quarta-feira, 4 de julho de 2012

A SEARA

Ontem, enquanto o carro rolava pela estrada alentejana, era impossível não ficar em silêncio deslumbrado diante da imensidão dos campos loiros, acabados de ceifar. A paisagem alentejana tem este fascínio. Extensões de campos de cereal e a seguir e a perder de vista, os olivais e as vinhas, que parecem alinhados para um futuro sem preocupação…



Ao encher os olhos do dourado do campo, tinha que por força lembrar a parábola do semeador e constatar mais uma vez, como deveríamos lê-la mais vezes, até entender exactamente o que o Cristo tinha em mente ao contá-la. Na nossa vida como “semeadores”, há um pormenor que esquecemos com muita facilidade, apesar de a natureza no-lo ensinar de modo tão claro: semeador, semeia. Em alguns casos pode até regar e no final ser ceifeiro, mas não tem o poder de fazer crescer! O pior é que quando “semeamos”, nós e os outros que nos observam, esperamos já a ceifa, o resultado, achamos que temos a capacidade de fazer crescer e até de escolher o resultado desse crescimento, esquecendo o tal pormenor que está fora do nosso controlo: é Deus que o produz.

Aliás, falando em pormenores, quando Jesus manda que “oremos ao SENHOR da seara para que envie ceifeiros para a SUA seara”, só isto, nos deveria dar o tal puxão de orelhas, para percebermos de uma vez por todas, que estamos engajados num processo que está absolutamente muito além do nosso alcance e até compreensão: a seara não é nossa, semeamos uma semente que nos foi entregue, credível, perfeita, mas não temos o poder de fazê-la crescer, nem de saber exactamente o tipo de terreno onde caiu, por muito que o estudemos e nos esforcemos.

Outro pormenor: já que somos semeadores, inquiramos se nós mesmos estamos em bom estado para uma tarefa tão exigente. Olhemos para dentro de nós e verifiquemos se as nossas sacas de semente estão cheias. Há por aí muita gente que semeia vento em vez de semente…


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