sábado, 28 de dezembro de 2013

FINAL DO CALENDÁRIO

Fomos arrancando as folhas ao calendário. Cada dia uma história, cada hora uma parte da vida. Nem demos conta que as folhas iam diminuindo...que o calendário ficava mais perto do fim.
Estes trezentos e tantos dias ficaram marcados por lágrimas, por riso, por partidas e chegadas. Assistimos a funerais e estivemos presentes em bodas. Vimos os meninos nascerem e crescerem mais um pouco, os políticos a mentir e o povo a reclamar. Tantas coisas que acontecem num simples ano.
Olhamos para trás e há poucos dias que ficarão na memória. Talvez o dia de um aniversário especial, a data do nascimento de mais uma criança na família ou do adeus a alguém que amamos e que partiu para sempre...De resto, os dias passaram sem nota de grande importância. Os sobressaltos, os sustos, as alegrias, os momentos de prazer, as lágrimas e as dores, diluem-se dentro de nós para fazerem parte do que somos, num recôndito do nosso ser que, segundo o poeta, ”é uma capela de ouro há cem anos fechada, onde não vai ninguém mas onde há festa ainda”.
Mas por cima deste enevoado de lembranças e memórias que desvanecerão, há um sol brilhante: a fidelidade de Deus, imensa, profunda, imensurável, inatingível, inamovível. Ele foi sempre Fiel. Ele É sempre fiel. Daqui a pouco viraremos a primeira página de um calendário novo e as Suas misericórdias continuarão a não ter fim, não importa o que nos acontecer. Os homens vaticinam crise, Ele vai estar lá. Os políticos adivinham mudanças terríveis, Ele vai permanecer. Os bruxos e adivinhadores encherão os programas televisivos com os seus chorrilhos de mentiras, mas Ele é a Verdade.
Que mais pode um ser humano desejar, se o Deus do Universo, invisível mas real está aqui, connosco, Emanuel?

sexta-feira, 13 de dezembro de 2013

A RESPOSTA

E se Maria de Nazaré, cheia de medo, tivesse dito NÃO ao anjo? Este disse "não temas", porque bem sabia o receio que crescia no coração da moça à medida que lhe revelava o maior segredo de todos os tempos: o Messias viria, mas seria Deus-Homem. A Sua missão seria salvar o Seu povo dos seus pecados. O Seu destino seria o trono de David, seu pai.
Maria fica mesmo confusa. Na sua mente jovem tudo se mistura. O seu papel neste guião parece secundário. Ela só tem que dar o seu corpo, para que Deus se faça carne. Como? Como? O ser angélico chama-a de "agraciada" e ela sente-se temerosa. Ele diz-lhe que não vai ser preciso a semente de um homem e ela responde: Como pode ser isto?
Uma conversa tão estranha e ao mesmo tempo tão forte. Maria ainda não sabe, mas no momento em que, de cabeça curvada responde, "eis aqui a serva do Senhor", a Trindade divina está em acção.A palavra do Deus Altíssimo é para ela, o poder do Espírito Santo vem sobre ela e a presença  do Filho é colocada no seu ventre virgem. 
Nós também fomos feitos para Ele, para ouvir a Sua voz, para sentir o Seu Espírito, para ter Cristo formado em nós. Este é o nosso destino final como seres redimidos.

sexta-feira, 6 de dezembro de 2013

LONGE...

Dezembro. Natal. Tudo passa a girar à volta deste tempo especial.  De um ano para o outro, as diferenças na celebração são muitas. Algumas melhores, a maior parte piores. Especialmente no que diz respeito ao sentido destes dias.

Uma das diferenças, é precisamente na família. Na minha, pelo menos. Este ano, não vou por a mesa para os mais velhos. A ausência dói  e não vale a pena fingir que tudo é igual. Nunca mais será.

Os mais novos casam, estudam fora do país e isso leva a que uns queiram passar o Natal com as suas "novas" famílias e que outros tenham dificuldade em vir a casa, porque o dinheiro é curto. Parece que estamos divididos, esfrangalhados, Tenho vivido esta sensação nos últimos dias. Mas hoje, enquanto falava com Deus, de repente percebi que foi sempre assim, desde o primeiro Natal.

Maria e José saíram da sua terra e viajaram vários dias até chegar a Belém. O conforto e aconchego da casa e da família chegada, ficaram longe e agora, procuram entre os parentes um lugar para ficar durante o recenseamento. Maria está no fim da gravidez.  Os parentes têm a casa cheia. Outros chegaram, antes do casal de Nazaré. Não há lugar para eles, a não ser no estábulo dos animais. Melhor, do que ficar na rua. Maria está a dar os primeiros sinais de parto e resolvem ficar ali mesmo.



