segunda-feira, 30 de julho de 2012

GAIVOTAS EM MATOSINHOS

Foram embora as meninas, os chapéus, calções, biquinis e sacos de lanche. Acabaram o dia de praia e encheram o corpo de calor e creme gordo. Deixaram atrás os sinais de pés profundos na areia e os contentores do lixo, cheios de restos de pacotes vazios.
Na praia, em silêncio, chegaram as gaivotas. Pousaram as patas pequeninas na orla do mar e picaram as conchinhas que restaram da brincadeira das crianças.
Passearam em liberdade. Ninguém para enxotá-las, nem um único ser para tirar-lhes o espaço imenso da espuma deslumbrada do mar. A praia é só delas. E a calmaria do mar, também.
Não sei onde se recolhem quando à noite o mar perde a cor. Mas sei que a praia não é dos meninos e meninas que saltam , correm e deixam sacos vazios de batatas fritas pelo areal.
A praia é delas, das gaivotas brancas e cinzentas, da cor do anoitecer.


quarta-feira, 25 de julho de 2012

NESTE VERÃO


Parece que dá um frenesim nas pessoas. Não conseguem pensar em mais nada a não ser...férias! E aí vão, sózinhos, com a família, com amigos, mal acompanhados, para lugares onde vão dormir mal, comer pior, mas...são férias!
Dizem as pessoas entendidas, que tem sido um Verão diferente. Já não nos lembramos dos outros, da ventania, das manhãs carregadas de neblina, do frio à noite, da nostalgia de outros Verões que passaram cheios das mesmas coisas!
Mas talvez este tenha mesmo sido diferente. Todos anos as matas ardem, há pessoas vingativas, mesquinhas e doentes que se lembram de atear um fósforo e ficar de longe a ver uma mata arder e hectares de floresta a serem devastados pelas chamas. Este ano foi pior ainda.
Neste verão, arderam a Madeira, montados de cortiça, quilómetros de mata no Algarve. Os bombeiros sofrem, a população geme, o país empobrece. O Verão é culpado.
Neste Verão, um autocarro foi atacado por um terrorista na Bulgária. Várias pessoas morreram. vítimas deste atentado sem explicação. Pessoas que gozavam as tais férias, de repente viram o sonho de descanso e lazer transformar-se em pavor e sangue.
Neste Verão, em Aurora, no Colorado, gente que se senta confortável para ver um filme, de repente ouvem os disparos de um louco. Não vem do ecrã, não é filme, é real. E morrem na hora 12 pessoas e 58 ficam feridas sem dó nem piedade.
Neste Verão, um pouco por todo o mundo, os agricultores olham para o céu sem nuvens nem indícios de chuva. Os recursos de água vão acabando, o gado está em perigo e as sementeiras também.
Neste Verão, a Gronelândia olha espantada para o fenómeno dos gelos eternos a derreter-se numa velocidade anormal.
Neste Verão jogam-se as Olimpíadas em Londres. O alerta é total, não vá haver outro massacre.
Igual aos outros Verões? Nada é igual. O homem sem Deus maquina mais maldade, a sociedade sem valores encurrala-nos num mundo onde não há mais liberdade, nem para ir de férias, nem para ver um filme em sossego, nem  fazer uma viagem de autocarro em turismo.
Neste Verão, espero ansiosa por uma alegria. Tem que vir, é obrigatório.



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domingo, 15 de julho de 2012

O SALMO DA VIDA

Tem sido o meu salmo este ano. O salmo do pastor. 


De repeti-lo, lê-lo, orado e chorado sobre ele tantas vezes, já não deveria ter nada novo para me contar. Mas esta noite, enquanto as horas rolavam sem sono e a alma apertava cá dentro, disse-o outra vez. Descobri algo muito lindo, que possivelmente mais alguém já descobriu antes de mim...mas que importa, só agora vi e abençoou-me. Por isso registo aqui o que me encheu a mente nessas horas de insónia.

Ele faz-me repousar em pastos verdejantes, leva-me para junto das águas de descanso...Passei pelos três primeiros versos e vi-me na infância, cuidada, mimada, acarinhada e protegida. Nada me faltava, deitava-me de barriguinha cheia, tinha quem cuidasse de mim, tudo me era dado com o maior cuidado...

