sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

SOS


Penso que todos nós temos uma ideia sobre o que esta sigla representa. Mas será interessante pensar na razão porque foi feita e para que serve.
Ao ver as notícias sobre o naufrágio do Costa Concordia, notícias cada vez mais estranhas e diversas, penso no que terão sentido aqueles passageiros durante o tempo que esperaram para ser evacuados do navio. O comandante ou a tripulação terão pedido ajuda logo que se aperceberam do que estava a passar-se? Parece que cada vês mais deparamos com erros graves neste episódio, fatal para algumas pessoas.
Durante muitas décadas, usando o telégrafo, no momento em que havia uma necessidade de ajuda e socorro, eram enviados pelo sistema Morse mensagens que, decifradas no receptor, levavam esse socorro onde era necessário. Havia vários sinais diferentes de pedido de socorro, mas em 1906 foi determinado que seria mais fácil haver um sinal oficial que facilitasse essa transmissão de aflição. A partir de 1908 foi então estabelecido o sinal ...---...
Os três pontos significam S, os três traços O e os outros três pontos outro S. Era mais fácil ser enviado, era mais fácil ser pensado, num momento de aflição.
Mais tarde, começaram a atribuir a estas três letras algumas palavras. Não era a intenção original, mas o homem é imaginativo... Assim, pensou-se que SOS poderia ser Save Our Souls, Save Our Ship, Save Our Sailors, Survivors On Ship e outras mais.
Mas na realidade, as letras são apenas a tradução dos sinais telegráficos.
Passados 100 anos desta invenção, hoje os pedidos de ajuda por mar ou ar, são transmitidos por rádio telefone, via satélite e o sinal é MAY DAY que é uma derivação do termo francês “m’aider” (ajude-me). Houve no passado pelo menos dois grandes navios que enviaram estes sinais num momento de absoluta aflição: o Britania e o Titanic . Infelizmente quando o socorro chegou, foi já tarde para estes gigantes do mar.
A minha ideia não é ensinar os sinais Morse, nem como usar o rádio telefone, mas falar de algo que é comum a todos os humanos: momentos de dor, de aflição, de extrema fragilidade, de doença, de perda, em que precisamos isto mesmo: SOCORRO! AJUDA!
Podemos encontrar esta ajuda na família, se ela for um bom suporte, nos amigos, nos profissionais de saúde física e mental.
Mas creio que todas nós já tivemos momentos em nossas vidas em que nenhum destes recursos foi suficiente. Para quem nos virar então? A quem podemos enviar o nosso sinal de socorro e aflição? Quem vai salvar-nos?
Estava a ler no Novo Testamento a história de uma mulher que tinha uma filha num estado lastimoso de doença mental e espiritual. A mulher já tinha recorrido a tudo, para que a filha tivesse algum alívio. Por fim, ela ouviu que Jesus ia passar por aquela região e resolveu aproximar-se do Senhor e diz a Bíblia que na sua aflição, ela usou estas palavras: “Senhor, socorre-me!”
Claro que ela encontrou a ajuda que procurava e a filha foi imediatamente curada pelo Senhor.
Pedido de ajuda – socorro imediato.
Estou a dizer-vos isto porque ainda hoje, nos momentos de grande aflição e desespero ainda podemos ir a Jesus com o nosso SOS e eu, ousei colocar outras palavras nestas letras: S Senhor, O Ouve e S Socorre.
Todos nós, em momentos de grande aperto, já corremos para amigos, familiares, conselheiros, homens e mulheres de fé. Mas no final, o nosso grito tem que ir para Aquele “de onde nos vem o socorro”. Já vivi situações extremas em que tive que clamar, “Senhor socorre-me!”
No mar desta vida onde somos bombardeados, onde encontramos icebergs escondidos e bancos de areia inesperados ainda temos um sinal que nunca falha: SENHOR, OUVE, SOCORRE.
No caso de Deus, o socorro nunca chega atrasado. Se tu podes crer, tudo é possível ao que crê!