O Menino nasce. Rosado, pequenino, macio e choroso, como todos os bebés. Este é o primeiro, o verdadeiro Natal. Ele, que é Deus, também deixou a Sua glória, a adoração dos seres celestiais e veio passar o Seu Natal longe de tudo o que era Seu,  porque não havia outra maneira de salvar os homens do seu pecado.

Este vai ser o meu pensamento neste Natal de 2013. Filhos e netos longe, ausência dolorosa de alguém que não volta mais, nada se compara ao que Ele fez por mim. Deixou tudo, abdicou de tudo porque me amou. No Seu Natal, Ele também estava longe de Casa, do Pai, da Glória, por minha causa...












sexta-feira, 22 de novembro de 2013

PESSOAS PERFEITAS





Tenho muita dificuldade em estar com pessoas perfeitas. Sim, falo daquelas que fazem sempre bem, ajudam sempre o próximo, estão lá para a toda a gente nos momentos críticos, são exemplares no trabalho, têm famílias que funcionam como relógios e casas limpas e desinfectadas como a enfermaria de um hospital.
Fico com alergia. Exactamente. Comichão no corpo todo. Porque eu não consigo ser assim, por mais que me esforce. 

Nem sempre sou bondosa, aliás, tem acontecido muitas vezes que penso estar a fazer o bem, mas descubro pela reacção à minha volta que meti os pés pelas mãos. Nem sempre ajudo o próximo, por mais que o coração doa pela infelicidade que me cerca, nem sempre tenho os recursos, às vezes não encontro as palavras...Não sou exemplar no trabalho, embora seja bem esforçada, mas tenho dias que à minha volta o labor  transforma-se em caos. A minha família é linda, mas composta de gente imperfeita. Saem a mim. Ah e a casa. Essa já conheceu melhores dias. Quando a força me atirava para cima do escadote a limpar  e me punha de joelhos a esfregar. Mas esses dias perderam-se na bruma dos tempos...

Gosto mais de estar com pessoas normais. Que se esquecem, que não telefonam sempre, que beijam muito porque gostam de expressar carinho em excesso, cuja casa não está desinfectada, mas cheira a bolo acabado de fazer e a batatas doces assadas...
Gosto de pessoas que ainda têm dúvidas e que vivem cada dia penduradas na graça de Deus. Que sabem que tudo o que são e têm, vem do Alto, descendo do Pai das luzes. Que choram nos momentos errados e soltam uma gargalhada a meio de uma conversa séria. Gosto dos pintores sujos, dos poetas desgrenhados, dos músicos esquecidos e das crianças inocentes...Pessoas perfeitas, por favor, fiquem aí onde estão!

segunda-feira, 4 de novembro de 2013

ESCREVER




Escrever acalma-me. Mesmo que ninguém leia. Mas prefiro saber que, pelo menos uma pessoa sentiu  o que escrevi. Porque escrever, tem a ver com sentir.
Se pudesse escrevia o tempo todo. Porque sinto muito. Queria colocar tudo em palavras,mas depois acho que as pessoas se fartavam do que sinto...
Escrever é um jeito que me ficou desde criança, quando descobri que as palavras escritas têm umas asas enormes e chegam onde eu não posso chegar. Mas que digo eu? Se as palavras têm asas, também eu tenho!
Escrever é uma necessidade. Parece que fica tudo engasgado cá dentro, quando não coloco em letras e frases o que me vai na alma. 
Escrever é perigoso. Uma vez escrito o pensamento, sentimento ou crença, fico para sempre aprisionada ao que escrevi. 
Escrever é delicioso. Coloco letras e elas dançam em palavras; coloco palavras e elas abraçam-se em  frases;  escrevo frases e tudo fica mais claro e mais transparente dentro de mim.
O que irá acontecer, se um dia não puder mais escrever?
Posso arranjar um escriba. Posso desistir de escrever. Mas nunca vou deixar de sentir.

segunda-feira, 21 de outubro de 2013

PENSAMENTOS SOBRE UMA CONFERÊNCIA...


Faltam poucas semanas para a nossa Conferência anual. Muito trabalho, muita expectativa.

O que irá acontecer? Como será o encontro com Deus daquelas centenas de pessoas? O que terá o Senhor em mente para essa jornada? Será apenas “mais” uma reunião, ou um marco na vida de cada um?
Essas são algumas das minhas interrogações neste momento.

Buscando a Sua Presença esta manhã, o Espírito de Deus levou-me a uma passagem estranha e bela, misteriosa e doce, única e pungente: “Que é o teu amado, mais do que outro amado...? (Cant 5:9)

A sulamita corria como louca pelas ruas da cidade, gritava pelo amado e não tinha resposta, os guardas que deveriam protege-la e ajudá-la, espancaram-na, feriram-na, deixaram-na sem manto, desnudada, descoberta, frágil. Mas a sua busca não cessou, apesar disso. Por fim fizeram-lhe a pergunta que coloca tudo em perspectiva: "O que tem ele  (o teu amado) mais do outro qualquer? O que é ele acima dos outros, para ser procurado com tanta paixão?"