Restaura a minha alma ... Tem a ver com a idade das descobertas, da adolescência, da impulsividade em que subia árvores, partia pernas e descia colinas...e caía. Muitas vezes. O pastor procura a ovelha que deve estar virada em qualquer lado, sem capacidade de poder levantar-se e se ele não chega depressa, se não a restaura rápido, o mais certo é ela ficar ali, de patas para cima, sem poder dar a volta para sobreviver...Como Ele fez isso comigo tantas vezes!

Guia-me pelas veredas da justiça... Cheguei à idade das escolhas, do caminho que queria seguir, dos sonhos da juventude, do casamento que queria ter, da chamada que perseguia e se o Pastor não me tivesse ensinado, como me teria perdido e como a vida teria sido tão diferente...

Ainda que eu andasse pelo vale da sombra e da morte, não temeria mal algum, porque Tu estás comigo, a Tua vara e o Teu cajado me consolam...Vivi a fase das dores, das faltas, da separação, da morte dos queridos, da injustiça do mundo, da maldade feroz dos homens, da frustração com amigos, mas Ele nunca me abandonou... Estava lá, sempre.

Preparas-me uma mesa na presença dos meus adversários, unges-me a cabeça com óleo e o meu cálice transborda...Estou sentada à mesa, literalmente. Vejo os que me desejam mal agora e os que me atacaram no passado, estão todos do lado de lá do banquete. Não podem tocar-me. Nada pode perturbar a intimidade que tenho com o Pastor. Ele continua a ungir-me e a encher a minha taça da Sua presença...

Bondade e misericórdia certamente me seguirão todos os dias da minha vida e habitarei na Casa do Senhor para sempre...Caminho para esta fase sem medo. Porque haveria de recear? Tenho a bondade e a misericórdia a seguir-me os passos já vacilantes. Não há possibilidade de perder-me no caminho, porque ao longe vou ver a Casa...

Nada me faltou...nada me faltará...Ele é o meu Pastor!

sábado, 14 de julho de 2012

DESARRUMAÇÃO

Já entrou numa casa completamente desarrumada? Daquelas onde nem sabemos onde nos sentar ou para que lado nos virar se precisamos de apanhar alguma coisa? Pois, é uma sensação terrível. Mas para as pessoas que lá vivem é natural: tiram daqui, põem acolá, empurram isto, mudam mais aquilo e...vai andando. Mas não sei se já teve a experiência de entrar numa, onde a sala está muito bonita, mas se precisamos ir à cozinha, à entrada, temos uma visão de caos... Quando era mais jovem, esta situação dava-me ganas de começar numa ponta e acabar na outra, mas hoje, descubro que as pessoas habituaram-se a viver assim e por isso, a minha ajuda seria inútil.

 Sei que a nossa “casa”, o nosso ser, também acumula tralha. E de tanto acumular, retiramos dela a ordem, a beleza. Estava a meditar sobre isto e resolvi fazer uma inspecção à minha alma. Eu sei onde está a desarrumação. Tenho noção onde se esconde o pó e a sujeira. A sorte é que tenho Alguém ao meu lado, pronto, ao mais leve gesto da minha parte, para limpar, deitar fora, transformar e até restaurar algumas coisas que podem parecer que já nada valem.
Este tempo de lazer e férias é um óptimo momento para essa introspecção. No sossego de um dia de praia, num passeio pela montanha, no amanhecer ou entardecer de um lugar de beleza e quietude, permitamos que o Espírito Santo ilumine as áreas da nossa vida onde não estamos confortáveis, se alguém se lembrar de espreitar. Ele é capaz de mudar a mobília, colocar peças novas no lugar das debotadas e flores frescas, muitas flores, nos jarrões de flores plásticas, cheias de pó!
Ele é um Amigo, que não gosta que fiquemos mal...e continua a ter vontade de limpar! Assim o permitamos.

quarta-feira, 11 de julho de 2012

FONTE DA JUVENTUDE ETERNA



Uma ideia que já vem de longe: um dia alguém descobrirá a fonte da juventude, cujas águas permitirão que o homem nunca envelheça e não morra. Só pensar nisto, me dá uma vontade de rir imensa. Como será administrada tal fonte? Que país oferecerá mais pela aquisição de tal preciosidade? Que preço terá que pagar-se por um copo do líquido mágico?