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

NO VALE DA SOMBRA


Quando David pegou na harpa e dedilhou os primeiros sons do salmo, não se apercebeu que o Espírito do Senhor transformava a sua experiência de pastor num hino profético do cuidado de Deus pelo Seu povo.
Cada frase do cântico de David, está embrulhada em segurança: quando as ovelhas comem e bebem tranquilamente, quando enveredam por trilhos certos, ao terem um repasto especial na presença dos predadores e répteis perigosos, no momento em que o óleo lhes escorre pelo pela cabeça protegendo-as de doenças e insectos e ao ser-lhes assegurado que o pastor nunca as abandonará, em momento algum.
Não, não esqueci o vale da sombra da morte. Deixei-o para o fim. Intencionalmente. Esse é o momento mais duro para o rebanho. De maneira a poder usufruir do melhor alimento no alto da montanha, tem que passar pelos vales escuros e trilhos quase inacessíveis. Os raios de sol não penetram nesses vales, a neblina esconde os precipícios, e o pastor vai à frente. Chega a um ponto em que as ovelhas quase não o enxergam, mas ouvem a sua voz...
Sombras que podem ser morte. Se não ouvirem a voz do Pastor, podem cair num buraco escuro da vereda.
Sombras que podem ser dúvidas. Será que o Pastor sabe o que está a fazer?
Sombras que são desconfortáveis. Não seria melhor ficar lá em baixo, junto das águas tranquilas?
Sombras que são fraqueza e fragilidade. Terei força para chegar ao fim desta jornada?
As sombras do vale envolvem-me. Tal e qual como envolviam as ovelhas de David. Mas da mesma maneira eu ouço a voz do Pastor. Não tenho que ter medo. Ele está comigo. Ouço a Sua voz a dizer-mo...mesmo no frio e no meio do escuro das sombras...

sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

VAI BEM...


A fé, é um debate sem fim. Se for a perguntar à primeira pessoa na rua se tem fé, ela dirá que sim, que não é religiosa mas acredita em qualquer coisa ou que é religiosa mas não praticante, mas que tem fé etc.
A Bíblia fala muito de fé. Define o que ela é, diz para que serve, dá-nos parâmetros para usá-la, ensina-nos a adquiri-la e por aí fora.
Além disso a Bíblia tem muitos exemplos de fé, de pessoas que viveram pela fé e foram testados e provados nessa fé.
Uma destas pessoas foi uma senhora muito rica, que vivia com o seu marido numa cidade de Israel chamada Sunem. De vez em quando o profeta de Deus passava pela cidade e pernoitava na casa deste casal. Um dia esta mulher falou com o seu marido e resolveram fazer umas obras de adaptação na casa, acrescentando umas águas-furtadas, onde foi construído e mobilado um quarto para o profeta, dando assim ao homem de Deus mais privacidade e conforto. Numa dessas visitas, o profeta disse à senhora que gostaria de retribuir a amabilidade de que tinha sido alvo e perguntou-lhe se haveria alguma coisa que precisasse, que ele estaria disposto a ajudá-la. Esta mulher, sendo rica e com um certo estatuto social, não precisava de nada, mas o criado do profeta viu que o seu marido era bem mais velho que ela e que naquela casa não havia crianças. Então o homem de Deus declarou-lhe que dali a um ano ela teria nos seus braços uma criança para amar e dar alegria à sua vida. Aconteceu exactamente assim. Imaginem a alegria daquela casa. Eliseu o profeta, nas suas visitas a Sunem, deliciava-se vendo o menino crescer, fazer-se um rapazinho. Um dia, o menino foi com o pai para a ceifa e durante a manhã começou a ficar doente, com febre. Trouxeram-no para casa, mas foi piorando, piorando, até que morreu nos braços da mãe.
Imagine o quadro e sinta a dor desta mulher. Já me coloquei várias vezes no lugar dela e tudo o que me ocorre é que gritaria, choraria, desesperada pela perda do meu filho...nada disto, esta mulher não fez nada disto.
Colocou o menino lá em cima, na cama do profeta, chamou o marido para ter um animal de transporte e foi a caminho do lugar onde estava o profeta Eliseu. Ao aproximar-se do local, o criado do profeta viu-a de longe, correu ao seu encontro e perguntou-lhe: Vai bem contigo? Vai bem com o teu marido? Vai bem com o teu filho? Ao que ela respondeu, “vai bem”.
Como é que uma mãe que perde um filho, querido e único filho, pode aguentar a dor durante tantas horas e dizer, vai bem?
Vou dizer-lhe porquê: Esta mulher acreditava que o mesmo Deus que lhe tinha dado um filho por milagre, tinha o poder de devolve-lo aos seus braços de amor e cuidado.
Eu sei que nesta altura há curiosidade para saber como a história termina: o profeta voltou com ela, subiu ao quarto onde repousava o menino já cadáver e orando a Deus, trouxe-o de novo à vida, devolvendo-o à sua mãe.