Na Sua presença, o Espírito de Deus obrigou-me a responder por que O procuro, por que o meu coração O anseia, porque quero tanto que outros entendam que fora da Sua presença a vida perde o som, a cor, direcção e propósito... Será que as mulheres e homens que vão assistir a esta Conferência também  procuram assim? Será que todos sabem que são absolutamente amados a tal ponto que sempre que O buscam, encontram? 

No final do dia, será que a maioria irá dizer, como disse hoje o meu coração: Ele é totalmente desejável!?

terça-feira, 8 de outubro de 2013

ARREPENDEI-VOS!



Quando alguém se arrepende,se volta para Deus e começa a confiar na Sua graça, não pode mais odiar o seu próximo. É psicologicamente impossível receber a graça de Deus e ao mesmo tempo recusar mostrar graça aos outros. Por isso, um dos primeiros frutos do arrependimento é a unidade. O arrependimento penetra a muralha que separa classes e raças. Por isso, a igreja, de todas as instituições que existem no mundo, tem que ser livre de do preconceito de grupos de pessoas que não são "convidativos".  A graça de Deus mistura-nos!
João Baptista, na sua abordagem, falou a  três grupos:
  • Multidão (mistura de gente, de várias educações, profissões, estatuto social): “Quem tiver duas túnicas, reparta com o que não tem e quem tiver comida faça o mesmo”(v.11) 
  •  Cobradores de impostosNão cobreis mais que o estipulado” (v.13)
  • Soldados(v.14)“A ninguém maltrateis, não deis denúncia falsa e contentai-vos com o vosso soldo”(v.14)
Quando pensamos em todas as centenas de exortações que João podia ter dado e possivelmente deu, todas as que Lucas registou têm a ver com posses, com os haveres e com dinheiro.
Se somos gente favorecida pela graça de Deus, hoje é um dia especial para perguntar como aqueles nos dias de João: “Que havemos de fazer?” Infelizmente, a nossa vaidade, orgulho e desprendimento da responsabilidade, levam-nos ao ponto de nem fazer esta pergunta. Achamos que confessando os nossos pecados e recebendo o amor e perdão de Deus, já ficamos perfeitos e em sossego eterno...
O facto é que não temos só uma túnica, temos dezenas de túnicas, a maior parte delas  penduradas num guarda-fato ano após ano, sem serem vestidas... 
Comida? Temos tanto...já pensamos em alguém que não tem, um vizinho que não consegue cozinhar, uma família que está em dificuldade?
E quem tem negócios? Como negoceia? Pede mais do que devia, mais do que o estipulado?
E os que têm poder, o que fazem? Usam a força e a prepotência para extorquir mais do que o necessário?
Contentai-vos com o vosso salário, disse João. É isso que fazemos, ou vivemos numa roda-viva para ganhar mais, porque compramos coisas a mais, temos que pagá-las e por isso temos que trabalhar mais?
Ensinamos os nossos filhos a amar a água, recurso maravilhoso da natureza?
Instruímo-los a comer o que é bom e correcto e a dar graças pela saúde? A repartir brinquedos e jogos com outras crianças que nunca poderão comprá-los?
A luta contra a pobreza e contra uma crise que nos toca de perto, tem que ser tratada com arrependimento, seguido do fruto digno desse arrependimento.
A família de Deus tem que ser um lugar onde a crise não entra, porque todos nós entendemos o propósito de Deus para esta família. Repartir com as mãos e o coração, pode bem ser sinonimo de arrependimento.

sexta-feira, 27 de setembro de 2013

ALARGUE...



Há um termo no Novo Testamento que descreve como funciona o nosso círculo de relacionamentos. De facto este termo mostra a pedra básica do edifício da sociedade humana. É a palavra que se refere à comunidade e na nossa Bíblia, é traduzida por casa. Por exemplo, quando Pedro diz em Actos 16:31:”...serás salvo, tu e a tua casa”. 
O termo grego é oikos.
O oikos onde nós vivemos, não comporta muita gente. Podemos conhecer até centenas de pessoas, mas tempo de qualidade, só é gasto com muito poucas pessoas. Por isso os nossos relacionamentos, as nossas amizades fora do nosso oikos, são casuais.
É raro encontrar uma pessoa que tem mais do que 20 pessoas no seu oikos, o máximo são 9  e uma grande percentagem não desenvolveu nenhum relacionamento novo nos últimos seis meses.
A vida humana é feita de cadeias infinitas de ligações oikos. Em todas as culturas, a intimidade destas ligações é considerada sagrada e a segurança do indivíduo reside na afirmação que recebe daqueles que são significativos no seu oikos.
 
