sexta-feira, 30 de novembro de 2012

QUEDAS

Já caí algumas vezes. Quedas aparatosas, outras sem explicação e ainda algumas cómicas. Porque será que uma queda desperta alguma vontade de rir nas pessoas? Deve haver alguma ligação estranha entre o cair e o riso...

Mas desta vez caí mal. Fiquei mal e ninguém riu. A queda, ou antes, o tempo em repouso por causa dela, dá-me oportunidades de pensar e meditar de maneira diferente. E conclui algo absolutamente surpreendente: não fomos feitos para cair mas para ficar em pé! (Agora é o momento de rirem pela minha descoberta). Ao perder o equilíbrio, quando estamos estatelados no chão, ficamos vulneráveis, fracos, necessitados de ajuda. Fomos criados para, nesta posição vertical, chegar onde for necessário.


A Bíblia diz que temos que “ficar firmes”. Em pé. Vestidos e revestidos de peças de vestuário que nos ajudem a enfrentar todas as lutas, todas as investidas estranhas da nossa existência.

Se porventura cairmos, como foi o meu caso, temos que arranjar força e meios para nos levantarmos e, mesmo com mazelas...ficar em pé outra vez, firmes!

sexta-feira, 23 de novembro de 2012

DIA DE ACÇÃO DE GRAÇAS


Pena não termos em Portugal a tradição de  um dia de agradecimento e gratidão por tudo o que recebemos da mão do Senhor. Temos importado algumas datas que celebram outras coisas, porem esta, tarda em chegar... mas lá por que não é costume entre nós, não significa que não sejamos gratos. Eu celebrei o meu dia assim:
  • Não tive a belíssima ave assada no forno e enfeitada com as várias iguarias - mas tive o alimento diário, sem falta, que o Pai me promete e por isso Lhe agradeci.
  • Não tive uma reunião de família, dos que estão perto e dos que estão longe. Ninguém viajou de onde quer que fosse para passar o dia comigo - mas senti cada sorriso e cada gargalhada dos que amo. Vi os rostos felizes, sérios, risonhos, das minhas netas, dos meus filhos, dentro do meu coração. E por tudo isso, dei graças
  • Não  tive uma tarde junto à lareira, no quente do amor da família, a jogar um daqueles jogos que sempre aparecem numa tradição de ajuntamento familiar - mas dei graças porque tive força para trabalhar e cumprir o que se espera do meu esforço.
  • Não houve doces, nem bolos ou sobremesas espantosas - mas saboreei devagarinho, uma bela bica portuguesa e por isso dei graças.
E rebuscando no fundo do meu coração, havia tantos outros motivos para agradecer: por paz, no meio do turbilhão da vida; por segurança  e esperança, quando vejo outros a afundar-se em dor e depressão; por amigos fieis, únicos e fortes, que são o suporte da minha existência; pela Igreja, o Corpo onde sou um membro, ou uma articulação, osso ou ligamento, tanto faz, mas que me nutre. sustenta e cura.

Acima de tudo, levanto as mãos por Jesus Cristo, meu Senhor, meu começo e meu final, que enche tudo na minha vida.
Que grande dia de acção de graças!

terça-feira, 13 de novembro de 2012

O CICLO DA VIDA


E o frio chegou. Mais ou menos no dia certo. O sol, bem tenta aquecer com luz e calor, mas é tudo já muito desmaiado...
O ciclo da vida. Daqui a uns meses esqueceremos tudo, porque a Primavera vai chegar, montada num carro de flores e cheiros, impetuosa e chilreando com as andorinhas, Mas enquanto ela não chega, vamos tiritar, espirrar e tossir vezes sem conta! Os ombros destapados, os colos desnudados e as pernas bronzeadas das mulheres, vão tapar-se com golas, camisolas, capas e botas. Parecem outras, como se viessem de um outro planeta!

O ciclo da vida. Hoje somos jovens, fortes, sonhadores e amigos do impossível. Ao virar as páginas  da existência, já perdemos o vigor, não acreditamos e só chegamos ao que é possível...
O ciclo da vida. Não há nada novo debaixo do sol. Há um tempo para tudo debaixo do sol. O sábio observou o que eu observo e chegou à mesma conclusão. Tempo para semear e tempo para colher; tempo para amar e tempo para deixar de amar; tempo  de acreditar e tempo de perder a fé...
 É por isso que gosto de calendários. Os dias são todos iguais, avançam mais lentamente e a gente não sabe se eles trazem sol ou chuva. 

Olho para o livro de Deus e lá, nada muda, a não ser a cor da impressão e uma ou outra palavra que resolveram traduzir de maneira diferente. Porque as promessas, os desígnios, mandamentos, regras e preceitos, passam por todos os Invernos da nossa vida, entram em todas as nossas Primaveras e prometem voltar iguais em cada estação...

quarta-feira, 7 de novembro de 2012

VINDIMAS

Passar pelos enormes vinhais ao longo das estradas portuguesas, pode ser um exercício para os olhos e para a mente. Se fizermos esse percurso em várias estações do ano, aí é que o pensamento se completa. Numa época, as videiras parecem apenas troncos torcidos, na outra estão cheias de folhas verdes e dentro de pouco tempo carregadas de cachos maduros. Um dia, as vindimas arrancam do tronco, sem piedade, os frutos doces e suculentos e a videira fica nua outra vez. Mas antes de hibernar, faz uma festa. As folhas solitárias e que parecem não ter mais préstimo, vestem-se de cores douradas, tons quentes e profundos como se quisessem dizer que também elas têm o direito a ser vistas, já que estiveram lá o tempo todo para proteger o fruto. Quando a festa  termina, lentamente vão caindo e num adeus silencioso, misturam-se na terra e morrem... 
 
 
O fruto, esse vive durante muito tempo, para alegrar o homem e trazer brilho aos seus olhos... Quem vai lembrar-se da folha, quando o vinho é feito do fruto? Mas ela esteve lá, cumprindo a sua missão...
Há pessoas que são apenas as folhas de suporte de um fruto que todos vão comer.Mas estão lá com um propósito. O problema na grande vinha da vida, é que nem todos entendemos o que somos e para que servimos e muito menos nos alegramos, quando a nossa  missão foi cumprida. Quando  chegar ao fim do meu propósito, vou vestir-me de dourado, de cores quentes e profundas e fazer uma  grande festa. Depois, posso adormecer...lentamente.