Contei esta história para que veja até onde a fé nos pode levar, até alcançar aquilo que não é possível, aquilo que já está morto, O que parece não ter retorno.
A Bíblia diz que a fé é a firme certeza das coisas que se esperam e é a evidência daquilo que ainda não vemos.
Parece complicado mas não é. Na sua vida, haverá coisas que ainda não vê, que ainda espera e se a sua fé estiver colocada em Deus, essa coisa que espera transforma-se em firme certeza e aquilo que não consegue ver transforma-se em evidência.
A mulher de Sunem é um exemplo. A sua fé em Deus e no Seu poder, levou-a a ter o seu filho e a recebe-lo vivo nos seus braços.
Agora mesmo, eleve a Deus o seu pensamento e nele coloque a pessoa, a circunstância, a necessidade que precisa ver transformada. Creia no poder de Deus e na Sua vontade em abençoar e proteger e diga como a mulher sunamita, mas diga em fé: Vai bem, vai tudo bem!

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

ESPERANÇA


“Ter esperança é muito mais que escusar-se a fazer leituras sérias da realidade e das tendências que se desenham. Tão pouco é fazer de conta ou ficar simplesmente por afirmações positivas. Ter esperança é escolher acreditar que haverá um futuro, um amanhã, não porque isso torne as coisas mais fáceis, mas simplesmente porque existe um Deus que está comprometido em fazer-nos chegar ao nosso destino, assim o queiramos.” (João Saramago-Porto)

Qual é a característica da esperança bíblica?
Não tem nada a ver com fazer figas para que algo venha a acontecer, mas "é a expectativa confiante de coisas boas".
“Completa certeza da esperança” (Heb 6:11)
Toda a Palavra de Deus é uma carta de esperança!
Pensei em trazer-vos uma série de promessas de Deus, sobre as quais podemos fundamentar a nossa esperança. Entre elas no entanto, ressalta uma escrita no livro do profeta Jeremias 29. Este, é considerado o capítulo da esperança. O versículo 11 diz o seguinte:” Pois eu sei os planos que tenho para vós, diz o Senhor, planos de paz e não de mal, para vos dar uma esperança e um futuro”.
Mas será interessante ver o contexto em que foi escrita.
O profeta Jeremias, está a escrever esta carta em Jerusalém aos sacerdotes, profetas e a todo o povo que Nabucodonosor tinha levado cativo para a Babilónia. Gente que estava no exílio. Gente que possivelmente perdera a esperança. As suas casas, propriedades, cidades e aldeias tinham sido destruídas. O templo fora destruído também.
Mas a carta dizia: “Edificai casas e habitai nelas; plantai pomares e comei o seu furto; tomai mulheres e gerai filhos e filhas; tomai mulheres para os vossos filhos e dai as vossas filhas a maridos para que tenham filhos e filhas. Multiplicai-vos ali e não diminuais...”
Deus está a dizer-lhes que apesar da sua iniquidade, do seu castigo, da enorme crise nacional e social em que se encontravam, tinham que continuar a viver e a fazer a sua vida em normalidade. Deveriam continuar a construir, a plantar, a casar, a fazer filhos e a repetir o processo na geração seguinte.
Embora cativos numa terra estranha, longe das suas tradições, roubados dos seus pertences e alguns de riquezas, Deus manda que continuem a viver normalmente.
Este é e sempre foi, o plano de Deus para nós. Que apesar das nossas crises, altos e baixos na vida, perdas e mortes, continuemos a viver com normalidade pois é Ele que comanda o nosso futuro.
A carta continuava dizendo que deveriam procurar viver em paz na cidade para onde tinham sido levados.Há pessoas que odeiam a cidade ou lugar onde vivem. Há gente que só fala mal da terra onde está, do país que tem, mas Deus pede que oremos por essa terra, para que no dia em que ela prosperar, nós prosperemos também.
Até que chegamos ao verso já citado :” Pois eu sei os planos que tenho para vós, diz o Senhor, planos de paz e não de mal, para vos dar uma esperança e um futuro”.

Quando considero as minhas faltas, os meus deslizes e limitações à luz da misericórdia e amor de Deus, encontro esperança na pessoa do Senhor Jesus Cristo e isso ajuda-me a passar as primeiras folhas do calendário de 2012 em confiança. Que seja assim, consigo, também.