quinta-feira, 25 de outubro de 2012

AUSÊNCIA


Eu sei. Estou em falta, pois. Já não escrevo há muito tempo. Mas a disposição tem estado em baixa, devido aos problemas da minha coluna. É difícil estar sentada, não posso estar em pé...Deitada? Odeio.  Isto vai passar. Tudo passa, afinal!
Enquanto o Outono se instala e chama em surdina o Inverno, a vida continua sem muitas mudanças bruscas, a não ser o que se vai ouvindo nas notícias que, a dar crédito a tudo o que dizem, não temos saída nos anos mais próximos.
Não sei se é da chuva, do céu cinzento, da  trovoada, mas nestes dias é mais fácil acreditar no que nos contam de mal. Quando o sol brilha e o azul do céu convida a dar um grito de liberdade, não há politico nem treinador de futebol que nos tire a alegria. 
Mas a minha vida não pode ser conduzida por este ou aquele acontecimento, por este ou aqueloutro desgosto. O meu viver está absolutamente guardado, protegido, sujeito a uma vontade que é soberana e á qual me rendi sem nenhum problema - Deus. Sem Ele seria um astro sem órbita, uma onda sem praia, um pássaro sem ar que o sustente.
 
 
Com dor ou sem ela, vivo Nele e para Ele. No Outono e na Primavera. Mesmo quando eu aqui não escrever nada...não se assustem, estou nas Suas mãos!

quinta-feira, 11 de outubro de 2012

OUTONO


O Outono tem esta magia. A doçura das tardes, a frescura das manhãs e os tons dourados e secos que envolvem a terra. Até os frutos  mudam a cor, parecem mais quentes e mais fortes...
Fecham-se armários, guardam-se fatos de praia e deseja-se que para o ano seja pelo menos tão bom quanto foi este. Há uma nostalgia presente nos nossos gestos, como um adeus de pausa ou um livro que se fecha. Nem sabemos bem se é doce, se é amargo. É apenas difícil de explicar e de sentir. Os primeiros pingos de chuva caem envergonhados e aconchega-se o cobertor, pois a noite começa a ser fresca. O ciclo poderoso e implacável da Natureza. Com leis invioláveis e ditames teimosos e inquebraveis.
 
Dentro de mim também sinto uma mudança. É o Outono da vida. Menos exuberante e com menos flores e pássaros, mas nem por isso com uma beleza menor. Os dias são mais curtos, a vida corre mais lenta. Só as crianças não sentem o Outono. Porque a escola abriu com livros novos a cheirar ainda a tinta fresca e os lápis ainda têm os bicos originais. Correm e brincam, mesmo na chuva que cai. Para eles é sempre Primavera...