quarta-feira, 7 de novembro de 2012

VINDIMAS

Passar pelos enormes vinhais ao longo das estradas portuguesas, pode ser um exercício para os olhos e para a mente. Se fizermos esse percurso em várias estações do ano, aí é que o pensamento se completa. Numa época, as videiras parecem apenas troncos torcidos, na outra estão cheias de folhas verdes e dentro de pouco tempo carregadas de cachos maduros. Um dia, as vindimas arrancam do tronco, sem piedade, os frutos doces e suculentos e a videira fica nua outra vez. Mas antes de hibernar, faz uma festa. As folhas solitárias e que parecem não ter mais préstimo, vestem-se de cores douradas, tons quentes e profundos como se quisessem dizer que também elas têm o direito a ser vistas, já que estiveram lá o tempo todo para proteger o fruto. Quando a festa  termina, lentamente vão caindo e num adeus silencioso, misturam-se na terra e morrem... 
 
 
O fruto, esse vive durante muito tempo, para alegrar o homem e trazer brilho aos seus olhos... Quem vai lembrar-se da folha, quando o vinho é feito do fruto? Mas ela esteve lá, cumprindo a sua missão...
Há pessoas que são apenas as folhas de suporte de um fruto que todos vão comer.Mas estão lá com um propósito. O problema na grande vinha da vida, é que nem todos entendemos o que somos e para que servimos e muito menos nos alegramos, quando a nossa  missão foi cumprida. Quando  chegar ao fim do meu propósito, vou vestir-me de dourado, de cores quentes e profundas e fazer uma  grande festa. Depois, posso adormecer...lentamente.

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