudo o que humanamente já nos pode ter sido indicado. Temos a possibilidade de encontrar o alívio não numa fórmula ou num remédio, mas numa pessoa, a pessoa de Jesus, que sofreu a maior de todas as dores, para que tivéssemos o poder de vencer as nossas.

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