No entanto, no passado, houve gente que dedicou os seus dias e esforços à procura da “tal” fonte. Conta-se que um dos homens que acompanhou Cristóvão Colombo na sua histórica viagem, um tal de Juan Ponce de León, tinha essa ideia fixa. Outros depois dele, procuraram a fonte, misturaram em tubos de laboratório os mais variados ingredientes, sem nunca conseguir. Este apelo à imortalidade é realmente universal, mas segundo os cientistas, não há maneira conhecida de reverter o processo de envelhecimento de um indivíduo com o resultado final da morte.

Por mais cremes, cirurgias plásticas e tratamentos com substâncias inimagináveis, como a saliva da serpente e a baba do caracol, nenhum nos garante que as rugas e a flacidez não cheguem ao nosso corpo. Há por aí muita gente que nega o que é um facto – um dia seremos velhos, um dia morreremos…

Mas espantai-vos, ó gente! EU encontrei a fonte da vida! Não acreditam? Então procurem a minha receita secreta (hoje estou muito generosa!): “Em Ti está a fonte da vida. Na Tua luz, veremos a luz” (Salmo 36:9) Nele, no Senhor, encontrei o remédio para o coração cansado, para ossos debilitados, para falta de energia, para dores e mal-estar. Nele achei uma fonte inesgotável de alegria, de paz, de prazer, de segurança e de razão para viver. Nele tenho o meu viver e o meu mover. Bebo, torno a beber e a fonte não se esgota. Ele mesmo disse: “EU SOU o alfa e o ómega, o princípio e o fim. Quem tiver sede, de graça lhe darei da fonte da agua da vida!” E mais: esta fonte tem uma água tão poderosa que faz os mortais saltarem para a vida eterna!

Haverá por aí alguém que ainda não bebeu? Está à espera de quê??

quarta-feira, 4 de julho de 2012

A SEARA

Ontem, enquanto o carro rolava pela estrada alentejana, era impossível não ficar em silêncio deslumbrado diante da imensidão dos campos loiros, acabados de ceifar. A paisagem alentejana tem este fascínio. Extensões de campos de cereal e a seguir e a perder de vista, os olivais e as vinhas, que parecem alinhados para um futuro sem preocupação…



Ao encher os olhos do dourado do campo, tinha que por força lembrar a parábola do semeador e constatar mais uma vez, como deveríamos lê-la mais vezes, até entender exactamente o que o Cristo tinha em mente ao contá-la. Na nossa vida como “semeadores”, há um pormenor que esquecemos com muita facilidade, apesar de a natureza no-lo ensinar de modo tão claro: semeador, semeia. Em alguns casos pode até regar e no final ser ceifeiro, mas não tem o poder de fazer crescer! O pior é que quando “semeamos”, nós e os outros que nos observam, esperamos já a ceifa, o resultado, achamos que temos a capacidade de fazer crescer e até de escolher o resultado desse crescimento, esquecendo o tal pormenor que está fora do nosso controlo: é Deus que o produz.

Aliás, falando em pormenores, quando Jesus manda que “oremos ao SENHOR da seara para que envie ceifeiros para a SUA seara”, só isto, nos deveria dar o tal puxão de orelhas, para percebermos de uma vez por todas, que estamos engajados num processo que está absolutamente muito além do nosso alcance e até compreensão: a seara não é nossa, semeamos uma semente que nos foi entregue, credível, perfeita, mas não temos o poder de fazê-la crescer, nem de saber exactamente o tipo de terreno onde caiu, por muito que o estudemos e nos esforcemos.

Outro pormenor: já que somos semeadores, inquiramos se nós mesmos estamos em bom estado para uma tarefa tão exigente. Olhemos para dentro de nós e verifiquemos se as nossas sacas de semente estão cheias. Há por aí muita gente que semeia vento em vez de semente…