Jesus  Cristo era perito não apenas em relacionamentos intencionais, mas em invadir os oikos das pessoas do Seu tempo. Ele entrava nas “casas”, umas vezes convidado, outras sem ser convidado e mesmo quando O convidavam, confundia a tradição daquela família, curando, libertando, abençoando todos os que vinham a Ele, não apenas os da família que O recebia.
E se todos víssemos o potencial que há em nós para que a nossa casa, o nosso oikos se alargue, para podermos consolar outros, ajudar outros, falar de Jesus a outros, orar por outros, estender uma mão amiga a outros, limpar as lágrimas a outros?
Se insistir em dizer: “Não sou capaz, não tenho muito jeito, tenho receio que não me aceitem”, nunca vai experimentar a alegria que é dar-se a si mesmo e saber que alguém ficou mais feliz por sua causa...
Alargue o seu oikos, hoje!

domingo, 22 de setembro de 2013

AMA O TEU PRÓXIMO COMO...


Se responder ao mandamento de Jesus “Ama o teu próximo como a ti mesmo”, vou descobrir se estou ou não errado no amor por mim mesmo... 


 
Da mesma maneira que desejo comida quando tenho fome, desejo alimentar o meu próximo quando ele tem fome?
Como desejo boa roupa para me cobrir, desejo que o meu vizinho tenha também boas roupas? 
À medida que trabalho para viver num lugar confortável, desejo que o meu próximo tenha um lugar seguro para viver?
Enquanto  desejo ser livre de calamidades e violência, procuro conforto e segurança para o meu próximo? 
Trabalho para que a minha vida tenha significado, desejo o mesmo significado para o meu próximo? 
Desejo ter amigos, procuro ser amigo do meu próximo?
Desejo ser bem-vindo entre pessoas estranhas, dou as boas vindas ao meu próximo? 
Por outras palavras: torno a minha busca pessoal a medida da minha dádiva pessoal? 
Quando Jesus diz, “ama o teu próximo como a ti mesmo” a palavra COMO torna-se radical. 

Significa:
  • Se estou entusiasmado na busca da própria felicidade, tenho que estar entusiasmado na busca da felicidade do meu próximo.
  • Se sou criativo na busca da minha felicidade, serei criativo na busca da felicidade do meu próximo.
  • Se sou perseverante na procura da minha felicidade, serei perseverante na procura da felicidade do meu próximo.
De facto Jesus não disse apenas: busca para o teu  próximo  as mesmas coisas que buscas para ti, mas busca-as da mesma maneira – com o mesmo zelo, energia, criatividade e perseverança. Torna a tua busca a medida da tua dádiva.

quarta-feira, 18 de setembro de 2013

QUE??

Sabe que ao falarmos de uma certa maneira estamos a libertar uma influência? Essa influência pode ser negativa ou positiva. (ex. “nós vamos conseguir” e alguém diz, “já ouço isso há tento tempo"…) Cuidado com a sua maneira de falar. 
Se essa influência negativa não for tratada, ela cria uma atmosfera. Quando influenciamos alguém para o bem ou para o mal, criamos uma atmosfera, na nossa casa, junto dos nossos amigos, no nosso local de trabalho. Já lhe aconteceu sentir ou dizer, “essa pessoa não, estraga logo a festa!”
Essa atmosfera pode transformar-se num clima.  A culpa deixa de ser nossa e passa a ser dos nossos pais, dos nossos antepassados, dos nossos patrões, dos nossos filhos ou do nosso marido. E o clima já se instalou.
Transforma-se em seguida  num sistema de crença. À força de alimentarmos as nossas convicções negativas, de provocarmos uma atmosfera e um clima à nossa volta, começamos a acreditar naquilo que é absolutamente contrário ao que Deus diz na Sua Palavra.
Ao acreditar, transformamos isso numa fortaleza. Isto dá-se quando a nossa mente fica tão fechada à realidade do que Deus disse e ouvimos apenas as nossas imaginações, nossos raciocínios, nossos sofismas. 

A fortaleza por fim transforma-se numa cultura.  O próprio Senhor Jesus disse: “”Será que nunca chegarão a acreditar em mim, mesmo depois de todos os milagres que fiz no meio deles?" 
Que influência tenho? Que atmosfera crio à minha volta? Que clima instalo ao meu redor? Que sistema de crenças passo aos outros? Como cheguei ao ponto de viver numa fortaleza? Que  cultura é esta? 
Quero muito que a minha vida esteja baseada em fé, naquilo que Deus diz, afirma e promete. As dúvidas não criam raízes, quando a minha fé é liberta!